quinta, 04 de junho, 2026
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A decisão, publicada ontem no Campo Grande News reacendeu uma discussão: até que ponto filhos são obrigados a cuidar dos pais quando não houve, da parte dos pais, este mesmo cuidado?
Ela é a caçula dos quatro filhos que foram obrigados a pagar 32% de um salário mínimo, o que corresponde a R$ R$ 334,00 que dividido entre eles, dá R$ 83,60 para cada um. "Se fosse para pagar R$ 5,00 ou R$ 1 mil... Não é o dinheiro, é o fato de todo mês ter que lembrar que eu tenho que ajudar aquela pessoa que só me fez mal a vida inteira", descreve a sensação.
Ontem, quando a reportagem foi publicada, como o caso corre em segredo de justiça, não foram e nem serão citados nomes, no entanto ela reconheceu se tratar da ação movida pelo pai. "Parece que somos péssimos filhos, um dos comentários que eu li é que mãe e pai é sagrado. De fato, minha mãe é tudo na minha vida, por ela eu faria tudo. Só que ele nos fez muito mal não só a mim, como meus irmãos e minha mãe", explica.
O pedido de pensão alimentícia não foi uma surpresa para os filhos, que contam que ele sempre ameaçou entrar na justiça. No ano passado, eles chegaram a passar por uma audiência de conciliação antes do processo seguir. Na ocasião, o pai pediu R$ 3 mil de pensão, o que foi negado pelos filhos, que em contrapartida ofereceram uma cesta básica mensal, que também não foi aceita.
"É claro que existem filhos ruins também, mas para pai pedir ajuda na justiça é porque não foi boa coisa. Minha mãe que continua ajudando a gente, é completamente diferente o relacionamento", pontua a filha.
Ela chegou a entrar na justiça pedindo pensão para o pai, o juiz determinou um valor que nunca foi pago. "Ele fala até hoje tranquilamente que não pagou. Eu cheguei a pensar em trancar minha faculdade por isso, mas minha irmã me ajudou dando o dinheiro do almoço até eu conseguir o auxílio emergencial que a UFMS liberava para estudante", narra.
Ao voltar ao passado, um dos filhos, de 30 anos e que está desempregado, não consegue encontrar boas recordações, nem na infância. "Ele sempre foi muito violento. Vi ele agredindo minha mãe, era agressivo com meus irmãos, espancava eles. Eu apanhei também", recorda.
A separação dos pais ocorreu duas décadas atrás, quando o rapaz tinha 10 anos de idade. A mãe se desdobrava com o salário de empregada doméstica para sustentar os quatro filhos. "Quando ele passava dinheiro para casa, era muito pouco. Às vezes passávamos as férias com ele e ele dizia que minha mãe cuidava mais do filho dos outros do que de nós, mas ela fazia isso porque ele não passava dinheiro suficiente", lembra. A mãe nunca entrou na justiça requerendo pensão.
Quando o jovem fez 18 anos e quis entrar na faculdade, conversou com o pai. "Não tinha meu curso na Federal, ele pagou a matrícula da faculdade me chantageando. Dizendo para eu fazer uma conta e pegasse cheque e cartão de crédito para ele, se não ele não iria dar dinheiro nenhum lá pra casa".
Ele fez a conta, viu apenas duas matrículas, do primeiro e segundo semestres, serem pagas e as mensalidades se acumularam. Por sorte, nos anos seguintes, conseguiu bolsa integral, mas ficou com uma dívida de R$ 8 mil que nunca foi paga. "Aí ele começou a fazer rolos com meu nome que ficou sujo com contas de mais de R$ 10 mil", conta.
O rapaz nunca conseguiu nem simular um financiamento de casa, porque sempre esbarra no nome sujo deixado pelo pai.
Os filhos já não tinham contato com o pai há alguns anos, quando em 2019 ele apareceu pedindo dinheiro e foi até cobrar uma das filhas no trabalho dela. A reação dele foi tão violenta a ponto da mulher, uma funcionária pública de 34 anos, entrar com pedido de medida protetiva. "Ele veio no meu serviço, na minha casa. A juíza esclareceu que por ele ter histórico de agressão, já ter sido preso por porte de arma e por agredir uma mulher, ela deu a medida protetiva", explica.
Por ser a filha mais velha, ela foi a primeira a sofrer com as decisões do pai. "Quando completei 18 anos, tive que financiar um carro pra ele no meu nome. Ele dizia que se eu não fizesse isso, meus irmãos iam passar fome. Era minha responsabilidade, eu não ia deixar meus irmãos. Então fui no cartório, fiz procuração pra ele comprar o carro", lembra.
Dois anos depois a procuração foi ampliada dando plenos poderes ao pai. Para revogá-la foi uma missão quase impossível. "Tenho multas em meu nome, coisas que não caducam. A minha irmã com 15 anos já tinha o nome sujo", resume.
Os filhos alegam que o pai recebe um salário mínimo de aposentadoria, não paga aluguel, tem moradia fixa num bairro considerado classe média, o Jardim São Lourenço. "Ele frequenta barbearias das mais caras da cidade, só anda de carro, tem dinheiro para combustível. Eu moro de aluguel, assim como meus irmãos, tenho restrição do meu nome e por causa do meu pai nunca consegui comprar uma casa", afirma.
Legislação - Presidente do Ibdfam/MS (Instituto Brasileiro de Direito da Família) de Mato Grosso do Sul, a advogada especialista em Direito das Famílias e Sucessões, Líbera Copetti, explica que o princípio da solidariedade familiar, que rege decisões como esta, é previsto na Constituição Federal.
"O que é o princípio da solidariedade familiar? É aquele que determina que as partes, os filhos devem cuidar dos seus pais e os pais devem cuidar de seus filhos", enfatiza.
Mais recentemente, o Estatuto do Idoso veio reforçar o princípio de solidariedade familiar e os deveres que os filhos têm de amparar os pais na velhice, ainda que o pai tenha sido ausente. "O dever de cuidar independe da questão de ter afeto ou não. Um pai não é obrigado a amar um filho, mas todos os pais devem cuidar dos filhos, e isso é recíproco", explica.
No entanto, já existem decisões nos tribunais de justiça pelo País relativizando essa obrigação, justamente em situações de abandono. "Estes julgados estabelecem uma situação de indignidade, que é quando não vai existir o dever de alimentar, porque seria uma situação de abandono. A mãe abandonar o filho aos 4 anos de idade e depois vem pedir pensão", exemplifica a especialista.
Ainda não se tem uma legislação específica que estabeleça essa construção jurisprudencial e a advogada defende analisar o caso concreto. "Entendo que deve ser analisado, porque a recíproca tem que ser verdadeira. Não entendo a necessidade de alteração legislativa, mas olhar com outros olhos e aplicar de forma cautelosa", opina.
Geral
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos...
3 de junho de 2026
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos dependentes de programas sociais e os índicesde extrema pobreza aparecem em queda.
O Mais Social é um programa social estruturante da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humano (Sead), que oferece segurança alimentar e nutricional e um dos responsáveis pela mudança de vida dos beneficários.
Entre as 27,6 mil pessoas que devolveram o cartão do mais social por não precisarem mais do auxílio está Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, que entrou no programa em 2018.
Depois de perder o emprego e passar a trabalhar em casa como barbeiro, a renda obtida por Marcos Gabriel não era suficiente para sustentar a família de sete pessoas, composta por sua esposa, os quatro filhos e a sogra.
Com o auxílio ele pôde manter até conseguir melhorar a condição da família. Atualmente ele é vigilante em uma entidade sindical rural e os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos ajudam em casa, de modo que a renda agora é suficiente para garantir dignidade à família, sem necessidade do programa.
“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”.
O programa ainda oferece para mães solos um outro auxílio do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, com o adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias, para que essas mulheres possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado durante o horário de serviço delas.
O benefício extra é mediante a comprovação de vínculo empregatício das mães ou de recolhimento previdenciário. Além disso, as mulheres beneficiadas que decidem frequentar ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem outro adicional de R$ 300 por mês, como incentivo.
Qualidade de vida
Além do Mais Social, outros programas garantem oportunidades de mudança de vida por meio do estudo e trabalho, como o MS Supera, que oferece bolsa de um salário mínimo mensal a estudantes de baixa renda cursantes de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas e privadas.
Assim como o MS Supera e o Mais Social, o Cadastro Único também demonstra a redução vulnerabilidade no Estado. Os registros do CadÚnico dentro do período de março de 2024 a março deste ano, teve a retirada de 44.604 pessoas do banco de dados devido a mudaça de vida para melhor.
Conforme o IBGE, a proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,7% em Mato Grosso do Sul, no período de dois anos, passando de 2,75 para 1,6%, colocando o estado como 3º menor índice de extrema pobreza do país e com 34 mil famílias fora da condição de insegurança alimentar.
Os programas sociais são parte de parcerias entre as secretarias do Estado, que garantem que a função de incentivo à educação e qualificação profissional seja mantida, para que os beneficiários aproveitem as oportunidades para melhorarem de vida.
Geral
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite...
3 de junho de 2026
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite de terça-feira (2).
Segundo informações registradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, os pais perceberam o desaparecimento da criança enquanto realizavam atividades dentro de casa. O pai havia saído do banho e estava na sala, enquanto a mãe terminava de preparar o jantar na cozinha.
Em determinado momento, a mãe perguntou ao pai se ele estava com o menino. Ao responder que não, os dois passaram a procurar a criança e a encontraram submersa na piscina, no quintal da residência.
A vítima foi socorrida imediatamente pelos próprios pais e levada ao Hospital Regional de Campo Grande.
De acordo com o médico que atendeu a ocorrência, a avaliação inicial indica que a criança pode ter permanecido submersa por cerca de 10 minutos. O menino foi colocado em coma induzido e segue internado sob observação.
A Polícia Militar foi acionada e esteve na residência, mas encontrou o imóvel fechado, já que os pais permaneciam no hospital acompanhando o filho. Uma vizinha, que acionou o socorro, confirmou aos policiais a versão apresentada pela família.
O médico informou ainda que não foram encontrados sinais de maus-tratos e que, até o momento, o caso é tratado como um acidente doméstico.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), que acompanhará o caso. Até o fechamento do boletim, não havia atualização sobre o estado de saúde da criança.
G1 MS