quinta, 04 de junho, 2026
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Todos os anos em outubro, mês que vem se colorindo de rosa nos últimos tempos, vários colegas publicam neste espaço ótimos artigos que chamam a atenção para uma das doenças que mais preocupam as mulheres de todo o planeta: o câncer de mama. Como mulher, médica e mastologista eu não poderia deixar de fortalecer esta corrente!
A maioria das pessoas desconhecem a complexidade desta doença. O câncer de mama apresenta muitas variantes e, graças a pesquisas mundiais, os tratamentos são cada vez mais individualizados com processos menos agressivos e maiores possibilidades de cura. Passamos de uma lógica de “máximo tratamento tolerado”, que predominou no século passado, para “mínimo tratamento necessário”. Esta mudança foi possível graças aos trabalhos do pesquisador italiano que revolucionou a história do câncer de mama, Prof. Umberto Veronesi, de quem eu e meu pai, Dr. Pinotti, tivemos a sorte e a honra de sermos alunos.
Uma questão na qual meus mestres insistiam é que as mulheres cada vez mais se informassem sobre a doença e seu tratamento, para que, desta forma, pudessem participar ativamente das decisões a serem tomadas. Pensando nisso, decidi escrever sobre uma área altamente complexa, que é a genética do câncer de mama.
Tumores de mamaTradicionalmente, dividíamos os tumores de mama em estágios clínicos, de acordo com seu tamanho, presença de linfonodos (gânglios) axilares contaminados pelas células tumorais e, por fim, a presença ou não de doença à distância (metástases). Baseados nisso, indicávamos o tratamento cirúrgico e os complementares.
Com o passar das décadas, novas relações foram se criando. A primeira delas com a presença de receptores hormonais no tumor e a possibilidade de uso de remédios que bloqueiam a ação hormonal, como o tamoxifeno. Mais tarde, marcadores de proliferação celular que trazem informações biológicas e, por fim, alterações no ciclo celular como o marcador HER-2/neu, que, atualmente, pode ser controlado através de remédio específico (trastuzumab).
Classificação genéticaO que existe de mais moderno é a classificação genética do câncer de mama, também chamada de molecular, que se divide em 5 subtipos, conforme as mutações do DNA, alterações no padrão de transcrição do RNA e/ou presença de efeitos epigenéticos.
Cada um dos tipos possui características biológicas e de proliferação distintas, que requerem tratamento específico, seja do ponto de vista cirúrgico, radioterápico, quimioterápico e hormonioterápico e/ou imunológicos, além das novas “terapias-alvo”. De forma bastante simples, explico cada um dos tipos:
LUMINAL ‘A’: origina-se nas células dos ductos mamários e expressa receptores hormonais. Não tem amplificação do gene HER-2 e apresenta baixo índice de proliferação celular. Possibilidade de tratamento com bloqueadores hormonais. LUMINAL ‘B’: carcinoma igualmente originário do epitélio ductal e também expressa receptores hormonais, contudo o índice de proliferação celular é maior. É negativo para HER-2 e apresenta possibilidade de tratamento com bloqueadores hormonais. HER2 amplificado (ou enriquecido): se caracteriza por apresentar amplificação (aumento do número de cópias) do gene. Costumeiramente, essas lesões são negativas para receptores hormonais e têm resposta clínica quando tratados com anticorpo anti-Her2 (trastuzumab). BASAL: este tipo de tumor supostamente se origina das células “basais” dos ductos mamários. São HER-2 negativos, não expressam receptores hormonais e o único tratamento sistêmico eficiente é a quimioterapia. Números de casosAo olharmos as estatísticas no Brasil e no mundo enxergamos que, apesar dos avanços no tratamento e diagnóstico, o câncer de mama ainda é um grave problema de saúde, com 1.384.155 novos casos esperados em todo o mundo e um estimado 459.000 mortes no ano de 2017. Além disso, tanto a incidência quanto a mortalidade relacionada aumentaram em 18% desde 2008. Estima-se que atingiremos 3,2 milhões de novos casos em 2050; no Brasil não é diferente. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 57.960 novos casos em 2018, com 14.388 mortes.
Muitas possibilidades novas de tratamento e melhora na qualidade de vida e sobrevida foram surgindo e já conseguimos saber “quase tudo” sobre nosso inimigo, o que nos permite usar as melhores armas disponíveis para vencê-lo. É fundamental, porém, que o diagnóstico seja precoce, por isso a importância do exame de mamografia anual para todas as mulheres a partir dos 40 anos.
Um diagnóstico preciso é essencial para aumentar as possibilidade de cura, mas é igualmente importante que nós, mulheres, nos apropriemos desses conhecimentos para que sejamos capazes de discutir com nossos médicos ou médicas quais os tratamentos mais adequados.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.