quinta, 04 de junho, 2026
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Enquanto o culto à magreza marginaliza corpos considerados ‘fora do padrão’, 453.206 pessoas enfrentam algum nível de obesidade em Mato Grosso do Sul. Esse número representa cerca de 39% de toda a população adulta do Estado, estimado em 1.155.926 habitantes.
Nesse cenário, a demanda por cirurgias bariátricas têm crescido a cada ano.
Até setembro de 2024, Campo Grande registrou 112 cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), conforme dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). No entanto, o número pode ser ainda maior, já que os hospitais têm até três meses para apresentar a AIH (Autorização de Internação Hospitalar).
Para comparação, de janeiro a outubro de 2023, o SUS realizou 68 cirurgias bariátricas na Capital. Em 2022, o total de procedimentos ao longo do ano foi de 47, números que evidenciam um aumento significativo de 64% nas cirurgias bariátricas entre 2023 e 2024.
72% da população acima do peso
Do sobrepeso a obesidade, os indicadores do painel Mais Saúde da SES (Secretaria de Estado de Saúde) mostram que 768.241 pessoas estão acima do peso em Mato Grosso do Sul, ou seja, 72% da população.
Em todo o Estado, 387.750 pessoas estão com sobrepeso, cerca de 33,54% da população. No ano passado, esse grupo incluía 124.051 adultos classificados com sobrepeso, sendo 82.989 mulheres e 41.062 homens.
De 2019 a 2023, as mulheres representaram aproximadamente 71,71% dos adultos com sobrepeso, enquanto os homens corresponderam a cerca de 28,29%. Por outro lado, 315.035 pessoas estão dentro do peso ideal, o que representa 27,25% da população.
Cirurgia tornou-se prioridade crescente na rede pública
À medida que o número de pessoas obesas aumenta, cresce também a demanda por intervenções cirúrgicas. Segundo a SES, a cirurgia bariátrica tem se tornado uma prioridade crescente na rede pública, com avanços significativos em consultas e procedimentos até 2024.
Em 2023, o Hospital Regional Magid Thome, em Três Lagoas, foi habilitado como referência em cirurgia bariátrica pela Regulamentação Estadual. Até o momento, o hospital registrou 196 consultas para início do processo e 25 cirurgias realizadas.
Em Campo Grande, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) passou por mudanças na gestão da Regulação, em outubro de 2024. Nos três primeiros meses de operação, o HR agendou 40 consultas iniciais e 19 cirurgias bariátricas agendadas.
Além disso, o projeto MS Saúde, tem atuado na ampliação dos atendimentos para cirurgias bariátricas. Neste ano, o projeto contabilizou 23 cirurgias bariátricas agendadas e 416 agendamentos de primeira consulta.
Além de questões estéticas
Ao contrário do senso comum, a cirurgia bariátrica é algo que vai além de questões estéticas. O procedimento tem o intuito de cuidar da saúde do paciente, tanto para reduzir riscos ligados a doenças, quanto para oferecer maior qualidade de vida na realização diária de atividades de quem sofre com o excesso de gordura corporal.
Cirurgiã e professora do curso de Medicina da Uniderp, Andrezza Delmondes explica que o procedimento consiste em uma intervenção cirúrgica no estômago para reduzir o peso corporal. Além disso, o procedimento auxilia no tratamento de doenças associadas ao excesso de gordura. No entanto, a cirurgia exige uma série de requisitos.
“A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica reforça que ainda que o paciente tenha obesidade grave, quem se candidata a bariátrica deve comprovar que tentou emagrecer por meio de tratamento clínico ao longo de pelo menos dois anos e não obteve sucesso”, explica a médica.
Quem pode fazer?
A indicação da cirurgia bariátrica abrange pacientes obesos grau 3 (com IMC acima de 40 kg/m²) ou grau 2 (IMC entre 35 e 39,9), com doenças relacionadas à obesidade como hipertensão, diabetes, gordura no fígado, além de apneia do sono dislipidemias graves ou doenças degenerativas.
Na rede pública, o tempo de espera para a realização da cirurgia bariátrica depende tanto da estrutura hospitalar quanto das condições clínicas do paciente. Conforme a Sesau, os pacientes costumam chegar com IMCs variando de 50 a 90, o que exige uma perda de peso significativa antes da realização do procedimento, garantindo a segurança da cirurgia.
“O SUS indica a cirurgia bariátrica para pacientes com obesidade mórbida que não obtiveram sucesso em tratamentos clínicos. Em MS, os procedimentos ocorrem no HRMS, HU e HAP (pelo projeto MS Saúde), e sua realização requer uma habilitação junto ao Ministério da Saúde”, esclarece.
Conforme o Ministério da Saúde, os pacientes precisam, obrigatoriamente, cumprir um desses critérios para realizar a bariátrica pelo SUS. Para entrar na fila, é preciso passar por acompanhamento ambulatorial até que esteja apto a realizar o procedimento. Segundo a Sesau, esse processo envolve um atendimento multiprofissional, realizado por médico, psicólogo e nutricionista.
“Existe todo um processo antes da cirurgia. A partir do IMC calculamos o índice de massa corpórea, dividindo o peso do paciente pela altura elevada ao quadrado, assim conseguimos identificar se há indicação para a cirurgia”, esclarece a médica.
Critérios
Índice de Massa Corporal: IMC ≥ 40 kg/m²: Indivíduos com obesidade mórbida, independentemente da presença de comorbidades, IMC entre 35 e 39,9 kg/m²:
Pacientes com doenças crônicas relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial grave, apneia do sono, entre outras. IMC ≥ 50 kg/m²: Indivíduos que necessitam de perda acentuada de peso.
Tratamento Clínico Prévio: O paciente deve ter tentado tratamentos não cirúrgicos (dieta, atividade física, terapia psicológica) por pelo menos dois anos, sem sucesso. Isso deve ser comprovado por laudos médicos.
Processo Pré-Operatório: Após a confirmação da indicação para a cirurgia, o paciente passará por um processo de preparação que inclui acompanhamento psicológico e nutricional.
Esses critérios visam garantir que uma cirurgia bariátrica seja realizada apenas em pacientes que realmente ocorrem no procedimento e que têm maior probabilidade de sucesso no tratamento da obesidade.
Tipos de cirurgias
Existem três tipos de cirurgias bariátricas: as restritivas, que diminuem o tamanho do estômago; as disabsortivas, que diminuem a absorção dos alimentos; e as mistas, que diminuem tanto o tamanho do estômago quanto a absorção dos alimentos.
Andrezza Louise Delmondes ressalta que todos os procedimentos ocorrem por meio de um corte de no abdome (cirurgia aberta) ou por meio de pequenos orifícios no abdômen (laparoscopia).
“No Brasil existem cinco técnicas cirúrgicas para o tratamento da obesidade, com autorização do Conselho Federal de Medicina: o by-pass gástrico, a gastrectomia vertical (Sleeve), duodenal switch, banda gástrica e a cirurgia de scopinaro – sendo que as duas últimas já estão em desuso, devido à evolução das demais técnicas”, explica a médica.
O bypass gástrico consiste na divisão do estômago em duas partes, na qual a maior fica isolada (não recebe o alimento) e a menor parte é religada ao intestino. O procedimento para que a comida seja recebida pela menor parte do estômago, o que reduz o espaço para o alimento e diminui a fome.
A gastrectomia vertical, também conhecida como cirurgia de Sleeve, é um procedimento restritivo, em que grande parte do estômago (2/3) é removido do organismo. Já o duodenal switch é a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal.
Fatores sociais impulsionam aumento das cirurgias
Inúmeros fatores contribuem para o aumento da procura pela cirurgia bariátrica no país, entre eles está a pressão estética e a gordofobia. Ao passo que a sociedade valoriza um único padrão considerado bonito e socialmente aceito, a pressão estética age influenciando que pessoas se adéquem, a qualquer custo, a um determinado padrão de beleza.
O estigma do peso ou da obesidade configura-se quando as pessoas sofrem abuso verbal e/ou físico associado ao excesso de peso, podendo levar à marginalização, exclusão e discriminação. Essa prática, por consequência, leva as pessoas a se sentirem inferiorizadas e buscarem cada vez mais por intervenções cirúrgicas.
No Brasil, uma em cada cinco pessoas está com sobrepeso ou obesidade, segundo dados do Ministério da Saúde. A projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que cerca de 2,3 bilhões de pessoas estejam acima do peso, o que corresponde a 700 milhões até 2025.
Outro fator determinante para o aumento dos casos de obesidade foi o distanciamento social, estratégia utilizada para conter o avanço da Covid-19 no Brasil, com isso, houve um aumento no sedentarismo e do consumo de alimentos fornecidos por aplicativos de delivery.
Em 2022, 9% da população entre 18 a 24 anos tinha índice de massa corporal igual ou maior que 30 kg/cm², o que configura obesidade. Já em 2023, esse percentual subiu para 17,1%, conforme dados do Covitel (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia).
Famosos
Uma entrevista concedida por Guga Figueiredo ao podcast “Inteligência Ltda.” voltou a ganhar força nas redes sociais e reacendeu discussões sobre a responsabilidade...
4 de junho de 2026
Uma entrevista concedida por Guga Figueiredo ao podcast “Inteligência Ltda.” voltou a ganhar força nas redes sociais e reacendeu discussões sobre a responsabilidade de influenciadores digitais na divulgação de produtos e serviços. Durante a conversa, publicada no ano passado, o criador de conteúdo fez duras críticas a Virginia Fonseca e questionou sua atuação em campanhas publicitárias direcionadas aos milhões de seguidores que acompanham sua rotina.
Ao longo do bate-papo, Guga afirmou que a influenciadora acumulou um histórico de divulgações que teriam causado transtornos a consumidores. Por isso, ele contestou o discurso frequentemente utilizado por admiradores da empresária de que sua atuação nas redes sociais beneficia a sociedade.
“A Virginia é mais uma praga pra sociedade do que uma benfeitora”, declarou.
Em seguida, o influenciador elevou o tom das críticas e utilizou uma comparação irônica para definir o que considera uma relação desigual entre a criadora de conteúdo e seu público.
“Ela é o Hood Robin, tira dos pobres e coloca no próprio bolso”, afirmou.
Na entrevista, Guga citou episódios que, de acordo com ele, contribuíram para desgastar a imagem da influenciadora em relação à publicidade digital.
Entre os exemplos mencionados, ele relembrou uma situação em que Virginia divulgou uma empresa posteriormente acusada por consumidores de não entregar produtos vendidos. De acordo com Guga, houve até uma determinação judicial envolvendo uma seguidora prejudicada.
“Ela já foi obrigada judicialmente a ressarcir uma seguidora com um iPhone novo depois de divulgar uma loja que deu golpe. Também fez publi de loja de óculos que lesou centenas de consumidores. É um histórico preocupante”, afirmou em seguida.
Além disso, o criador de conteúdo citou campanhas relacionadas a cosméticos e suplementos que, segundo ele, levantaram questionamentos sobre a eficácia dos produtos anunciados.
As críticas não ficaram restritas aos produtos físicos. Guga também direcionou questionamentos a iniciativas digitais promovidas pela influenciadora.
Entre elas, destacou um curso voltado para pessoas que desejavam construir carreira nas redes sociais. Na avaliação dele, o material foi produzido sem o cuidado esperado pelos compradores.
“Foi gravado todo no mesmo dia, de qualquer jeito. Depois ela apagou tudo e sumiu. Não teve suporte, nem satisfação. Vendeu e tchau”, declarou.
Além disso, ele relembrou uma ação promocional que envolvia fãs e sessões de fotos. Segundo seu relato, participantes teriam pago para participar da experiência, mas o encontro não ocorreu conforme o esperado.
“As pessoas pagaram e ela foi embora. Isso é respeito com quem te acompanha?”, questionou.
Guga também mencionou a plataforma de rifas WePrêmios, que acabou se tornando alvo de críticas após seu lançamento.
Outro tema que ocupou espaço na entrevista foi a divulgação de plataformas de apostas por influenciadores digitais. Para Guga, muitos criadores de conteúdo deveriam adotar mais transparência ao apresentar ganhos financeiros relacionados aos jogos.
Segundo ele, exibir apenas resultados positivos pode transmitir uma percepção distorcida para quem acompanha esse tipo de conteúdo.
“Ela diz que sempre avisa para jogar com responsabilidade. Mas quando foi que mostrou que perdeu? Sempre aparece ganhando R$ 8 mil. Isso cria uma ilusão perigosa”, alertou.
O influenciador também criticou a postura de parlamentares durante a CPI que investigou o mercado de apostas esportivas. Na visão dele, parte das sessões foi marcada por elogios aos convidados em vez de questionamentos mais rigorosos.
“Foi o poste mijando no cachorro. Teve senador elogiando, pedindo foto, dizendo que ela gera emprego. É uma inversão de valores”, declarou.
Na mesma entrevista, Felca também participou da discussão e abordou as consequências enfrentadas por criadores de conteúdo que recusam contratos ligados ao setor de apostas.
Segundo ele, quem opta por não divulgar esse tipo de plataforma frequentemente perde oportunidades profissionais e convites para determinados eventos.
“Quando você não fecha com casa de aposta, não é fechado, algumas portas se fecham na tua cara mesmo, entendeu?”
O influenciador afirmou ainda que considera mais importante o impacto social de suas escolhas do que eventuais prejuízos profissionais.
“Alguns lugares você não é você não pode entrar, com algumas pessoas você não é bem-vindo, você para de ser meio convidado para os lugar, tem esse contratozinho aí, entendeu? Mas sinceramente, cara, é, se a pessoa que é, que, que tá para sucumbir, a pessoa que ainda não apostou. Ela deixar de sucumbir pelo que eu estou fazendo”.
Na sequência, Felca reforçou sua preocupação com pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas ao vício em apostas e disse acreditar que sua postura pode ajudar parte desse público.
“Se a pessoa que está sucumbindo, pessoa que está apostando, conseguir deixar de sucumbir, conseguir parar de sucumbir, ou se a pessoa que não sucumbiu, não entrar nisso, e se a pessoa que já sucumbiu, já se ferrou para caramba, já está lascado, tem algum conforto? Para mim umas portinhas fechadas na minha cabeça não tem muito peso não, entendeu?”, disse.
O vídeo voltou a circular amplamente nas plataformas digitais nos últimos dias e reacendeu o debate sobre publicidade, influência nas redes sociais e os limites da responsabilidade de criadores de conteúdo diante de milhões de seguidores.
Famosos
Virginia Fonseca chamou muita atenção na terça-feira, 3 de junho, após uma atitude nas redes sociais que não passou despercebida pelos seguidores. A...
3 de junho de 2026
Virginia Fonseca chamou muita atenção na terça-feira, 3 de junho, após uma atitude nas redes sociais que não passou despercebida pelos seguidores. A influenciadora digital apagou de seu perfil no TikTok uma publicação feita logo após o fim do relacionamento com Vini Jr., fato que rapidamente alimentou especulações sobre uma possível reaproximação entre os dois.
A exclusão da postagem chamou a atenção porque o conteúdo trazia uma mensagem que marcou o momento da separação. Na ocasião, um dia depois do anúncio do término, Virginia publicou a seguinte frase: “Ao longo da minha vida, aprendi a nunca negociar aquilo que, pra mim, é inegociável. Fim”.
Agora, com o desaparecimento da publicação da plataforma, internautas passaram a comentar a possibilidade de uma mudança no cenário entre a influenciadora e o jogador. Então, após o fato virlizar pela internet, muitos usuários fizeram referência à mensagem publicada por Virginia na época do rompimento.
“Foi negociável”, escreveu uma internauta. “Acabou de negociar o inegociável”, comentou outra. Além disso, parte do público associou a exclusão do conteúdo a uma possível retomada do relacionamento. “Deve estar ensaiando a volta”, opinou uma usuária. “Pelo visto negociou”, comentou mais uma pessoa.
Quando o término veio a público, o Portal LeoDias informou que uma discussão durante um jantar em um restaurante conhecido de Madri, na Espanha, teria provocado a crise definitiva entre o casal. Segundo a publicação, durante o encontro, uma notificação apareceu no celular do atleta com a mensagem: “Saudades”, acompanhada de um emoji de coração.
Virginia teria visto o conteúdo rapidamente e, em seguida, questionado quem era a mulher responsável pela mensagem. A conversa logo evoluiu para uma discussão ainda no restaurante. Depois, o desentendimento continuou na mansão do jogador. Fontes ouvidas pelo veículo relataram que Virginia insistiu para acessar o celular do então namorado.
Por outro lado, Vini Jr. negou qualquer envolvimento com a mulher que enviou a mensagem. Ainda, algum tempo depois, Virginia percebeu que a conversa não aparecia mais no aparelho do atleta. A situação aumentou sua desconfiança e contribuiu para o desgaste da relação.