sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Nos atendimentos clínicos, percebo que a relação com o dinheiro costuma ocupar um espaço simbólico muito maior do que imaginamos. Para quem vive em escassez, o dinheiro representa segurança, sobrevivência, dignidade. A falta dele fragiliza o senso de controle sobre a própria vida, gera tensão constante, medo do amanhã e uma autocrítica devastadora.
Não é raro que pessoas em situação de instabilidade financeira desenvolvam sintomas de ansiedade, insônia, irritabilidade e até quadros depressivos; não apenas pela falta de recursos, mas pela sensação de impotência diante de um mundo que exige cada vez mais.
A escassez nos coloca à prova, (física e emocionalmente), mas o excesso também pode.
Dias atrás, li uma reportagem sobre um terapeuta que trabalha com milionários. Ela contava como, mesmo cercados por luxo, muitos de seus pacientes viviam mergulhados em angústia, ansiedade e solidão. Era como se tivessem conquistado tudo que o dinheiro pode comprar mas ainda assim, sentissem um vazio que nada parecia preencher.
A leitura me provocou uma reflexão antiga e ao mesmo tempo muito atual: afinal, qual é o verdadeiro papel do dinheiro na nossa saúde mental?
Dinheiro traz felicidade? A resposta curta seria: às vezes, em parte. Sobretudo quando ele elimina insegurança. Pesquisas clássicas mostram que aumentar a renda melhora a avaliação da vida (a satisfação geral), mas que os ganhos emocionais diários (o “bem-estar experiencial”) crescem menos depois de certo patamar financeiro. Um estudo influente de Kahneman & Deaton (2010) concluiu que renda maior melhora a avaliação da vida, mas não aumenta indefinidamente o bem-estar emocional; ou seja, depois de uma certa quantia influencia cada vez menos.
Trabalhos mais recentes refinam essa visão: experiências e mediadores (como segurança, tempo livre e relações sociais) importam tanto quanto o valor nominal (quantia) da renda. Pesquisas que reanalisaram grandes bases de dados indicam que, em média, cada incremento de renda passa a acrescentar menos bem-estar que o anterior.
No entanto, uma evidência é clara: insegurança econômica (dívidas, renda instável, medo de perder o emprego) é um dos maiores fatores de risco para sofrimento psicológico. Pessoas em dívida ou com renda incerta têm taxas muito maiores de ansiedade, depressão e stress. O que o dinheiro compra com mais consistência é segurança que, por sua vez, amortece choques de vida e protege a saúde mental. Estudos longitudinais mostram associação entre insegurança econômica e piora em saúde mental.
Na prática clínica isso aparece de forma direta: pacientes que relatam insegurança financeira tendem a ter sono fragmentado, ruminação constante e pior capacidade de resolução de problemas. Justo, já que parte da “capacidade mental” está ocupada com cálculos, contas e medo do futuro. A estabilidade econômica não garante felicidade absoluta, mas retira uma das pressões mais corrosivas sobre o psiquismo.
Neste ponto, não é só o individual que conta, políticas públicas importam. Programas que reduzem insegurança (renda mínima, suporte social, acesso a serviços) produzem efeitos substanciais na saúde coletiva. Instituições de saúde mental e políticas econômicas precisam dialogar. Organizações que oferecem suporte financeiro (psicossocial e prático) geram impacto clínico direto: menos sintomas, menos hospitalizações e melhor recuperação funcional.
Também vejo, com frequência, a narrativa de que “mais dinheiro resolveria tudo”. Para alguns sim, mas somente quando em níveis de privação ou vulnerabilidade financeira. Além desse ponto a riqueza extrema pode introduzir novos estressores: isolamento social, desconfiança nas relações, responsabilidade ampliada, medo de perdas patrimoniais, pressões para manter um estilo de vida... Em outras palavras, riqueza não é sinônimo de imunidade emocional.
Tanto a privação quanto a busca obsessiva pela acumulação podem ser formas de sofrimento. A falta cria vulnerabilidade imediata (pior sono, ansiedade, decisões tomadas sob pressão) e se mostra robustamente associada a piora de saúde mental. A busca desmedida por riqueza, por sua vez, pode colocar a vida no modo “adiar o presente”, desfoca das relações e autocuidado e leva a um circuito de insatisfação contínua e a sensação de “piloto automático”: compram, viajam, acumulam... Mas já não sabem por que ou que buscam.
Dinheiro pode comprar paz de espírito quando protege contra vulnerabilidade. Mas não espere que ele carregue sozinho a tarefa de dar sentido à vida. Em terapia, o trabalho costuma ser duplo: aliviar o peso imediato da insegurança (quando existe) e, ao mesmo tempo, reconstruir projetos pessoais que tragam satisfação duradoura. A pergunta que eu convido meus pacientes a fazerem é simples e profunda: o que eu quero que o meu dinheiro me permita ser e viver?
A boa notícia é que práticas clínicas e o desenvolvimento da inteligência emocional ajudam. Algumas ideias clínicas e práticas que costumo trabalhar com pacientes:
1. Priorizar segurança antes de excessos. Se a renda atual é insuficiente para cobrir necessidades básicas, a prioridade clínica é reduzir a insegurança (assessorias financeiras, redes de apoio, direitos sociais). Intervenções que diminuem a incerteza têm impacto rápido no alívio do sofrimento.
2. Converter renda em recursos que promovam bem-estar. Gastos em experiências (tempo com pessoas queridas, educação, cuidados de saúde) tendem a aumentar mais o bem-estar do que gastos por "status". A literatura sobre gastos pro-socialmente orientados (doar, investir em experiências compartilhadas) mostra retornos emocionais maiores.
3. Gestão do tempo e do estresse. Renda que compra tempo (redução de jornadas exaustivas, terceirização de tarefas domésticas) frequentemente gera ganhos qualificados no bem-estar. Em terapia, trabalhamos como o uso do tempo e do dinheiro se entrelaçam com a qualidade de vida.
4. Cuidado com a comparação social. Muito do desconforto ligado ao dinheiro vem da comparação com pares. O senso de status alheio alimenta desejos intermináveis. Trabalhar valores pessoais e um projeto de vida ancorado no que realmente importa para si e suas prioridades reduz essa captação externa.
5. Regra prática de “segurança + significado”. Busque um mínimo de estabilidade financeira e em seguida, invista em atividades que tragam significado (relações, projetos, contribuições), que são mais robustas na construção de bem-estar. Estudos e a prática clínica mostram que pessoas que aliam segurança material a propósito tendem a relatar níveis mais elevados de satisfação.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.