quinta, 04 de junho, 2026
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Indígenas guarani-kaiowá que reivindicam a demarcação do território Laranjera-Ñanderu, no município de Rio Brilhante, retornaram na manhã desta quarta-feira (08) para a sede da Fazenda Do Inho. Há cinco dias, eles foram expulsos do local pela Polícia Militar e três lideranças foram presas.
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os indígenas pedem que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF) assumam a interlocução com o Estado para evitar outras ações policiais sem ordem da Justiça, como ocorreu na sexta-feira (03).
Ainda segundo o Cimi, os indígenas tomaram a decisão de ampliar a ocupação até a sede após serem provocados por arrendatários de terras próximas ao acampamento onde estavam.
“Essa situação, primeiro de violência policial e depois de assédio, levou os indígenas à decisão de retomar, para além do descampado onde estavam, também à sede da fazenda. Respeitando a integridade do barracão existente no local, os Kaiowá fotografaram a propriedade e as benfeitorias e enviaram à Funai, afim de evitar ação policial baseada na suposta violação dos imóveis”, afirma o Cimi.
Ministério
Hoje de manhã, o Ministério dos Povos Indígenas cobrou a presença da Polícia Federal na Fazenda Do Inho. O secretário-executivo da pasta, Luiz Henrique Eloy Amado, o Eloy Terena, enviou ofício ao superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Agnaldo Mendonça Alves, cobrando segurança da corporação aos indígenas do acampamento e a funcionários da Funai presentes na área.
“A situação conflituosa envolvendo indígenas e posseiros de área reivindicada pela comunidade tem motivado ameaças de despejo por parte da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, o que é estritamente ilegal, segundo nosso ordenamento jurídico”, afirma Eloy Terena, no ofício encaminhado à PF.
Segundo o secretário-executivo da Pasta, a truculência vem sendo utilizada pela polícia para reprimir ações dos povos indígenas. “Lideranças da comunidade relataram que policiais militares chegaram ao local e ameaçaram despejar os indígenas, mesmo sem ordem judicial, o que é sabido ser ilegal, além de que esta ação tem potencial de causar uma grave situação de violência contra os indígenas”.
Reincidência
Eloy Terena lembra não ter sido a primeira vez que a PM age para despejar indígenas de áreas ocupadas, mesmo sem mandado de reintegração de posse. Na mesma fazenda, em fevereiro de 2022, policiais do Batalhão de Choque expulsaram os indígenas, também sem ordem da Justiça.
“Não é a primeira vez que isto acontece e por isso não pode ser tratado como fato isolado. Tem-se observado nos últimos anos a atuação da Polícia Militar, que não possui preparo para lidar com comunidades indígenas, tão pouco atribuição para atuar em contexto envolvendo disputa por direitos indígenas”, afirmou o secretário-executivo.
Segundo ele, a presença da Polícia Federal na área visa resguardar direitos e princípios básicos dos indígenas. Eloy Terena cita que, pela Constituição Federal, a proteção das comunidades indígenas é dever da União. Já o Decreto 73.332/73 determina a atribuição da Polícia Federal para atuar na prevenção e repressão de crimes contra o patrimônio e vida das comunidades indígenas.
O ofício requer atuação da Polícia Federal para reforçar a segurança no local, para acompanhar a situação da comunidade indígena e fazer escolta dos servidores da Funai que estão na área.
“O intuito é evitar futuras violações e resguardar a vida dos envolvidos, principalmente dos indígenas que ocupam o elo mais frágil”, afirmou. Conforme o representante sul-mato-grossense no Governo Lula, o Ministério já reforçou a situação com a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Na sexta-feira (3), o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, alegou que a PM interviu devido a suposto risco de confronto na região.
“A exemplo da invasão anterior na mesma propriedade [fevereiro de 2022], acampados sem-terra pretendiam invadir a área para pressionar a criação ali de um assentamento, cuja desapropriação geraria indenização ao produtor, porém como a área também é desejada pelos indígenas que estão ao lado, esses resolveram invadir antes”, afirmou, para justificar a atuação da PM sem ordem judicial.
História
A luta dos guarani-kaiowá pela demarcação do território tradicional Laranjeira-Ñanderu se arrasta desde 2007, quando eles decidiram ampliar a área onde estavam acampados para reivindicar a demarcação. A aldeia parte da Terra Indígena Brilhantepeguá, em fase de identificação.
No local, os indígenas ocupam parte das fazendas Do Inho e Santo Antonio. A Justiça deu sentença favorável à demarcação, mas o processo está parado.
Geral
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos...
3 de junho de 2026
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos dependentes de programas sociais e os índicesde extrema pobreza aparecem em queda.
O Mais Social é um programa social estruturante da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humano (Sead), que oferece segurança alimentar e nutricional e um dos responsáveis pela mudança de vida dos beneficários.
Entre as 27,6 mil pessoas que devolveram o cartão do mais social por não precisarem mais do auxílio está Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, que entrou no programa em 2018.
Depois de perder o emprego e passar a trabalhar em casa como barbeiro, a renda obtida por Marcos Gabriel não era suficiente para sustentar a família de sete pessoas, composta por sua esposa, os quatro filhos e a sogra.
Com o auxílio ele pôde manter até conseguir melhorar a condição da família. Atualmente ele é vigilante em uma entidade sindical rural e os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos ajudam em casa, de modo que a renda agora é suficiente para garantir dignidade à família, sem necessidade do programa.
“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”.
O programa ainda oferece para mães solos um outro auxílio do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, com o adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias, para que essas mulheres possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado durante o horário de serviço delas.
O benefício extra é mediante a comprovação de vínculo empregatício das mães ou de recolhimento previdenciário. Além disso, as mulheres beneficiadas que decidem frequentar ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem outro adicional de R$ 300 por mês, como incentivo.
Qualidade de vida
Além do Mais Social, outros programas garantem oportunidades de mudança de vida por meio do estudo e trabalho, como o MS Supera, que oferece bolsa de um salário mínimo mensal a estudantes de baixa renda cursantes de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas e privadas.
Assim como o MS Supera e o Mais Social, o Cadastro Único também demonstra a redução vulnerabilidade no Estado. Os registros do CadÚnico dentro do período de março de 2024 a março deste ano, teve a retirada de 44.604 pessoas do banco de dados devido a mudaça de vida para melhor.
Conforme o IBGE, a proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,7% em Mato Grosso do Sul, no período de dois anos, passando de 2,75 para 1,6%, colocando o estado como 3º menor índice de extrema pobreza do país e com 34 mil famílias fora da condição de insegurança alimentar.
Os programas sociais são parte de parcerias entre as secretarias do Estado, que garantem que a função de incentivo à educação e qualificação profissional seja mantida, para que os beneficiários aproveitem as oportunidades para melhorarem de vida.
Geral
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite...
3 de junho de 2026
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite de terça-feira (2).
Segundo informações registradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, os pais perceberam o desaparecimento da criança enquanto realizavam atividades dentro de casa. O pai havia saído do banho e estava na sala, enquanto a mãe terminava de preparar o jantar na cozinha.
Em determinado momento, a mãe perguntou ao pai se ele estava com o menino. Ao responder que não, os dois passaram a procurar a criança e a encontraram submersa na piscina, no quintal da residência.
A vítima foi socorrida imediatamente pelos próprios pais e levada ao Hospital Regional de Campo Grande.
De acordo com o médico que atendeu a ocorrência, a avaliação inicial indica que a criança pode ter permanecido submersa por cerca de 10 minutos. O menino foi colocado em coma induzido e segue internado sob observação.
A Polícia Militar foi acionada e esteve na residência, mas encontrou o imóvel fechado, já que os pais permaneciam no hospital acompanhando o filho. Uma vizinha, que acionou o socorro, confirmou aos policiais a versão apresentada pela família.
O médico informou ainda que não foram encontrados sinais de maus-tratos e que, até o momento, o caso é tratado como um acidente doméstico.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), que acompanhará o caso. Até o fechamento do boletim, não havia atualização sobre o estado de saúde da criança.
G1 MS