quinta, 04 de junho, 2026

WhatsApp

(67) 99983-4015

Policia

A+ A-

Implorou por socorro, mas não teve tempo: o grito silenciado de Luana, a 32ª vítima de feminicídio

Icone Calendário

29 de outubro de 2025

Icone Autor

Glenda Melo / Diário do Estado

Continue Lendo...

 

Campo Grande amanheceu de luto mais uma vez. Na noite de ontem, terça-feira (28), Luana Cristina Ferreira Alves, de 32 anos, teve a vida interrompida de forma brutal no pátio de uma empresa de máquinas, no Jardim Colúmbia. Foram onze facadas no pescoço, isso mesmo que você leu, só no pescoço de Luana foram 11 facadas, ela inda recebeu mais golpes nas costas e na cabeça que calaram a voz de uma mulher que ainda tentou fugir, gritar por ajuda e lutar pela própria vida.

Segundo testemunhas, Luana correu ensanguentada pela rua, batendo em portões e pedindo por socorro. Conseguiu alcançar a varanda de uma casa e sentar-se em uma cadeira, mas caiu antes que o socorro chegasse. O Samu ainda tentou reanimá-la, mas as feridas profundas não deixaram chances.

O assassino, Gilson Castelan de Souza, de 48 anos, fugiu a pé logo após o crime, mas foi localizado horas depois com uma faca na cintura. Ele confessou o assassinato, tanto à polícia quanto ao próprio empregador  enviando inclusive um áudio assumindo o feminicídio.

A prisão revelou um detalhe estarrecedor: Gilson já era procurado por outro feminicídio, cometido em 2022, contra sua ex-mulher, Silbene Guia Dolores da Silva, morta com 13 facadas em Várzea Grande (MT). Dois crimes, duas mulheres mortas pelo mesmo homem, e um sistema que falhou em impedir a repetição da tragédia.

Com Luana, o número de mulheres assassinadas em Mato Grosso do Sul em 2025 chegou a 32. Trinta e duas histórias interrompidas, trinta e dois lares destruídos, dezenas de filhos órfãos  como os cinco filhos pequenos que agora ficaram sem a mãe.

Enquanto o corpo de Luana era recolhido pela perícia, o pátio onde tudo aconteceu era lavado às pressas, apagando as marcas do sangue, mas não as cicatrizes deixadas na comunidade e na cidade.

A cada nome que se soma à lista de vítimas, cresce também o grito por justiça e proteção. O caso de Luana é mais do que uma tragédia: é um espelho cruel da realidade de um país onde o machismo ainda mata todos os dias, e onde muitas mulheres vivem com medo de serem as próximas.

Luana não morreu em silêncio  ela pediu ajuda, correu, implorou, e mesmo assim foi deixada sozinha diante da fúria de um homem que já havia matado antes. Sua morte escancara falhas profundas na rede de proteção e cobra uma resposta urgente da sociedade e do Estado.

“Trinta e duas vozes caladas: o grito das mulheres que o machismo matou em Mato Grosso do Sul”

Elas tinham sonhos, planos e nomes.
Nomes que agora ecoam em silêncio nas manchetes, nas estatísticas, nos boletins de ocorrência.
Nomes que deveriam estar em aniversários, não em laudos periciais.

Luana Cristina Ferreira Alves, 32 anos, foi a mais recente.
Correu, implorou por socorro, mas não houve tempo.
Onze facadas. Onze golpes que cortaram uma vida e com ela, a esperança de cinco filhos.
O assassino, que já havia matado outra mulher, caminhava livre até ontem.

Mas Luana não está sozinha. Antes dela, vieram outras trinta e uma histórias interrompidas, trinta e uma promessas arrancadas do futuro.

E cada uma delas merece ser dita, lembrada, chorada:

Karina Corim, de Caarapó, foi a primeira, no começo de fevereiro.
Vanessa Ricarte, de Campo Grande, seguiu pouco depois, também em fevereiro o mesmo mês que levou Juliana Domingues, de Dourados; Mirielle dos Santos, de Água Clara; e Emiliana Mendes, de Juti.
Março trouxe a dor de Gisele Cristina Oliskowiski, morta em Campo Grande, e Alessandra da Silva Arruda, de Nioaque.
Em abril, Ivone Barbosa, de Sidrolândia, teve o nome escrito na lista que nunca deveria existir.

Maio chegou pesado, com o sangue de Thácia Paula (Cassilândia), Simone da Silva (Itaquiraí), Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí), Graciane de Sousa Silva (Angélica), Vanessa Eugênio Medeiros e sua filha Sophie Eugenia Borges, ambas assassinadas em Campo Grande.

O inverno não trouxe alívio:
Eliana Guanes (Corumbá), Doralice da Silva (Maracaju) e Rose (Costa Rica) tombaram em junho.
Em julho, foi a vez de Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados), Juliete Vieira (Naviraí) e Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo).

Agosto começou e Salvadora Pereira (Corumbá) caiu, seguida de Letícia Ananias de Jesus (Cassilândia) e Dahiana Ferreira Bobadilla, assassinada no Paraguai, mas encontrada em Bela Vista.
Em setembro, a tragédia se repetiu: Érica Regina Mota (Bataguassu), Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul), Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) e Ana Taniely Gonzaga de Lima não sobreviveram ao ódio.

Outubro, o mês que antecede o Dia das Bruxas, transformou-se em um mês de luto.
Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande), Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba), Andrea Ferreira (Bandeirantes), Solene Aparecida Corrêa (Três Lagoas) — e por fim, Luana Cristina Ferreira Alves, a 32ª.

Trinta e duas mulheres.
Trinta e duas histórias que deveriam ter terminado com risadas, não com sirenes.

Quantas mais precisarão morrer até que se entenda que o feminicídio não é um crime passional, mas um crime de poder, de controle, de ódio?
Quantas Luana, Vanessa, Juliana e Simone ainda terão de gritar “me ajuda” antes que alguém as ouça de verdade?

O Estado chora, as famílias choram, e a lista cresce uma ferida aberta que sangra sobre o mapa de Mato Grosso do Sul.
Mas enquanto houver silêncio, haverá espaço para o próximo nome.

E que este texto, esta dor escrita em palavras, sirva para lembrar:
cada uma dessas mulheres não foi apenas uma vítima foi uma vida inteira que alguém decidiu apagar.

Existe um cansaço imenso em toda semana, todos os meses noticiar mais mortes de mulheres, escrever sobre os mesmos enredos que só carregam a diferença nos nomes das vítimas, até quando? até quando?

Policia

Quadrilha do "falso frete": Polícia Civil prende suspeitos de roubar caminhão e manter casal

Caminhão avaliado em mais de R$ 110 mil foi levado para a fronteira com a Bolívia após criminosos atraírem vítimas com proposta falsa de transporte.

Quadrilha do "falso frete": Polícia Civil prende suspeitos de roubar caminhão e manter casal

3 de junho de 2026

Quadrilha do "falso frete": Polícia Civil prende suspeitos de roubar caminhão e manter casal

 

Continue Lendo...

A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta última terça-feira (2), dois integrantes de uma quadrilha especializada em roubos de caminhões na modalidade conhecida como “falso frete”. O crime ocorreu nas proximidades da BR-262, em Ribas do Rio Pardo, e resultou no roubo de um caminhão prancha VW 18.310 Titan, avaliado em aproximadamente R$ 110 mil, além da privação de liberdade de um casal de caminhoneiros por cerca de seis horas.

Casal foi atraído por falso serviço de frete

De acordo com as investigações da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), os criminosos utilizaram um número de telefone falso para entrar em contato com as vítimas, apresentando-se como contratantes de um serviço para transporte de tratores em uma fazenda de Ribas do Rio Pardo.

Ao chegarem ao local combinado, às margens da BR-262, o casal foi abordado pelos autores, que embarcaram no caminhão. Após percorrerem alguns quilômetros por uma estrada vicinal, os suspeitos anunciaram o assalto utilizando arma de fogo.

As vítimas foram obrigadas a desembarcar e permanecer em uma área de mata sob vigilância dos criminosos, enquanto um terceiro integrante do grupo assumiu a direção do veículo.

Caminhão foi levado para a fronteira

Segundo a Polícia Civil, o caminhão foi conduzido até a região de fronteira com a Bolívia, onde foi entregue ainda durante a madrugada.

Assim que tomou conhecimento do caso, a equipe da Defurv iniciou diligências e trabalhos de inteligência para identificar os envolvidos.

Suspeitos confessaram participação

As investigações levaram à identificação e prisão de B.O.N., de 22 anos, no Bairro Jardim Columbia, em Campo Grande. Na sequência, os policiais localizaram e prenderam G.L.S.R., de 31 anos, apontado como responsável por transportar os criminosos e prestar apoio logístico à ação.

Conforme a Polícia Civil, ambos confessaram participação no crime.

As investigações apontam ainda a participação de outros envolvidos, que teriam sido responsáveis por conduzir o caminhão roubado até o país vizinho.

Veículo utilizado pelos criminosos foi apreendido

Durante a operação, os policiais apreenderam um Fiat Uno utilizado no transporte dos suspeitos entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, além de objetos relacionados à prática criminosa.

A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva dos investigados já identificados.

Investigações continuam

Segundo a corporação, as investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os demais integrantes da organização criminosa.

A Polícia Civil destacou que a rápida resposta ao caso demonstra a atuação integrada e técnica das forças de segurança no combate aos crimes contra o patrimônio, especialmente aqueles envolvendo furtos e roubos de veículos.

Informações e denúncias podem ser encaminhadas à DEFURV pelo telefone (67) 3309-8020, inclusive via WhatsApp. O sigilo da fonte é garantido.

Policia

Mulher é agredida pelo companheiro e foge para casa de filho em Coxim

Homem também a ameaçou de morte enquanto a segurava pelo pescoço

Mulher é agredida pelo companheiro e foge para casa de filho em Coxim

3 de junho de 2026

Mulher é agredida pelo companheiro e foge para casa de filho em Coxim

 

Continue Lendo...

Uma mulher procurou ajuda da Polícia Militar após ser agredida e ameaçada de morte pelo companheiro durante uma crise de ciúmes, na noite de terça-feira (2), em Coxim.

Segundo boletim de ocorrência, a vítima relatou que estava na residência do convivente quando ele passou a ofendê-la com palavras de baixo calão e iniciou as agressões físicas com socos e tapas.

Ainda conforme o relato, em determinado momento o homem segurou o pescoço da mulher com força e fez ameaças de morte. "Vou lhe matar, você sabe que eu posso lhe matar, vou meter uma faca em você", teria dito o agressor.

A vítima contou aos policiais que o suspeito mantinha duas facas na janela da residência, utilizadas para travar a abertura do imóvel. Temendo as ameaças, ela conseguiu fugir e correu até a casa do filho, localizada nas proximidades, onde pediu ajuda e acionou a Polícia Militar.

Os policiais realizaram buscas na residência do suspeito, mas ele não foi encontrado.