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A terceira edição do programa, de 2023, está com processo de seleção em fase final. Das 395 propostas submetidas, 359 já foram enquadradas e seguiram para a segunda fase que compreende a análise de mérito e relevância dos projetos.
18 de agosto de 2023
Larissa Adami e Maristela Cantadori
“Os cientistas do futuro estão na educação básica e o recrutamento precisa chegar na escola pública”. Essa é a convicção da professora Daniely Ferreira de Queiroz, doutora em Química pelo IQSC/USP (Instituto de Química de São Carlos) que, com o incentivo da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de MS) desperta a curiosidade nos alunos da Escola Estadual Teotônio Vilela, no bairro Universitárias, em Campo Grande.
Estudante Laíssa Borges Nunes
A partir do Pictec (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica do Estado de MS), que contempla professores e estudantes do Ensino Médio de escolas públicas com bolsa de iniciação científica, o projeto Química dos Cosméticos: Desenvolvimento de métodos biotecnológicos em Cosmetologia - ganhou vida com a orientação de Daniely aos estudantes Daniel Vitoriano Santos, Gabriela da Gama dos Santos, Laíssa Borges Nunes e Nathalia Morais Barboza, todos com 17 anos e cursando o terceiro ano. A proposta foi selecionada na segunda edição do programa, lançado em 2022, o que garantiu bolsas de R$ 400 por mês aos alunos e de R$ 800 para a orientadora, por um período de 12 meses.
A professora viu no Pictec a chance de despertar nos alunos o gosto pela química, promover o empreendedorismo escolar e trabalhar com a cosmetologia aliada à sustentabilidade. Diariamente a equipe pesquisa e produz cosméticos naturais para o cuidado com a pele e cabelo. “São produtos fabricados com bases vegetais, não testados em animais e asseguram bem-estar para nossa saúde ao promover firmeza, hidratação, entre outros benefícios, sem causar danos ao tecido celular da pele. Isso porque não envolvem nenhum tipo de óleo mineral, derivados do petróleo e metais pesados (petrolato), como a grande maioria dos cosméticos mais comerciais”, explica Daniely Queiroz.
Estudante Nathalia Morais Barboza
Daí surgiu a "Curie Cosmetologia Natural" que é a marca do projeto. "O nome foi inspirado na primeira cientista mulher da história, Marie Curie, ganhadora de dois prêmios Nobel, em Química e Física, e claro, uma inspiração para todas as mulheres da ciência. A maior parte das atividades da Curie são realizadas no nosso Lacobio (Laboratório de Cosmetologia Natural e Biotecnologia) que funciona dentro da escola. Não tinha forma definida quando começamos, mas com esforço, compramos todo o necessário. E isso só foi possível devido às bolsas concedidas pela Fundect”, conta a professora.
Os alunos de Daniely não só aprendem os conceitos básicos de química na prática, como também decodificam a linguagem dos artigos científicos para a produção dos cosméticos, ministram palestras sobre o assunto e, recebem mini cursos de inglês, boas práticas de laboratório, vidraria e redes sociais.
O trabalho desenvolvido com a Curie é tão estimulante que a estudante Laíssa Borges Nunes pretende seguir os passos da professora Daniely Queiroz na Química. “O projeto me proporciona toda a experiência maravilhosa no laboratório e fora dele também, mostrando de verdade como é a pesquisa científica. Tudo o que nós aprendemos aqui também é utilizado na nossa vivência no dia a dia. Esse conhecimento tem grande peso na escolha de curso para a graduação pois, como é algo que estou bem apegada, aumenta a vontade em explorar mais o universo da ciência”, esclarece a aluna.
Estudante Gabriela da Gama dos Santos
Para Nathalia Morais Barboza, o trabalho realizado no projeto é uma pequena demonstração de como os cientistas são importantes para o planeta. “Ser cientista é ter a capacidade de mudar o mundo e poder melhorar as condições de vida das próximas gerações. Além disso, é uma pessoa que reinventa tudo ao seu redor e cria métodos seguros, responsáveis e conscientes”, defende.
Complementando a ideia dos colegas, Gabriela da Gama dos Santos iniciou a caminhada científica pelo sentimento de fazer o bem ao próximo, principalmente no ambiente em que vive. “Eu quis trabalhar com ciência assim que vi a proposta do projeto, já que ele trabalha no bem-estar das pessoas e no cuidado com a natureza. Eu adoro contribuir para a autoestima da comunidade através da elaboração de cosméticos como os da Curie”.
Daniel Vitoriano Santos debate a inovação apresentada pelas colegas ao expor a relevância da sustentabilidade unida à ciência. “Ao produzirmos e utilizarmos produtos sustentáveis, estamos contribuindo para o meio ambiente uma vez que a Indústria Cosmética é uma das que mais consomem recursos hídricos no mundo. Um exemplo do nosso cuidado com a natureza é a fabricação de alguns insumos que não necessitam de água em sua composição e são ricos em outros aditivos naturais. É algo inovador se compararmos aos cosméticos convencionais que possuem 80% do líquido em sua base de formulação”, ressalta.
Daniel Vitoriano Santos
A equipe já produziu cerca de 20 tipos de produtos, divididos entre linha facial (água micelar, sérum, creme de base neutra e lipbalm) e linha capilar (shampoo, condicionador e máscara). Todos os cosméticos são fabricados com matérias-primas vegetais como melaleuca, aloe vera, licuri, macadâmia, maracujá, rícino, entre outros elementos, e possuem o selo de qualidade da Ecocert Brasil, uma das maiores empresas certificadoras de soluções orgânicas do País.
Conforme o trabalho foi se desenvolvendo, além das bolsas da Fundect, o grupo passou a ter a colaboração da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) no acesso a insumos e laboratórios.
A professora Daniely não esconde o orgulho pelos pupilos que são referência em protagonismo acadêmico. “Eu tenho certeza que meus alunos têm a oportunidade de trabalhar, conhecer e vivenciar a ciência de verdade. A gente só alavanca um país com ciência, tecnologia e inovação”.
Márcio de Araújo Pereira, diretor-presidente da Fundect, ressalta que a ideia do Pictec é justamente formar uma nova geração de pesquisadores e despertar o gosto pela pesquisa. "Queremos que haja mais crianças e adolescentes como estes, com oportunidades, desenvolvendo projetos conectados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) preconizados pela ONU. Por isso, estamos criando um programa de acompanhamento de jovens talentos cientistas em Mato Grosso do Sul. O bolsista do Pictec será incentivado para continuar a fazer pesquisa na graduação, no mestrado, no doutorado e pós-doutorado", destaca.
Produtos produzidos pelos alunos
Pensando no futuro
Quando questionados sobre os próximos passos, a resposta da equipe foi unânime: “Queremos mais do que o projeto!”.
Conforme Daniely, as ações da Curie estão progredindo positivamente, recebendo grande adesão e interesse da comunidade escolar Teotônio Vilela. O próximo debate está relacionado ao que construir a partir da Curie Cosmetologia Natural.
“O projeto está avançando tão bem por ser algo que estimula o empreendedorismo de cada um. Futuramente pretendemos submetê-lo a outro programa da Fundect, o Centelha que ajuda as startups. Porque não uma pequena empresa ou incubadora dentro da escola? Trabalhar ideias inovadoras é nosso principal foco. Que possamos promover também o setor de comércio, tornando possível a inserção da comunidade local em um mercado que está em franca expansão, como é o caso da indústria da beleza”, destaca a professora.
Pictec
O Pictec (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica do Estado de Mato Grosso do Sul) é um programa da Fundect que oferece bolsas de Iniciação Científica a alunos do Ensino Médio de escolas públicas municipais, estaduais e federais. A ideia é estimular o aprendizado do método científico e de outros conceitos fundamentais para a produção de ciência e tecnologia que gerem transformação social.
A terceira edição do programa, de 2023, está com processo de seleção em fase final. Das 395 propostas submetidas, 359 já foram enquadradas e seguiram para a segunda fase que compreende a análise de mérito e relevância dos projetos.
A divulgação da lista preliminar das propostas recomendadas está prevista para esta sexta-feira, 18 de agosto.
Ao final de todo o processo, os professores que tiverem o projeto aprovado vão receber uma bolsa de R$ 800 mensais e poderão orientar até quatro estudantes da mesma escola, com bolsa de R$ 400 mensais, por 12 meses.
Projeto do grupo tem o financiamento da Fundect
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Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos...
3 de junho de 2026
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos dependentes de programas sociais e os índicesde extrema pobreza aparecem em queda.
O Mais Social é um programa social estruturante da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humano (Sead), que oferece segurança alimentar e nutricional e um dos responsáveis pela mudança de vida dos beneficários.
Entre as 27,6 mil pessoas que devolveram o cartão do mais social por não precisarem mais do auxílio está Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, que entrou no programa em 2018.
Depois de perder o emprego e passar a trabalhar em casa como barbeiro, a renda obtida por Marcos Gabriel não era suficiente para sustentar a família de sete pessoas, composta por sua esposa, os quatro filhos e a sogra.
Com o auxílio ele pôde manter até conseguir melhorar a condição da família. Atualmente ele é vigilante em uma entidade sindical rural e os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos ajudam em casa, de modo que a renda agora é suficiente para garantir dignidade à família, sem necessidade do programa.
“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”.
O programa ainda oferece para mães solos um outro auxílio do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, com o adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias, para que essas mulheres possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado durante o horário de serviço delas.
O benefício extra é mediante a comprovação de vínculo empregatício das mães ou de recolhimento previdenciário. Além disso, as mulheres beneficiadas que decidem frequentar ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem outro adicional de R$ 300 por mês, como incentivo.
Qualidade de vida
Além do Mais Social, outros programas garantem oportunidades de mudança de vida por meio do estudo e trabalho, como o MS Supera, que oferece bolsa de um salário mínimo mensal a estudantes de baixa renda cursantes de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas e privadas.
Assim como o MS Supera e o Mais Social, o Cadastro Único também demonstra a redução vulnerabilidade no Estado. Os registros do CadÚnico dentro do período de março de 2024 a março deste ano, teve a retirada de 44.604 pessoas do banco de dados devido a mudaça de vida para melhor.
Conforme o IBGE, a proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,7% em Mato Grosso do Sul, no período de dois anos, passando de 2,75 para 1,6%, colocando o estado como 3º menor índice de extrema pobreza do país e com 34 mil famílias fora da condição de insegurança alimentar.
Os programas sociais são parte de parcerias entre as secretarias do Estado, que garantem que a função de incentivo à educação e qualificação profissional seja mantida, para que os beneficiários aproveitem as oportunidades para melhorarem de vida.
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Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite...
3 de junho de 2026
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite de terça-feira (2).
Segundo informações registradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, os pais perceberam o desaparecimento da criança enquanto realizavam atividades dentro de casa. O pai havia saído do banho e estava na sala, enquanto a mãe terminava de preparar o jantar na cozinha.
Em determinado momento, a mãe perguntou ao pai se ele estava com o menino. Ao responder que não, os dois passaram a procurar a criança e a encontraram submersa na piscina, no quintal da residência.
A vítima foi socorrida imediatamente pelos próprios pais e levada ao Hospital Regional de Campo Grande.
De acordo com o médico que atendeu a ocorrência, a avaliação inicial indica que a criança pode ter permanecido submersa por cerca de 10 minutos. O menino foi colocado em coma induzido e segue internado sob observação.
A Polícia Militar foi acionada e esteve na residência, mas encontrou o imóvel fechado, já que os pais permaneciam no hospital acompanhando o filho. Uma vizinha, que acionou o socorro, confirmou aos policiais a versão apresentada pela família.
O médico informou ainda que não foram encontrados sinais de maus-tratos e que, até o momento, o caso é tratado como um acidente doméstico.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), que acompanhará o caso. Até o fechamento do boletim, não havia atualização sobre o estado de saúde da criança.
G1 MS