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Colônia de Coxim atende 600 pescadores da Região

Confira a entrevista com o presidente da colônia dos pescadores de Coxim, Armindo Batista dos Santos Filho

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5 de março de 2015

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Ana Flávia Dorsa

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Colônia de Pescadores

Armindo Batista dos Santos Filho é presidente da Colônia de Pescadores de Coxim e já está no seu 5° mandato. Também como presidente da federação de pesca do Mato Grosso do Sul concedeu entrevista exclusiva onde teceu críticas ao governo federal e aos fazendeiros sobre o assoreamento do Rio Taquari.

Hoje o pescador conta com a colônia em quais serviços?

A Colônia faz um papel social. Realizamos a expedição de documentos conforme legislação, encaminhamento de documentação para inscrever pescador em projetos e benefícios, e manutenção da carteira de pesca que é anualmente renovada. A Colônia dá suporte ao pescador, fornecer gelo, buscar pescado, auxilia na entrada do seguro defeso entre outros. Hoje somos em 600 pescadores da Colônia, sendo que apenas 60% desse número são de Coxim. Agregamos pescadores de municípios vizinhos como Sonora, Pedro Gomes, Rio Verde, Camapuã e Rio Negro. 

Desses pescadores da Colônia todos vivem da pesca?

Não atinge os 600 pescadores não, pois existem alguns casos em que a mulher tem outra renda, mas acredito que destes, cerca de 450 vivem apenas da pesca. Ou seja, o seguro defeso atende essas pessoas que não possuem outra renda no período em que a pesca fica restrita. A Colônia tem visto com bons olhos as recentes mudanças do seguro defeso? - Até o momento éramos muito bem atendidos pelo benefício, mas com as mudanças propostas pelo governo federal, mais uma vez o pescador sofrerá. As mudanças já estarão valendo no próximo recebimento no mês de novembro conforme nova legislação. Essa lei é contramão ao pescador, não é que to querendo livrar a categoria, mas é que o governo federal desde época do governo Lula, criou vários benefícios para população carente e o pescador não fica fora disso, pois grande parte é carente. Agora com a nova lei, quem recebe seguro defeso não poderá contar com outros benefícios e isso vai massacrar o pescador. 

Qual o perfil do pescador do nosso Estado?

Somos cerca de 7 mil, e 5 mil são carentes, muitos são ribeirinhos, analfabetos e assinam com a digital. Principalmente os instalados em regiões distantes como Ladário, Corumbá, região da barranqueira em Coxim. Eles na maioria não estudam e os filhos também não.  Tem garoto novo que temos contato, filhos de pescadores que são semi analfabeto, só sabem assinar o nome. Com nova resolução essas famílias não terão os benefícios como o bolsa escola, vale gás e bolsa família, o que não contribui para a melhoria da qualidade de vida. Isso prejudicará muitos pescadores em todo o país, principalmente do Acre, Rondônia, Amazonas, Pará e todo o Nordeste onde o número de pescadores são maiores. Os maiores prejudicados serão os filhos dos pescadores. Isso será muito ruim levando em conta que agora esse repasse do seguro defeso será pelo INSS. Basta ver os velhinhos na fila com os dentes caindo para conseguir à duras penas um salário mínimo de aposentadoria. 

O que mais lhe deixa inseguro quanto ao pagamento ser via INSS?

Na resolução, diz o seguinte, que em alguns casos, será pedido se julgar necessário, mais documentos para comprovar a atividade de pescador e liberar o benefício, como, por exemplo, a apresentação de algumas notas fiscais. Concordo que todos têm que comprovar a renda com as notas, assim como quem vende o boi, a soja, o frango, mas para uma gama de pessoas sem muito esclarecimento, essa documentação toda já lhe deixa constrangido ao ponto de fazê-lo desistir. A burocracia será um grande empecilho para receber esse seguro daqui para frente no meu ponto de vista. Mas na conclusão, eles querem arrochar o cinto agora para tapar o buraco, mas querem fazer isso em cima dos pobrezinhos? Vem em cima da categoria fraquinha e isso não e bom.

Como está à estruturada a Colônia?

As Colônias de Pesca são autônomas e existem desde 1800. Neste período fundaram as primeiras colônias do Brasil e hoje existem cerca de 1200 agregando cerca de 1 milhão e 200 mil pescador. Não recebemos verba de nenhuma esfera, sobrevivemos com uma taxa contributiva do associado conforme estatuto aprovado em assembléia. Esse valor não pode ser menor de 2% e nem maior de 7%. Aqui era 5% e desde 98 quando salário mínimo aumentou reduzimos essa taxa para 4%, ou seja, poucos centavos mais que R$ 31 reais. Via ex-deputado Antônio Carlos Biffi, à pedido do deputado Akira, uma emenda via prefeitura de Coxim mediante uma cedência de 20 anos, o prédio da Colônia foi construído.

Os benefícios específicos para a Pesca tem auxiliado os pescadores de Coxim?

Quando o governo liberou 4 bilhões para pesca profissional e artesanal, ficamos muito contentes. Mas, como vivemos em um país de corrupção, esse dinheiro não chegou na gente. Quando o governo dá recurso à gente faz muitos planos, mas aí o dinheiro sempre é desviado e vai para outras categorias. Como já disse o pescador em sua grande parte é analfabeto, existem uns poucos que sabem escrever, portanto quando vai ver as condições para retirar o recursos, existem várias exigências como a terra para fazer os tanques entre outras estruturas que não temos. Nessa brincadeira já perdemos o recurso. Não convém ter que fazer um projeto para comprar a terra financiada, pois aí você endivida sua categoria? Empréstimo para comprar a terra, empréstimo para fazer a casa, para fazer os tanques assim não damos conta de pagar. Em fim, o recurso é destinado ao pescador, mas não chega até ele, é só propaganda. O dinheiro que eles falam ta vazando para a Seprotur, para os grandes, para outras categorias. Ficamos com a fama apenas. O seguro defeso que foi criado pelo governo Collor e ampliado no governo Fernando Henrique Cardoso é o que vem de fato para a mão do pescador e preserva assim a categoria.

O que dizer dos nossos rios hoje. Ainda tem peixe?

O desenvolvimento econômico do nosso Estado acabou com nossos rios. O peixe diminuiu e não adiante eu falar que temos peixe como há 30 anos. Nós também não somos os mesmos, o desenvolvimento tecnológico para exploração as áreas para agricultura, para lavoura acabou com os rios, não tinha fiscalização, desmataram as áreas como queria e como podia.
Ficamos mais de 15 anos pescando 1kg e ½ de peixe para pagar 1 litro de gasolina, e hoje com o kg de peixe, pagamos uns 4 litros, ou seja, o valor econômico do peixe subiu tanto que estamos na mesma situação financeira que há 30 anos atrás. Com sorte, é possível pegar um peixe que vale até um salário mínimo. Eu mesmo peguei um peixe desses em outubro, portanto com o que ele pega no rio ele vive. 

Qual a boa temporada para pesca?

São no total oito meses de pescaria e quatro de defeso. Esses oito meses é dividido em três períodos, temporada alta, média e baixa (frio), é a recuada que dá no rio Paraguai e assim se pega menos peixe. Na verdade são dois meses de captura que se ganha bem. Março e abril é um tempo bom, depois fica ruim e melhora em agosto, setembro e outubro.

O Jacaré atrapalha os pescadores? 

Até os anos 90 existia a caça do jacaré, aí a Malasia, o Japão e a Alemanha, boicotaram o jacaré, pois eles eram os que mais industrializavam o animal. O que proibiu não foi o Brasil. Como o brasileiro é corrupto  e não tinha o controle da matança, decidiram proibir a caça e a pesca. Assim a população de jacaré triplicou e hoje é o maior depredador do peixe. Ele promove a diminuição dos estoques, os peixes se tornam uma presa fácil Ele se alimenta só de peixe, não deixa que eles saiam das baias e ataca mesmo. Mas todo mundo vem em cima de nós quando tratamos desse assunto, mas fingem que não vêem que o jacaré também está morrendo de fome. Mas somos testemunhas de que os fazendeiros matam muito jacaré. Cansei de ver, pois, eles ficam amontoados em volta dos açudes e não deixam o gado beber água. Assim matam milhões deles por aí, por isso defendo que ao menos a pesca do jacaré deveria ser liberada. Se a pesca dele fosse liberada a gente pescava, aproveitava a proteína e o couro. Mas em fim, esse transtorno ambiental prejudica a pesca.

O Instituto federal está implantando o curso de Piscicultura, é uma opção ao pescador?
A piscicultura é sempre bem vinda, porém o que afeta um pouco nossa região é que na bacia do Paraguai não se pode trazer novas espécies de peixe, por que ainda é riquíssima em peixe natural, nativo. Temos boas matrizes, se acaso ocorre um vazamento de peixe, isso pode ocasionar muitos problemas como é o caso do Tucunaré que consome a desova do Pintado, um dos peixes mais nobres que temos. O peixe Tilápia é outro exemplo, apesar de ser um peixe bom, fácil produção, bom de venda, não pode ser colocado para reproduzir aqui na região da bacia do Paraguai, pois pode vazar para os rios e causar desequilíbrio ambiental. A Piscicultura é uma saída, mas acho difícil chegar a nossa categoria.

A problemática do Caronal prejudicou muito a pesca? 

O grande problema do Caronal foi o fechamento das bacias que se deu por causa do nível do rio que vem assoreando e conforme foi aumentando o nível foi aumentando a invasão deles nas fazendas. Desta forma os fazendeiros se sentiram prejudicados e fechavam as baías para o rio não entrar e quando rio baixava dava pastagens, mas nas cheias o rio tornava invadir e matava muitos peixes. Como os fechamentos foram denunciados por mim na justiça federal e uma atitude foi tomada pararam de fechar. Um pescador não podia cortar uma vara que era preso, mas os fazendeiros poderiam promover essa matança de peixes era uma situação insustentável. Eles chegavam com motoserras, serravam tudo, fechavam as baias, matavam peixe, e não acontecia nada. Por isso decidi denunciar. Mas até eu tomar essa atitude, mataram por muitos e muitos anos. O pantanal é uma planice. Se dragar o rio para a água não subir, ela também não vai entrar, mas isso não adianta. Nesse lugar onde fecharam, eles dragavam 100, 200 metro e jogavam areia e o local virava um deserto. Matava tudo, a ação de fechar a baia, mata a vegetação em torno do rio, parecia um lençol branco que de longe se avistava, pois, matava tudo que vivia à beira, toda a vegetação nativa que alimenta  os peixes, depois quando chegava às chuvas para onde ia à água? Se fechar para ela não sair, ela não vai entrar. 

Então as fazendas são as grandes responsáveis por esta questão ambiental?
Sou pantaneiro nato e conheço o Pantanal. Os antigos entraram na terra para fazer fortuna e não levaram em consideração as questões ambientais. O Pantanal é um local baixo, alagado, mas ali pensaram em fazer fortuna, prejudicando esse ecossistema. O fazendeiro pantaneiro só pensa em lucro na maior parte, não tem consciência, não querem pagar imposto, hoje são famílias riquíssimas na maior parte com 50, 20, 30 mil hectares e agora querem receber do governo porque a água esta invadindo as fazendas. O pantaneiro nato não tem mais terra e ainda cuida do Pantanal. O Pantanal sempre foi uma área de risco, mas as famílias que se instalaram nele vislumbraram uma terra barata para ganhar dinheiro e assim ambiciosamente todos esses anos vieram usando o local sem tomar devidas cautelas ambientais. 

Geral

Mato Grosso do Sul tem 2.024 quilômetros de rodovias com baixo índice de perdão, mostra CNT

Levantamento de 2025 mostra que 42% das estradas estaduais avaliadas no Estado têm baixa capacidade de reduzir a gravidade de acidentes.

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4 de junho de 2026

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Mato Grosso do Sul tem 2.024 quilômetros de rodovias classificados com baixo Índice de Perdão, segundo a terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, divulgada com dados de 2025. O levantamento coloca o Estado na 13ª posição entre os sistemas viários mais perigosos do país e indica que 42% das estradas estaduais avaliadas têm baixa capacidade de reduzir a gravidade dos acidentes.

Maioria da malha fica entre baixo e médio índice

Além dos trechos com baixo Índice de Perdão, a pesquisa aponta 2.282 quilômetros em faixa intermediária e 433 quilômetros com alto nível de segurança estrutural. No cenário nacional, Mato Grosso do Sul aparece na 15ª colocação entre os estados com rodovias mais seguras, indicando uma posição intermediária no ranking.

A metodologia da Confederação Nacional do Transporte (CNT) considera fatores físicos das rodovias que influenciam a gravidade dos sinistros. Entre os itens analisados estão acostamentos, barreiras de proteção, defensas metálicas, áreas livres de obstáculos e atenuadores de impacto.

Infraestrutura pública tem pior desempenho

No país, o estudo mostra diferença entre os modelos de gestão. Nas rodovias administradas pelo poder público, 50% da malha avaliada têm baixo Índice de Perdão e 4,8% atingem alto nível de mitigação dos acidentes. Já nas rodovias concedidas à iniciativa privada, 62% dos trechos apresentam alto Índice de Perdão e 2,4% foram classificados com baixo nível de segurança estrutural.

Segundo a CNT, os dados de 2025 mostram relativa estabilidade em relação ao levantamento anterior. Do total analisado, 19,9% receberam classificação de Alto Índice de Perdão, 42,7% ficaram na faixa intermediária e 37,5% foram enquadrados como de Baixo Índice de Perdão.

Regiões Sul e Sudeste concentram os trechos mais seguros

A entidade informa que mais de 80% da extensão analisada ainda apresenta média ou alta probabilidade de que problemas de infraestrutura, associados a falhas de condução ou defeitos mecânicos, resultem em mortes ou feridos graves. A análise territorial aponta ainda que os trechos mais seguros se concentram principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde predominam as concessões rodoviárias.

Já Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem com corredores classificados entre médio e baixo Índice de Perdão, inclusive em rotas usadas para o transporte de cargas e passageiros.

“A terceira edição do Painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais”, disse a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.

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A Prefeitura Municipal de Coxim estabeleceu que os dias 4 e 5 de junho não terão expediente nas repartições públicas municipais. A medida, regulamentada pelo Decreto Municipal nº 064/2026, abrange o feriado nacional de Corpus Christi, na quinta-feira (04/06), e o ponto facultativo na sexta-feira (05/06). O objetivo é ordenar o calendário administrativo, resguardando os serviços essenciais de urgência e emergência.

Os serviços essenciais, como saúde de urgência e coleta de lixo, operam sob regime de plantão no período. O atendimento ao público e os prazos administrativos processuais serão retomados integralmente na segunda-feira subsequente.

Demais feriados e pontos facultativos municipais encontram-se no site da prefeitura em: www.protocolos.coxim.ms.gov.br/calendariomunicipal