quinta, 04 de junho, 2026
(67) 99983-4015
Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Nos últimos dias, o vídeo do criador e influenciador Felca (Felipe Bressanim) acendeu um holofote difícil de ignorar: a adultização de crianças e adolescentes no ambiente digital. Não foi só um burburinho de rede a repercussão já chegou ao Congresso, com dezenas de projetos apresentados para coibir a exposição indevida e a exploração on-line de menores e a convocação de plataformas para prestar esclarecimentos.
A adultização ocorre quando crianças são expostas a comportamentos, discursos e imagens que não correspondem à sua fase de desenvolvimento. Essa exposição pode acontecer de forma explícita, como na exploração de sua imagem para fins de sexualização e engajamento ou de maneira mais sutil, quando são induzidas a assumir posturas, opiniões e preocupações típicas da vida adulta. Quando aceleramos papéis, significados e imagens do universo adulto (sobretudo os sexualizados) e os colamos sobre corpos e mentes ainda em formação ocorre uma violência à infância daquela criança ou para o que esperamos dela. Na prática, isso aparece em maquiagens e roupas sensualizadas, roteiros performáticos, pressão por engajamento e monetização, muitas vezes com empurrão dos próprios pais ou adultos próximos, como se fosse “bonitinho” ou “normal”.
E o que isso tem a ver com saúde mental? Tudo. Do ponto de vista do desenvolvimento, infância e adolescência são fases dedicadas a tarefas psíquicas específicas: construir uma identidade, experimentar limites com segurança, consolidar autoestima e autonomia. Antecipar papéis adultos bagunça esse roteiro: a validação passa a depender do olhar externo, a comparação com padrões irreais e a própria imagem corporal fica à mercê de likes. Não surpreende que estudos e relatórios tenham associado a exposição precoce a aumento de ansiedade, depressão, distorção da autoimagem e maior vulnerabilidade a abusos.
Há ainda o componente ambiental e econômico: redes e marcas operam na economia da atenção. Se um conteúdo com menores “performando” rende visualizações, ele tende a ser amplificado (todo mundo vê) e o que passa a parecer normal fica mais difícil de perceber como erro ou denunciar. Em situações mais graves, esse cenário resulta em crimes previstos no ECA, como aliciamento e divulgação de conteúdo sexual envolvendo menores.
O papel dos adultos nesse processo é central, seja como cuidadores, influenciadores ou espectadores. Muitos, movidos pela busca de popularidade, status ou ganhos financeiros, exploram a imagem dos filhos sem medir as consequências. Outros, mesmo sem intenção de prejudicar, acabam negligenciando a supervisão e permitindo que conteúdos impróprios, linguagens e contextos de risco circulem livremente no cotidiano das crianças. Há também quem, diante de situações claramente abusivas ou exploratórias, opte pelo silêncio, reforçando uma cultura de normalização e conivência.
Alguns sinais podem servir alerta para famílias e escola, como: mudança brusca de aparência e linguagem para padrões altamente sexualizados ou “adultos”; foco excessivo em likes ou seguidores; exposição de rotina e intimidade sem avaliação de riscos (localização, uniformes, horários); contato de adultos desconhecidos e mensagens privadas; queda no rendimento, irritabilidade, isolamento após início de “projetos” on-line. Esses sinais, isolados, não fazem diagnóstico, mas convidam ao diálogo e à contenção. E, quando há suspeita de crime, é dever investigar, denunciar nos canais oficiais e da própria plataforma.
Família e sociedade têm, portanto, um papel inegociável nesse cenário. Proteger não é apenas impedir o acesso a conteúdos inadequados, mas também oferecer diálogos abertos, explicações claras sobre o que é ou não apropriado para cada fase da vida e fortalecer a autoestima baseada em valores internos, e não apenas na aparência ou aceitação virtual. É preciso ensinar o uso crítico e consciente das redes, mas, sobretudo, garantir que o tempo da infância seja preservado.
Como a família pode agir (todos os dias):
1. Supervisão ativa e diálogo contínuo
Navegue junto e ensine a navegar. Peça para ver rascunhos de postagens, converse sobre privacidade, consentimento de imagem e permanência do que se publica. Evite fiscalizar em segredo: combinados claros funcionam melhor que vigilância punitiva.
2. Adie o que puder ser adiado
Smartphone próprio, perfis abertos e metas de engajamento não são necessidades da infância. Quando houver perfil, defina privacidade, limite de tempo e conteúdo permitido, revendo periodicamente.
3. Exemplo arrasta
Pais e responsáveis também comunicam valores quando exibem a rotina dos filhos. Reflita antes de postar: a quem serve essa imagem? O menor consentiu e entende o alcance? Evite transformar a criança em personagem e, sobretudo, em estratégia de monetização.
4. Crie alternativas off-line
Ofereça esporte, arte, leitura, vida comunitária. Quanto mais repertório fora da tela, menor a dependência da validação digital. Isso não é “blindar do mundo”; é oferecer outros mundos.
5. Rede de apoio é proteção
Converse com outros pais, escola, comunidade e serviços de saúde. Cuidar é tarefa coletiva; o isolamento aumenta a vulnerabilidade.
6. Mantenha vínculos afetivos além do cuidado
Preserve, ainda que em pequenas doses, seus vínculos com amigos, hobbies, espiritualidade ou grupos sociais. Você continua sendo uma pessoa com identidade própria, para além do papel de cuidador(a).
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.