quinta, 04 de junho, 2026
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NOSSA ENTREVISTADA DA SEMANA é uma defensora ferrenha da educação pública, amante da simplicidade, professora querida por seus alunos, mesmo estando fora da sala de aula. Avó apaixonada, amante da natureza e de estar com as mãos na terra, plantando e colhendo. Esposa dedicada, que, junto do seu Severino, construiu família e raízes coxinenses. Durante o triste período da pandemia, conheceu seu lado escritora e se viu diante de mais um desafio em sua vida: aprender e tirar proveito do isolamento. Daí então nasce a obra "Crônicas de uma professora em tempos de pandemia". Nossa conversa desta semana será com a professora e escritora Maria Leuda, 60 anos, casada, mãe de Letícia e Natália, avó de Maitê, Alice e Maria. Vamos conhecer um pouco dessa mulher que não foge de suas lutas.
Jornal Diário do Estado: Leuda, vamos começar falando sobre sua história na educação. Como foi a escolha dessa profissão?
Maria Leuda: Glenda, desde que me entendi por gente, quis ser professora. Era meu sonho desde criança. Ao crescer, isso não mudou, mas meu pai era radicalmente contra. Ele dizia que era uma profissão sem futuro, que as mulheres que escolhiam essa profissão não eram de boa índole. Um pensamento extremamente machista, mas que era comum em muitas famílias naquela época.
Jornal Diário do Estado: E como foi que você dobrou seu pai e seguiu seu sonho na educação?
Maria Leuda: Não dobrei. Fiz o magistério contra a vontade dele. Me formei em 1983, mas ele não foi à minha formatura. Para ele, era uma afronta o que eu havia feito, em prosseguir em um curso que ele não aprovava. Mas fiz, me realizei na minha escolha e nunca me arrependi.
Jornal Diário do Estado: Após formada, o que aconteceu depois?
Maria Leuda: Fiz o concurso e passei em primeiro lugar na época. Foi quando minha caminhada na educação começou de fato.
Jornal Diário do Estado: Qual foi a primeira escola onde você lecionou em Coxim?
Maria Leuda: Foi a escola Clarice Rondon dos Santos. Lá permaneci por 3 anos. Foi meu encontro de fato com as rotinas de uma escola, os prazeres e dificuldades que a educação apresentava.
Jornal Diário do Estado: A educação te moldou em que sentido na vida?
Maria Leuda: Venho de uma longa linhagem de mulheres aguerridas, que não têm medo de nada. As mulheres da minha família sempre foram o arrimo, a base, a força. Na educação, acredito que também exista isso. Só segue na educação quem tem o chamado, e se você não tiver muita paixão pela educação e por ensinar, você não continua.
Jornal Diário do Estado: Formada e já exercendo o magistério, você então conheceu seu marido, Severino, e começou a construir sua família. Como foi conciliar escolas e vida familiar?
Maria Leuda: Eu trabalhava 3 períodos, Glenda. Não era fácil, era muito difícil mesmo. Severino e eu namoramos por 5 anos antes de casarmos, e eu sabia que ele seria um grande parceiro de vida. Não poderia ter escolhido melhor. Como eu havia escolhido muito bem meu parceiro de jornada, ele e eu dividíamos os afazeres em casa e com as crianças.
Jornal Diário do Estado: Você é mãe de duas mulheres, ambas casadas e da área da saúde. Você acha que, pelo fato de suas filhas terem acompanhado muito de perto sua luta, isso as ajudou nas escolhas de suas vidas?
Maria Leuda: Olha, eu tenho certeza disso. Letícia é médica, Natália é dentista. As duas foram alunas de escolas públicas e, através de mim, descobriram o valor da escola pública e que, ao contrário do que falam, a educação pública está em total nível de qualidade de ensino que as escolas privadas. Minhas filhas são crias do ensino público, estão felizes com suas escolhas, não por intermédio do pai ou meu. Hoje elas são profissionais competentes graças aos seus esforços e à qualidade do ensino público.
Jornal Diário do Estado: Falando do ensino público, o que você, como educadora, vê de mudança desde o ano em que você se formou até hoje, mais de 30 anos depois?
Maria Leuda: Inúmeras coisas. Apesar da catástrofe que assolou o Brasil nos anos de 2018 até 2022, quando vimos a educação sendo tratada com tanto desdém pelo presidente Bolsonaro, com a educação sendo sucateada, um retrocesso total, hoje vemos uma reconstrução sendo feita. As políticas públicas criadas para o fortalecimento da educação prometem colocar a educação no patamar de respeito que ela merece.
Jornal Diário do Estado: Após se aposentar, Leuda, como foi a realidade de não estar mais nas salas de aula?
Maria Leuda: Eu sempre amei lecionar, estar junto dos meus alunos, ensinar e também aprender com eles. Mas eu sentia a necessidade de descansar, e a sensação de dever cumprido eu já estava sentindo. Portanto, estava pronta para descansar.
Jornal Diário do Estado: E como foi a nova rotina?
Maria Leuda: A Leuda que passou a cuidar mais de casa, cozinhar, e ir para a fazenda de mudança nasceu. Já era da vontade do marido a ida definitiva para a fazenda. Quando a aposentadoria chegou, nos mudamos para lá e foi lá que descobri o verdadeiro significado da palavra "paz".
Jornal Diário do Estado: O que você passou a fazer na fazenda que não fazia na cidade?
Maria Leuda: Acordar um pouco mais tarde, plantar frutas, verduras e legumes. Fizemos nosso pomar, nossa hortinha, começamos a criar alguns animais, tudo para nosso consumo mesmo. Foi então que eu descobri esse prazer pela vida no campo. Eu ajudava meu marido com as cercas e outros serviços, porque na roça também tem muito trabalho, viu? Tudo precisa de cuidado, plantas e animais, mas a terra é gentil e nos devolve todos os cuidados. É cansativo, mas prazeroso.
Jornal Diário do Estado: E foi na fazenda que nasceu a ideia de escrever seu livro?
Maria Leuda: Sim, estávamos na pandemia, no auge da pandemia. Visitas foram proibidas, reuniões entre amigos e familiares, todos nós tivemos que nos isolar de fato. Como estávamos na fazenda, de certa forma já estávamos isolados. Éramos só eu, Severino, o rio, a mata e os animais. Então eu passei a prestar mais atenção nos bichos, na minha rotina, e comecei a pensar que tudo aquilo poderia se tornar um registro. A partir desses registros, eu poderia fazer algumas crônicas de maneira lúdica, usando tudo que eu tinha ali como fonte de inspiração.
Jornal Diário do Estado: Quanto tempo levou para escrever?
Maria Leuda: Escrevi por 2 anos, e conforme as coisas iam aparecendo, eu começava a publicar no meu Facebook. As pessoas começaram a gostar das histórias e comentar para que eu transformasse tudo em um livro. Foi assim que o livro nasceu.
Jornal Diário do Estado: O livro se chama Crônicas de uma Professora em Tempos de Pandemia. Por que esse título?
Maria Leuda: Exatamente porque era o momento que estávamos vivendo, a pandemia que nos afastou dos nossos, que nos deixou isolados. Achei que esse tema seria o mais pertinente.
Jornal Diário do Estado: Quantas crônicas você escreveu nesses 2 anos?
Maria Leuda: 60.
Jornal Diário do Estado: Você se surpreendeu com a resposta dos leitores sobre seu livro?
Maria Leuda: Sim, bastante. Foi tudo muito positivo. Recebi muitas mensagens de parabéns, pessoas dizendo que tal texto remetia à sua vida, à sua experiência, que alguns textos haviam tocado profundamente as pessoas. Foi bastante emocionante receber os relatos de quem havia lido o livro.
Jornal Diário do Estado: Suas inspirações para escrever, quais eram?
Maria Leuda: Tudo. Natureza, rio, animais, rotina cuidando da fazenda... tudo, de alguma forma, virou história. Talvez por isso as pessoas que leram se identificaram tanto, porque foi tudo muito casual, muito simples, com assuntos do nosso dia a dia.
Jornal Diário do Estado: Você pensa em escrever outro livro?
Maria Leuda: Sim, mas não para agora. Hoje estou me desdobrando na missão de avó e vivo na estrada. Estou me dedicando 100% ao meu mais novo e principal papel, o de ser avó.
Jornal Diário do Estado: Com toda sua história na educação, existe algo que você veja hoje e que te incomode bastante?
Maria Leuda: Ah sim, Glenda. Vejo alguns colegas de profissão que estão em escolas públicas trabalhando, sabem da qualidade do nosso ensino, e colocam seus filhos para estudarem na rede privada. Isso pode até ser uma coisa boba, mas acho um desmerecimento do nosso ensino público. Eu, além de tudo, fiz parte do sindicato dos professores em Coxim. Então, para mim, um profissional da educação que está em sala de aula, sabe o quanto as escolas públicas são de qualidade, e mesmo assim coloca seus filhos em escolas particulares, isso não faz sentido.
Jornal Diário do Estado: E hoje, quais seus projetos?
Maria Leuda: O mais importante de todos os tempos, me mudar de Coxim para poder ficar mais perto das minhas filhas e minhas netas e acabar com essa canseira que é viver na estrada, já estamos nos organizando para isso.
Jornal Diário do Estado: Ser avó hoje é seu maior projeto?
Maria Leuda: Sim, quero dedicar meu resto de vida para minhas netas.
Jornal Diário do Estado: Leuda, agora é hora do nosso bate-bola, ok?
Maria Leuda: Vamos lá.
Jornal Diário do Estado: Uma cor?
Maria Leuda: Azul.
Jornal Diário do Estado: Uma comida?
Maria Leuda: Churrasco.
Jornal Diário do Estado: Um cheiro?
Maria Leuda: Das minhas netas.
Jornal Diário do Estado: Uma tristeza?
Maria Leuda: A distância.
Jornal Diário do Estado: Uma alegria?
Maria Leuda: Ser avó.
Jornal Diário do Estado: Uma decepção?
Maria Leuda: Alguma coisa que eu não consiga fazer.
Jornal Diário do Estado: Um dia perfeito é?
Maria Leuda: Junto das minhas filhas e das minhas netas.
Jornal Diário do Estado: Um lugar?
Maria Leuda: Petrolina.
Jornal Diário do Estado: O que você acha desprezível?
Maria Leuda: Falsidade.
Jornal Diário do Estado: Uma palavra?
Maria Leuda: Fé.
Maria Leuda: Um amor?
Maria Leuda: Meu marido Severino.
Jornal Diário do Estado: Leuda, gostaríamos que você nos deixasse suas considerações finais.
Maria Leuda: Gostaria de agradecer a grande oportunidade de poder falar um pouco da minha história e da minha vida na educação, nessa caminhada tão gratificante que Deus me proporcionou até aqui. Obrigada a toda família do Diário do Estado pelo lindo convite, foi um grande prazer. Muito obrigada e que Deus nos abençoe sempre.
Entrevista
Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.
10 de outubro de 2025
Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração
Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel: Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.
Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel: Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.
Diário do Estado: Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel: Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.
Diário do Estado: Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel: Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.
Diário do Estado: Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel: O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.
Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel: Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.
Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel: Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.
Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel: O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.
Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel: Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.
Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel: Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.
Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel: Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.
Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel: No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.
Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel: Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.
Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel: Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.
Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel: Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.
Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel: Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.
Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel: Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.
Diário do Estado: Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel: Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.
Diário do Estado: Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel: Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.
Diário do Estado: Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel: Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.
Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel: O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.
Diário do Estado: Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel: Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.
Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel: Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais @Vicktor_emanuell



Entrevista
Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.
5 de setembro de 2025
À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.
Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly: Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.
Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly: Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.
Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly: Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.
Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly: Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.
Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly: Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly: O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.
Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly: Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.
Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly: As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.
Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly: Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.
Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly: Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.
Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly: Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.
Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly: É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.
Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly: Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.
Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly: Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly: Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.
Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly: Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.
Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly: Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.
Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly: Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.
Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly: Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.
Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly: O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.
Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly: Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.
Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly: • Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.
Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly: A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.
Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly: Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.
Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly: Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.