quinta, 04 de junho, 2026
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Você é do tipo que faz de tudo para evitar um abraço? Ou conhece alguém que é assim? Em ambos os casos nem sempre é fácil explicar o motivo que leva uma pessoa a não gostar muito do contato, considerados por muitos, como um gesto de carinho. Segundo a ciência, algumas das causas para este comportamento é a forma como uma pessoa é criada ou problemas de autoestima.
“Nossa tendência a nos envolvermos em contato físico – seja abraçar, dar um tapinha nas costas ou oferecer o braço a um amigo – é, muitas vezes, produto de nossas experiências iniciais”, explicou Suzanne Degges-White, professora da Northern Illinois University, nos Estados Unidos, à Time.
Qualquer que seja a origem da aversão, ela pode causar desconforto para quem a sente e para quem é alvo dela. Felizmente, de acordo com especialistas, é possível superá-la, mas a iniciativa deve partir do indivíduo, que pode – ou não – querer agir “normalmente”.
Vale lembrar ainda que evitar contato físico também pode ser um componente cultural. Em países como Coreia do Sul, Estados Unidos e Inglaterra as pessoas tocam e abraçam menos umas as outras do que em lugares como Brasil, França e Porto Rico, por exemplo. Pelo menos é o que indica estudo realizado pela Universidade da Califórnia, também nos Estados Unidos.
Convivência familiarEstudo de 2012, publicado na revista Comprehensive Psychology, indica que pessoas criadas por pais que gostam de abraçar estão mais propensos a replicar o comportamento na fase adulta. Já Suzanne afirma que para pessoas que convivem com pais que fogem do contato físico, apenas pensar em ser abraçado pode deixá-las desconfortáveis. A atitude é reproduzida durante toda a vida e repassada à geração seguinte.
No entanto, existe uma terceira situação, que reflete o comportamento oposto, ou seja, crianças cercadas pela falta de toques físicos podem crescer com a necessidade de suprir essa carência e, portanto, são mais propensas a querer abraçar. “Algumas crianças crescem e se sentem ‘famintas’ pelo toque e tornam-se indivíduos que não conseguem receber um amigo sem um abraço ou um toque no ombro”, comentou Suzanne.
Assim, fatores familiares podem gerar um impacto fisiológico duradouro, independente do tipo de ambiente em que as pessoas foram criadas.
Resposta fisiológicaQuando não temos muito contato físico com as pessoas ao nosso redor, especialmente os pais, o corpo pode ser afetado durante a infância e adolescência, prejudicando o sistema nervoso e a forma como os hormônios são produzidos no cérebro.
Darcia Narvaez, do Departamento de Psicologia da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, explicou que a falta de contato nas primeiras fases da vida atrapalha o desenvolvimento do nervo vago – feixe de nervos que vai da medula espinhal até o abdômen -, diminuindo a capacidade de os indivíduos criarem laços de intimidade e de compaixão em relação aos outros. Por causa disso, o sistema de produção da ocitocina, também conhecido como hormônio do amor, também fica comprometido.
Pesquisa de 2014, feita com órfãos romanos, demonstrou como a negligência afetiva pode impactar o desenvolvimento mental. As descobertas apontaram que as crianças adotadas tinham sistemas de ocitocina defeituosos já que, no período em que estiverem no orfanato, eles quase não receberam carinho. Devido a isso, elas não demonstraram aumento do hormônio que crianças educadas em um ambiente familiar acolhedor apresentam quando são abraçadas ou sentam no colo dos pais.
A falta da ocitocina dificulta a formação de uma personalidade mais sociável. Portanto, toques carinhosos, incluindo o abraço, são muito importantes para os jovens, mesmo que na vida adulta eles prefiram evitá-los.
AutoestimaDe acordo com Suzanne, baixa autoestima e problemas com o próprio corpo também podem desempenhar papel na aversão de alguém. “As pessoas que estão mais abertas ao contato físico com os outros geralmente têm níveis mais altos de autoconfiança. Já as pessoas que têm níveis mais altos de ansiedade social, em geral, podem hesitar em se envolver em toques carinhosos com os outros, incluindo amigos”, esclareceu. Ela ainda alerta que o medo de ser tocado – física e emocionalmente – pode tornar esse desconforto ainda pior.
Como lidar?Para quem gostam de abraçar, a recomendação é: contenha-se. O Emily Post Institute, criado pela socialite e escritora americana Emily Post, sugere evitar o contato físico a menos que você já tenha intimidade com a pessoa em questão. A razão é simples: apesar de o abraço ser confortável para você, o mesmo pode não ser válido para o outro. Segundo especialistas, algumas pessoas levam semanas ou meses para se sentirem confortáveis o bastante para aceitarem – sem relutância – um abraço.
Além disso, a linguagem corporal deve ser sempre levada em consideração antes de iniciar o contato: se a primeira atitude de alguém é estender a mão para você, por exemplo, reconheça o sinal e apenas aceite o cumprimento sem tentar maior proximidade. Outras condutas de quem prefere evitar um toque mais íntimo são fáceis de perceber, como caretas (discretas ou óbvias), expressão de pânico ou repulsa no olhar. Se reconhecê-las, já sabe, nada de abraço.
Como superar?Primeiro: é importante ressaltar que ninguém deve se sentir obrigado aceitar o contato físico apenas para atender convenções sociais. Mas se o comportamento causa desconforto emocional, recomenda-se procurar ajuda de profissionais especializados. Já aqueles que não tem problemas com alguns toques, mas têm aversão ao abraço especificamente, a sugestão é se esforçar para aceitá-lo e lidar com o mal-estar temporário. “Você pode muito bem perceber sentimentos de alívio, gratidão, surpresa e aceitação depois do abraço, e até mesmo se arrepender por ter se fechado por tanto tempo”, disse Suzanne.
Benefícios do abraçoEstudo de 2015, realizado pela Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos, descobriu que abraçar pode tornar as pessoas menos propensas a adoecer. Segundo os pesquisadores, 32% da melhora no sistema imunológico dos participantes provinham dos efeitos positivos do abraço, que tem potencial para aliviar o estresse. “Aqueles que recebem mais abraços são um pouco mais protegidos de infecção”, concluíram os cientistas.
No entanto, se esse argumento não for suficiente, uma pesquisa de 2014, publicado no American Journal of Infection Control, descobriu que bater punhos é a forma mais higiênica de saudação, além de requerer contato mínimo.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.