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Polícia
A desigualdade de gênero nas relações sociais naturaliza a violência masculina contra as mulheres, responsável pelos números alarmantes do feminicídio no Brasil
19 de julho de 2023
Anália/PCS
Cerca de 1.400 feminicídios foram registrados no Brasil em 2022, o que atinge o recorde de uma mulher morta a cada seis horas, por questões ligadas ao gênero. É o maior percentual já registrado desde que a lei do feminicídio entrou em vigor, em 2015, segundo pesquisas oficiais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal.
Segundo os dados oficiais divulgados em março passado, quando o presidente Lula anunciou medidas para prevenir a violência contra as mulheres, o número total de 1.410 assassinatos por questões ligadas ao gênero representa cerca de 5% a mais do que em 2021. Se levarmos em consideração os homicídios de mulheres, sem destacar as motivações, o número subiu 3% (de 2021 para 2022), chegando a 3.930.
O aumento dos feminicídios contrasta com uma diminuição insignificante no número total de assassinatos no ano passado. As estatísticas evidenciam 40.800 casos. Diante de dados tão estarrecedores, pode-se afirmar que houve apenas uma redução de 1%, em relação a 2021.
No tocante aos homicídios de mulheres, vale salientar que houve um aumento de 2,6% dos casos no Brasil. Os estados que apresentam os maiores índices são Mato Grosso do Sul, que registrou a maior taxa de homicídio de mulheres (8,3), seguido por Rondônia (7,6). Os índices apresentados nacionalmente são de 3,6 casos por 100 mil mulheres – dados que confirmam que os feminicídios são provocados, sobretudo, pela desigualdade de gênero.
Esta desigualdade se faz presente nas relações sociais a partir da crença de que as mulheres são submissas aos homens e, portanto, seus desejos e inspirações seriam irrelevantes. A violência de gênero transforma as mulheres em objeto e “propriedade” masculina. A maioria dos casos registrados diariamente apontam que a iniciativa tomada pela mulher, no sentido de terminar com um relacionamento abusivo, em sua grande maioria tem como consequência ameaças e o feminicídio.
Os fatores que provocam o aumento dos feminicídios (2021 e 2022) decorrem da ineficiência das políticas públicas de prevenção da violência doméstica e da proteção integral de mulheres vítimas.
Os dados apresentados por pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos sobre a Violência da USP indicam que, durante o governo Bolsonaro, houve um corte de 90% da verba destinada à política de enfrentamento da violência doméstica e familiar. Observa-se que o orçamento para serviços de saúde e assistência das unidades da Casa da Mulher Brasileira e de Centros de Atendimento às Mulheres, que atendem vítimas de violência doméstica, foi suprimido.
A ausência de investimentos influi diretamente na precariedade da fiscalização das medidas protetivas, asseguradas pelo sistema de justiça e segurança pública – o que contribui enormemente para que casos de violência doméstica evoluam para feminicídios. Apesar da subnotificação, registros indicam que não raro as vítimas de feminicídio já se encontravam sob medidas protetivas. Porém, sem monitoramento dos poderes competentes, estas medidas se tornam ineficientes.
Outra questão que merece destaque é a grande quantidade de armas adquiridas pela população brasileira, concedida e estimulada pelo governo Bolsonaro nos últimos quatro anos. Estudiosos alertam que a arma de fogo é o instrumento mais utilizado em feminicídios no Brasil. A presença de uma arma em um ambiente doméstico aumenta, ou seja, intensifica o ciclo de violência doméstica e o feminicídio.
Durante o governo Bolsonaro houve um significativo aumento de movimentos conservadores que defendem a manutenção da desigualdade de gênero nas relações sociais, naturalizando a submissão das mulheres e a violência doméstica como um instrumento da supremacia masculina. Tais concepções associadas ao fácil acesso às armas institui um ambiente social em que o machismo é fortalecido e, consequentemente, ganha espaço e promove a “sensação de permissão legal” para a prática da violência.
A sociedade civil deve entender que ainda temos um longo caminho a trilhar até a igualdade de gênero. É preciso urgentemente assegurar e proteger os direitos duramente conquistados pelas mulheres – o aumento dos feminicídios no Brasil mostra que muitas de nós ainda não conquistaram, sequer, o direito à vida.
Denunciar e buscar ajuda para as vítimas de violência contra mulheres – Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – Lei Maria da Penha.
Policia
Caminhão avaliado em mais de R$ 110 mil foi levado para a fronteira com a Bolívia após criminosos atraírem vítimas com proposta falsa de transporte.
3 de junho de 2026
A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta última terça-feira (2), dois integrantes de uma quadrilha especializada em roubos de caminhões na modalidade conhecida como “falso frete”. O crime ocorreu nas proximidades da BR-262, em Ribas do Rio Pardo, e resultou no roubo de um caminhão prancha VW 18.310 Titan, avaliado em aproximadamente R$ 110 mil, além da privação de liberdade de um casal de caminhoneiros por cerca de seis horas.
De acordo com as investigações da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), os criminosos utilizaram um número de telefone falso para entrar em contato com as vítimas, apresentando-se como contratantes de um serviço para transporte de tratores em uma fazenda de Ribas do Rio Pardo.
Ao chegarem ao local combinado, às margens da BR-262, o casal foi abordado pelos autores, que embarcaram no caminhão. Após percorrerem alguns quilômetros por uma estrada vicinal, os suspeitos anunciaram o assalto utilizando arma de fogo.
As vítimas foram obrigadas a desembarcar e permanecer em uma área de mata sob vigilância dos criminosos, enquanto um terceiro integrante do grupo assumiu a direção do veículo.
Segundo a Polícia Civil, o caminhão foi conduzido até a região de fronteira com a Bolívia, onde foi entregue ainda durante a madrugada.
Assim que tomou conhecimento do caso, a equipe da Defurv iniciou diligências e trabalhos de inteligência para identificar os envolvidos.
As investigações levaram à identificação e prisão de B.O.N., de 22 anos, no Bairro Jardim Columbia, em Campo Grande. Na sequência, os policiais localizaram e prenderam G.L.S.R., de 31 anos, apontado como responsável por transportar os criminosos e prestar apoio logístico à ação.
Conforme a Polícia Civil, ambos confessaram participação no crime.
As investigações apontam ainda a participação de outros envolvidos, que teriam sido responsáveis por conduzir o caminhão roubado até o país vizinho.
Durante a operação, os policiais apreenderam um Fiat Uno utilizado no transporte dos suspeitos entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, além de objetos relacionados à prática criminosa.
A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva dos investigados já identificados.
Segundo a corporação, as investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os demais integrantes da organização criminosa.
A Polícia Civil destacou que a rápida resposta ao caso demonstra a atuação integrada e técnica das forças de segurança no combate aos crimes contra o patrimônio, especialmente aqueles envolvendo furtos e roubos de veículos.
Informações e denúncias podem ser encaminhadas à DEFURV pelo telefone (67) 3309-8020, inclusive via WhatsApp. O sigilo da fonte é garantido.
Policia
Homem também a ameaçou de morte enquanto a segurava pelo pescoço
3 de junho de 2026
Uma mulher procurou ajuda da Polícia Militar após ser agredida e ameaçada de morte pelo companheiro durante uma crise de ciúmes, na noite de terça-feira (2), em Coxim.
Segundo boletim de ocorrência, a vítima relatou que estava na residência do convivente quando ele passou a ofendê-la com palavras de baixo calão e iniciou as agressões físicas com socos e tapas.
Ainda conforme o relato, em determinado momento o homem segurou o pescoço da mulher com força e fez ameaças de morte. "Vou lhe matar, você sabe que eu posso lhe matar, vou meter uma faca em você", teria dito o agressor.
A vítima contou aos policiais que o suspeito mantinha duas facas na janela da residência, utilizadas para travar a abertura do imóvel. Temendo as ameaças, ela conseguiu fugir e correu até a casa do filho, localizada nas proximidades, onde pediu ajuda e acionou a Polícia Militar.
Os policiais realizaram buscas na residência do suspeito, mas ele não foi encontrado.