quinta, 04 de junho, 2026
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Sarah* tinha 15 anos quando assistiu a uma palestra na escola sobre violência contra mulher, na qual o pesadelo que viveu por sete anos foi descrito. Na época, ela guardava um segredo a sete chaves e nem sonhava em contar aos pais que o tio com quem eles a deixavam enquanto iam parar o trabalho a estuprava. Não só ela, mas outras duas primas. A segunda vítima do autor era uma enteada. A terceira, outra sobrinha dele. As meninas tinham, na época, entre cinco e seis anos.
Quatro anos depois, Sarah foi informada que o autor dos estupros foi preso na segunda-feira (21). “Parece que eu fiquei esse tempo todo afogando e me puxaram para superfície”, disse Sarah ao Jornal Midiamax sobre quando recebeu a notícia, na última quarta-feira (23). A sensação de alívio parece dar novo sentido 'a vida da jovem, que revelou ter planos até de abrir uma ONG para ajudar mulheres em situação como a que ela e as primas passaram.
Sarah contou que mãe dela era empregada doméstica e que seu pai trabalhava em rodovias. O silêncio sobre as violências que sofria foi selado em seu íntimo, devido ao medo da reação e vergonha pelo que ocorreu. Mas foi quando ela, ainda adolescente, leu uma reportagem que informava que, a partir dos 16 anos, vítimas de abuso sexual podem registrar boletim de ocorrência sem a presença dos pais ou responsáveis. Naquele dia, ela decidiu ir sozinha até a DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) da cidade em que morava para falar pessoalmente com a delegada plantonista.
Ao procurar a delegacia, a garota expôs seu calvário, e também contou o que as outras duas meninas sofreram, até aquele momento, não tiveram a mesma coragem para denunciar. No dia seguinte, Sarah revelou detalhes e contou para seus pais, que contaram tudo para a esposa do estuprador, irmã da mãe de Sarah. A revelação dos estupros escancarou uma ferida familiar: a maior parte ficou do lado do tio. Os pais, de quem Sarah temia a reação, a acolheram, assim como alguns amigos e seus professores.
Na escola, quando boatos se espalharam, Sarah deixou de frequentar as aulas e passou a fazer as atividades com apoio dos professores, em casa. “Nesses dois anos que ele ficou foragido, eu me privei de muita coisa. As pessoas me julgaram, eu chegava na porta da escola e começava a chorar. Não fiz o 3º e o 4º bimestre porque não aguentava os comentários”, afirma. Sarah relata que, além da coragem para denunciar, também precisou suportar o afastamento repentino da família. “A esposa dele falou que eu acabei com a nossa família e com a vida dela. Eu acabei? Nunca nenhuma de nós vamos esquecer isso”, pontua.
Atualmente, Sarah se dedica à vida universitária e trabalha em um salão de beleza. No seu espaço de trabalho, ela escuta com frequência histórias semelhantes a sua. Foi daí que surgiu a ideia de abrir uma ONG (Organização Não Governamental) para que crianças vítimas de violência consigam apoio emocional e tenham a mesma coragem que ela para denunciar. “Os únicos que confiaram em mim foram os professores, e eles percebiam que eu não estava bem. Deve ter algum motivo das clientes confiarem em mim para contar as histórias no salão”, relata.
"Pulei de alegria", disse Sarah, quando soube da prisão do tio foragido pelos estupros - talvez por ver que a impunidade não venceria daquela vez. Talvez por saber que quebrar seu silêncio rompeu um ciclo de violência que certamente continuaria com outras vítimas. junto às outras vítimas.
A criação da ONG ainda precisa de planejamento, mas ganhou força com a notícia da prisão de seu algoz. Sarah promete tentar usar sua história para incentivar outras mulheres a não se calarem. “Quando eu contava tudo o que passei as pessoas se comoviam. Mas, o fato dele não ter sido preso na época, parecia que tudo o que eu passei havia sido em vão. Espero que outras mulheres vejam isso e que não fiquem com medo de avisar a polícia”, diz.
Denúncias de estupro
Estupro é a palavra que descreve o ato de violência sexual, o ato sexual forçado e sem consentimento da vítima. Estupro é só uma das palavras que emergem à mente quando meninas como Sarah revivem as lembranças nefastas. Os anos sete anos de terror vividos por Sarah se confunde com muitas outras histórias, de muitas outras mulheres.
Na madrugada da quinta-feira (24), outra mulher de 54 anos também esteve no inferno e viveu as mesmas dores de Sarah e das primas. No interior de sua própria casa, ela foi violentada sexualmente e espancada por um homem. Atualmente, com traumatismo craniano, ela recebe cuidados médicos em Campo Grande.
Histórias como essas seguirão nas páginas dos jornais enquanto as vítimas não romperem os cadeados do medo e denunciarem. Mas as denúncias surgem: do dia 1º de janeiro deste ano até ontem, foram registrados 85 casos relacionados à pedofilia em Mato Grosso do Sul, segundo dados da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública). Já os casos de estupro somam 732, no mesmo período, e 613 de estupro de vulnerável – crianças menores de 14 anos.
Na Capital, a Depca (Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente) atende vítimas fazendo o registro de boletins de ocorrência, além do acompanhamento psicológico, além da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude). Aos finais de semana, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) funciona em regime de plantão, 24 horas, e também acolhe casos de estupro de vulnerável.
No interior, as DAMs (Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher) são as responsáveis pelas investigações de casos de estupro, e acolhimento das vítimas.
Confira como entrar em contato:
AQUIDAUANA: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Sete de Setembro, 1311 – Bairro Guanandi – CEP 79200-000
Telefone: (067) 3241-1172
Email: [email protected]
CORUMBÁ: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Major Gama, 290 – Centro – CEP 79330-000
Telefone: (067) 3234-9904 / 3234-9923
Email: [email protected]
COXIM: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
End: Rua General Mendes Moraes, 230 – Jardim Aeroporto – CEP 79400-000
Telefone: (067) 3291- 1338
Email: [email protected]
DOURADOS: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Francisco Feitosa Sobreira, 820 – Vila Bela – CEP 79813–040
Telefone: (067) 3421-1177
Email: [email protected]
FÁTIMA DO SUL: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Presidente Dutra, 1261 – Centro – CEP 79700-000
Telefone: (067) 3467-1622
Email: [email protected]
JARDIM: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Fernando Aranha, 1055 – Centro – CEP 79240.000
Telefone: (067) 3251-6397
Email: [email protected]
NAVIRAÍ: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Irineu Bonicontro, 74 – Jardim Progresso – CEP 79950.000
Telefone: (067) 3461-5182 / 5115
Email: [email protected]
NOVA ANDRADINA: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Santo Antônio, 1094 – Centro – CEP 79750.000
Telefone: (067) 3441-8261 / 3441-5047
Email: [email protected]
PARANAÍBA: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua Rui Barbosa, 1680 – Jardim Brasília – CEP 79500-000
Telefone: (067) 3503-1266
Email: [email protected]
PONTA PORÃ: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM)
Endereço: Rua 7 de Setembro, 617 – Centro – CEP 79904-624
Telefone: (067) 3431-3771
Email: [email protected]
TRÊS LAGOAS: DELEGACIA DE ATENDIMENTO À MULHER (DAM) Endereço: Rua Oscar Guimarães, 1655 – Vila Nova – CEP 79600-021 Telefone: (067) 3521-0227 / 3521-9056 Email: [email protected]
Policia
Caminhão avaliado em mais de R$ 110 mil foi levado para a fronteira com a Bolívia após criminosos atraírem vítimas com proposta falsa de transporte.
3 de junho de 2026
A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta última terça-feira (2), dois integrantes de uma quadrilha especializada em roubos de caminhões na modalidade conhecida como “falso frete”. O crime ocorreu nas proximidades da BR-262, em Ribas do Rio Pardo, e resultou no roubo de um caminhão prancha VW 18.310 Titan, avaliado em aproximadamente R$ 110 mil, além da privação de liberdade de um casal de caminhoneiros por cerca de seis horas.
De acordo com as investigações da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), os criminosos utilizaram um número de telefone falso para entrar em contato com as vítimas, apresentando-se como contratantes de um serviço para transporte de tratores em uma fazenda de Ribas do Rio Pardo.
Ao chegarem ao local combinado, às margens da BR-262, o casal foi abordado pelos autores, que embarcaram no caminhão. Após percorrerem alguns quilômetros por uma estrada vicinal, os suspeitos anunciaram o assalto utilizando arma de fogo.
As vítimas foram obrigadas a desembarcar e permanecer em uma área de mata sob vigilância dos criminosos, enquanto um terceiro integrante do grupo assumiu a direção do veículo.
Segundo a Polícia Civil, o caminhão foi conduzido até a região de fronteira com a Bolívia, onde foi entregue ainda durante a madrugada.
Assim que tomou conhecimento do caso, a equipe da Defurv iniciou diligências e trabalhos de inteligência para identificar os envolvidos.
As investigações levaram à identificação e prisão de B.O.N., de 22 anos, no Bairro Jardim Columbia, em Campo Grande. Na sequência, os policiais localizaram e prenderam G.L.S.R., de 31 anos, apontado como responsável por transportar os criminosos e prestar apoio logístico à ação.
Conforme a Polícia Civil, ambos confessaram participação no crime.
As investigações apontam ainda a participação de outros envolvidos, que teriam sido responsáveis por conduzir o caminhão roubado até o país vizinho.
Durante a operação, os policiais apreenderam um Fiat Uno utilizado no transporte dos suspeitos entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, além de objetos relacionados à prática criminosa.
A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva dos investigados já identificados.
Segundo a corporação, as investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os demais integrantes da organização criminosa.
A Polícia Civil destacou que a rápida resposta ao caso demonstra a atuação integrada e técnica das forças de segurança no combate aos crimes contra o patrimônio, especialmente aqueles envolvendo furtos e roubos de veículos.
Informações e denúncias podem ser encaminhadas à DEFURV pelo telefone (67) 3309-8020, inclusive via WhatsApp. O sigilo da fonte é garantido.
Policia
Homem também a ameaçou de morte enquanto a segurava pelo pescoço
3 de junho de 2026
Uma mulher procurou ajuda da Polícia Militar após ser agredida e ameaçada de morte pelo companheiro durante uma crise de ciúmes, na noite de terça-feira (2), em Coxim.
Segundo boletim de ocorrência, a vítima relatou que estava na residência do convivente quando ele passou a ofendê-la com palavras de baixo calão e iniciou as agressões físicas com socos e tapas.
Ainda conforme o relato, em determinado momento o homem segurou o pescoço da mulher com força e fez ameaças de morte. "Vou lhe matar, você sabe que eu posso lhe matar, vou meter uma faca em você", teria dito o agressor.
A vítima contou aos policiais que o suspeito mantinha duas facas na janela da residência, utilizadas para travar a abertura do imóvel. Temendo as ameaças, ela conseguiu fugir e correu até a casa do filho, localizada nas proximidades, onde pediu ajuda e acionou a Polícia Militar.
Os policiais realizaram buscas na residência do suspeito, mas ele não foi encontrado.