quinta, 04 de junho, 2026
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Universidades, empresas farmacêuticas e institutos científicos espalhados pelo mundo dedicados a um mesmo objetivo: desenvolver uma vacina eficaz contra a covid-19. Uma corrida que envolve pesquisa de primeira linha, tecnologia de ponta, bilhões de dólares investidos e muita expectativa. Como, então, podemos acelerar um processo complexo sem comprometer a segurança? A doutora em microbiologia do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak, diz que é "possível porque a gente nunca teve tantos grupos trabalhando em formulações vacinais ao mesmo tempo e compartilhando esse conhecimento e a gente nunca teve um investimento tão maciço em vacinas."

No Brasil os testes em pacientes começaram em junho com uma vacina da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Denise Abranches é cirurgiã dentista e voluntária como tantos outros milhares que participam das pesquisas em diversos países: "foram os passos mais importantes da minha vida. Fui movida por sentimentos que estavam em mim absolutamente contidos. Eu sabia dos eventos adversos, eu sabia que poderia ter alguma coisa, mas é tudo tão pequeno frente a uma vacina que o mundo inteiro está esperando."
O Brasil atraiu quatro das pesquisas mais avançadas. Além da de Oxford, em parceria com a farmacêutica Astrazeneca, voluntários brasileiros recebem as doses da empresa chinesa Sinovac; da alemã Biontech, com a Pfizer; e da belga Janssen, braço da Johnson&Johnson. Dois desses estudos têm acordo de transferência de tecnologia com o Brasil, o que garante a produção nacional da vacina caso elas se mostrem eficazes. Mas por que o país tem atraído tantos estudos? Segundo Eduardo Vasconcellos, coordenador da pesquisa da Janssen no Distrito Federal, "o Brasil é, possivelmente, dos países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o que tem maior qualidade de informações nos centros de pesquisa porque, apesar de todas as nossas desigualdades e problemas, nós somos um país com excelente qualidade técnica de profissionais na área de saúde."
A previsão da Fiocruz é entregar 260 milhões de doses contra a covid-19 no ano que vem. As primeiras 100 milhões serão feitas com o concentrado comprado da Inglaterra e entregues até junho. E as demais (160 milhões de doses) serão totalmente fabricadas pela empresa brasileira. "Nós temos os equipamentos para receber a droga e produzir em dezembro. E nós temos uma área pronta, que tá precisando de uma pequena adaptação, pra gente já em abril estar produzindo toda a vacina no Brasil, que é realmente um processo muito rápido", afirma Marco Kkrieger, vice-presidente de produção e inovação em saúde da Fiocruz.
A farmacêutica chinesa Sinovac fez parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, que é referência na produção de vacinas contra a gripe e tem uma pesquisa avançada de imunização contra a dengue. O Instituto afirma que tem capacidade para produzir 100 milhões de doses da Coronavac até maio do ano que vem. Dimas Covas, diretor-geral do Butantan explica que "no primeiro momento você recebe a vacina a granel e a partir de um segundo momento você passa a fazer os desenvolvimentos locais."
A Fiocruz e o Butantan são os principais fornecedores do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, que se tornou o maior do mundo em termos de campanha pública de vacinação. Todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são aplicadas de graça. A vice-diretora-geral da OMS no Brasil, Mariângela Simão, diz que "o conhecimento que o Brasil tem de ter feito na prática campanhas de vacinação em massa é inestimável. Para ela, o Brasil vai sair na frente na hora de fazer a campanha de vacinação em adultos."
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.