quinta, 04 de junho, 2026
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Psicólogo Clínico || CRP 14/07127-2 || @renanmaia.psi
Frio na barriga, nó no estômago, coração acelerado, mãos e pés gelados, tremores, boca seca... O corpo alerta, como se estivesse diante de uma ameaça real — mas o perigo, muitas vezes, não está fora, está dentro. E então vem o pensamento repetitivo, a angústia de não conseguir parar, o medo do que pode acontecer e o desejo desesperado de fazer tudo isso passar logo.
A ansiedade, tão presente no vocabulário cotidiano, é também um dos maiores desafios da saúde em nosso tempo. Não é exagero: somos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país mais ansioso do mundo. Isso mesmo, somos campeões em algo que ninguém quer vencer. Mas o que há de tão adoecedor em nosso estilo de vida que nos leva, em massa, a esse estado de alerta constante?
A ansiedade não é, por si só, uma vilã. É um mecanismo de sobrevivência que herdamos ao longo da nossa humanidade, isso para nos preparar diante de perigos ou desafios reais. O problema é quando essa reação se torna desproporcional — intensa e duradoura demais — transformando o que deveria ser proteção em sofrimento. Hoje, muitos vivem permanentemente em “estado de emergência” — mesmo sem nenhum incêndio à vista.
A sociedade contemporânea, com suas exigências de performance, conexão constante e culto à produtividade, se tornou um terreno fértil para a ansiedade florescer. Somos ensinados desde cedo a “não parar”, a “não falhar”, a “dar conta”. Quando não conseguimos (porque ninguém consegue o tempo todo), nos culpamos, nos comparamos e nos desgastamos — física e emocionalmente.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em sua obra A Sociedade do Cansaço, descreve esse fenômeno com precisão: vivemos na era do “excesso de positividade”, onde não há espaço para o não, para a frustração, para a pausa, para a dor... E isso nos adoece. A ansiedade nesse contexto é, além de um adoecimento individual, um sintoma coletivo.
Mas se o adoecimento é multifatorial, o cuidado também precisa ser. A psicoterapia é uma das ferramentas mais eficazes para compreender os gatilhos emocionais e modificar os padrões de pensamentos disfuncionais. Mais do que se livrar da ansiedade, o objetivo é aprender a controlar, sem que ela nos controle. Conviver com ela de forma mais saudável, sem que ela nos paralise.
É preciso também reaprender a viver no tempo da vida (orgânica) — que não é o tempo dos algoritmos (artificial). Pequenos hábitos como caminhar prestando atenção no caminho, silenciar o celular por algumas horas, conversar com as pessoas que amamos e respeitar os próprios limites, são formas de resistência emocional.
Cuidando da ansiedade na prática:
1. Observe seus sinais
Corpo e mente andam juntos. Perceba como e o que desperta a ansiedade em você (o gatilho nem sempre é externo e pode estar dentro dos seus pensamentos).
2. Respire com atenção
A respiração consciente é um antídoto simples e eficaz contra o aumento da ansiedade. A meditação guiada e a respiração 4-7-8 são técnicas que podem te ajudar a controlar a respiração, se tornando grandes aliadas.
3. Questione seus pensamentos automáticos
Nem tudo o que pensamos é verdade. Às vezes, a mente interpreta situações de forma distorcida e equivocada. Identificar e corrigir esses pensamentos ajuda a quebrar padrões disfuncionais.
4. Crie rotinas que te sustentem, não que te sufoquem
Ter uma estrutura diária pode ajudar, desde que ela não vire mais uma fonte de cobrança. Estabelecer uma rotina saudável e previsível é de suma importância, mas há que ter flexibilidade com os imprevistos.
5. Busque apoio psicológico
Não é necessário esperar “piorar” para procurar ajuda. A psicoterapia é também um espaço de prevenção e crescimento.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.