sábado, 25 de julho, 2026
(67) 99983-4015
O silêncio, a tranquilidade e a segurança de um quarto podem ser apenas aparentes, dependendo do que há por trás da tela do celular. Redes criminosas, como a de tráfico de pessoas, usam a internet em várias etapas do crime, incluindo-se a publicização de “serviços”, o aliciamento, o controle e a exploração de potenciais vítimas. Um indicador da frequência dessas práticas é o volume de denúncias de conteúdos suspeitos, que têm se acentuado nos últimos anos: a alta é de 152% na comparação entre o período de 2022 a 2024 com o triênio anterior.
A atenção ao problema e a necessidade de ações de proteção das vítimas, de prevenção e de enfrentamento ao crime são reforçadas no fim deste mês, devido ao 30 de Julho, o Dia Mundial, Nacional e Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Em Mato Grosso do Sul, o Dia Estadual foi instituído pela Lei 6.083/2023. A mesma normativa também cria a Campanha Coração Azul, realizada na última semana deste mês. Mundialmente, a data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2013 e, no País, pela Lei 13.344/2016.
"O tráfico de pessoas é um crime silencioso, cruel e bilionário, que destrói vidas e famílias”, considera o deputado Gerson Claro (PP), autor da lei estadual. “A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul tem ampliado o compromisso na conscientização e no enfrentamento dessa prática, que infelizmente se modernizou com a internet. Hoje, os aliciadores agem nas redes sociais, disfarçados de ofertantes de oportunidades. Por isso, é fundamental alertar nossa população, principalmente os jovens, sobre os riscos e as armadilhas do ambiente virtual. A Lei Estadual que institui o Dia de Enfrentamento e a Campanha Coração Azul é um marco nessa luta, que exige o envolvimento de toda a sociedade”, acrescentou o parlamentar.
Crescimento de denúncias
Dados do Canal de Denúncias da SaferNet Brasil – hotline brasileiro para denúncias de crimes cibernéticos contra os direitos humanos – mostram intensificação dos registros nos últimos anos. O canal denuncie.org.br recebeu, de 2022 a 2024, o total de 2.976 denúncias de links com conteúdo suspeito de tráfico de pessoas – foram 1.194 em 2022, 810 em 2023 e 972 em 2024. Em relação aos três anos anteriores (219 a 2021), que somam 1.177 denúncias, a alta é de 152%.
A majoração pode indicar tanto atuação mais intensa dos traficantes nos ambientes virtuais quanto movimento maior da sociedade em denunciar conteúdos suspeitos.
As denúncias são encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF), o que resultou, apenas no ano passado, na remoção de 278 páginas (URLs). De 2017 a 2024, a SaferNet Brasil recebeu e processou 5.274 denúncias, relativas a 2.246 páginas. No período, foram removidas 1.517 páginas com conteúdo relacionado a tráfico de pessoas.
Os registros da SaferNet Brasil integram o novo Painel de Dados sobre Tráfico de Pessoas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), lançado no início deste mês. A pasta também lançou, na ocasião, o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas de 2024.
No Relatório, o MJSP informa, entre outros dados, resultados de entrevistas com atores-chave e de aplicação de questionário a instituições participantes. Para 78% dos entrevistados, a rede de tráfico de pessoas usa a internet, sobretudo, para o recrutamento das vítimas.
O levantamento também mostrou que as mídias sociais são o principal meio de aliciamento no tráfico de pessoas para fins de exploração sexual – foram mencionadas em 52% dos casos. Já no tráfico para fins de trabalho em condições análogas à escravidão, o agenciamento pela internet (26%) é a segunda estratégia mais usada, superada apenas pelo recrutamento por conhecidos ou amigos de amigos (28%).
Clique aqui para acessar o Painel de Dados e o Relatório Nacional sobre o Tráfico de Pessoas do MJSP.
MS conta com um Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas
A defensora Thaisa Defante informou que Mato Grosso do Sul tem, finalmente, um Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP/MS). “A DPGE-MS passou a atuar como Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, o NETP. Trata-se de uma unidade administrativa, cuja função principal é implementar e fortalecer a política de enfrentamento ao tráfico de pessoas em nível local.”, explicou.
O NETP, segundo informou a defensora, é vinculado ao Ministério da Justiça e tem alcance estadual, visando fortalecer a rede de enfrentamento e de atendimento às vítimas, e de prevenção e repressão. “Por que eu falo sempre nesses três eixos: prevenção, assistência à vítima e repressão? Porque são os eixos a serem trabalhados no enfrentamento do tráfico de pessoas, especialmente pautados no 4º Plano Nacional, elaborado em 2024”, pontua.
"Gostaria de finalizar dizendo assim: Denuncie. Quando tiver uma suspeita, uma situação de tráfico de pessoas, você pode fazer uma denúncia anônima. Denuncie para o Disque 100 ou Disque 180. O importante é sempre estar atento. Se você tem alguma desconfiança, deve denunciar. A denúncia é completamente anônima", orienta Thaisa Defante. (Osvaldo Júnior - ALEMS)
Eleições 2026
A Federação União Progressista realiza no dia 1º de agosto a convenção estadual que oficializará a candidatura do governador Eduardo...
24 de julho de 2026
A Federação União Progressista realiza no dia 1º de agosto a convenção estadual que oficializará a candidatura do governador Eduardo Riedel à reeleição em Mato Grosso do Sul. O encontro também servirá para homologar os candidatos da federação aos cargos de deputado estadual e deputado federal, marcando o início da campanha eleitoral do grupo no Estado.
O evento reunirá dirigentes partidários, filiados, pré-candidatos, prefeitos, vereadores e lideranças políticas de diversas regiões de Mato Grosso do Sul. Entre as presenças confirmadas está a senadora Tereza Cristina, uma das principais referências da federação e responsável por fortalecer a articulação política da aliança no Estado.
Durante a convenção, os filiados participarão da votação interna para validar as candidaturas que representarão a União Progressista nas eleições gerais. Além da confirmação do nome de Eduardo Riedel para a disputa ao Governo do Estado, serão definidos os candidatos que concorrerão às vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
A expectativa da organização é de que o encontro reúna representantes de dezenas de municípios, consolidando a estratégia da federação para ampliar sua atuação em todas as regiões sul-mato-grossenses.
A convenção representa um dos principais atos do calendário eleitoral dos partidos, pois é o momento em que as legendas oficializam seus candidatos e apresentam as diretrizes que irão nortear a campanha.
A programação terá início às 8 horas, com a votação dos filiados. Na sequência, as lideranças concederão entrevista coletiva à imprensa para comentar as definições do encontro. O encerramento está previsto para o meio-dia, após os pronunciamentos políticos.
Formada pela união entre o Progressistas (PP) e o União Brasil, a Federação União Progressista pretende fortalecer sua estrutura política em Mato Grosso do Sul e ampliar sua representatividade nas eleições de 2026.
Com a oficialização das candidaturas, a federação inicia uma nova etapa da disputa eleitoral, concentrando esforços na organização das campanhas e na articulação com lideranças municipais em todo o Estado.
Durante a divulgação do evento, a senadora Tereza Cristina destacou que as convenções partidárias têm papel importante dentro do processo eleitoral por representarem a definição democrática das candidaturas e o início da apresentação dos projetos que serão levados aos eleitores durante a campanha.
Eleições 2026
A Presidência da República autorizou o emprego das Forças Armadas durante as eleições gerais de 2026, abrindo caminho para que militares sejam mobilizados em...
22 de julho de 2026
A Presidência da República autorizou o emprego das Forças Armadas durante as eleições gerais de 2026, abrindo caminho para que militares sejam mobilizados em diferentes regiões do país caso haja necessidade. A medida foi oficializada por decreto publicado nesta terça-feira (21) e prevê atuação em apoio ao processo eleitoral, sempre mediante solicitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na prática, a autorização não significa que militares estarão presentes em todos os locais de votação. Caberá ao TSE definir onde o reforço será necessário, estabelecendo quais municípios receberão o apoio, o período da operação e as atividades que serão desempenhadas.
A participação poderá ocorrer durante toda a operação eleitoral, incluindo o dia da votação, a apuração dos votos e o suporte logístico em áreas onde o acesso é mais difícil ou onde houver necessidade de reforço na segurança.
O decreto segue o modelo adotado em eleições anteriores, quando as Forças Armadas foram acionadas para transportar urnas eletrônicas, garantir o funcionamento da votação em regiões remotas e reforçar a segurança em localidades apontadas pela Justiça Eleitoral como estratégicas.
A autorização está respaldada pela Constituição Federal, pela Lei Complementar nº 97, que regulamenta a organização e o emprego das Forças Armadas, além das normas previstas no Código Eleitoral.
A legislação estabelece que a atuação militar não acontece de forma automática. O emprego das tropas depende de pedido formal do Tribunal Superior Eleitoral, que avalia as necessidades de cada estado durante o planejamento das eleições.
Nos últimos pleitos, esse tipo de apoio foi utilizado principalmente na Amazônia Legal, em áreas indígenas, comunidades ribeirinhas e municípios de difícil acesso, além de locais onde houve necessidade de reforço da segurança pública.
As eleições de 2026 serão uma das mais complexas dos últimos anos. Os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual, totalizando seis votos na urna eletrônica.
Com a proximidade do período eleitoral, a Justiça Eleitoral intensifica os preparativos para garantir que a votação ocorra de forma segura, organizada e com estrutura suficiente para atender todos os eleitores, especialmente nas regiões onde o apoio das Forças Armadas pode ser decisivo para assegurar o acesso às urnas e a normalidade do processo democrático.