quarta, 03 de junho, 2026
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Uma moradora de Ribas do Rio Pardo foi chamada pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e viajou a São Paulo para realizar a doação que possibilitou um transplante destinado a um paciente brasileiro. O procedimento foi realizado em 28 de outubro de 2025, anos após o cadastro feito quando ela tinha apenas 18 anos.
O convite para integrar o Redome surgiu quando ela ainda participava de campanhas de doação de sangue promovidas pelo Rotary, grupo de doadores voluntários no município.
Assim que atingiu o peso mínimo exigido, passou a doar sangue.
“Eu tinha 17 anos quando consegui doar sangue pela primeira vez”, lembra.
O cadastro como doadora de medula veio pouco depois. Na época, ela ainda tinha dúvidas sobre o procedimento.
“Perguntei se doía, me explicaram que ali era só o cadastro e que a chance de compatibilidade é rara, mas que, se acontecesse, entrariam em contato”.
Ela autorizou a inclusão dos dados e seguiu a vida normalmente, mantendo telefone e endereço atualizados.

(Foto: Divulgação SES)
No ano passado, recebeu uma mensagem perguntando se poderia ir até Campo Grande para realizar exames por suspeita de compatibilidade com um paciente.
Ainda não havia confirmação de que a doação seria necessária. Após realizar a coleta de sangue, ela aguardou o prazo informado, que poderia chegar a 180 dias.
A confirmação veio perto do limite do período.
“Eu disse sim na hora”, afirma.
Mãe de Liz, de 7 anos, e Leonardo, que na época tinha 1 ano e 7 meses, ela precisou reorganizar a rotina familiar para permanecer alguns dias fora de casa.
“Não hesitei, mas logo pensei: como vai funcionar? Tenho duas crianças pequenas”.
Após a confirmação, ela foi encaminhada para São Paulo, onde passou por exames complementares e orientações médicas sobre as formas possíveis de doação.
No caso dela, foi utilizado o método de aférese, em que o doador recebe medicação por alguns dias para aumentar o número de células-tronco na corrente sanguínea. Em seguida, o sangue é coletado por uma máquina que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.
Todo o procedimento é realizado em centro especializado e custeado pelo Redome, Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde.
Ela permaneceu cerca de seis horas ligada ao equipamento.
“Eles explicam tudo com muita clareza. Me senti segura o tempo todo”, relata.

(Foto: Divulgação SES)
Ao todo, foram nove dias em São Paulo, período que ela considera o momento mais difícil da experiência.
“Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. Eu já não amamentava, mas o apego é muito forte. Mas eu sabia que era por uma causa valiosa”.
Havia ainda a possibilidade de uma segunda coleta, caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a confirmação de que a primeira coleta havia atendido à necessidade, a emoção tomou conta.
“Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei. Foi uma emoção muito grande”.
O processo ocorre de forma sigilosa, e a doadora não recebe informações detalhadas sobre quem recebeu o transplante. Ela sabe apenas que o paciente é brasileiro.
“A gente pensa na pessoa que está do outro lado, esperando. Eu espero que esteja bem, que tenha saúde. Que isso tenha sido um recomeço”.
De volta à rotina na loja de roupas infantis onde trabalha, em Ribas do Rio Pardo, ela decidiu compartilhar a experiência para incentivar outras pessoas.
“Doem sangue. Se cadastrem como doadores de medula óssea. É algo que pode mudar completamente a vida de alguém”.

(Foto: Divulgação SES)
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue e o transplante é indicado para pacientes com doenças que afetam essas células.
Para se cadastrar como doador voluntário é necessário:
Ter entre 18 e 35 anos e 9 meses
Não ter doença infecciosa ou incapacitante
Não apresentar doença neoplásica, hematológica ou do sistema imunológico
Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser feito nas unidades da rede Hemosul, em Campo Grande e no interior do Estado.
Segundo a chefe do Setor de Captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, dados do Redome apontam que sete pessoas de Mato Grosso do Sul efetivaram a doação de medula óssea em 2024.
Atualmente, o Estado soma 197.502 cadastros de doadores voluntários de medula óssea, registrados entre 2001 e 2025.
“Cada novo cadastro representa uma possibilidade concreta de compatibilidade para quem aguarda um transplante. Por isso, é fundamental manter telefone e endereço sempre atualizados”, reforça.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.