quinta, 04 de junho, 2026
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“Quem não silencia, é silenciado”. A máxima citada quando o assunto é o famoso código de silêncio das máfias, resume um pouco o teor dos autos da Operação Omertá. Basta ler as conclusões do trabalho investigativo sobre o grupo de extermínio, para observar que o medo é presente o tempo todo, não só pelos alvos, mas entre os integrantes da milícia armada, à qual são atribuídos pelo menos oito execuções nos últimos 10 anos. A forma como o grupo agia explica um pouco tamanho terror.
Entre as mortes dentro da própria quadrilha, uma é na vida real comparável ao que foi no cinema a cabeça de cavalo deixada na cama de personagem de “O Poderoso Chefão”, filme sobre a máfia italiana mais cultuado de todos os tempos. Em agosto de 2013, Rafael Leonardo dos Santos, de 29 anos, contratado para pilotar motocicleta na qual o pistoleiro José Moreira Freires atirou e matou o delegado aposentado Paulo Magalhães, foi assassinado e teve o corpo mutilado. Cortaram as pernas e a cabeça e abandonaram só o tronco, carbonizado, no lixão de Campo Grande.
Foi queima de arquivo, apontaram as investigações da época. Mas para os responsáveis pela Operação Omertá, foi também um recado para demonstrar os riscos a quem quebra a lei do silêncio imposta aos integrantes do grupo de extermínio. A apuração indica que Rafael, o mais jovem dos três envolvidos no crime, era considerado o “elo” mais fraco, além de ter cometido o erro de comprar, logo depois do crime, veículo de valor acima de sua capacidade financeira aparente.
Outra prova da extrema violência aplicada aos desafetos e ex-funcionários, argumenta o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) no pedido de prisão de 23 pessoas feito à Justiça, estava junto com o arsenal apreendido em maio deste ano, com o ex-guarda municipal Marcelo Rioss. Foi encontrado também um arreiador de gado, instrumento originalmente usado na pecuária, para aplicar choques elétricos no gado. Nas mãos dos integrantes da milícia, diz a investigação, o equipamento virava instrumento de tortura.
Também foram localizados dois instrumentos do tipo na casa de José Moreira Freires, indicado junto com Juanil Miranda Lima, como os responsáveis pelo objetivo final da milícia, executar os inimigos da família Name, considerada comandante da organização.
Clima de medo – Não apenas a quebra do silêncio era encarada como risco de vida, observa material levantado. Trechos do texto de mais de 1.300 páginas, que baseia os pedidos de prisão dos envolvidos, deixam claro: havia muito medo de errar e, quando isso aconteceu, o sentimento virou pavor.
Isso fica mais nítido com relação a Marcelo Rios. Primeiro, foi em relação à execução, por engano, do estudante Matheus Coutinho Xavier, de 20 anos, em abril deste ano. O alvo era o pai do rapaz, o capitão reformado da Polícia Militar Paulo Xavier, considerado desafeto dos “patrões” do esquema criminoso.
Em maio, mais um problema para Rios, que trabalhava há quatro anos com os Name, de acordo com a peça investigatória. No dia 19, ele foi preso com armas que, apontam o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro) e o Gaeco, deveriam ser entregues diretamente a Jamil Name, tido como o chefe da “orcrim”, abreviação de organização criminosa no jargão jurídico.
Nas inúmeras escutas transcritas, chama atenção diálogo no qual Rios afirma categoriamente: “o velho quer me empurrar”, ao relevar temor de ser alvo de desconfiança do empresário. Empurrar é matar, no jargão policialesco.
Testemunha-chave, a mulher do ex-guarda civil municipal sugere nervosismo muito acentuado dele nos períodos próximos a assassinatos. De acordo as revelações dela, o marido chegou a ficar sem dormir, nem comer, de tão abalado.
Em outra situação, o investigado, fala do medo de que sua cabeça fosse “rolar”. Quando houve o assassinato de Marcel Hernandes Colombo, "Playboy da Mansão", atribuído ao grupo criminoso, a esposa de Marcelo Rios contou em depoimento que ele só confirmou a execução aos chefes a quando leu a notícia em jornais.
Em outro trechos da peça processual, aparecem mais funcionários da família Name citando receios. Guardas municipais que trabalhavam como seguranças também faziam transporte de integrantes da família e apresentavam temor de qualquer coisa que pudesse dar errado, como por exemplo em ocasião na qual um dos filhos de Jamil Name Filho, de 12 anos, não foi localizado rapidamente no local combinado.
Frase de efeito – Em 18 de abril do ano passado, segundo consta do texto pedindo as prisões dos envolvidos, Jamil Name Filho, 42, também chamado de “Jamilzinho” e “Guri”, travou diálogo com a esposa no qual demonstra preocupação com algum acontecimento e fala em iniciar “a maior matança da história de Mato Grosso do Sul”.
Em conversa de Whattsapp, Jamilzinho afirma ter recebido uma informação desagradável. Nessa conversa, ele afirma que “tem medo quem é caçado, não sou eu. A matilha é minha. Não morro fácil”, está transcrito na peça processual do Gaeco.
A partir de junho de 2018, ocorreram quatro mortes colocadas na conta da milícia armada. Além de Marcel Colombo e de Matheus Coutinho, a lista tem o chefe de segurança da Assembleia Legislativa, Ilson Martins Figueiredo, 62 anos, e Orlando da Silva Fernandes, o “Bomba”, 41 anos, ex-segurança do traficante Jorge Rafaat, executado em 2016, em Ponta Porã.
Todos os elementos coletados, para o Gaeco, comprovam que o grupo age com “audácia, destemor e altíssima periculosidade”. A “Omertà” identificada pelos investigadores impõe dificuldades ao trabalho policial, segundo alegam. Nessa investigação, por exemplo, há relatos de ameaças às testemunhas, inclusive com mudança de versões.
O documento cita que, durante anos e anos, a Polícia Civil não conseguiu chegar aos mandantes das execuções. Afirma, ainda, que o Garras pediu apoio ao Gaeco justamente para o trabalho policial conseguir se aprofundar.
Ainda assim, está registrado na manifestação à justiça solicitando as prisões e realizações de buscas, que só policiais topam depor, e ainda assim, apenas sobre o elo final, os executores, sem chegar aos responsáveis pelo “mando”. Diante do medo, alegam os promotores responsáveis pela peça, o “cidadão de bem se sente constrangido” e a opção da maioria é a lei do silêncio.
Policia
Caminhão avaliado em mais de R$ 110 mil foi levado para a fronteira com a Bolívia após criminosos atraírem vítimas com proposta falsa de transporte.
3 de junho de 2026
A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta última terça-feira (2), dois integrantes de uma quadrilha especializada em roubos de caminhões na modalidade conhecida como “falso frete”. O crime ocorreu nas proximidades da BR-262, em Ribas do Rio Pardo, e resultou no roubo de um caminhão prancha VW 18.310 Titan, avaliado em aproximadamente R$ 110 mil, além da privação de liberdade de um casal de caminhoneiros por cerca de seis horas.
De acordo com as investigações da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), os criminosos utilizaram um número de telefone falso para entrar em contato com as vítimas, apresentando-se como contratantes de um serviço para transporte de tratores em uma fazenda de Ribas do Rio Pardo.
Ao chegarem ao local combinado, às margens da BR-262, o casal foi abordado pelos autores, que embarcaram no caminhão. Após percorrerem alguns quilômetros por uma estrada vicinal, os suspeitos anunciaram o assalto utilizando arma de fogo.
As vítimas foram obrigadas a desembarcar e permanecer em uma área de mata sob vigilância dos criminosos, enquanto um terceiro integrante do grupo assumiu a direção do veículo.
Segundo a Polícia Civil, o caminhão foi conduzido até a região de fronteira com a Bolívia, onde foi entregue ainda durante a madrugada.
Assim que tomou conhecimento do caso, a equipe da Defurv iniciou diligências e trabalhos de inteligência para identificar os envolvidos.
As investigações levaram à identificação e prisão de B.O.N., de 22 anos, no Bairro Jardim Columbia, em Campo Grande. Na sequência, os policiais localizaram e prenderam G.L.S.R., de 31 anos, apontado como responsável por transportar os criminosos e prestar apoio logístico à ação.
Conforme a Polícia Civil, ambos confessaram participação no crime.
As investigações apontam ainda a participação de outros envolvidos, que teriam sido responsáveis por conduzir o caminhão roubado até o país vizinho.
Durante a operação, os policiais apreenderam um Fiat Uno utilizado no transporte dos suspeitos entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, além de objetos relacionados à prática criminosa.
A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva dos investigados já identificados.
Segundo a corporação, as investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os demais integrantes da organização criminosa.
A Polícia Civil destacou que a rápida resposta ao caso demonstra a atuação integrada e técnica das forças de segurança no combate aos crimes contra o patrimônio, especialmente aqueles envolvendo furtos e roubos de veículos.
Informações e denúncias podem ser encaminhadas à DEFURV pelo telefone (67) 3309-8020, inclusive via WhatsApp. O sigilo da fonte é garantido.
Policia
Homem também a ameaçou de morte enquanto a segurava pelo pescoço
3 de junho de 2026
Uma mulher procurou ajuda da Polícia Militar após ser agredida e ameaçada de morte pelo companheiro durante uma crise de ciúmes, na noite de terça-feira (2), em Coxim.
Segundo boletim de ocorrência, a vítima relatou que estava na residência do convivente quando ele passou a ofendê-la com palavras de baixo calão e iniciou as agressões físicas com socos e tapas.
Ainda conforme o relato, em determinado momento o homem segurou o pescoço da mulher com força e fez ameaças de morte. "Vou lhe matar, você sabe que eu posso lhe matar, vou meter uma faca em você", teria dito o agressor.
A vítima contou aos policiais que o suspeito mantinha duas facas na janela da residência, utilizadas para travar a abertura do imóvel. Temendo as ameaças, ela conseguiu fugir e correu até a casa do filho, localizada nas proximidades, onde pediu ajuda e acionou a Polícia Militar.
Os policiais realizaram buscas na residência do suspeito, mas ele não foi encontrado.