quinta, 04 de junho, 2026
(67) 99983-4015
Com casos de óbitos causados pela Febre Maculosa em estados que cercam Mato Grosso do Sul, muitos se perguntam quando a doença irá ‘desembarcar’ pelas nossas bandas. Diferente da covid-19, que se tratava de um vírus novo, a doença é antiga e existe há mais de uma década no Estado.
A Febre Maculosa é transmitida pela picada de carrapatos infectados, o mais comum deles é o carrapato aranha (Amblyomma sculptum), comumente encontrado em cavalos, capivaras e animais domésticos.
O assunto ganhou repercussão após diversos casos e óbitos serem registrados em um curto espaço de tempo em São Paulo e Minas Gerais. Em poucos dias, quatro pessoas morreram por conta da doença após visitarem uma fazenda em Campinas (SP), em Minas Gerais foram registradas duas mortes nos últimos seis meses.
A situação liga o alerta para a proliferação da doença, que pode chegar facilmente aos humanos, por ser transmitida por uma espécie de carrapato compatível com diversos mamíferos.
Segundo o doutor em biologia molecular, Renato Andreotti, existem dezenas de espécies de carrapatos já identificadas em Mato Grosso do Sul, mas apenas quatro delas podem carregar o vírus causador da Febre Maculosa.
Doença circula há mais de dez anos no Estado
O pesquisador conta que apesar do assunto ter vindo à tona recentemente, já se trata de algo conhecido dentro de Mato Grosso do Sul.
De acordo com Andreotti, a circulação da Febre Maculosa entre os carrapatos foi identificada há cerca de dez anos, após uma pesquisa de doutorado realizada por outro pesquisador.
O que é a Febre Maculosa
A Febre Maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda de gravidade variável, podendo apresentar formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com elevada taxa de mortalidade.
São as grandes chances de óbitos que causa maior preocupação entre especialista sobre um possível surto da doença. Para Andreotti, também pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), cerca de 40% dos diagnósticos positivos da doença resultam em morte.
“Isso os que foram diagnosticados, alguns só descobrem a doença após a morte”, comentou o pesquisador. “O agente é de baixa circulação, mas de alta virulência, tendo uma evolução rápida, podendo levar a morte”, complementou.
Isso ocorre, pois os sintomas da Febre Maculosa possuem grande semelhança com a Dengue. Entre eles estão:
“Se a pessoa não avisar ao médico que foi picada por um carrapato, o profissional pode pensar se tratar de um caso de dengue”, complementa o Andreotti.
Mato Grosso do Sul pode ter um surto de Febre Maculosa?
Segundo Andreotti existe a possibilidade de um surto ocorrer em Mato Grosso do Sul devido às características dos carrapatos que carregam a Febre Maculosa.
O principal deles é comumente encontrado em regiões próximas de rios e tem como principais hospedeiros os cavalos, cachorros domésticos e capivaras.
Além disso, o carrapato aranha pode viver meses em arbustos, grama, trilhas e parques sem um hospedeiro. Entretanto, o pesquisador considera pequena a chance de um surto ocorrer no Estado.
“A bactéria circula em uma frequência muito baixa, então o risco não é grande, mas existe a circulação [do vírus]”, explicou Andreotti.
Campo Grande registrou seis casos em dez anos
A previsão de Andreotti sobre a baixa probabilidade de um surto é confirmada por dados da coordenadoria de Vigilância Epidemiológica de Campo Grande, que registrou apenas seis casos da doença entre 2012 e 2022 na Capital.
Conforme a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), o caso mais recente confirmado da doença é de 2018. Além disso, não há registro de óbito no período.
Dados do Ministério da Saúde revelam que entre 2007 e 2022 foram confirmados apenas sete casos de febre maculosa em Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério da Saúde, a doença tem maior incidência na região Sudeste do país. Para se ter ideia, enquanto o Centro-Oeste teve apenas 35 casos confirmados nos últimos 15 anos, na região Sudeste os casos confirmados chegam a 119 só em 2022.
Na região sul os números também são altos, sendo 46 casos confirmados apenas no ano passado.
Ainda segundo a secretaria, é importante ressaltar que a febre maculosa não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra, apenas por meio da picada de carrapatos infectados.
Por fim, não há registro recente de casos em animais na Capital.
Fui picado por um carrapato, o que fazer?
Antes de entender quais os procedimentos em casos de picadas de um carrapato, é importante saber como evitar que os parasitas tenham contato com nossa pele.
Conforme a Embrapa, alguns cuidados podem ser tomados ao frequentar locais com maior probabilidade de carrapatos, como parques, áreas rurais e beiras de rios.
Confira algumas delas:
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.