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Mayara Duarte: a voz suave que acolhe as dores silenciadas

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4 de julho de 2025

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Glenda Melo

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Por trás de um olhar sereno e palavras que curam, vive uma mulher que fez do acolhimento sua missão. A entrevistada da semana do Diário do Estado é alguém que não apenas escutou os gritos calados das vítimas de violência doméstica ela escolheu estar ao lado delas, todos os dias, com coragem, técnica e empatia. Seu nome é Mayara Christine Duarte, psicóloga social, escritora, pesquisadora e, sobretudo, mulher em movimento.

Nascida em Cuiabá, Mato Grosso, Mayara tem 32 anos e há uma década construiu raízes em Coxim, no norte de Mato Grosso do Sul. É mãe de Dasthan, de 7 anos, e da pequena Sarah, recém-nascida seus dois maiores amores e fontes diárias de força. Com uma formação sólida e admirável, Mayara é mestra em Estudos de Culturas Contemporâneas pela UFMT, com múltiplas especializações em áreas como Psicologia Hospitalar, Filosofia, Sociologia, Serviço Social e Políticas Públicas em Saúde. Mas mais do que títulos, sua atuação carrega propósito.

Concursada no Município de Coxim, ela atua como psicóloga social à frente do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), sendo peça fundamental na Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Também ocupa espaços de decisão: é conselheira titular do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso do Sul (CEDM/MS) e do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Coxim, indicada pelo Conselho Regional de Psicologia.

Mayara é, ainda, autora de livros e artigos acadêmicos que abordam temas urgentes como violência contra a mulher, transexualidade, saúde pública e tessituras sociais. Sua escrita nasce da escuta cotidiana, do chão da realidade e da esperança que persiste mesmo em contextos de dor.
Sua trajetória é marcada por um compromisso inegociável: dar voz às mulheres que foram silenciadas pela violência, oferecendo não só escuta e acolhimento, mas também estratégias para que possam reconstruir suas vidas com dignidade.

Nesta edição especial, o Diário do Estado mergulha na história de quem transformou a dor do outro em causa pessoal, de quem carrega ciência nas mãos e empatia no coração. Uma mulher que, sem fazer alarde, muda o mundo um atendimento por vez.


Diário do Estado: O que te motivou a escolher a Psicologia como profissão e, mais especificamente, a atuar com mulheres vítimas de violência?
Mayara:
Minha primeira paixão foi a Filosofia, inclusive foi minha primeira graduação. Comecei ainda muito jovem, com 16, 17 anos, e essa base filosófica sempre me acompanhou. A Psicologia veio junto com esse senso questionador e sensível. E eu, nunca pensei, inicialmente, em atuar diretamente com mulheres vítimas de violência. Mas sempre acreditei que a Psicologia poderia ser uma ferramenta de transformação social. Hoje, eu atuo como psicóloga social e entendo que é nesse entrelaçamento entre teoria, prática e compromisso que eu posso promover mudanças reais, ao menos tento.

Diário do Estado: Como foi o seu primeiro atendimento nesse contexto e de que forma ele impactou sua trajetória profissional?
Mayara:
Foi ainda no início da minha atuação, quando passei a lidar com diversas demandas envolvendo violações de direitos , e a violência doméstica estava lá. Entendi ali que a violência é apenas uma das violações de direitos dentro de um contexto social mais amplo. O sofrimento não é isolado,  é atravessado por questões econômicas, familiares, institucionais, culturais. 

Diário do Estado: Em que momento da sua carreira você percebeu que era preciso olhar com mais profundidade para o sofrimento psíquico das mulheres vítimas de violência?
Mayara:
Acho que desde que me reconheci como mulher,  percebi que nós, mulheres, somos bombardeadas por violências sutis no dia a dia. Esse entendimento não surgiu apenas da prática profissional, mas da vida mesmo. Vendo todas as mulheres que cruzaram o meu caminho, minhas familiares, minhas amigas e com os relatos que chegavam até mim nos atendimentos, ficava claro que era necessário olhar com profundidade, com escuta e com política.  Estudar sobre isso também me levou a aprofundar essa reflexão, especialmente ao pesquisar o sofrimento psíquico de mulheres transexuais e travestis vítimas de violência doméstica,  um recorte ainda mais invisibilizado.

Diário do Estado: Quais são os impactos psicológicos mais comuns causados pela violência doméstica e de gênero?
Mayara:
A violência compromete profundamente a autoestima, o senso de identidade e a autonomia. Alem de muitos quadros de depressão, ansiedade e trauma são consequências . Mas talvez o impacto mais cruel seja o silenciamento, silenciamento no sentindo do apagamento mesmo, como pessoa sabe ? Quando a mulher acredita que perde essa possibilidade de se reconhecer como sujeito de sua história.

Diário do Estado: De que forma o medo e a vergonha influenciam a decisão de uma mulher buscar ajuda?
Mayara:
Muitas mulheres não denunciam por medo da impunidade ou vergonha de serem desacreditadas. E esse medo não é infundado não, não posso ser hipócrita, o sistema muitas vezes, falha. Inumeras me deparei com situações em que a rede não funcionou como deveria, e pra mim, a vergonha, nesse caso, não é da mulher. É do sistema que não a acolhe.

Diário do Estado: Como a violência emocional e psicológica pode ser tão ou mais devastadora que a física?
Mayara:
Porque ela age em silêncio, ela corrói a mulher por dentro, destroi sua confiança. É uma violência que aprisiona, mesmo sem deixar marcas visíveis. E justamente por não ser facilmente reconhecida, acaba sendo ainda mais perigosa e duradoura.

Diário do Estado: Existem traços em comum entre as mulheres que você atende ou cada caso revela uma realidade totalmente distinta?
Mayara:
Não existe um perfil de vítima, o que existe é um sistema machista que atravessa todas nós, inclusive mulheres viu? As histórias são distintas e diferentes, mas o padrão da violência se repete. A forma como ela é construída e aceita socialmente ainda é muito semelhante em diferentes contextos, sendo com mulheres mais ricas, menos vulneráveis financeiramente, parda, preta, indígena, nenhuma de nós sai ilesa.

Diário do Estado: Qual é o papel da família e da rede de apoio no processo de superação da violência?
Mayara:
É fundamental, nenhuma mulher deveria enfrentar esse processo sozinha. Uma rede de apoio empática, que acredita e acolhe, pode ser o ponto de virada na vida de alguém, não só em caso de violência domestica. Mas muitas vezes, infelizmente, a própria família é conivente ou silencia, o que torna tudo ainda mais difícil.

Diário do Estado: Coxim e a região norte de MS oferecem estrutura suficiente para acolher e proteger essas mulheres?
Mayara:
O Estado conta com uma rede de enfrentamento à violência, com serviços distribuídos pelos municípios, mas a forma como essa rede funciona na prática varia muito. Ao longo desses 10 anos que estou em Coxim, posso afirmar que estrutura existe, mas precisa ser fortalecida e melhor gerida. Eu falo de formação adequada, articulação entre setores e, principalmente, sensibilidade por parte de alguns profissionais.

Diário do Estado: Como você avalia a atuação da rede pública de saúde, segurança e assistência social nesse enfrentamento?
Mayara:
Existe um movimento de esforço institucional, mas muitas vezes ele esbarra no despreparo ou na insensibilidade de quem está na linha de frente. Não basta ter políticas públicas no papel, é preciso que elas funcionem de forma integrada, com escuta ativa e respeito. Enquanto isso não acontecer, vamos continuar vendo o sistema falhar com quem mais precisa, infelizmente.

Diário do Estado: Quais são os maiores desafios emocionais e profissionais que você enfrenta nesse tipo de atendimento?
Mayara:
Um dos maiores desafios é me manter no lugar técnico diante de histórias que me atravessam como mulher, como mãe, como cidadã. A linha entre o pessoal e o profissional, às vezes, é muito fina. Mas é também esse atravessamento que dá sentido ao que faço, e que me move a continuar.

Diário do Estado: Já houve momentos em que você sentiu que não ia conseguir ajudar ou que o sistema falhou? Como lidou com isso?
Mayara:
Claro, e isso não é raro. Um dos casos que envolveu mulher transexual e vítima de violência, virou tema da minha dissertação do mestrado. Nesses casos, por exemplo, o sistema falha de forma ainda mais brutal. Se já é difícil para uma mulher cis e heteronormativa, considerada mulher ideal ser acolhida, imagine para aquelas que nem são reconhecidas como mulheres pela sociedade? Foi doloroso, mas também decisivo para minha atuação e produção acadêmica.

Diário do Estado: Como manter o equilíbrio emocional diante de tantas histórias marcadas por dor e trauma?
Mayara:
Cada história que passa por mim deixa um pouco de si e leva um pouco de mim. E, apesar da dor, isso também é força. Saber que, de alguma forma, contribuí para que uma mulher reconquistasse liberdade e dignidade me faz tão bem quanto faz a ela. Muitas me procuram depois nas ruas, no mercado, nas redes, para agradecer ou para indicar a outras mulheres. Isso reforça que estamos no caminho certo, uma ajudando a outra.

Diário do Estado: Como a sociedade pode atuar de forma mais eficaz na prevenção da violência contra a mulher?
Mayara:
Com informação. Defendo que a melhor forma de prevenção é o conhecimento desde cedo. Precisamos falar sobre isso nas escolas, com crianças e adolescentes, e também dentro de casa. Incentivar nossos filhos e filhas a pesquisar, a se posicionar, a respeitar. Entender que a violência contra a mulher não é um problema individual, é um fenômeno social.

Diário do Estado: Qual o papel das escolas e das famílias na desconstrução de padrões que perpetuam o machismo e o abuso?
Mayara:
É o mesmo da resposta anterior, e é ainda mais urgente. A escola forma pensamento, a família forma afetos. Quando as duas falham, o machismo cresce. Precisamos educar para a equidade, desde os primeiros anos de vida.

Diário do Estado: O que você diria para uma adolescente que começa a vivenciar sinais de um relacionamento abusivo?
Mayara:
Diria que amor não machuca. Que se está doendo, já passou da hora de repensar. Que proibir, controlar, humilhar não é cuidado, por mais que pareça ou que ensinaram dessa forma. E que ela não está sozinha, existem caminhos, redes e pessoas dispostas a ajudar.

Diário do Estado: O que a escuta clínica com essas mulheres te ensinou sobre a força e a resiliência feminina?
Mayara:
Me ensinou que a força das mulheres é, muitas vezes, silenciosa, mas imensa. Que ser considerada como “loucas, histéricas, aparecidas” muitas vezes são adjetivos de mulheres que resistem. Elas resistem, mesmo quando tudo diz para desistir. E é nessa escuta, nesse espaço de acolhimento, que elas conseguem se reerguer e me ensinam também a continuar.

Diário do Estado: Existe um momento na terapia que você considera como “virada de chave” para a mulher vítima de violência?
Mayara:
Sim. Geralmente, quando ela se permite se escutar. Quando compreende que aquilo que vive não é normal. Esse despertar é transformador.

Diário do Estado: Como a psicoterapia pode ajudar na reconstrução da autoestima e da autonomia dessas mulheres?
Mayara:
Oferecendo escuta, segurança e liberdade. A psicoterapia ajuda a mulher a se reconhecer de novo, a refazer laços consigo mesma, a se reapropriar do próprio corpo, da própria vida.

Diário do Estado: Na sua opinião, o que ainda falta para que a violência contra a mulher deixe de ser naturalizada em nossa sociedade?
Mayara:
Falta enfrentamento real. Falta parar de romantizar comportamentos abusivos. Falta responsabilizar os agressores. Falta coragem social de mudar.

Diário do Estado: Que mensagem você deixaria para mulheres que estão vivendo situações de violência, mas ainda não conseguiram pedir ajuda?
Mayara:
Você não está sozinha, você não é fraca ,e não tem nada de errado com você. Você merece viver com liberdade, respeito e dignidade. Existe vida depois da violência. E ela pode começar com um simples pedido de ajuda.

Diário do Estado: E para os profissionais que atuam nessa área: que conselhos você daria para que sigam firmes e humanos nessa missão?
Mayara:
Cuidem de si. Não se percam nos protocolos e números, e lembrem que cada mulher é uma vida. E que escutar com humanidade já é um ato de resistência.

Diário do Estado: Suas considerações finais para o jornal Diário do Estado e seus leitores.
Mayara
: Agradeço de coração ao Diário do Estado pelo espaço e pela confiança em me permitir compartilhar. Falar sobre violência contra a mulher é mais do que necessário, é urgente. Meu sincero agradecimento aos leitores e à equipe do jornal, e que nossa maior vitória seja construir uma sociedade onde nenhuma mulher precise lutar por dignidade.

 

A violência compromete
profundamente a autoestima,
o senso de identidade e a
autonomia. Mas talvez o
impacto mais cruel seja o silenciamento —
quando a mulher acredita que perde a possibilidade de se
reconhecer como sujeito de sua história.
 

Entrevista

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem confeiteiro que está conquistando Coxim

Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

10 de outubro de 2025

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

 

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Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração 

Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel:
Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.

Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel:
Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer  eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.

Diário do Estado:  Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.

Diário do Estado:  Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel:
Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.

Diário do Estado:  Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel:
O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.

Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel:
Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.

Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel:
Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.

Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel:
O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.

Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel:
Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.

Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel:
Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.

Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel:
Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.

Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel:
No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.

Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel:
Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.

Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel:
Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.

Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.

Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel:
Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.

Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel:
Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.

Diário do Estado:  Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel:
Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.

Diário do Estado:  Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel:
Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.

Diário do Estado:  Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel:
Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.

Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel:
O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.

Diário do Estado:  Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel:
Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.

Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel:
Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais  @Vicktor_emanuell


 

Entrevista

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre desafios, conquistas e futuro da rede educacional

Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

5 de setembro de 2025

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

 

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À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.

Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly:
Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.

Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly:
Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.

Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly:
Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.

Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly:
Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.

Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly:
Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly:
O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.

Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly:
Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.

Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly:
As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.

Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly:
Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.

Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly:
Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.

Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly:
Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.

Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly:
É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.

Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly:
Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.

Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly:
Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly:
Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.

Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly:
Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.

Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly:
Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.

Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly:
Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.

Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly:
Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.

Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly:
O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.

Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly:
Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.

Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly:
• Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.

Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly:
A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.

Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly:
Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.

Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly:
Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.