sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico || CRP 14/07127-2 || @renanmaia.psi
Frio na barriga, nó no estômago, coração acelerado, mãos e pés gelados, tremores, boca seca... O corpo alerta, como se estivesse diante de uma ameaça real — mas o perigo, muitas vezes, não está fora, está dentro. E então vem o pensamento repetitivo, a angústia de não conseguir parar, o medo do que pode acontecer e o desejo desesperado de fazer tudo isso passar logo.
A ansiedade, tão presente no vocabulário cotidiano, é também um dos maiores desafios da saúde em nosso tempo. Não é exagero: somos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país mais ansioso do mundo. Isso mesmo, somos campeões em algo que ninguém quer vencer. Mas o que há de tão adoecedor em nosso estilo de vida que nos leva, em massa, a esse estado de alerta constante?
A ansiedade não é, por si só, uma vilã. É um mecanismo de sobrevivência que herdamos ao longo da nossa humanidade, isso para nos preparar diante de perigos ou desafios reais. O problema é quando essa reação se torna desproporcional — intensa e duradoura demais — transformando o que deveria ser proteção em sofrimento. Hoje, muitos vivem permanentemente em “estado de emergência” — mesmo sem nenhum incêndio à vista.
A sociedade contemporânea, com suas exigências de performance, conexão constante e culto à produtividade, se tornou um terreno fértil para a ansiedade florescer. Somos ensinados desde cedo a “não parar”, a “não falhar”, a “dar conta”. Quando não conseguimos (porque ninguém consegue o tempo todo), nos culpamos, nos comparamos e nos desgastamos — física e emocionalmente.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em sua obra A Sociedade do Cansaço, descreve esse fenômeno com precisão: vivemos na era do “excesso de positividade”, onde não há espaço para o não, para a frustração, para a pausa, para a dor... E isso nos adoece. A ansiedade nesse contexto é, além de um adoecimento individual, um sintoma coletivo.
Mas se o adoecimento é multifatorial, o cuidado também precisa ser. A psicoterapia é uma das ferramentas mais eficazes para compreender os gatilhos emocionais e modificar os padrões de pensamentos disfuncionais. Mais do que se livrar da ansiedade, o objetivo é aprender a controlar, sem que ela nos controle. Conviver com ela de forma mais saudável, sem que ela nos paralise.
É preciso também reaprender a viver no tempo da vida (orgânica) — que não é o tempo dos algoritmos (artificial). Pequenos hábitos como caminhar prestando atenção no caminho, silenciar o celular por algumas horas, conversar com as pessoas que amamos e respeitar os próprios limites, são formas de resistência emocional.
Cuidando da ansiedade na prática:
1. Observe seus sinais
Corpo e mente andam juntos. Perceba como e o que desperta a ansiedade em você (o gatilho nem sempre é externo e pode estar dentro dos seus pensamentos).
2. Respire com atenção
A respiração consciente é um antídoto simples e eficaz contra o aumento da ansiedade. A meditação guiada e a respiração 4-7-8 são técnicas que podem te ajudar a controlar a respiração, se tornando grandes aliadas.
3. Questione seus pensamentos automáticos
Nem tudo o que pensamos é verdade. Às vezes, a mente interpreta situações de forma distorcida e equivocada. Identificar e corrigir esses pensamentos ajuda a quebrar padrões disfuncionais.
4. Crie rotinas que te sustentem, não que te sufoquem
Ter uma estrutura diária pode ajudar, desde que ela não vire mais uma fonte de cobrança. Estabelecer uma rotina saudável e previsível é de suma importância, mas há que ter flexibilidade com os imprevistos.
5. Busque apoio psicológico
Não é necessário esperar “piorar” para procurar ajuda. A psicoterapia é também um espaço de prevenção e crescimento.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.