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À beira da epidemia: ‘vizinhos’ de Mato Grosso do Sul decretam emergência por dengue

Cinco estados que fazem divisa com MS já decretaram emergência devido à dengue. Situação epidemiológica na fronteira também acende alerta

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9 de março de 2024

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Lethycia Anjos

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O risco de uma nova epidemia por dengue parece cada vez mais iminente em Mato Grosso do Sul. Na última terça-feira (5), o estado de São Paulo decretou emergência pela doença. Com isso, quatro dos cinco estados que fazem divisa com MS estão em situação de epidemia.

Com mais de 1,2 milhão de casos prováveis, o cenário epidemiológico das arboviroses no Brasil é preocupante. Entre 1° de janeiro e 5 de março de 2024, o país contabilizou 9.996 casos graves de dengue. Desse total, 299 evoluíram ao óbito e 765 seguem em investigação. É o que aponta o boletim das arboviroses divulgado pelo Ministério da Saúde.

Neste ano, oito estados e o Distrito Federal apresentam alta no número de casos prováveis da dengue. Cinco deles estão situados na divisa com MS: Minas Gerais (424.179 casos), São Paulo (225 mil), Paraná (123.288), Distrito Federal (118.895) e Goiás (72.222). Em todas as regiões, a incidência de casos por habitantes segue acima do registrado em MS.

A proximidade entre Mato Grosso do Sul e as regiões com alta incidência de dengue aumenta a pressão sobre as autoridades de saúde. Enquanto os estados vizinhos vivenciam uma situação crítica, MS segue em alerta amarelo, com 5.854 casos prováveis e 1.934 confirmações da doença.

Dengue tipo 3 aumenta risco de epidemia

Outro fato preocupante é o ressurgimento do sorotipo 3 da dengue. Inativo por mais de 15 anos, o retorno do vírus representa, hoje, a maior preocupação das autoridades em saúde pública de Mato Grosso do Sul. Em dezembro, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) emitiu um alerta devido à propagação do sorotipo.

A dengue possui quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A infecção por um desses tipos gera imunidade contra o mesmo, mas é possível contrair o vírus novamente se houver contato com um sorotipo diferente.

Veruska Lahdo, superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), relembra que a última grande epidemia ocorreu na época em que o sorotipo 3 da dengue estava em circulação em Campo Grande.

“Desde o ano passado vem ocorrendo a circulação da dengue 3 no país, que não circula em Campo Grande há 15 anos. Quando um vírus é reintroduzido após anos, o risco de uma nova epidemia é alto. Mas, por enquanto, o cenário está tranquilo”, explica.

Estudo da Fiocruz indica que o retorno do sorotipo 3 aumenta o risco de uma epidemia, devido à baixa imunidade da população. Isso porque poucas pessoas tiveram exposição a ele desde as últimas epidemias ocorridas no início dos anos 2000.

Além disso, há o risco de desenvolver a versão mais grave da dengue – mais comum em pessoas que já enfrentaram a dengue, mas têm nova infecção por um sorotipo diferente.

Outro fator que acende alerta são as mudanças geradas pela instabilidade climática. Com altas temperaturas e períodos chuvosos, a expectativa é que o número de criadouros aumente. Para 2024, a OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta para a combinação entre calor e chuvas intensas, provocadas pelo El Niño.

Situação na Fronteira acende alerta

Para além das divisas, outra questão que acende alerta é a situação epidemiológica na região de fronteira com o Paraguai. A proximidade geográfica e a movimentação constante de pessoas entre os dois países aumentam significativamente o risco de propagação do vírus.

O Paraguai apresenta uma das mais altas taxas de infecção por arboviroses entre os países da América do Sul, com 1.892 casos a cada 100 mil habitantes – o que intensifica ainda mais a ameaça de uma epidemia no Estado.

Combate a dengue na fronteira

Ações de combate na fronteira (Divulgação)

Até a primeira semana epidemiológica de março, Ponta Porã, na região da fronteira com o Paraguai, havia registrado 296 casos prováveis da doença, colocando o município em uma situação de alta incidência, com um número de casos acima de 300 por 100 mil habitantes.

Na cidade vizinha, Pedro Juan Caballero, a incidência de casos também está alta, com 399 notificações da doença. Na macro região de Amambay, notificação é de 652 casos.

Conforme a Prefeitura de Ponta Porã, o combate ao mosquito tem sido dificultado pelas mudanças climáticas e pelo alto fluxo de deslocamento de pessoas ao nível nacional e internacional.

“Nossa estratégia será orientada pela colaboração intra e intersetorial, seguindo políticas e normativas vigentes e as estratégias recomendadas”, afirmou a Prefeitura em nota.

Epidemia de chikungunya em 2023

Ponta Porã (Divulgação)

Combate à dengue em Ponta Porã (Divulgação)

Vale lembrar que, em 2023, o Paraguai enfrentou uma epidemia de chikungunya, também transmitida pelo Aedes aegypti. De acordo com dados do Ministério da Saúde do Paraguai, foram registrados mais de 100 mil casos de chikungunya no país. Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou 1.632 casos prováveis e 53 confirmações de chikungunya.

Neste ano, visando reduzir a proliferação do mosquito e prevenir um novo surto, o setor de vigilância em saúde, no lado brasileiro, intensificará as ações preventivas em toda a região de fronteira.

“Vamos mobilizar a população para contribuir eliminando recipientes que possam acumular água parada em seus quintais e ressaltar a importância de receber os agentes de combate às endemias em suas residências”, declarou a Prefeitura.

MS registrou três mortes por dengue em 2024

dengue

Prevenção à dengue (Divulgação)

Até a primeira semana de março, Mato Grosso do Sul confirmou 1.934 casos de dengue, um aumento de 332 casos se comparado à semana anterior. Os dados são do Boletim Epidemiológico da Dengue divulgado na terça-feira (5).

Somente neste ano, foram registradas 3 mortes em decorrência da doença e outras 3 são investigadas. O primeiro óbito foi de uma bebê de 1 mês de vida. A segunda morte foi um homem de 81 anos de Chapadão do Sul, ocorrida no dia 7 de fevereiro.

O terceiro óbito foi de uma mulher de 73 anos de Coronel Sapucaia que tinha hipertensão, diabete e doença autoimune. Conforme o relatório médico, ela sentiu os sintomas em 17 de fevereiro e morreu três dias depois.

Além disso, o boletim contabiliza 5.854 casos prováveis de dengue em todo o Estado. Na última divulgação, feita no dia 27 de fevereiro, eram 4.667 casos prováveis e 1.602 confirmações.

Dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, 23 estão classificados com alta incidência da doença, com média acima de 300 casos por 100 mil habitantes. Entre essas cidades estão Amambai, Maracaju e Ponta Porã.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.