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Saúde Mental

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Borderline: entenda o transtorno "queridinho do momento"

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1 de agosto de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
 

Recebi há alguns dias uma mensagem assim: “Renan, você podia falar um pouco sobre o transtorno de personalidade borderline né? É o queridinho do momento.” De início, confesso que essa frase me provocou. Não pela curiosidade em si, que é legítima, mas pelo tom que tem se tornado comum: tratar alguns sofrimentos psíquicos como modismos, memes ou rótulos de ocasião. Já vimos isso com o TOC, o TDAH, a “bipolaridade”... E agora, o Borderline. E o que todos tem em comum? Informações desencontradas ou falsas.

Mas o transtorno de personalidade borderline não é novidade, nem tendência: é uma condição séria, complexa e que exige escuta, cuidado e informação qualificada. E é sobre isso que vamos falar aqui. Sem sensacionalismo e sem reducionismos.

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma dessas experiências psíquicas mais intensas e muitas vezes incompreendidas, que se expressam na instabilidade emocional (variações de humor mais rápidas que no transtorno afetivo bipolar, mas menos intensas), nos rompantes de impulsividade e em uma luta constante por manter os vínculos afetivos vivos com familiares, cônjuges e amigos (ainda que seja uma relação conflituosa, para o borderline parece ser melhor do que não ter).

O transtorno borderline é um dos quadros mais complexos da psicopatologia. Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), seus principais critérios envolvem padrões persistentes de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e nos afetos, além de impulsividade marcante (faz, se arrepende e se culpa). Essa instabilidade pode ainda se manifestar em comportamentos impulsivos como: automutilações, compulsões (comida, uso de tabaco, compras), abuso de substâncias ou relacionamentos turbulentos. Comportamentos estes ligados geralmente ao medo de abandono, rejeição e traição.

É comum que quem viva com TPB oscile entre extremos: ora idealiza alguém, ora desvaloriza essa mesma pessoa; ora se sente amado intensamente, ora acredita que será descartado a qualquer momento. A pessoa borderline não quer machucar o outro, na verdade ela teme perder o outro a todo momento. É como viver permanentemente em alerta, como se tudo pudesse desmoronar a qualquer instante.

Essas reações, embora intensas, não surgem do nada. Muitos estudos apontam que o TPB está frequentemente associado a traumas precoces, negligência afetiva, abandono ou ambientes familiares instáveis. Além disso, há evidências neurológicas e genéticas que indicam alterações no funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pelo controle emocional e impulsividade, como a amígdala e o córtex pré-frontal. Ou seja, há fatores biológicos, psicológicos e ambientais envolvidos.

O tratamento exige cuidado, persistência e, sobretudo, vínculo. A psicoterapia é uma das abordagens mais eficazes, justamente por integrar técnicas de regulação emocional, aceitação e construção de habilidades sociais. O uso de medicamentos para estabilização do humor, também são importantes aliados, mas não tratam o transtorno em si (apenas sintomas associados como ansiedade, insônia, impulsividade e compulsividade) por isso, não devem ser a única estratégia terapêutica.

Família e amigos precisam entender que o TPB não é “frescura” nem “exagero”, mas também não devem aceitar ser alvo de violência, manipulação ou descuido afetivo. Estar ao lado de alguém com esse transtorno exige firmeza, saber dizer “não” pra certas situações sem deixar de amar, estar presente mas sinalizar quando as reações forem além do limite.

É fundamental entender que o TPB não define uma pessoa — é apenas parte de sua história. Pessoas com esse diagnóstico podem ser incrivelmente criativas, intensas, sensíveis e afetuosas. Muitas vezes, o sofrimento nasce justamente por sentirem demais, por não saberem onde colocar tanto afeto ou por temerem que, ao se mostrarem vulneráveis, serão abandonadas.

No consultório, percebo que um dos fatores mais transformador é o vínculo terapêutico. Quando a pessoa borderline encontra alguém que não desiste dela nos momentos de crise, estabelece limites claros e oferece consistência emocional há uma possibilidade real de mudança. E é nessa direção que amigos e familiares podem também caminhar.

Mas é preciso dizer que o processo é continuo, com avanços e retrocessos. O caminho da estabilidade não é simples ou linear, mas é possível. Assim como é possível entender que o cuidado com a saúde mental exige responsabilidade, ciência e acima de tudo, humanidade.
 

Saúde

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

  As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

4 de junho de 2026

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

 

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As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.

A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.

Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.

A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.

A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.

Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.