quinta, 04 de junho, 2026
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Eleições parlamentares do último domingo (23/2) apenas confirmaram o cenário que já se desenhava nos últimos anos: a direita radical está cada vez mais forte e tem cada vez mais apoio da população na Alemanha.
O controverso Alternative für Deutschland (AfD, ou Alternativa para a Alemanha), ficou em segundo lugar nas urnas, com 20,6% dos votos. O conservador União Democrata-Cristã (CDU) foi o vencedor, com 28,6% dos votos.
O partido foi alçado principalmente por seu forte discurso anti-imigração. Para os eleitores do AfD esse é o tema mais importante, com foco no aumento de refugiados e pedidos de asilo nas últimas décadas.
Durante a campanha, a líder da legenda, Alice Weidel, chegou a apoiar oficialmente um projeto de “remigração”, ou o “retorno” em massa de imigrantes e seus descendentes para seus países de origem.
O termo ganhou destaque pela primeira vez no cenário político alemão no início de 2024, quando a notícia de que políticos do AfD haviam participado de um encontro com neonazistas para discutir a deportação em massa de milhões de imigrantes e “cidadãos não assimilados” — independente de situação legal ou de possuírem cidadania alemã — escandalizou o país.
O episódio provocou uma onda de protestos nacionais e levou o AfD a se distanciar da ideia de “remigração” — uma postura posteriormente abandonada ao longo da campanha.
A possibilidade de um endurecimento das políticas migratórias — e o sentimento cada vez mais hostil em relação aos imigrantes — assusta brasileiros que moram na Alemanha.
‘Me sinto impotente’
Gabriela Badain, estudante de 27 anos que mora há dois anos em Leipzig, no leste da Alemanha, diz se sentir impotente diante do avanço da direita radical.
“Eu, assim como muitos outros imigrantes, estamos muito preocupados”, diz a mestranda que estuda Alemão como Língua Estrangeira. “Sei o quanto o resultado dessa eleição pode influenciar meu futuro, mas não tive o que fazer além de tentar conversar com os eleitores alemães à minha volta, porque não posso votar.”
No país, apenas pessoas com cidadania alemã possuem direito ao voto em eleições nacionais.
“Me sinto excluída totalmente do lugar onde vivo”, lamenta a brasileira natural de São Paulo.
O estado da Saxônia, onde a cidade em que Gabriela mora está localizada, se tornou um dos principais polos de crescimento do AfD nos últimos anos.
Desde setembro do ano passado, o partido tem a segunda maior bancada no Parlamento local, com apenas um assento a menos do que a União Democrata-Cristã (CDU).
A região leste da Alemanha, aliás, vem sendo considerada um bastião da direita radical.
Também no ano passado, o AfD comemorou um “sucesso histórico” após conquistar quase um terço dos votos nas eleições locais do Estado de Turíngia. Foi a primeira vitória da direita radical em uma eleição para parlamento estadual na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
Gabriela afirma nunca ter experimentado ataques xenofóbicos direcionados diretamente contra ela, mas lamenta o aumento dos casos em todo o país — segundo dados compilados pela Statista em 2024, 13,3% da população acredita que o país está em risco por causa dos estrangeiros.
“Sou uma pessoa branca e muitas vezes só percebem que sou imigrante quando ouvem meu sotaque, mas já vivenciei situações muito tristes ao lado de colegas ou do meu namorado, que é libanês.”
A estudante relata um episódio específico em que, durante um encontro em um restaurante com o namorado e outros amigos de origem libanesa, um jovem alemão se aproximou da mesa onde estavam sentados e estendeu o braço em um movimento que pode ser comparado a uma saudação nazista.
“Fiquei horrorizada e quis denunciar para a polícia, mas meus amigos disseram que não era a primeira vez que isso acontecia com eles e que não daria em nada.”
A própria AfD já foi acusada de defender ideias neonazistas e integrantes do partido foram condenados por apologia à ideologia.
No ano passado, o partido foi expulso da coligação Identidade e Democracia (ID), formada por partidos da direta radical do Parlamento Europeu, depois que um político da sigla afirmou que os membros da SS nazista “não eram todos criminosos”.
A SS era uma força paramilitar nazista e foi uma das organizações responsáveis pelo Holocausto.
Episódios como esse fizeram com que todos os demais partidos, incluindo a CDU e o Partido Social Democrata (SPD), do primeiro-ministro Olaf Scholz, prometessem nunca colaborar com a AfD, isolando a ultradireita através de um chamado “cordão sanitário”.
Mas a tentativa de Friedrich Merz de aprovar no Parlamento alemão um projeto que pedia restrições à reunificação familiar e a rejeição de imigrantes nas fronteiras, em janeiro deste ano, causou polêmica em todo o país. Isso porque, para aprovar a moção e as linhas gerais do texto serem discutidas, o líder da CDU contou com apoio da AfD.
O projeto de lei acabou não sendo aprovado, mas Merz incluiu em sua lista de prioridades num eventual governo a implementação da medida — algo que também assusta muitos imigrantes.
“Ver CDU compartilhando ideias com a AfD preocupou muita gente. Quando vi as notícias sobre isso só consegui pensar ‘nossa, agora ferrou'”, conta Gabriela Badain.
A estudante relata ainda uma inquietação entre colegas estrangeiros que vivem na Alemanha com visto de estudante. “Já estive em várias conversas em que a ideia de terminar o mestrado em outro país surgiu”, diz.
Ela mesma afirma estar preocupada com seu futuro. “Trabalho meio período como professora de alemão para crianças imigrantes e não sei o quanto essa intolerância crescente pode afetar meu trabalho ou a busca por outras vagas”, afirma.
Por tudo isso, Gabriela afirma que pretende deixar a Alemanha caso a sensação de insegurança e a hostilidade em relação aos imigrantes cresça ainda mais.
Já Éder Souza, 40, afirma não ter planos de deixar a Alemanha, apesar de também notar um crescimento inegável do sentimento nacionalista e anti-imigrante ao seu redor.
Éder deixou o Brasil ao lado da esposa em 2018 após receber uma proposta para trabalhar como consultor na área de software. Atualmente vive em Bruchsal, uma cidade localizada perto da fronteira com a França.
Mas antes mesmo da mudança, o especialista em tecnologia já se sentia preocupado pela forma como seria recebido na Alemanha.
Para Éder, uma das posições mais difíceis de entender é a de imigrantes ou cidadãos alemães com origem estrangeira que apoiam a AfD e outros partidos com políticas anti-imigração.
“Isso me causa muito espanto”, diz. “Mas vejo o quanto a extrema direita usa um discurso populista, com o apoio de figuras como o Elon Musk, para atrair as pessoas.”
Política
Atendimento ocorre em cartórios eleitorais e on-line pelo sistema do TSE para quem já tem biometria cadastrada.
6 de maio de 2026
Cidadãos de todo o país têm até esta quarta-feira (6) para obter o primeiro título de eleitor ou regularizar o documento junto à Justiça Eleitoral, sob risco de ficar impedidos de votar nas Eleições 2026, em outubro.
O serviço pode ser feito presencialmente nos cartórios eleitorais ou pela internet, por meio do sistema de autoatendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para quem já tem biometria cadastrada.
O prazo abrange alistamento eleitoral, transferência de domicílio eleitoral, revisão de dados cadastrais e regularização de outras pendências.
De acordo com o artigo 91 da Lei nº 9.504/1997, nenhum requerimento de inscrição ou de transferência eleitoral pode ser recebido nos 150 dias anteriores à data da eleição.
Por esse motivo, a partir de 7 de maio, o cadastro eleitoral será fechado em todas as unidades da Justiça Eleitoral e no atendimento on-line, permanecendo assim até novembro de 2026.
Entre os grupos mencionados estão jovens que vão votar pela primeira vez, pessoas que mudaram de cidade e precisam transferir o título, eleitores com o documento cancelado ou com pendências na Justiça Eleitoral e quem precisa atualizar dados cadastrais.
No encerramento da sessão de julgamentos desta terça-feira (5), a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, alertou para o fim do prazo e disse esperar que eleitores resolvam pendências relacionadas ao título.
Segundo o texto, além do impacto no voto, a ausência do título pode gerar dificuldade para obter passaporte ou carteira de identidade, tomar posse em cargos públicos ou se matricular em instituições de ensino públicas.
Eleições 2026
Mato Grosso do Sul caminha para as Eleições Gerais de 2026 com um eleitorado expressivo. Dados da Justiça Eleitoral apontam que o estado conta com cerca de 1,97 milhão...
5 de maio de 2026
Mato Grosso do Sul caminha para as Eleições Gerais de 2026 com um eleitorado expressivo. Dados da Justiça Eleitoral apontam que o estado conta com cerca de 1,97 milhão de pessoas aptas a votar, evidenciando a relevância da participação sul-mato-grossense no processo democrático nacional.
O perfil dos eleitores revela predominância feminina. As mulheres representam aproximadamente 53% do total, enquanto os homens somam cerca de 47%. Esse cenário acompanha uma tendência observada em diferentes regiões do país, onde o público feminino tem maior presença no cadastro eleitoral.
O crescimento do número de eleitores ao longo dos últimos anos reflete ações contínuas da própria Justiça Eleitoral, que tem investido em campanhas de conscientização, regularização de títulos e incentivo ao voto responsável.
Além dos números, o cenário reforça a importância do engajamento da população nas decisões políticas. A participação ativa dos eleitores é considerada um dos pilares fundamentais para o fortalecimento da democracia, especialmente em um período que antecede um novo ciclo eleitoral.
Com um contingente próximo de 2 milhões de votantes, Mato Grosso do Sul segue como peça importante no quadro eleitoral brasileiro, contribuindo diretamente para a definição dos rumos políticos do país.