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Onde a Dor Encontra Acolhimento: Coordenadora do CAPS de Coxim em uma entrevista emocionante

Mesmo nos dias mais escuros, é possível encontrar luz e, às vezes, tudo começa com um primeiro passo: o de pedir ajuda." - Célia Regina - Coordenadora do CAPS Coxim

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18 de abril de 2025

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Glenda Melo / Diário do Estado

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Nossa entrevistada da semana é a coordenadora de um dos órgãos mais importantes quando se trata de saúde mental. Célia Regina de Almeida Silva, 57 anos, casada, formada em Assistência Social, pós-graduada em Gestão de Saúde pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, está há 13 anos à frente do CAPS de Coxim. Vamos conversar com ela um pouco sobre os serviços oferecidos, as conquistas e desafios neste lugar tão importante e acolhedor para as pessoas que precisam.

Diário do Estado: Desde já agradeço, Célia, por me receber para contar um pouco do trabalho brilhante e heróico que o CAPS tem feito em Coxim. Gostaria que você falasse um pouco, para quem não conhece, o que é o CAPS?
Célia: CAPS é a sigla para Centro de Atenção Psicossocial, um serviço de saúde mental comunitário e gratuito que oferece tratamento e reinserção social.

Diário do Estado: Quais pessoas são atendidas no CAPS, Célia?
Célia
: Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) atendem pessoas com sofrimento mental grave, incluindo transtornos mentais persistentes e uso de drogas.
São atendidos:

• Crianças e adolescentes com sofrimento psíquico intenso
• Pessoas com transtornos mentais graves e persistentes
• Pessoas com sofrimento ou transtorno mental em geral
• Pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas
• Pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo uso de drogas que alteram a mente e o humor

Diário do Estado: Como essas pessoas chegam ao CAPS, Célia?
Célia
: As pessoas podem chegar aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) por demanda espontânea, encaminhamento ou em situações de emergência.
Por demanda espontânea, as pessoas comparecem diretamente ao CAPS, sem necessidade de agendamento prévio.
Por encaminhamento, a pessoa é encaminhada por uma unidade de atenção primária ou especializada, como uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
A pessoa também pode ser encaminhada por outros dispositivos da rede de saúde ou da rede intersetorial, como Assistência Social, Educação ou Justiça.

Diário do Estado: E quando essa pessoa chega ao CAPS, qual é o primeiro atendimento feito pela equipe?
Célia
: O acolhimento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o primeiro atendimento. É uma intervenção que acolhe a pessoa no momento em que ela precisa, sem agendamento prévio. O acolhimento é a porta de entrada para o tratamento no CAPS. Ele é realizado pelos profissionais de nível superior: terapeuta ocupacional, enfermeira e psicólogo.

Diário do Estado: Por quais profissionais a pessoa é atendida após o acolhimento?
Célia
: Pela nossa médica especialista em psiquiatria, Dra. Ane. E, caso ela sinta necessidade de acompanhamento psicológico, faz o encaminhamento para o nosso Dr. Renan Maia. Os dois então dão sequência no acompanhamento.

Diário do Estado: Quantos veículos o CAPS possui para atender os usuários?
Célia
: Um veículo, Glenda, que infelizmente é insuficiente para atender à nossa demanda.

Diário do Estado: Falando em demanda, Célia, você tem os números de atendimentos feitos por mês por vocês?
Célia: Sim, atendemos em média 972 pessoas por mês. É um fluxo muito grande de pessoas com transtornos em Coxim.

Diário do Estado: Como vocês fazem para atender essa demanda tão grande de 970 pessoas por mês com apenas uma psiquiatra e um psicólogo?
Célia
: Olha, Glenda, acho que o principal nessa sua pergunta, a resposta seja o amor. O amor desses profissionais por essas pessoas tão frágeis que entram aqui, todas destruídas pela dor, sofrimento, cansaço de uma vida cheia de dificuldades, abandonos, traumas... É só muito amor pela profissão, sobretudo da Dra. Ane e do Dr. Renan, pois são eles que ficam com a maior demanda. E jamais nenhum paciente foi atendido por eles de maneira ríspida ou sem qualidade no atendimento. Eles são heróis, incansáveis na missão de cuidar do próximo com amor e respeito.

Diário do Estado: Quais os tratamentos oferecidos no CAPS de Coxim?
Célia
: Os pacientes que fazem tratamento no CAPS recebem os seguintes tratamentos:
• Auriculoterapia, que é uma técnica de medicina alternativa que estimula pontos específicos da orelha para tratar problemas físicos, mentais e emocionais. É uma especialidade da acupuntura e parte da Medicina Tradicional Chinesa.
• Cromoterapia, uma terapia complementar que usa cores para promover o equilíbrio físico, emocional e energético. A prática baseia-se na crença de que cada cor tem uma vibração específica que influencia o corpo.
• Oferecemos também psicoterapia em grupo e individual, oficinas terapêuticas, temos as PICS (Práticas Integrativas e Complementares), que são modalidades novas no SUS.
• Temos também as oficinas com argila.

Diário do Estado: E quais as maiores buscas por atendimento?
Célia
: Depressão, ansiedade e transtorno de bipolaridade são os de maior demanda. Ultimamente, têm aparecido casos de ansiedade devido aos jogos de aposta, como “tigrinho” e outros mais. As pessoas chegam até aqui aparentemente com crise de ansiedade e depressão, e quando os médicos começam o tratamento e investigação, muitos pacientes falam que estão endividados por conta desses jogos. Muitos deles desencadeiam ansiedade se ficarem muito tempo sem jogar, é como se fosse uma abstinência por drogas e álcool. O jogo também acaba se tornando um vício, se em excesso e sem controle e limites.

Diário do Estado: Para você, o que precisa ser feito para uma melhoria como um todo nos atendimentos desses usuários?
Célia
: Que a atenção primária seja vista com mais carinho, Glenda. O fortalecimento da atenção primária é essencial para que o CAPS não sofra com essa sobrecarga. Em conversa recente que tive com a secretária municipal de Saúde de Coxim, Fernanda Berigo, coloquei para ela a necessidade da reabertura do ambulatório psiquiátrico que funcionava na policlínica e infelizmente foi fechado. Também existe a necessidade da criação de uma ala no Hospital Regional de Coxim para pessoas com transtornos e problemas mentais. Nós, do CAPS, não temos estrutura para atender essas pessoas, pois muitas precisam tomar medicação na veia e serem internadas em caso de um surto. Então, como só temos o Hospital Regional, é para lá que encaminhamos as pessoas que precisam. Não podemos deixar essas pessoas na rua em surto ou em crise. Elas são pessoas, vidas, têm direito a um atendimento humano e respeitoso em qualquer lugar. E, caso alguém veja alguém nas ruas em surto ou crise, é só ligar para o SAMU (192) ou para o Bombeiro (193). O que não podemos fazer é banalizar a importância de uma vida.

Diário do Estado: A depressão e os casos de suicídio recentes na cidade continuam sendo uma preocupação para vocês aqui no CAPS?
Célia
: Sim, a depressão e os casos de suicídio continuam sendo uma grande preocupação para nós aqui no CAPS de Coxim. Temos observado que esses transtornos vêm afetando pessoas de diferentes faixas etárias, e isso reforça a importância de mantermos um olhar atento e acolhedor à saúde mental da população. Nosso trabalho é voltado justamente para oferecer suporte psicológico, acompanhamento psiquiátrico e atividades terapêuticas que promovam a recuperação e o fortalecimento emocional dos nossos usuários. Também buscamos ampliar o diálogo com a comunidade para quebrar o estigma em torno da saúde mental, incentivando que as pessoas procurem ajuda o quanto antes. É fundamental que todos entendam que depressão tem tratamento e que a vida pode, sim, voltar a ter sentido.

Diário do Estado: Com o uso excessivo de celular e redes sociais, os números de atendimentos aumentaram aqui no CAPS?
Célia
: Sim, temos percebido um aumento na demanda por atendimentos, e o uso excessivo de celulares e redes sociais tem sido, sim, um dos fatores que influenciam esse cenário. Muitos pacientes, principalmente os mais jovens, chegam até nós apresentando sintomas como ansiedade, baixa autoestima, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e até quadros depressivos, que muitas vezes estão ligados ao uso intenso dessas plataformas. A comparação constante com padrões irreais, a exposição a conteúdos negativos e a dificuldade de estabelecer relações presenciais saudáveis podem agravar o sofrimento psíquico. No CAPS, trabalhamos para acolher essas pessoas e ajudá-las a desenvolver um uso mais consciente da tecnologia, além de fortalecer vínculos humanos e estratégias de enfrentamento mais saudáveis.

Diário do Estado: Pela rotina que você vê todos os dias aqui, você acredita que os transtornos mentais sejam o mal do século?
Célia
: Sim, pela rotina que vivenciamos diariamente aqui no CAPS, é possível dizer que os transtornos mentais estão entre os grandes males do século. A gente percebe um aumento significativo nos casos de ansiedade, depressão, síndrome do pânico, entre outros quadros que afetam profundamente a qualidade de vida das pessoas. Vivemos em um mundo acelerado, com muitas pressões sociais, emocionais e econômicas, e isso tem refletido diretamente na saúde mental da população. Além disso, ainda enfrentamos muito preconceito e desinformação sobre esses transtornos, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico e o início do tratamento. Por isso, reforçamos sempre a importância de falar sobre saúde mental com responsabilidade, acolhimento e acesso a serviços como o CAPS, que está aqui justamente para cuidar e oferecer suporte a quem precisa.

Diário do Estado: O que você quer dizer para as pessoas que estão passando por essas dores interiores em silêncio?
Célia
: Eu diria que, por mais difícil que pareça agora, você não está sozinho. A dor que você sente é real e merece ser ouvida, acolhida e tratada com respeito. A depressão, a ansiedade ou qualquer outro sofrimento emocional não são fraquezas, são sinais de que algo dentro de você precisa de cuidado. Procure ajuda, fale com alguém de confiança e, se possível, busque um serviço de saúde mental como o CAPS. Existe tratamento, existe caminho, e existe vida depois da dor. Mesmo nos dias mais escuros, é possível encontrar luz e, às vezes, tudo começa com um primeiro passo: o de pedir ajuda.

Diário do Estado: Suas considerações finais, por favor, Célia.
Célia
: Gostaria de agradecer ao Jornal Diário do Estado e a você, Glenda, pelo espaço dedicado à saúde mental e por nos permitir falar sobre o trabalho do CAPS. Essa visibilidade é fundamental para que a população conheça os serviços que estão à disposição e compreenda que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. O CAPS é um espaço de acolhimento, escuta e reconstrução, onde cada pessoa é tratada com dignidade e respeito. Reforçamos que buscar ajuda é um ato de coragem e que estamos aqui para caminhar ao lado de quem precisa. Falar sobre saúde mental salva vidas, e esse tipo de diálogo é essencial para quebrarmos estigmas e construirmos uma sociedade mais humana e consciente. Não tenha vergonha, estamos aqui para ajudar.
Para entrar em contato com o CAPS de Coxim, o telefone é (67) 3291-4052 e o endereço é Rua Afonso da Costa Campos, bairro Senhor Divino. (Glenda Melo - Diário do Estado)

Entrevista

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem confeiteiro que está conquistando Coxim

Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

10 de outubro de 2025

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

 

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Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração 

Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel:
Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.

Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel:
Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer  eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.

Diário do Estado:  Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.

Diário do Estado:  Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel:
Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.

Diário do Estado:  Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel:
O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.

Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel:
Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.

Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel:
Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.

Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel:
O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.

Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel:
Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.

Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel:
Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.

Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel:
Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.

Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel:
No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.

Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel:
Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.

Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel:
Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.

Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.

Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel:
Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.

Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel:
Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.

Diário do Estado:  Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel:
Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.

Diário do Estado:  Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel:
Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.

Diário do Estado:  Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel:
Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.

Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel:
O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.

Diário do Estado:  Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel:
Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.

Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel:
Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais  @Vicktor_emanuell


 

Entrevista

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre desafios, conquistas e futuro da rede educacional

Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

5 de setembro de 2025

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

 

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À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.

Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly:
Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.

Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly:
Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.

Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly:
Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.

Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly:
Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.

Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly:
Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly:
O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.

Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly:
Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.

Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly:
As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.

Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly:
Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.

Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly:
Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.

Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly:
Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.

Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly:
É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.

Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly:
Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.

Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly:
Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly:
Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.

Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly:
Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.

Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly:
Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.

Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly:
Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.

Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly:
Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.

Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly:
O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.

Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly:
Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.

Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly:
• Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.

Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly:
A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.

Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly:
Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.

Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly:
Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.