quinta, 04 de junho, 2026
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Entrevistas da Semana
Pelo nome de batismo talvez você não conheça mas se eu colocar aqui para vocês o apelido carinhoso que ele ganhou dos amigos coxinenses você com certeza vai acertar o nome do nosso entrevistado da semana
27 de setembro de 2024
(Glenda Melo - Diário do Estado)
NOSSO ENTREVISTADO DA SEMANA é um cara de natureza mansa, nascido no Paraná, mas que escolheu o Mato Grosso do Sul para firmar morada, homem de apego e respeito as suas raízes pantaneiras, de menino de rua virou protegido de um dos maiores pecuaristas do Mato Grosso do Sul, o saudoso Lúdio Coelho. Pelo nome de batismo talvez você não conheça mas se eu colocar aqui para vocês o apelido carinhoso que ele ganhou dos amigos coxinenses você com certeza vai acertar o nome do nosso entrevistado da semana “Júlio pipoca” 57anos, como ele mesmo gosta de falar: um homem sem estudo mas que escolheu o caminho do bem quando tudo o levava para o lado oposto da vida, o pantaneiro que sobreviveu por anos morando nas ruas, foi acolhido, se transformou em um peão de comitiva e hoje corre o Brasil levando a culinária pantaneira. vamos conhecer a história desse legítimo pantaneiro.
Jornal Diário do Estado: Você nasceu no Paraná, mas já morou em várias cidades de MS até se firmar em Aquidauana, mas como foi sua chegada em Coxim?
Júlio pipoca: É Glenda, eu já rodei muito, se eu contar toda minha história essa entrevista vira um livro, mas podemos começar com o tempo que eu vivia nas ruas, eu fui um menino de rua mesmo e minha história começa nessa fase para poder chegar aqui.
Jornal Diário do Estado: Então nos conte, como foi esse período morando nas ruas, foi em Campo Grande certo?
Júlio pipoca: Sim, eu perdi meus pais aos 5 anos de idade, me colocaram em um orfanato, mas as coisas lá não eram boas, foi então que eu fugi e fiz das ruas de Campo Grande a minha casa.
Jornal Diário do Estado: Você, uma criança de 5 anos se torna morador de rua? como foi isso?
Júlio pipoca: Olha eu acho que para as crianças morar na rua é mais fácil, não estou dizendo e nem aconselhando nenhuma criança e adolescente fazer isso, estou dizendo no sentido de achar que as pessoas tem mais pena das crianças de rua e por conta disso ajudam mais.
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Jornal Diário do Estado: Como eram seus dias na rua? Você se lembra?
Júlio pipoca: Me lembro de muitas coisas, de pedir dinheiro para as pessoas que passavam para comer, elas ajudavam, de não tomar banho todos os dias, e dormir na rua, essas são as lembranças mais fortes que eu tenho, mas morar na rua apesar de ser muito difícil me ensinou muitas coisas.
Jornal Diário do Estado: Que tipo de coisa?
Júlio pipoca: Não confiar em todo mundo.
Jornal Diário do Estado: Você morou na rua por quanto tempo?
Júlio pipoca: Morei por 2 anos nas ruas de Campo Grande.
Jornal Diário do Estado: E quando você sai das ruas e conhece um lar, uma família novamente?
Júlio pipoca: Eu tive a sorte de ser notado nas ruas por um homem muito especial, o senhor Lúdio Coelho, já falecido, grande pecuarista e exprefeito de Campo Grande, ele me tirou das ruas e me levou para sua fazenda, a fazenda Querência em Aquidauana, fui criado na fazenda e foi aí que conheci a vida do homem pantaneiro.
Jornal Diário do Estado: Bom, você foi criado por um dos maiores pecuaristas do Brasil, o senhor Lúdio Coelho infelizmente já falecido foi um dos nomes mais respeitados do Brasil quando o assunto era pecuária, como foi ser criado por ele?
Júlio pipoca: Glenda, quando cheguei na fazenda eles me deram tudo, fui para escola para aprender ler e escrever, tinha muita fartura, mas também tinha muito trabalho, comecei a ir para a lida com os peões da fazenda e foi naquele momento que eu decidi que não queria mais estudar, só queria fazer aquilo que eles faziam, lidar com a terra e os bichos.
Jornal Diário do Estado: E aceitaram sua escolha?
Júlio pipoca: Aceitaram, até por que não tinha jeito também, eles mesmos também viram que minha alegria era estar na lida com a peonada.
Jornal Diário do Estado: Então você passa sua infância, adolescência e vida adulta na fazenda Querência?
Júlio pipoca: Sim, eu deixo a fazenda aos 25 anos de idade
Jornal Diário do Estado: Por que você deixa a fazenda? Não era o que você mais amava fazer?
Júlio pipoca: Sim, mas em uma dessa saídas da fazenda eu conheci uma mulher, me encantei por ela e aí já viu né? Homem novo apaixonado é bicho besta.
Jornal Diário do Estado: Você é casado Júlio? Tem filhos?
Júlio pipoca: Sou solteiro, mas tenho 3 filhos, Ana Paula 35 anos, Leandro 34 anos e minha rapinha do tacho, meu xodó Mariana com 11 anos
Jornal Diário do Estado: Quando você chega em Coxim Júlio?
Júlio pipoca: Chego no ano de 2009
Jornal Diário do Estado: E quando você chega na cidade você volta a ser peão de comitiva e continua na vida de viagens para levar gado?
Júlio pipoca: Não Glenda, quando eu chego em Coxim me torno comerciante e abro a selaria dos amigos, me tornei comerciante e fiquei com a selaria por 15 anos na cidade
Jornal Diário do Estado: E por que você fechou a selaria?
Júlio pipoca: Havia me casado, fiz a partilha dos bens com a minha ex-mulher e então ela ficou com a selaria.
Jornal Diário do Estado: Você passa fazer o que depois que se desfaz da selaria?
Júlio pipoca: Foi aí que nasceu a ideia de colocar minhas traia de pantaneiro na praça da concha e começar a fazer o que eu fiz por tantos anos nas comitivas pelo pantanal, cozinhar.
Jornal Diário do Estado: Isso acontece em que ano?
Júlio pipoca: 2019, o ano da pandemia, eu já havia começado a fazer o cardápio pantaneiro na praça da concha nas sextas-feiras junto com os feirantes, mas aí achei melhor mudar meus horários e dias de venda das comidas, passei a fazer toda quinta-feira servindo os almoços, eu chego na madrugada de quinta-feira e saio só no final da noite de quinta.
Jornal Diário do Estado: Qual é o cardápio?
Júlio pipoca: É a mais pura comida pantaneira, do começo até hoje, a mesma comida, arroz carreteiro, feijão gordo, ovo frito, e macarrão de comitiva, que é um macarrão frito.
Jornal Diário do Estado: Você tem uma base do quanto você vendia?
Júlio pipoca: Eram 200 marmitas, tinha fila de clientes para comprar, por que o povo não tinha o costume de comer a comida pantaneira do mesmo jeito que é feito no pantanal, então muita gente queria saber como era, compravam e viraram clientes e até hoje estão comigo.
Jornal Diário do Estado: Você me disse que começou em 2019, ano da Pandemia, um período que não podíamos aglomerar, reuniões e encontros eram proibidos e o isolamento foi imposto como um meio de conter para que os números não aumentassem e pessoas não fossem contaminadas, como foi para você esse período Júlio?
Júlio pipoca: Para mim foi muito difícil por que eu vendia 200 marmitex toda quinta-feira, passei a vender 60, as pessoas se isolaram, não podia ter mais feira, eu vendia ainda no sistema de drive, as pessoas passavam de carro, eu de máscara, tudo higienizado com álcool gel e eles levavam, mas não tinha mais contato, conversa, as prosas que a gente tinha com os clientes, tudo acabou, inclusive o lucro, o que me salvou foi um projeto do Governo do Estado para o segmento da cultura, e fui sobrevivendo assim até a pandemia acabar e a gente poder voltar a fazer as coisas que a gente fazia, mas foi um período muito difícil.
Jornal Diário do Estado: Passado esse período da pandemia, as coisas voltam a melhorar?
Júlio pipoca: Ah sim, voltou tudo a ser como era antes, e acho que Deus ainda fez minha comida e o prazer que eu sinto em cozinhar chegar em lugares que jamais imaginei que chegariam.
Jornal Diário do Estado: Como assim?
Júlio pipoca: Começaram a chegar os convites para cozinhar fora de Coxim, para outros estados, foi quando eu pensei: eitaaa !!!!! esse negócio tá dando certo, comecei viajar muito, comecei ficar pouco em Coxim
Jornal Diário do Estado: Qual foi o primeiro convite para cozinhar fora, você se lembra?
Júlio pipoca: Sim, através do Simon Cândido secretário de desenvolvimento de Coxim, das senhoras Kátia e Denize do SEBRAE que me ajudaram muito, me orientaram, eu fui convidado para dar um treinamento de 10 dias para funcionários do restaurante Cerrado do Pantanal de comidas pantaneiras, fui muito ajudado por eles e pelo SEBRAE e SENAR , esse foi o primeiro convite e foi uma grande experiência para mim, imagina, um peão de comitiva ensinar nossa comida para eles, um homem simples, sem estudo, ensinando, foi muita alegria.
Jornal Diário do Estado: você se arrepende de ter deixado um negócio que já estava consolidado em Coxim como a sua selaria para cozinhar?
Júlio pipoca: De jeito nenhum, hoje eu sou o homem mais feliz que você pode imaginar, eu amo cozinhar, eu amo levar a nossa cultura para os outros lugares para outras pessoas conhecerem
Jornal Diário do Estado: O que você gostaria de colocar no seu cardápio pantaneiro que você ainda não colocou?
Júlio pipoca: A costela seca, que é uma costela feita de um jeito diferente, e a farofa pantaneira que dá muito trabalho por que o charque é socado no pilão, mas ainda vou colocar, vai dar certo.
Jornal Diário do Estado: Como está sua agenda para os próximos meses?
Júlio pipoca: Glenda, eu fico em Coxim até meados do mês de outubro para participar da festa da primavera, depois tenho viagem já agendada para o Paraná, são Paulo, Mato Grosso e aqui para o MS também.
Jornal Diário do Estado: Vai cozinhar para algum famoso em alguma dessas agendas?
Júlio pipoca: Sim, Fernando e Sorocaba me convidaram para cozinhar nossas comidas para eles, Alex e Ivan também e recentemente eu cozinhei para o presidente do clube Corinthians.
Jornal Diário do Estado: Onde te convidam você vai?
Júlio pipoca: Convidar não, eles me contratam, eu faço contrato certinho peço sempre 50% antes e os outros 50% depois, tudo é feito nos conformes, como diz o ditado: Nóis é bruto mas nóis não é bobo.
Jornal Diário do Estado: Você tem o sonho de cozinhar em algum lugar Júlio?
Júlio pipoca: Sim, em Barretos.
Jornal Diário do Estado: Por que Barretos?
Júlio pipoca: Por que lá no rodeio de Barretos vão os melhores artistas sertanejos, imagina eu cozinhando naquele lugar para aquela gente que vem de todo lugar do Brasil, seria um sonho realizado.
Jornal Diário do Estado: Você cozinha para qualquer evento?
Júlio pipoca: Sim, casamento, batizado, aniversário e as pessoas também me chamam sem festividade ou comemoração, só querem experimentar a comida pantaneira.
Jornal Diário do Estado: Você tem ideia que você hoje também é um agente cultural que ajuda a difundir nossa cultura pantaneira e nossa cidade Coxim?
Júlio pipoca: Glenda, nunca me falaram isso, aliás já falaram mas de outras formas, eu não tinha ideia do que eu estava fazendo, para mim eu só estava cozinhando uma coisa que sempre fiz desde que fui trabalhar em comitiva nessas estradas do pantanal, mas hoje eu levo com muito orgulho o nome de Coxim e do nosso estado para todos os lugares que eu vou.
Jornal Diário do Estado: Me fala como você se vê, depois de tantas histórias de superação?
Júlio pipoca: Eu acho que Deus gosta é muito de mim, mas não é pouco não, é muito, por que tudo que eu já passei principalmente nas ruas e nessas viagens pelo pantanal não era para estar mais aqui e quando eu penso em tudo só posso pensar que Deus me ama e cuida muito de mim.
Jornal Diário do Estado: Júlio, gostaríamos que você nos deixasse suas considerações finais.
Júlio pipoca: E u queria agradecer o convite que vocês me fizeram, onde que eu imaginei que um dia eu estaria dando uma entrevista para uma jornalista para falar da minha vida simples, eu agradeço todos vocês do jornal e quero convidar vocês e o povo de Coxim para comer a verdadeira comida pantaneira toda quinta-feira a partir das 6:00 da manhã com um cafezinho na praça da Concha Acústica, muito obrigada e espero vocês todos lá.
Entrevista
Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.
10 de outubro de 2025
Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração
Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel: Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.
Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel: Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.
Diário do Estado: Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel: Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.
Diário do Estado: Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel: Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.
Diário do Estado: Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel: O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.
Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel: Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.
Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel: Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.
Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel: O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.
Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel: Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.
Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel: Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.
Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel: Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.
Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel: No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.
Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel: Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.
Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel: Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.
Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel: Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.
Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel: Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.
Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel: Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.
Diário do Estado: Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel: Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.
Diário do Estado: Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel: Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.
Diário do Estado: Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel: Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.
Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel: O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.
Diário do Estado: Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel: Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.
Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel: Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais @Vicktor_emanuell



Entrevista
Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.
5 de setembro de 2025
À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.
Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly: Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.
Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly: Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.
Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly: Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.
Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly: Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.
Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly: Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly: O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.
Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly: Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.
Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly: As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.
Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly: Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.
Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly: Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.
Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly: Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.
Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly: É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.
Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly: Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.
Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly: Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly: Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.
Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly: Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.
Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly: Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.
Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly: Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.
Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly: Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.
Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly: O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.
Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly: Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.
Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly: • Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.
Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly: A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.
Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly: Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.
Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly: Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.