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Laudo de perito particular contesta suicídio da mãe de Bernardo

A mãe de Odilaine, Jussara Uglione, de 73 anos, acredita que a filha não se matou

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20 de outubro de 2014

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G1

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Um laudo elaborado por um perito particular pode reabrir as investigações sobre a morte da Odilaine Uglione, a mãe do menino Bernardo Boldrini, assassinado em abril deste ano, no Rio Grande do Sul. Segundo o documento, a mãe do menino não cometeu suicídio, mas foi assassinada. O marido, Leandro Boldrini, seria o principal suspeito.

Leandro está preso, acusado de tramar a morte do menino junto com a madrasta, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. Os quatro respondem a processo criminal pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

A mãe de Odilaine, Jussara Uglione, de 73 anos, acredita que a filha não se matou com um tiro de revólver calibre 38, com concluiu a polícia há cerca de quatro anos. A enfermeira foi encontrada morta em 2010 dentro da clínica do então marido, Leandro Boldrini, em Três Passos. “Não, não, ela não se matou”, diz Jussara.

A mesma opinião tem o especialista em ciências Policiais Eduardo Llanos, contratado por Jusssara e que ajudou a elaborar um novo laudo sobre a morte de Odilaine. O especialista diz que não tem nenhuma dúvida de que a mãe de Bernardo foi assassinada.

Na época da morte de Odilaine, a polícia chegou à conclusão de que se tratava de suicídio com base no depoimento de testemunhas e nos laudos da perícia oficial, mas um resultado intrigou a família da enfermeira. Havia resíduos de chumbo – o principal elemento químico da pólvora – apenas na mão esquerda de Odilaine, mas ela não era canhota. Era destra. “Os amigos desconfiaram primeiro, mas ninguém queria me contar. E pensando no Bê a gente ficou quieto”, conta Jussara.

Bê era o apelido de Bernardo, o neto Jussara e filho de Odilaine. O menino, de 11 anos, foi encontrado morto em uma cova rasa, em abril passado, em Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde ele morava com a família. O caso revelou um passado de violência e humilhações sofridas pelo garoto.

Para a família de Odilaine, uma gravação encontrada no celular de Leandro é mais um indício de que ela não se suicidou. Bernardo discute com o pai e com a madrasta quando eles falam sobre Odilaine. “Eu sei que tua mãe é o máximo para ti. Mas simplesmente ela te abandonou”, diz o pai no vídeo. “Ela não me abandonou. Tomara que tu morra. E essa coisa que morra junto”, retrucou o menino. “Tu vai ir antes. Teu fim vai ser igual ao da tua mãe”, completou a madrasta.

A mãe acredita que Odilaine foi assassinada. Ela conta que, cerca de cinco horas antes de morrer, a filha estava feliz, pois iria se separar de Leandro. O motivo: brigas e traição. “Ela me disse: ‘Mãe, o Leandro andava pulando a cerca. Já vi, já peguei’. Cada um ia seguir seu rumo. Ela iria receber R$ 1,5 milhão e mais R$ 8 mil de pensão”, conta Jussara.

Depois de falar com a mãe por telefone, Odilaine foi se encontrar com o marido. A clínica do médico Leandro Boldrini funcionava em um andar de um prédio comercial. Segundo as investigações, Odilaine entrou pela porta que era o acesso dos pacientes e foi direto ao consultório, que ficava aos fundos. Leandro Boldrini não estava. O médico, de acordo com a polícia, chegou logo depois. Passou rapidamente pela recepção e quando chegou ao consultório, se surpreendeu com a presença da mulher.

Ao Fantástico, a então secretária da clínica, Andressa Wagner, disse o que teria acontecido depois. “Deu questão de, não sei te dizer se foi segundos ou minutos, daí ele logo saiu porta afora, pedindo socorro: ‘Chama a polícia, homicídio, suicídio’. Falou assim. Aí, quando ele estava saindo assim, deu o estouro. Daí eu corri lá dentro logo para ver o que era. Ela já estava no chão”, relatou ela, que disse não ter percebido nenhuma discussão entre os dois.

A mesma delegada que acusa Leandro Boldrini de ser o mandante do assassinato do filho Bernardo foi a responsável pela investigação da morte de Odilaine. “Todas as provas levaram a crer que ela se matou. Ela falou isso no dia anterior para umas testemunhas, em um centro espírita, que ela ia se matar. Ela falou para empregada dela no dia que ela ia se matar”, conta a delegada Caroline Bamberg.

Para tentar acabar com as dúvidas, a mãe de Odilaine resolveu contratar uma empresa de São Paulo que faz perícias particulares. Depois de analisar todo o processo, o perito criminal Sérgio Saldias, que nasceu no Chile, elaborou o laudo de 32 páginas.

Ele critica o fato de exames que considera importantes não terem sido realizados. Por exemplo: não houve perícia nas roupas de Odilaine, nem nas de Leandro Boldrini para identificar possíveis sinais de luta. Também não procuraram resíduos de pólvora nas mãos de Leandro, para confirmar que ele realmente não atirou.

O perito também contesta o laudo oficial que afirma só ter chumbo na mão esquerda de Odilaine, que era destra. Segundo Sérgio Saldias, o resultado teria que apontar “obrigatoriamente” pólvora nas duas mãos dela. A conclusão final do perito é que “não existem fundamentos científicos suficientes no processo para afirmar que Odilaine se suicidou”.

O diretor da empresa que fez a perícia levanta uma hipótese: fala que a mãe de Bernardo pode ter sido assassinada e não descarta a presença de uma terceira pessoa dentro do consultório. Ele acredita que Odilaine possa ter tentado se defender com a mão esquerda antes de levar o tiro. “Na hora de proteger ou de tentar tirar a arma de quem possivelmente colocou a arma na boca dela e efetuou o tiro, automaticamente ficaram resíduos só em uma mão dela”, ressalta Eduardo Llanos.

Em maio deste ano, o perito Douglas Piérola – que fez o laudo oficial atestando o suicídio de Odilaine – deu explicações ao Ministério Público. Para ele, a mão direita da enfermeira segurava o revólver. Para ter mais firmeza no tiro, ela teria usado a mão esquerda como apoio e assim, acabou cobrindo a direita. Isso explicaria o motivo de ter sido encontrado chumbo só na mão esquerda. Procurado, ele não quis se manifestar.

O Fantástico fez um teste em um estande de tiro, seguindo as orientações de um professor da USP. A instrutora usou luvas e atirou em um alvo com um revólver calibre 38, o mesmo que teria sido usado por Odilaine. A posição das mãos também deveria ser semelhante a que foi apontada pelo perito oficial. Depois, as luvas foram analisadas no Instituto de Física da USP. “Temos chumbo na mão direita e na mão esquerda. Espalhou. Essa é uma análise muito sensível, uma análise atômico-nuclear, bastante indicada para esse tipo de análise”, explica Manfredo Tabacniks, coordenador do Laboratório de Análise de Materiais da USP.

Os parentes de Odilaine pedem que a investigação seja reaberta. “Há a imperiosa necessidade de justiça, que seja reaberta essa investigação a fim de que a impunidade não seja alcançada”, afirma o advogado da mãe de Odilaine, Marlon Taborda.

A delegada não concorda. “Análise nova é uma coisa. Agora, fatos novos não têm. Eu não vou reabrir porque eu entendo que o inquérito está concluso, como deveria ser concluso: que realmente ela se matou”, afirma Caroline Bamberg. “Eu não posso ser movida por um clamor social, que quer que ele fique mais tempo preso por uma coisa que ele não cometeu”, acrescenta a delegada.

Os advogados de Leandro não quiseram se manifestar. Em 30 dias, a Justiça deve decidir se a morte de Odilaine vai ser investigada de novo ou não. “Tem que investigar. Eu não posso morrer com essa dúvida também. Nós perdemos as duas últimas joias da família, que era o Bernardo e Odilaine”, completa Jussara Uglione.

Entenda
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No dia 6 de abril, o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.

No início da tarde do dia 4, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.

O pai registrou o desaparecimento do menino no dia 6, e a polícia começou a investigar o caso. No dia 14 de abril, o corpo do garoto foi localizado. Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem de um sedativo e depois enterrado em uma cova rasa, na área rural de Frederico Westphalen.

O inquérito apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Ainda conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita. Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim como a história para que tal crime ficasse impune, e contaram com a colaboração de Edelvania e Evandro, concluiu a investigação.

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Mais de 27 mil pessoas deixaram programa Mais Social por melhorar condição de vida

Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos...

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3 de junho de 2026

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Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos dependentes de programas sociais e os índicesde extrema pobreza aparecem em queda.

O Mais Social é um programa social estruturante da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humano (Sead), que oferece segurança alimentar e nutricional e um dos responsáveis pela mudança de vida dos beneficários.

Entre as 27,6 mil pessoas que devolveram o cartão do mais social por não precisarem mais do auxílio está Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, que entrou no programa em 2018.

Depois de perder o emprego e passar a trabalhar em casa como barbeiro, a renda obtida por Marcos Gabriel não era suficiente para sustentar a família de sete pessoas, composta por sua esposa, os quatro filhos e a sogra.

Com o auxílio ele pôde manter até conseguir melhorar a condição da família. Atualmente ele é vigilante em uma entidade sindical rural e os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos ajudam em casa, de modo que a renda agora é suficiente para garantir dignidade à família, sem necessidade do programa.

“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”.

O programa ainda oferece para mães solos um outro auxílio do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, com o adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias, para que essas mulheres possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado durante o horário de serviço delas.

O benefício extra é mediante a comprovação de vínculo empregatício das mães ou de recolhimento previdenciário. Além disso, as mulheres beneficiadas que decidem frequentar ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem outro adicional de R$ 300 por mês, como incentivo.

Qualidade de vida

Além do Mais Social, outros programas garantem oportunidades de mudança de vida por meio do estudo e trabalho, como o MS Supera, que oferece bolsa de um salário mínimo mensal a estudantes de baixa renda cursantes de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas e privadas.

Assim como o MS Supera e o Mais Social, o Cadastro Único também demonstra a redução vulnerabilidade no Estado. Os registros do CadÚnico dentro do período de março de 2024 a março deste ano, teve a retirada de 44.604 pessoas do banco de dados devido a mudaça de vida para melhor.

Conforme o IBGE, a proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,7% em Mato Grosso do Sul, no período de dois anos, passando de 2,75 para 1,6%, colocando o estado como 3º menor índice de extrema pobreza do país e com 34 mil famílias fora da condição de insegurança alimentar.

Os programas sociais são parte de parcerias entre as secretarias do Estado, que garantem que a função de incentivo à educação e qualificação profissional seja mantida, para que os beneficiários aproveitem as oportunidades para melhorarem de vida.

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Menino de 3 anos é internado em estado grave após se afogar em piscina em

Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite...

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3 de junho de 2026

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Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite de terça-feira (2). 

Segundo informações registradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, os pais perceberam o desaparecimento da criança enquanto realizavam atividades dentro de casa. O pai havia saído do banho e estava na sala, enquanto a mãe terminava de preparar o jantar na cozinha. 

Em determinado momento, a mãe perguntou ao pai se ele estava com o menino. Ao responder que não, os dois passaram a procurar a criança e a encontraram submersa na piscina, no quintal da residência.

A vítima foi socorrida imediatamente pelos próprios pais e levada ao Hospital Regional de Campo Grande. 

De acordo com o médico que atendeu a ocorrência, a avaliação inicial indica que a criança pode ter permanecido submersa por cerca de 10 minutos. O menino foi colocado em coma induzido e segue internado sob observação. 

A Polícia Militar foi acionada e esteve na residência, mas encontrou o imóvel fechado, já que os pais permaneciam no hospital acompanhando o filho. Uma vizinha, que acionou o socorro, confirmou aos policiais a versão apresentada pela família. 

O médico informou ainda que não foram encontrados sinais de maus-tratos e que, até o momento, o caso é tratado como um acidente doméstico. 

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), que acompanhará o caso. Até o fechamento do boletim, não havia atualização sobre o estado de saúde da criança.

G1 MS