quarta, 03 de junho, 2026
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Cinira de Brito, 44 anos, foi assassinada na tarde de ontem,quinta-feira (31) por um homem que não aceitava a liberdade dela. Foi morta porque decidiu seguir em frente. Foi caçada por alguém que jurava amor. Foi silenciada por uma sociedade que continua cúmplice da violência contra as mulheres.
Era o último dia de julho. Era véspera de Agosto Lilás o mês dedicado à conscientização sobre a violência de gênero. E foi justamente nesse momento que o 20º feminicídio de Mato Grosso do Sul em 2025 aconteceu. A ironia cruel é que enquanto se prepara campanhas, panfletos e discursos para proteger mulheres, uma delas sangrava até a morte no chão de uma casa em Ribas do Rio Pardo.
Cinira tinha terminado com Anderson Aparecido de Olanda, 41 anos, após descobrir uma traição. E como toda mulher tem o direito de recomeçar, ela havia assumido um novo relacionamento. Três dias de namoro bastaram para que ele decidisse: se ela não fosse mais dele, não seria de ninguém.
A emboscada foi planejada. Fria. Covarde. Premeditada.
Anderson mentiu, disse que estava em Campo Grande, e pediu que Cinira fosse buscar seus pertences. Ela foi com a cunhada. Entrou na casa acreditando que o capítulo final havia sido escrito. Mas ele estava lá, escondido no quintal, com uma faca na mão e o ódio pulsando no peito. Quando ela abaixou para arrumar tapetes, ele atacou. Foram cinco facadas duas nas pernas, uma no abdômen. A cunhada correu. Cinira caiu.
Ali, naquele chão, morreu uma mulher que só queria viver em paz.
Depois, como se quisesse pintar o quadro inteiro da tragédia, Anderson tentou tirar a própria vida: facadas no peito, veneno no corpo. Está vivo. Internado. Cuidado. Escoltado.
Antes do crime, ele ainda teve tempo de escrever uma “carta aberta” e espalhá-la em grupos de WhatsApp. Um texto onde jogava acusações, distorcia os fatos, justificava o injustificável. Uma confissão pública de que pretendia matar. E mesmo assim, ninguém impediu.
UMA LISTA DE MORTAS, NÃO DE NOMES
Cinira agora integra uma estatística assustadora: 20 mulheres assassinadas por serem mulheres, só em 2025, só em MS. A lista que deveria ser de homenagens virou um memorial de omissões:
Karina, Vanessa, Juliana, Mirielle, Emiliana, Gisele, Alessandra, Ivone, Thácia, Simone, Olizandra, Graciane, Vanessa, Sophie, Eliana, Doralice, Rose, Michely, Juliete… e agora, Cinira. Todas eram filhas, mães, netas, irmãs, o amor da vida de alguém.
Quantas mais vão faltar na próxima contagem?
Anderson não tinha passagens pela polícia. Mas precisava? Quantos homens ainda vão usar o fato de nunca terem sido presos como selo de “bom cidadão”, mesmo sendo agressores dentro de casa? A verdade é que o sistema espera o primeiro golpe para reagir e quando reage, já é tarde demais.
Cinira pediu ajuda? Não sabemos. Mas sabemos que ela morreu. E que enquanto isso, muitas outras estão tentando escapar agora mesmo e não encontram portas abertas.
AGOSTO LILÁS: LUTO OU LUTA?
O Agosto Lilás começa de luto. Mas tem que continuar como luta.
Não podemos aceitar que mulheres morram por amar, por terminar, por decidir, por respirar. O feminicídio não é “tragédia”. É assassinato. É execução. É sintoma de uma sociedade doente, onde o machismo é alimentado nas famílias, nas igrejas, nas escolas, nas redes sociais.
Cinira não morreu por acaso. Ela foi morta por uma cultura de ódio disfarçada de romance. Por uma estrutura que protege os agressores e julga as vítimas. Por um silêncio coletivo que ainda confunde controle com amor.
Se você está lendo isso e se sente em perigo, saiba: você tem para onde correr.
Ligue 180 ou 190 em caso de urgência.
Delegacias da Mulher estão em 13 cidades do MS, incluindo Coxim
Você não está sozinha. Mas não espere mais um agosto chegar para procurar ajuda.
Cinira não será esquecida. Não mais um número. Não mais uma. Que ela seja o nome que acende a nossa revolta. E que esse mês Lilás manche-se de justiça.
Policia
Caminhão avaliado em mais de R$ 110 mil foi levado para a fronteira com a Bolívia após criminosos atraírem vítimas com proposta falsa de transporte.
3 de junho de 2026
A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta última terça-feira (2), dois integrantes de uma quadrilha especializada em roubos de caminhões na modalidade conhecida como “falso frete”. O crime ocorreu nas proximidades da BR-262, em Ribas do Rio Pardo, e resultou no roubo de um caminhão prancha VW 18.310 Titan, avaliado em aproximadamente R$ 110 mil, além da privação de liberdade de um casal de caminhoneiros por cerca de seis horas.
De acordo com as investigações da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), os criminosos utilizaram um número de telefone falso para entrar em contato com as vítimas, apresentando-se como contratantes de um serviço para transporte de tratores em uma fazenda de Ribas do Rio Pardo.
Ao chegarem ao local combinado, às margens da BR-262, o casal foi abordado pelos autores, que embarcaram no caminhão. Após percorrerem alguns quilômetros por uma estrada vicinal, os suspeitos anunciaram o assalto utilizando arma de fogo.
As vítimas foram obrigadas a desembarcar e permanecer em uma área de mata sob vigilância dos criminosos, enquanto um terceiro integrante do grupo assumiu a direção do veículo.
Segundo a Polícia Civil, o caminhão foi conduzido até a região de fronteira com a Bolívia, onde foi entregue ainda durante a madrugada.
Assim que tomou conhecimento do caso, a equipe da Defurv iniciou diligências e trabalhos de inteligência para identificar os envolvidos.
As investigações levaram à identificação e prisão de B.O.N., de 22 anos, no Bairro Jardim Columbia, em Campo Grande. Na sequência, os policiais localizaram e prenderam G.L.S.R., de 31 anos, apontado como responsável por transportar os criminosos e prestar apoio logístico à ação.
Conforme a Polícia Civil, ambos confessaram participação no crime.
As investigações apontam ainda a participação de outros envolvidos, que teriam sido responsáveis por conduzir o caminhão roubado até o país vizinho.
Durante a operação, os policiais apreenderam um Fiat Uno utilizado no transporte dos suspeitos entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, além de objetos relacionados à prática criminosa.
A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva dos investigados já identificados.
Segundo a corporação, as investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os demais integrantes da organização criminosa.
A Polícia Civil destacou que a rápida resposta ao caso demonstra a atuação integrada e técnica das forças de segurança no combate aos crimes contra o patrimônio, especialmente aqueles envolvendo furtos e roubos de veículos.
Informações e denúncias podem ser encaminhadas à DEFURV pelo telefone (67) 3309-8020, inclusive via WhatsApp. O sigilo da fonte é garantido.
Policia
Homem também a ameaçou de morte enquanto a segurava pelo pescoço
3 de junho de 2026
Uma mulher procurou ajuda da Polícia Militar após ser agredida e ameaçada de morte pelo companheiro durante uma crise de ciúmes, na noite de terça-feira (2), em Coxim.
Segundo boletim de ocorrência, a vítima relatou que estava na residência do convivente quando ele passou a ofendê-la com palavras de baixo calão e iniciou as agressões físicas com socos e tapas.
Ainda conforme o relato, em determinado momento o homem segurou o pescoço da mulher com força e fez ameaças de morte. "Vou lhe matar, você sabe que eu posso lhe matar, vou meter uma faca em você", teria dito o agressor.
A vítima contou aos policiais que o suspeito mantinha duas facas na janela da residência, utilizadas para travar a abertura do imóvel. Temendo as ameaças, ela conseguiu fugir e correu até a casa do filho, localizada nas proximidades, onde pediu ajuda e acionou a Polícia Militar.
Os policiais realizaram buscas na residência do suspeito, mas ele não foi encontrado.