quinta, 04 de junho, 2026
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Muitas pessoas podem ter pressão alta - nomeada pelos médicos como hipertensão arterial - sem saber. Isso acontece porque os sintomas podem aparecer após a doença estar instalada há muito tempo, comprometendo assim o funcionamento de vários órgãos.
O TopMídiaNews entrevistou dois cardiologistas para esclarecer dúvidas sobre a doença e os tratamentos. O médico cardiologista e intervencionista do Hospital Proncor, José Fábio Almiro, explica o que é a pressão alta.
“É uma condição clínica, caracterizada por elevações da pressão arterial maior ou igual a 140 e/ou 90 mmHg. O tratamento da pressão arterial passa por medidas não relacionadas a medicamentos, chamadas de não medicamentosas e o uso de medicamentos específicos para o controle da pressão, atingindo a pressão adequada”.
O cardiologista destaca que o não controle da pressão arterial pode levar ao óbito.
“Tanto a curto, médio, como em longo prazo, o não controle pressórico pode ser responsável por morte, acidente vascular encefálico, doença coronariana com risco de infarto e insuficiência cardíaca. Em curto prazo, o aumento súbito de pressão pode gerar edema agudo de pulmão, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, tanto isquêmico, quanto hemorrágico, complicações próprias da gravidez com morte materna e/ou do feto, quadros convulsionais agudos, chamados de encefalopatia hipertensiva”, reforça.
De acordo com os especialistas, o consumo de álcool está diretamente ligado à hipertensão arterial, tanto na dificuldade do seu controle, quanto no aparecimento da doença.
“Segunda a diretriz da Sociedade de Cardiologia, estima-se o aumento de 1 mmHg da pressão arterial para cada 10g/dia de álcool ingerido, de maneira que deve-se evitar o consumo exagerado de álcool nos pacientes portadores da doença, mesmo nos que fazem o tratamento, e uma dúvida muito comum e que erroneamente é praticada, consiste em parar o tratamento com remédios quando se faz o uso de álcool”, destaca José.
O chefe do serviço de cardiologia dos hospitais Unimed e Universitário/UFMS e coordenador de residência, Delcio Silva Junior, explica o que pode acontecer devido a essa combinação: álcool, pressão alta e medicamentos.
“Na verdade, isso pode ser perigoso no caso de medicação com ação no sistema nervoso como anticonvulsivante, calmantes e antidepressivos, pois o efeito da medicação pode ser exacerbado pelo álcool, causando efeitos neurológicos potencialmente graves. No restante, o álcool normalmente corta ou diminui o efeito das medicações”, pontua.
De acordo com os especialistas, o tabaco, narguilé e também o energético podem ser prejudiciais para a saúde do hipertenso.
“Energéticos são perigosos. Causam arritmias e morte súbita. Trabalhos recentes têm mostrado maior mortalidade em jovens que ingerem energéticos mesmo sem adicionar álcool. Com uso concomitante de álcool, o cenário piora. E isso é muito frequente. O narguilé é também muito perigoso. Uma hora de narguilé corresponde ao consumo de 100 cigarros. Há intensa inalação de CO2 com efeitos tóxicos severos”, destaca Décio.
José Fábio Almiro finaliza dizendo que existem basicamente seis classes de medicamentos específicos para o tratamento da hipertensão. “Todos podem se usados corretamente no tratamento, desde que se respeitem suas indicações específicas para doenças associadas à hipertensão, suas contraindicações e efeitos colaterais”, finaliza.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.