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Chuvas abaixo da média no Pantanal apontam para seca severa e alto risco de incêndio neste ano

“Não existe a possibilidade de até a temporada de seca essa régua (que marca nível do Rio Paraguai) subir", afirma pesquisadora

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6 de maio de 2024

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MMN/PCS

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Diminuição das chuvas e nível mais baixo dos rios indicam que o Pantanal deve enfrentar seca intensa e preocupante neste ano. Régua de medição no Rio Paraguai, que fica em Ladário, cidade a 577 quilômetros de Coxim, mostra que os níveis da água estão inferiores aos níveis de 2020, de acordo com a Agência Pública.

Esse é o medidor mais antigo localizado no rio Paraguai, com cem anos de existência. Entre 31 de janeiro e 30 de abril deste ano, o nível do rio subiu de apenas 60 centímetros para 1,43 metro. Em 2020, no mesmo período, o nível passou de 1,18 metro para 1,82 metro.

Importância das chuvas

O transbordamento dos rios no Pantanal é resultado, principalmente, das chuvas, e é em novembro e dezembro que as primeiras costumam ocorrer. A partir daí, se inicia a cheia, com as águas inundando a planície pantaneira até o mês de abril.

Na sequência, o esvaziamento, ou seja, a vazante, começa entre maio e junho, quando rios e lagoas começam a retornar aos seus limites, e, por fim, nos meses de julho a outubro a planície volta a ficar seca.

Entretanto, neste ano, as chuvas não ocorreram como o esperado, diminuindo as áreas alagadas e fazendo com que o solo absorvesse boa parte da água devido ao extenso período de estiagem, ainda segundo a Agência Pública.

De acordo com SGB (Serviço Geológico Brasileiro), que opera o sistema de alerta hidrológico no rio Paraguai desde 1994, déficits de precipitações têm sido registrados, na média de 300 mm no período chuvoso de 2023/2024. Dessa forma, foram observadas apenas 60% das chuvas esperadas para esses meses.

O dado indica que essa condição tem potencial de provocar estiagem severa neste ano, principalmente no segundo semestre, quando normalmente ocorre o período de seca no bioma.

“É importante olhar o conjunto de processos em andamento [a seca que segue se agravando, os fogos intensos que ocorrem desde 2019 e que fogem do ciclo natural do Pantanal e o aumento de temperatura por conta da crise climática] e a pouca quantidade de água na planície”, afirmou o biólogo Alcides Faria, fundador e diretor institucional da ONG Ecoa (Ecologia e Ação), à Agência Pública.

“Pouca água significa mais ‘combustível’ e território para o fogo. Nos últimos anos, várias ‘normalidades’ foram quebradas no Pantanal. Um exemplo recente foi o fogo no mês de novembro de 2023, que nunca havia acontecido”, completa.

Incêndios no Pantanal

De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de janeiro a 29 de abril toda a região do Pantanal registrou 646 focos de calor. O número representa alta de 1.033% em relação ao total registrado nos primeiros quatro meses do ano passado, que tiveram 57 focos.

O pior índice foi registrado nos primeiros quatro meses de 2020, com 1.815 focos. Em 2019, foram 674 focos nesse mesmo período.

O cenário fica ainda mais preocupante com a aproximação do La Niña, previsto para ocorrer a partir de junho.

“Em 2020, quando ocorreu um dos grandes incêndios, também prevalecia o La Niña. Segundo o NOAA [organização do governo norte-americano para oceanos e atmosfera], nada impacta mais o clima global do que os fenômenos La Niña e El Niño. É necessário atenção. Prevenção é a palavra da hora para o Pantanal”, pontua o biólogo da Ecoa.

Prejuízos na pesca

A ribeirinha Nilza Bandeira, de 59 anos, que é pescadora e apicultora em Miranda, cidade distante cerca de 200 quilômetros de Campo Grande, conta que tem seus dois trabalhos impactados pela falta de água.

“O impacto é em tudo, né? A chuva para nós é essencial aqui no Pantanal. Porque, quando não tem chuva, não tem peixe. O rio não enche, os peixes não sobem para desovar. Se não chove, não tem florada. Sem ela, não tem fruto nativo. Tanto para alimentar a gente, os peixes e os outros animais”, detalha Nilza.

“Na época da cheia, a gente sai para pescar por remessa e chega a pegar até 400 kg de peixes. Neste ano, na Semana Santa, meu cunhado saiu para pescar, passou 20 dias no rio, voltou só com 30 kg”, lamenta.

Mudanças climáticas, degradação de nascentes, desmatamentos dentro e fora do bioma interferem na seca do Pantanal. A ecóloga Solange Ikeda, do Instituto Gaia e professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Cáceres, destaca que o Pantanal é uma planície dentro de uma bacia hidrográfica, a bacia do Paraguai, e que essa planície depende de muitas conexões.

“Se as nascentes são degradadas, se a parte alta dessa bacia é degradada, os sedimentos descem para os rios, o que leva à perda de uma grande quantidade de águas que inundaria essa planície alagável”, explica. “Então, um dos fatores desta seca é a degradação dos territórios, se também levarmos em conta a relação direta com águas que vêm de outros lugares, como da Amazônia, a partir dos rios voadores, e as nascentes no Cerrado”, explica.

Fogo no Pantanal

Segundo a pesquisadora, o cenário dificilmente mudará até o final da temporada. “A gente vive uma seca extrema, e, ao mesmo tempo, ocorrem chuvas torrenciais que não são suficientes para o bioma. No mês de março, a média do nível da água no Rio Paraguai (na região de Cáceres) nos últimos 60 anos ficava acima de 4 metros. Neste ano, o rio Paraguai oscilou entre 2 e 3 metros. Então, 50% do que era a altura da régua não subiu. É significativamente preocupante”, enfatiza.

“Não existe a possibilidade de até a temporada de seca essa régua subir. Teria de chover praticamente todos os dias durante muito tempo”, completa.

Prejuízos na agricultura

Impactos na agricultura também já são percebidos. Na aldeia Brejão, do povo Terena, em Nioaque, cidade distante 376 quilômetros de Coxim, a falta de água matou plantações, que já contam com ajuda de cestas básicas do governo.

Um dos líderes Terena, Alvino de Souza, que atua como brigadista, teme que a seca resulte em incêndios como os que ocorreram em 2019 e 2020, quando a intensidade do fogo ameaçou até mesmo a casa dos indígenas. Segundo ele, em alguns dias neste ano a sensação térmica superou os 40ºC.

“Temos ido nas comunidades e escolas para orientar as pessoas e pedir que não coloquem fogo. E ficamos à disposição para ajudar em queimadas controladas. A gente vai lá e participa junto para não deixar o fogo se espalhar”, relata Souza.

“A gente produz milho, arroz e feijão, mas o que a gente plantou a gente perdeu com a seca e o sol quente. Então, por assim dizer, não produzimos nada esse ano”, lamentou.

Para o biólogo André Luiz Siqueira, diretor-geral de programas e projetos da Ecoa, é necessário quebrar a narrativa de que o Pantanal é resiliente e se recupera fácil, visto que cada ecossistema dentro do bioma têm diferentes relações com o fogo.

“Diante dos eventos climáticos extremos, o período de seca tem se alargado e piorado a frequência dos incêndios. No ano passado, ocorreram queimadas até dezembro, o que historicamente não era possível (pois seria o período de chuvas e cheia). Este ano, tivemos incêndios em pleno janeiro na Serra do Amolar (Corumbá, MS), região habituada a uma permanente inundação. O impacto disso é incalculável”, afirma Siqueira.

“Se formos falar de polinizadores, por exemplo, a gente não tem nem como calcular quantos deles foram extintos ou a quantidade de aves migratórias afetadas. É difícil mensurar, os danos são enormes para diferentes regiões”, lamenta.

Para ele, o problema antecede os incêndios e está na falta de prevenção. “Há uma dificuldade enorme entre os (poderes) executivos, os órgãos oficiais de combate e demais instituições envolvidas em de fato falar sobre trabalhar a prevenção. O trabalho de comunicação, sensibilização e de controle precisa ser muito mais intenso do que realmente é. Precisamos falar sobre os incêndios durante todo o ano, não apenas em um determinado período ou quando eles acontecem”, defende.

“Os estados precisam superar as questões burocráticas e orçamentárias em relação à contratação de brigadistas e fazê-la antes do pico da temporada do fogo. Além disso, tem que haver uma resposta imediata a todos aqueles que de forma criminal provocam os incêndios”, finaliza o biólogo.

Meio Ambiente

Mato Grosso do Sul entra em alerta para tempestade com granizo e ventos de até 60 km/h

Acumulados de chuva podem chegar a 50 milímetros, com rajadas de vento superiores a 60 km/h

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O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) renovou o aviso amarelo de tempestades, com acumulado de até 50 milímetros, granizo e rajadas de vento superiores a 60 km/h, nesta quarta-feira (20). Alerta da Defesa Civil Municipal de Campo Grande indica riscos de temporais até quinta-feira.

Segundo o Instituto, há perigo potencial para chuvas entre 20 e 30 milímetros por hora. Os ventos podem ser intensos, de 40 a 60 km/h, mas podem superar estes valores pontualmente. Além disso, há risco de queda de granizo, como já ocorreu em Dourados, Deodápolis, Douradina, Fátima do Sul e Ivinhema neste fim de semana.

A orientação é, em caso de rajadas de vento, não se abrigar debaixo de árvores, porque há risco de queda e descargas elétricas. Além disso, também não é indicado estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. O Inmet também pede para evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

A Defesa Civil da Capital pede à população que redobre os cuidados, especialmente em áreas de risco, evite o trânsito em vias alagadas e procure abrigo durante as tempestades. Em caso de emergências, os seguintes canais deverão ser acionados:

156 – Solicitação de serviços a pessoas em situação de rua;

193 – Ocorrências relacionadas à rede elétrica;

199 – Defesa Civil.

Temporais no fim de semana

O prefeito de Deodápolis, Jean Gomes (PP), decretou situação de emergência após temporal que atingiu a cidade no último fim de semana. O município, localizado a 256 km de Campo Grande, teve cerca de 200 casas destelhadas no último sábado (16).

Segundo o prefeito, 1,5 mil residências foram atingidas por chuvas intensas, rajadas de vento e granizo. Dessas, 200 ficaram em estado grave e necessitam de ajuda nos reparos. Ainda conforme Jean, 35 famílias ficaram desalojadas e precisaram se abrigar em escolas.

O sábado (16) em Dourados também foi marcado por chuvas fortes, ventania e granizo. O temporal estava previsto pelo Inmet. Nas redes sociais, vídeos mostram as pedras de gelo caindo no chão douradense. Além disso, algumas ruas registraram pontos com princípio de alagamento.

Ivinhema também registrou chuva intensa, vendaval e granizo, com acumulado de 98,6 milímetros. Devido ao tempo, muitas casas ficaram danificadas, com telhas quebradas e cômodos alagados. Na manhã deste domingo (17), a Defesa Civil municipal atendeu moradores afetados pela tempestade.

Midiamax

Meio Ambiente

Chuva forte e ventos de até 60 km/h podem atingir MS

Os acumulados de chuva podem ser significativos

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20 de abril de 2026

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A previsão do tempo para esta segunda-feira (20) em Mato Grosso do Sul indica um cenário de instabilidade, com sol ao longo do dia, mas aumento de nebulosidade e risco de temporais em diversas regiões do estado.

De acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), há possibilidade de chuvas acompanhadas de raios e rajadas de vento, principalmente entre segunda (20) e terça-feira (21). A mudança no tempo é influenciada pela formação de um sistema de baixa pressão atmosférica no nordeste da Argentina, além do transporte intenso de calor e umidade e o avanço de cavados meteorológicos.

Os acumulados de chuva podem ser significativos, ultrapassando os 30 milímetros em 24 horas, especialmente nas regiões oeste, sudoeste, sul e sudeste do estado.

Já no nordeste de Mato Grosso do Sul, o tempo tende a permanecer mais firme, com temperaturas elevadas que podem chegar aos 36°C, principalmente entre segunda e terça-feira.

Os ventos devem variar bastante ao longo dos dias, inicialmente entre os quadrantes norte e oeste, passando para o sul a partir de quarta-feira (22), com velocidades entre 40 e 60 km/h, podendo haver rajadas acima desse valor em pontos isolados.

️Temperaturas por região:

Sul, Cone-Sul e Grande Dourados: mínimas de 19°C a 21°C e máximas de 24°C a 32°C

Pantanal e Sudoeste: mínimas de 22°C a 24°C e máximas de 32°C a 34°C

Bolsão, Norte e Leste: mínimas de 20°C a 22°C e máximas de 29°C a 34°C

Campo Grande: mínimas entre 20°C e 22°C, com máximas de até 32°C

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