quinta, 04 de junho, 2026
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O transporte da produção sul-mato-grossense de grãos, celulose e minério é realizado por meio das rodovias. De acordo com estudo da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) do governo federal, 80% de tudo o que é escoado em Mato Grosso do Sul sai por meio de caminhões.
Apesar de a gestão estadual ter planos de investir em outros modais para melhorar o gargalo logístico, a sobrecarga nas rodovias deve perdurar por alguns anos. Um dos principais problemas apontados é o excesso de caminhões que trafegam na BR-262.
De acordo com o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, desde o ano passado houve aumento na quantidade de veículos que transitam pela rodovia.
“Realmente, a demanda é muito forte, temos hoje transitando 700 caminhões diários de minério de ferro de Corumbá [MS] e cruzando até Suzano [SP], andando mil quilômetros na beira da ferrovia. O Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes] tem hoje um dos menores orçamentos dos últimos anos para a manutenção das estradas federais”.
“Temos conversado muito com o Dnit, a BR-262 é um caso, foi feito um trabalho de Água Clara até Três Lagoas que nós gostaríamos que fosse repetido de Corumbá até Água Clara. Que é a criação da famosa terceira pista, que é importantíssima. Hoje, o Dnit não tem o recurso para fazer isso. A gente vai conviver com esse excesso de caminhões de minério por pelo menos três, quatro anos”, explica o secretário.
Conforme publicado na edição do Correio do Estado do dia 30 de julho, de acordo com o estudo da EPL, são necessários quase R$ 50 bilhões em investimentos para melhorar a infraestrutura logística de MS.
Somente para reorganizar as rodovias, a EPL aponta necessidade de investimento de R$ 18,10 bilhões em 103 projetos rodoviários, totalizando 5.800 km. “O aumento expressivo no fluxo de caminhões na BR é o principal gargalo. Nós temos elevado nível de acidentes e deterioração da pista”, analisa Verruck.
Conforme Cícero Filho, economista da EPL, com a diversificação da malha do Estado a pressão sobre os preços deve cair. “A gente tem uma estimativa de redução de 26% do custo de transporte, já considerando o valor do tempo da carga e o valor do frete”, pontua.
Para o economista, novas rotas de escoamento dariam às commodities produzidas em MS diferentes canais de transporte.
“O fluxo hoje de minério de ferro, de Corumbá, provavelmente focaria na ferrovia. A carga agrícola teria o perfil de descer pela Ferroeste para os portos do sul, principalmente soja e milho. A celulose teria um potencial de usar a rodovia BR-262, por exemplo, além do Corredor Bioceânico, com cargas gerais e outros tipos de produtos”, finaliza.
FERROVIASEntre as mudanças previstas, a principal é a reativação do transporte ferroviário do Estado. O projeto mais avançado é a recomposição da Malha Oeste, que corta MS de leste a oeste, e uma das possibilidades é de que grandes players ajudem a reconstruir trechos em uma espécie de consórcio.
Atualmente, transitam em paralelo dois projetos, o primeiro é a relicitação tradicional, por concessão, e o segundo é a viabilidade trazida pelo novo Marco Legal das Ferrovias, do governo federal, que autoriza empresas a construírem e explorarem o transporte ferroviário sem a mesma burocracia da concessão.
Segundo a Semagro, a expectativa é de que até o fim deste ano a Malha Oeste seja relicitada.
“Eu falei isso até para o ministro [de Infraestrutura e Transportes], que a solução da Malha Oeste resolve um outro problema, que exatamente hoje nós temos um gargalo muito grande, além de acidentes toda a estrutura, na [BR] 262. Volto a dizer que demora porque é um sistema de concessão. Tem que terminar todo o estudo técnico, que demora um ano. Dentro da ferrovia isso está caminhando, até o fim do ano a gente deve relicitar”, contextualiza Jaime Verruck.
Ainda de acordo com o secretário, com a retomada do transporte ferroviário a meta é mudar o perfil logístico saindo de 80% da rodovia para 50%, e os 50% restantes entre a ferrovia e hidrovia.
Os recursos a serem investidos na ferrovia devem superar R$ 30 bilhões, segundo os cálculos da EPL. Atualmente, 890 km de ferrovia são utilizados em MS, a proposta da EPL é que este montante chegue a 1.500 km de malha ferroviária. Atualmente, segundo o titular da Semagro, todo o transporte pela ferrovia de Mato Grosso do Sul não passa de 2%.
HIDROVIASOutra opção para reduzir a sobrecarga nas rodovias é ampliar o transporte hidroviário. A hidrovia sul-mato-grossense, que compreende os rios Paraná e Paraguai, é de mais de 1.100 km, por onde são transportadas cerca de 3,8 milhões de toneladas de mercadorias por ano.
O estudo elaborado pela EPL aponta que a hidrovia demandará investimento de quase R$ 800 milhões.
“Nós temos de melhorar o fluxo da hidrovia do Paraguai, que compreende Ladário, Corumbá, Porto Esperança, que nós temos o terminal e Porto Murtinho. Essa é a conexão que a gente faz com a hidrovia. Mas a Bolívia também faz essa utilização. Nós temos três pontos críticos que vão de Porto Murtinho até Corumbá. Nestes locais, mesmo em funcionamento normal, as barcaças têm de ser desconectadas para que se façam as curvas”, esclareceu Verruck.
O secretário ainda frisa que o processo atrasa o envio de mercadorias e que há a necessidade de se fazer uma dragagem (desassoreamento) para aumentar o calado.
“São três pontos que nós temos de fazer dragagem. Existe um pedido de licenciamento no Ibama que autoriza a dragagem nesses três pontos, e no ano passado o governador Reinaldo falou que nós estamos dispostos a pagar”.
Com esta dragagem, a navegação poderia ocorrer mesmo quando houvesse a redução do calado do rio. Nos períodos de seca, a navegação é paralisada porque não há como as embarcações passarem em decorrência da baixa profundidade dos rios. Segundo a Semagro, com o processo de dragagem, o tráfego poderia ser prolongado por trinta dias. (Colaborou Naiara Camargo)
Geral
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos...
3 de junho de 2026
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos dependentes de programas sociais e os índicesde extrema pobreza aparecem em queda.
O Mais Social é um programa social estruturante da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humano (Sead), que oferece segurança alimentar e nutricional e um dos responsáveis pela mudança de vida dos beneficários.
Entre as 27,6 mil pessoas que devolveram o cartão do mais social por não precisarem mais do auxílio está Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, que entrou no programa em 2018.
Depois de perder o emprego e passar a trabalhar em casa como barbeiro, a renda obtida por Marcos Gabriel não era suficiente para sustentar a família de sete pessoas, composta por sua esposa, os quatro filhos e a sogra.
Com o auxílio ele pôde manter até conseguir melhorar a condição da família. Atualmente ele é vigilante em uma entidade sindical rural e os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos ajudam em casa, de modo que a renda agora é suficiente para garantir dignidade à família, sem necessidade do programa.
“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”.
O programa ainda oferece para mães solos um outro auxílio do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, com o adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias, para que essas mulheres possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado durante o horário de serviço delas.
O benefício extra é mediante a comprovação de vínculo empregatício das mães ou de recolhimento previdenciário. Além disso, as mulheres beneficiadas que decidem frequentar ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem outro adicional de R$ 300 por mês, como incentivo.
Qualidade de vida
Além do Mais Social, outros programas garantem oportunidades de mudança de vida por meio do estudo e trabalho, como o MS Supera, que oferece bolsa de um salário mínimo mensal a estudantes de baixa renda cursantes de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas e privadas.
Assim como o MS Supera e o Mais Social, o Cadastro Único também demonstra a redução vulnerabilidade no Estado. Os registros do CadÚnico dentro do período de março de 2024 a março deste ano, teve a retirada de 44.604 pessoas do banco de dados devido a mudaça de vida para melhor.
Conforme o IBGE, a proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,7% em Mato Grosso do Sul, no período de dois anos, passando de 2,75 para 1,6%, colocando o estado como 3º menor índice de extrema pobreza do país e com 34 mil famílias fora da condição de insegurança alimentar.
Os programas sociais são parte de parcerias entre as secretarias do Estado, que garantem que a função de incentivo à educação e qualificação profissional seja mantida, para que os beneficiários aproveitem as oportunidades para melhorarem de vida.
Geral
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite...
3 de junho de 2026
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite de terça-feira (2).
Segundo informações registradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, os pais perceberam o desaparecimento da criança enquanto realizavam atividades dentro de casa. O pai havia saído do banho e estava na sala, enquanto a mãe terminava de preparar o jantar na cozinha.
Em determinado momento, a mãe perguntou ao pai se ele estava com o menino. Ao responder que não, os dois passaram a procurar a criança e a encontraram submersa na piscina, no quintal da residência.
A vítima foi socorrida imediatamente pelos próprios pais e levada ao Hospital Regional de Campo Grande.
De acordo com o médico que atendeu a ocorrência, a avaliação inicial indica que a criança pode ter permanecido submersa por cerca de 10 minutos. O menino foi colocado em coma induzido e segue internado sob observação.
A Polícia Militar foi acionada e esteve na residência, mas encontrou o imóvel fechado, já que os pais permaneciam no hospital acompanhando o filho. Uma vizinha, que acionou o socorro, confirmou aos policiais a versão apresentada pela família.
O médico informou ainda que não foram encontrados sinais de maus-tratos e que, até o momento, o caso é tratado como um acidente doméstico.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), que acompanhará o caso. Até o fechamento do boletim, não havia atualização sobre o estado de saúde da criança.
G1 MS