quinta, 04 de junho, 2026
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Militares que acompanham as investigações das causas do acidente com o avião Cessna que caiu na última quarta-feira no litoral paulista, matando o candidato à Presidência da República do PSB, Eduardo Campos, e mais seis pessoas, acreditam que é forte a possibilidade de ter havido falha humana, depois do procedimento de arremetida. O entendimento é que o piloto, ao desistir do pouso, pode ter tentado se manter em condições visuais com a pista e fez uma curva mais acentuada do que deveria. Segundo militares, a manobra pode ter levado o avião a perder sustentação, e, mesmo com as turbinas ao máximo, não haveria como o piloto controlar a aeronave.
‘DESORIENTAÇÃO ESPACIAL’
Durante o procedimento, o piloto pode ter perdido sua total concentração na arremetida por instrumentos, desviando sua atenção para fora da aeronave. Com isso, pode ter sido levado à uma situação de “desorientação espacial”, o que explicaria a curva fora do previsto e a consequente perda de sustentação, resultando na forte colisão com o solo.
A avaliação tem como base as últimas informações da Aeronáutica de que o voo estava normal, da decolagem até o momento do ponto crítico, em que o piloto deveria visualizar a pista e realizar a aterrissagem. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o piloto falou ao sistema de rádio da base área de Santos que estava arremetendo por causa da visibilidade ruim e que iria aguardar a melhora do tempo para pousar.
A FAB já refez a trajetória do avião e tem condições de projetar o grau de angulação da curva realizada pelo piloto, pelo local da queda, considerando que a aeronave já estava sobre a pista, quando o piloto decidiu abortar o pouso. Além disso, a rota do avião é captada pelos radares.
O brigadeiro da reserva Jorge Kersul Filho, que chefiou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) até 2010 e comandou três grandes investigações (acidentes de Gol, TAM e Air France), disse que essa linha de investigação parece ser bem provável diante do que já foi divulgado. Mas, lembrou o brigadeiro, a equipe de investigadores terá que demonstrar essas possibilidades. Os peritos podem, também, concluir que faltam dados e informações suficientes para provar as causas do acidente e encerrar a investigação, apontando apenas as hipóteses:
— Essas linhas de raciocínio estão corretas. As investigações devem apontar para isso. Mas os peritos terão que demonstrar essas hipóteses, no final do processo. Podem também concluir que não é possível provar nada e encerrar a investigação, apontado apenas as hipóteses — explicou.
Sobre a dúvida de que o grau de inclinação da curva realizada pelo piloto teria levado à perda de sustentação da aeronave, Kersul respondeu:
— Com um grande ângulo de inclinação, o piloto fica sem condições de recuperar o avião da situação de queda. Ou seja, ele pode puxar o motor e não conseguir realinhar as asas do avião. O nome técnico do procedimento é recuperação de altitude anormal. Os pilotos fazem muitos treinamentos para isso. Acontece que a pessoa não vê o excesso de inclinação, falta horizonte, e, aí, só puxa o motor e não adianta mais nada.
Um experiente piloto da FAB explicou que a tentativa de se manter em condições visuais, durante a arremetida é uma manobra arriscada, em condições meteorológicas adversas. De acordo com a carta de aproximação da base de Santos, o correto seria o piloto subir para 4 mil pés (o ponto de espera de melhora do tempo), em curva ascendente à esquerda. Nessa posição, ele poderia circular o aeroporto e, quando o tempo melhorasse, realizar o pouso novamente. A tentativa de se manter visual significa permanecer abaixo das nuvens, que já estavam baixas naquele dia, explicou essa fonte.
BRIGADEIRO: É DIFÍCIL HAVER UMA ÚNICA CAUSA
Segundo militares, em caso de perda de sustentação, o avião “ganha vida própria, e o piloto vira um mero passageiro”. Kersul destacou, no entanto, que é preciso aguardar a conclusão das investigações e lembrou que um acidente quase nunca tem uma única causa, mas acontece por uma conjunção da fatores.
Na tarde do dia 13 de agosto, dia do acidente, a Aeronáutica divulgou um Notam (um comunicado para pilotos), a fim de informar que estava suspendendo temporariamente o procedimento de descida por instrumentos na pista para verificar se o instrumento de auxílio à navegação aérea estava funcionando sem problemas. A medida é uma rotina em casos de acidente, e, durante o período de restrição, um avião do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) faz procedimentos para testar o equipamento. Depois dos trabalhos e sem encontrar falhas, o Notam foi cancelado, e o pouso com instrumentos voltou a ser liberado.
Segundo relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2003, um jato particular Mitsubishi MU-300 enfrentou problemas semelhantes ao do Cessna na pista da base aérea de Santos. O avião tinha partido do Rio e, por conta das condições meteorológicas, teve que arremeter na primeira tentativa de pouso. Na segunda, o piloto conseguiu pousar, mas não teve como parar o avião, que caiu na água. Não houve feridos.
Geral
Levantamento de 2025 mostra que 42% das estradas estaduais avaliadas no Estado têm baixa capacidade de reduzir a gravidade de acidentes.
4 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul tem 2.024 quilômetros de rodovias classificados com baixo Índice de Perdão, segundo a terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, divulgada com dados de 2025. O levantamento coloca o Estado na 13ª posição entre os sistemas viários mais perigosos do país e indica que 42% das estradas estaduais avaliadas têm baixa capacidade de reduzir a gravidade dos acidentes.
Além dos trechos com baixo Índice de Perdão, a pesquisa aponta 2.282 quilômetros em faixa intermediária e 433 quilômetros com alto nível de segurança estrutural. No cenário nacional, Mato Grosso do Sul aparece na 15ª colocação entre os estados com rodovias mais seguras, indicando uma posição intermediária no ranking.
A metodologia da Confederação Nacional do Transporte (CNT) considera fatores físicos das rodovias que influenciam a gravidade dos sinistros. Entre os itens analisados estão acostamentos, barreiras de proteção, defensas metálicas, áreas livres de obstáculos e atenuadores de impacto.
No país, o estudo mostra diferença entre os modelos de gestão. Nas rodovias administradas pelo poder público, 50% da malha avaliada têm baixo Índice de Perdão e 4,8% atingem alto nível de mitigação dos acidentes. Já nas rodovias concedidas à iniciativa privada, 62% dos trechos apresentam alto Índice de Perdão e 2,4% foram classificados com baixo nível de segurança estrutural.
Segundo a CNT, os dados de 2025 mostram relativa estabilidade em relação ao levantamento anterior. Do total analisado, 19,9% receberam classificação de Alto Índice de Perdão, 42,7% ficaram na faixa intermediária e 37,5% foram enquadrados como de Baixo Índice de Perdão.
A entidade informa que mais de 80% da extensão analisada ainda apresenta média ou alta probabilidade de que problemas de infraestrutura, associados a falhas de condução ou defeitos mecânicos, resultem em mortes ou feridos graves. A análise territorial aponta ainda que os trechos mais seguros se concentram principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde predominam as concessões rodoviárias.
Já Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem com corredores classificados entre médio e baixo Índice de Perdão, inclusive em rotas usadas para o transporte de cargas e passageiros.
“A terceira edição do Painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais”, disse a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.
Geral
A Prefeitura Municipal de Coxim estabeleceu que os dias 4 e 5 de junho não terão expediente nas repartições públicas municipais. A medida, regulamentada pelo...
4 de junho de 2026
A Prefeitura Municipal de Coxim estabeleceu que os dias 4 e 5 de junho não terão expediente nas repartições públicas municipais. A medida, regulamentada pelo Decreto Municipal nº 064/2026, abrange o feriado nacional de Corpus Christi, na quinta-feira (04/06), e o ponto facultativo na sexta-feira (05/06). O objetivo é ordenar o calendário administrativo, resguardando os serviços essenciais de urgência e emergência.
Os serviços essenciais, como saúde de urgência e coleta de lixo, operam sob regime de plantão no período. O atendimento ao público e os prazos administrativos processuais serão retomados integralmente na segunda-feira subsequente.
Demais feriados e pontos facultativos municipais encontram-se no site da prefeitura em: www.protocolos.coxim.ms.gov.br/calendariomunicipal