quinta, 04 de junho, 2026
(67) 99983-4015

A promessa é sedutora: com um clique, o risco vira vitória. Com sorte, a conta enche, a vida muda, o sonho se realiza. Essa é a narrativa vendida pelas casas de apostas online — um universo que cresce silenciosamente entre telas, transmissões esportivas e influenciadores carismáticos. Mas por trás das cores vibrantes e da aparente facilidade de ganho, há um jogo bem mais profundo: o que se trava na mente de quem aposta, perde e insiste em apostar de novo.
A chamada “CPI das bets”, que vem ganhando destaque nos noticiários, tem trazido à tona o debate necessário sobre a regulação desses jogos. Porém, o que ainda se fala pouco — ou se escuta menos — é sobre o impacto psicológico desse fenômeno. A ludopatia, nome clínico do transtorno do jogo compulsivo, é uma realidade silenciosa e devastadora.
Socialmente, o jogo de azar se disfarça de entretenimento, de passatempo moderno. Mas para muitos, especialmente os mais vulneráveis economicamente, ele se torna um falso atalho para a ascensão financeira — e uma armadilha emocional. Quando o jogo deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade, estamos diante de um problema de saúde mental.
Do ponto de vista psicológico, os mecanismos envolvidos nos jogos são sofisticados. O sistema de recompensa cerebral, ativado pelo ganho inesperado, libera dopamina — o mesmo neurotransmissor associado ao prazer, ao vício e à motivação. Mesmo quando se perde, o cérebro espera pela próxima chance de “virada”. E assim se instala um ciclo de esperança, frustração e repetição, muitas vezes impossível de romper sem ajuda profissional.
As consequências são amplas: ansiedade, depressão, endividamento, isolamento, perda de vínculos familiares, baixa autoestima e, em casos extremos, ideação suicida. E o mais preocupante: há um silêncio em torno disso. Uma vergonha que impede o pedido de socorro. Afinal, vivemos em uma sociedade que normaliza o risco, glamouriza o lucro fácil e minimiza o sofrimento psíquico.
Mas há saída. E ela começa pelo reconhecimento do problema.
O tratamento da ludopatia pode envolver acompanhamento psicológico regular, abordagens cognitivas e comportamentais, grupos de apoio — como os Jogadores Anônimos (JA) — e, em alguns casos, intervenção psiquiátrica. O primeiro passo é sempre buscar ajuda profissional, de forma sigilosa e sem julgamentos. Ninguém precisa lidar sozinho com uma dor tão complexa.
É fundamental que a família e os amigos estejam atentos, oferecendo apoio sem condenação. Muitas vezes, o acolhimento é o que abre a porta para a mudança. Além disso, políticas públicas de prevenção e educação digital são ferramentas essenciais para proteger, sobretudo, os mais jovens.
Falar sobre ludopatia é mais do que um alerta: é um gesto de cuidado coletivo. Precisamos refletir sobre os limites entre lazer e adoecimento, sobre a responsabilidade ética das plataformas e sobre a urgência de apoio à saúde mental.
Se você conhece alguém que não consegue mais parar de apostar, não o julgue. O vício em jogos não é falta de força de vontade — é um transtorno sério que precisa de atenção, acolhimento e tratamento.
Que esta coluna siga sendo um espaço para romper silêncios e lançar luz sobre os sofrimentos que nem sempre cabem nas manchetes.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.