quinta, 04 de junho, 2026
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Os energéticos são bebidas que estimulam o metabolismo e garantem melhorar o desempenho, aumentar a energia e deixar as pessoas mais alertas. Esse tipo de bebida é muito popular entre adolescentes – especialmente aqueles em ano de vestibular e precisam se manter despertos por mais tempo – e jovens adultos, que podem misturá-los a bebidas alcoólicas para potencializar os efeitos. No entanto, o alto consumo de energéticos podem trazer consequências para a saúde a longo prazo.
Altos níveis de cafeínaEm um editorial publicado no periódico científico British Medical Journal, Russell Viner, presidente do Royal College de Pediatria e Saúde da Infância, afirma que um dos principais componentes dos energéticos é a cafeína, que aumenta os níveis de atenção e consciência. A substância traz prejuízos para o corpo, principalmente de crianças e adolescentes, pois eleva os níveis de ansiedade, reduz o sono – importante para a recuperação do organismo – e está ligada a problemas comportamentais em crianças. Uma lata pode conter pelo menos 320 miligramas por livro (mg/L); uma xícara de café tem entre 60 e 120 miligramas.
A cafeína leva mais tempo para ser eliminada do corpo em crianças e adolescentes em comparação aos adultos. Como resultado, essas bebidas podem levar a dores de cabeça, problemas comportamentais, insônia e problemas de ansiedade em grupos etários mais jovens.
“Os energéticos são altamente comercializadas para adolescentes de maneiras que encorajam comportamentos de risco, incluindo consumo rápido e excessivo. Como resultado, as visitas de emergência por causa dessas bebidas estão aumentando”, disse Jennifer L. Harris, da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, à Reuters. A bebida também é ácida, com nível de PH semelhantes aos do suco de limão ou vinagre, criando um ambiente ácido na boca, o que pode prejudicar a saúde dentária.
Todos esses efeitos são prejudiciais para o sistema digestivo. “A acidez e os altos níveis de cafeína têm um efeito irritante no esôfago, então se você está propenso a úlceras do estômago ou gastrite – uma inflamação do estômago – isso pode piorar”, esclareceu Stuart Farrimond, escritor médico e científico, ao The Telegraph.
Altos níveis de açúcarAlém disso, as bebidas energéticas causam rápido aumento nos níveis de açúcar no sangue uma vez que não contêm fibra, que ajuda a reduzir as taxas de açúcar e gordura no organismo. Essa reação oferece sérios riscos de desenvolver obesidade, diabetes tipo 2, cárie dentária e inflamação. Especialistas estimam que algumas bebidas podem ter cerca de 50 gramas de açúcar por lata. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a ingestão diária não ultrapasse as 25 gramas (6 colheres de chá).
O corpo também pode apresentar hipoglicemia reativa, que acontece quando os níveis de açúcar no sangue ficam abaixo do normal. “Dentro de uma hora, seu fígado começa a tratar a cafeína como um veneno e tenta eliminá-la, e é por isso que essas bebidas têm um efeito diurético — que pode levar à desidratação. Entre 90 minutos e duas horas depois o consumidor pode ter ainda hipoglicemia reativa”, esclareceu Emer Delaney, da British Dietetic Association, ao The Telegraph.
Efeitos no cérebroQuando misturados com bebida alcoólica, os energéticos podem ser ainda mais perigosos, pois desativam mecanismos cerebrais capazes de controlar impulsos; sem eles, o ser humano se torna mais propenso a perder o controle e assumir riscos desnecessários.
“A desconexão entre o que você sente e como você age é o problema aqui. A estimulação pode não ser uma coisa boa quando você está bebendo, já que você pode beber por muito mais tempo do que pretendia”, explicou Cecile Marczinski, psicóloga da Northern Kentucky University, nos Estados Unidos, ao Medical News Today.
Efeitos no coraçãoEstudo publicado no ano passado no Journal of American Heart Associationdescobriu que os energéticos também podem prejudicar o funcionamento do coração. Os pesquisadores revelaram que os participantes que consumiram as bebidas apresentaram maior intervalo de QT – tempo que os ventrículos levam para se preparar para uma nova batida (contração cardíaca).
Essas irregularidades (no caso dos participantes foi de 10 milissegundos) podem levar a batimentos cardíacos anormais ou arritmia. Especialistas informam que alguns medicamentos afetam os intervalos em seis milissegundos e, por causa disso, precisam alertar os pacientes. No entanto, os energéticos testados não notificaram os consumidores da possibilidade.
Além disso, a equipe da Força Aérea dos Estados Unidos, que realizou a pesquisa, percebeu que a pressão sanguínea aumenta em cinco pontos após a ingestão da bebida, permanecendo assim por cerca de seis horas. “Isso sugere que outros ingredientes além da cafeína podem ter alguns efeitos de alteração da pressão arterial”, escreveu Emily A. Fletcher, líder da pesquisa, no estudo. Entretanto, ela acrescentou que mais pesquisas são necessárias para confirmar os resultados.
Por causa dos efeitos negativos sobre o corpo, desde o mês passado, o governo do Reino Unido estuda medidas que visam criminalizar a venda de bebidas energéticas para menores de 18 anos.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.