sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Nos últimos dias, o vídeo do criador e influenciador Felca (Felipe Bressanim) acendeu um holofote difícil de ignorar: a adultização de crianças e adolescentes no ambiente digital. Não foi só um burburinho de rede a repercussão já chegou ao Congresso, com dezenas de projetos apresentados para coibir a exposição indevida e a exploração on-line de menores e a convocação de plataformas para prestar esclarecimentos.
A adultização ocorre quando crianças são expostas a comportamentos, discursos e imagens que não correspondem à sua fase de desenvolvimento. Essa exposição pode acontecer de forma explícita, como na exploração de sua imagem para fins de sexualização e engajamento ou de maneira mais sutil, quando são induzidas a assumir posturas, opiniões e preocupações típicas da vida adulta. Quando aceleramos papéis, significados e imagens do universo adulto (sobretudo os sexualizados) e os colamos sobre corpos e mentes ainda em formação ocorre uma violência à infância daquela criança ou para o que esperamos dela. Na prática, isso aparece em maquiagens e roupas sensualizadas, roteiros performáticos, pressão por engajamento e monetização, muitas vezes com empurrão dos próprios pais ou adultos próximos, como se fosse “bonitinho” ou “normal”.
E o que isso tem a ver com saúde mental? Tudo. Do ponto de vista do desenvolvimento, infância e adolescência são fases dedicadas a tarefas psíquicas específicas: construir uma identidade, experimentar limites com segurança, consolidar autoestima e autonomia. Antecipar papéis adultos bagunça esse roteiro: a validação passa a depender do olhar externo, a comparação com padrões irreais e a própria imagem corporal fica à mercê de likes. Não surpreende que estudos e relatórios tenham associado a exposição precoce a aumento de ansiedade, depressão, distorção da autoimagem e maior vulnerabilidade a abusos.
Há ainda o componente ambiental e econômico: redes e marcas operam na economia da atenção. Se um conteúdo com menores “performando” rende visualizações, ele tende a ser amplificado (todo mundo vê) e o que passa a parecer normal fica mais difícil de perceber como erro ou denunciar. Em situações mais graves, esse cenário resulta em crimes previstos no ECA, como aliciamento e divulgação de conteúdo sexual envolvendo menores.
O papel dos adultos nesse processo é central, seja como cuidadores, influenciadores ou espectadores. Muitos, movidos pela busca de popularidade, status ou ganhos financeiros, exploram a imagem dos filhos sem medir as consequências. Outros, mesmo sem intenção de prejudicar, acabam negligenciando a supervisão e permitindo que conteúdos impróprios, linguagens e contextos de risco circulem livremente no cotidiano das crianças. Há também quem, diante de situações claramente abusivas ou exploratórias, opte pelo silêncio, reforçando uma cultura de normalização e conivência.
Alguns sinais podem servir alerta para famílias e escola, como: mudança brusca de aparência e linguagem para padrões altamente sexualizados ou “adultos”; foco excessivo em likes ou seguidores; exposição de rotina e intimidade sem avaliação de riscos (localização, uniformes, horários); contato de adultos desconhecidos e mensagens privadas; queda no rendimento, irritabilidade, isolamento após início de “projetos” on-line. Esses sinais, isolados, não fazem diagnóstico, mas convidam ao diálogo e à contenção. E, quando há suspeita de crime, é dever investigar, denunciar nos canais oficiais e da própria plataforma.
Família e sociedade têm, portanto, um papel inegociável nesse cenário. Proteger não é apenas impedir o acesso a conteúdos inadequados, mas também oferecer diálogos abertos, explicações claras sobre o que é ou não apropriado para cada fase da vida e fortalecer a autoestima baseada em valores internos, e não apenas na aparência ou aceitação virtual. É preciso ensinar o uso crítico e consciente das redes, mas, sobretudo, garantir que o tempo da infância seja preservado.
Como a família pode agir (todos os dias):
1. Supervisão ativa e diálogo contínuo
Navegue junto e ensine a navegar. Peça para ver rascunhos de postagens, converse sobre privacidade, consentimento de imagem e permanência do que se publica. Evite fiscalizar em segredo: combinados claros funcionam melhor que vigilância punitiva.
2. Adie o que puder ser adiado
Smartphone próprio, perfis abertos e metas de engajamento não são necessidades da infância. Quando houver perfil, defina privacidade, limite de tempo e conteúdo permitido, revendo periodicamente.
3. Exemplo arrasta
Pais e responsáveis também comunicam valores quando exibem a rotina dos filhos. Reflita antes de postar: a quem serve essa imagem? O menor consentiu e entende o alcance? Evite transformar a criança em personagem e, sobretudo, em estratégia de monetização.
4. Crie alternativas off-line
Ofereça esporte, arte, leitura, vida comunitária. Quanto mais repertório fora da tela, menor a dependência da validação digital. Isso não é “blindar do mundo”; é oferecer outros mundos.
5. Rede de apoio é proteção
Converse com outros pais, escola, comunidade e serviços de saúde. Cuidar é tarefa coletiva; o isolamento aumenta a vulnerabilidade.
6. Mantenha vínculos afetivos além do cuidado
Preserve, ainda que em pequenas doses, seus vínculos com amigos, hobbies, espiritualidade ou grupos sociais. Você continua sendo uma pessoa com identidade própria, para além do papel de cuidador(a).
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.