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Saúde Mental

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A Roleta Invisível: Jogos de Azar e o Preço da Ilusão

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16 de maio de 2025

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Renan Maia

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Por Renan Maia – Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2
@renanmaia.psi

A promessa é sedutora: com um clique, o risco vira vitória. Com sorte, a conta enche, a vida muda, o sonho se realiza. Essa é a narrativa vendida pelas casas de apostas online — um universo que cresce silenciosamente entre telas, transmissões esportivas e influenciadores carismáticos. Mas por trás das cores vibrantes e da aparente facilidade de ganho, há um jogo bem mais profundo: o que se trava na mente de quem aposta, perde e insiste em apostar de novo.
A chamada “CPI das bets”, que vem ganhando destaque nos noticiários, tem trazido à tona o debate necessário sobre a regulação desses jogos. Porém, o que ainda se fala pouco — ou se escuta menos — é sobre o impacto psicológico desse fenômeno. A ludopatia, nome clínico do transtorno do jogo compulsivo, é uma realidade silenciosa e devastadora.
Socialmente, o jogo de azar se disfarça de entretenimento, de passatempo moderno. Mas para muitos, especialmente os mais vulneráveis economicamente, ele se torna um falso atalho para a ascensão financeira — e uma armadilha emocional. Quando o jogo deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade, estamos diante de um problema de saúde mental.
Do ponto de vista psicológico, os mecanismos envolvidos nos jogos são sofisticados. O sistema de recompensa cerebral, ativado pelo ganho inesperado, libera dopamina — o mesmo neurotransmissor associado ao prazer, ao vício e à motivação. Mesmo quando se perde, o cérebro espera pela próxima chance de “virada”. E assim se instala um ciclo de esperança, frustração e repetição, muitas vezes impossível de romper sem ajuda profissional.
As consequências são amplas: ansiedade, depressão, endividamento, isolamento, perda de vínculos familiares, baixa autoestima e, em casos extremos, ideação suicida. E o mais preocupante: há um silêncio em torno disso. Uma vergonha que impede o pedido de socorro. Afinal, vivemos em uma sociedade que normaliza o risco, glamouriza o lucro fácil e minimiza o sofrimento psíquico.
Mas há saída. E ela começa pelo reconhecimento do problema.
O tratamento da ludopatia pode envolver acompanhamento psicológico regular, abordagens cognitivas e comportamentais, grupos de apoio — como os Jogadores Anônimos (JA) — e, em alguns casos, intervenção psiquiátrica. O primeiro passo é sempre buscar ajuda profissional, de forma sigilosa e sem julgamentos. Ninguém precisa lidar sozinho com uma dor tão complexa.
É fundamental que a família e os amigos estejam atentos, oferecendo apoio sem condenação. Muitas vezes, o acolhimento é o que abre a porta para a mudança. Além disso, políticas públicas de prevenção e educação digital são ferramentas essenciais para proteger, sobretudo, os mais jovens.
Falar sobre ludopatia é mais do que um alerta: é um gesto de cuidado coletivo. Precisamos refletir sobre os limites entre lazer e adoecimento, sobre a responsabilidade ética das plataformas e sobre a urgência de apoio à saúde mental.
Se você conhece alguém que não consegue mais parar de apostar, não o julgue. O vício em jogos não é falta de força de vontade — é um transtorno sério que precisa de atenção, acolhimento e tratamento.
Que esta coluna siga sendo um espaço para romper silêncios e lançar luz sobre os sofrimentos que nem sempre cabem nas manchetes.
 

Saúde/Coxim

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

25 de julho de 2026

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

 

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Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.

A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.

Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.

O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.

As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.

Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.

A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.

A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.

Saúde

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

24 de julho de 2026

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

 

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A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.

A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.

Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.

Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.

Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.

Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.

Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.

O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.

Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.

Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.

Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.

Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.

A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.