quarta, 03 de junho, 2026
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Entrevistas da Semana
NOSSA ENTREVISTADA DA SEMANA é a atual presidente GAAM Grupo de Apoio à Adoção Manjedoura, Silvana Aparecida da Silva Zanchett,que irá nos falar um pouco sobre esse projeto tão lindo e importante que têm feito a diferença na vida de tantas crianças e adolescentes que não tinham esperança de conseguir o tão sonhado lar e tiveram suas vidas transformadas após dedicação do projeto em suas vidas.
6 de setembro de 2024
(Glenda Melo/Diário do Estado)
Diário do Estado: Quando foi criado o Gaam ?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Em 07/07/2004 o Gaam foi criado e de lá para cá não paramos mais, entre histórias alegres e tristes, sobrevive o amor ao próximo à favor da vida.
Diário do Estado: Com qual missão o projeto foi criado?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Orientar, apoiar e incentivar ações que promovam a adoção legal, segura e irrevogável; trabalhar em prol da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, com vistas ao fortalecimento dos vínculos familiares.
Diário do Estado: Qual objetivo o projeto tem como prioridade?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Ser reconhecido pela capacidade de desenvolver ações que promovam a convivência familiar e comunitária para crianças e adolescentes, respeitando o seu direito de viver com dignidade em famílias biológicas ou por adoção.
Nossos Valores são: Respeito, valorização e compromisso com a vida, pela prática da solidariedade, colaboração, aprendizado e compartilhamento de saberes.
Diário do Estado: Quem fundou o Gaam Silvana?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Doemia Ignes Ceni, na época era Assistente Social lotada na Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Coxim, (atualmente trabalha na Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude em Campo Grande) que e conheceu o Movimento Nacional da Adoção ao participar no VII ENAPA - Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, em maio de 2002 em Mogi das Cruzes - SP.
Ao retornar para Coxim a mesma procurou as Cofundadoras: Eulina de Azevedo Pinto Bellanda – Assistente Social e Mãe por Adoção e Arlete Souza Cardoso Paro, Professora e na época trabalhava com a Instituição Adoptonsforum, Adoção Internacional para formar o Grupo em Coxim e desde então, iniciou o trabalho do GAAM.
O Grupo de Apoio à Adoção Manjedoura – GAAM é uma Organização da Sociedade Civil, sem fins lucrativos. Foi o primeiro Grupo de Apoio à Adoção criado no Estado de Mato Grosso do Sul, na cidade de Coxim, no ano de 2002, constituindo sua personalidade jurídica em abril de 200, o projeto é formado por pessoas amigas, dentre elas, pais adotivos, filhos adotivos, pretendentes a adoção e simpatizantes da causa, que se propuseram a desenvolver um trabalho voluntário de esclarecimento, estímulo e encaminhamento à Adoção Legal e Projetos Sociais de Fortalecimento de Vínculos Familiares tendo como objetivo básico evitar a institucionalização de crianças e adolescentes.
Diário do Estado: Quem são os parceiros do Gaam?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: O GAAM atua em parceria com vários segmentos da sociedade, ministério público, Mitra Diocena, que nos sede a sala para realizar os trabalhos e o poder Judiciário (Comarca de Coxim).
Diário do Estado: A primeira sede do Gaam, quando abriu as portas?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Visando realizar um trabalho social de forma planejada e efetiva, em maio de 2014, o GAAM inaugurou sua Sede Social, denominada Espaço Manjedoura, no Bairro Vale do Taquari em Coxim-MS, aonde desenvolveu o Projeto Manjedoura: Prevenção à Criminalidade e Fortalecimento de Vínculos Familiares e Comunitários destinado a atender o público alvo (crianças, adolescentes e famílias), de forma adequada, em um ambiente acolhedor e confortável, proporcionando às crianças e adolescentes, ações complementares à Escola, nas seguintes modalidades: acompanhamento
Diário do Estado: A parte pedagógica Silvana, como foi trabalhada?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Na parte pedagógica esporte; teatro; educação musical, contação de história e ainda, atividades de apoio e oferta de cursos profissionalizantes destinados à profissionalização e geração de renda para as famílias. Em 2022, o prédio foi cedido em modalidade de comodato para a CSN desenvolver o projeto garoto cidadão, que para a nossa alegria atende mais de 150 crianças ali da região.
Diário do Estado: Hoje como está formada a diretoria do projeto?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Presidente: Silvana Aparecida da Silva Zanchett
Vice-Presidente: Beatriz de Barros Figueiredo
Diário do Estado: Silvana, adotar é fácil?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Glenda, existem regras para a adoção que as famílias precisam cumprir, participar das reuniões para ser preparado para receber essa criança, ter renda , enfim existem algumas regrinhas , mas como eu digo sempre ter amor para dar é a condição mais importante.
Diário do Estado: As faixas etárias mais procuradas para adoção, quais são?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Ainda continua sendo as menores Glenda, bebês e crianças até os 9, 10 anos, crianças brancas e menores de 13 anos continua sendo as mais procuradas, mas essa realidade é no Brasil todo não só aqui.
Diário do Estado: por que você acha que ainda existe essa predileção?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Os pais que adotam dizem que preferem as crianças menores por poder criar conforme suas costumes, querem moldar as crianças conforme suas criações, é o que mais ouvimos.
Diário do Estado: Já aconteceu de crianças e famílias não se adaptarem e as crianças serem devolvidas para vocês?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Infelizmente sim, isso pode acontecer e já aconteceu no nosso projeto, é muito triste por que essa criança cria uma expectativa que terá um lar, uma família e de repente vimos essa situação acontecer, não só para a criança mas para nós é um baque.
Diário do Estado: você pode contar porque essa criança foi devolvida?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: O casal optou por adotar as 4 crianças, todos irmãos, o casal não queria separar as crianças e então decidiu adotar os 4, mas o casal não se adaptou com os 4 e então decidiram por não fazer a adoção.
Diário do Estado: Isso é recorrente em acontecer
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Não muito, mas acontece, e compreendemos também, todos nós temos que adaptar as novas situações, novas rotinas, as vezes pensamos que temos certeza e controle sobre as coisas, mas não temos.
Diário do Estado: Alguma criança aqui de Coxim já foi adotada por pessoas fora do Brasil?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Sim, temos crianças nossas adotadas por pessoas de fora.
Diário do Estado: Adoção por casais homoafetivos já aconteceu?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Sim, e as crianças adotadas não poderiam estar mais felizes e bem cuidadas, não importa para nós a orientação sexual dos pais, isso não é da nossa conta, para nós importa se essa criança será cuidada, amada e protegida.
Diário do Estado: Como o Gaam é mantido Silvana?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Projetos, doações, nós mesmo também arcamos com as despesas quando é preciso para manter nossa sede e garantir toda estrutura para nosso trabalho.
Diário do Estado: Tem algum caso de adoção que te marcou Silvana?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: ah sim, dentre tantos os casos com finais felizes uma em especial me chamou atenção, de uma criança com hidrocefalia e outra deficiente que foram adotadas pela mesma pessoa, imagina só você, muitas pessoas não querem adotar crianças com algum problema, imagina uma pessoa na contra mão disso tudo e fazer exatamente o oposto, para mim essa foi a maior demonstração de amor que eu já havia visto.
Diário do Estado: Por que o tema adoção ainda causa tantas discussões e ainda algumas resistências?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Acredito pela falta de informação, falas como: Não sei qual a genética da família, se são de boa índole, coisas desse tipo, mas o que as pessoas se esquecem é que o caráter é formado com a ajuda da criação, impondo limites, dando educação, explicando sobre o certo ou errado, caráter não vem do sangue, caráter é resultado da criação que tivemos desde pequenos.
Diário do Estado: Você já pensou em adotar?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Tenho filhos biológicos mas nunca descartei ter meus filhos de coração, quem sabe mais lá frente, os planos de Deus sempre serão melhores que os meus.
Diário do Estado: Qual a importância da sua diretoria?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Elas são antes de tudo amigas, o trabalho no Gaam sem esse grupo de pessoas totalmente voltadas para o amor ao próximo seria um fracasso, se nós não tivéssemos umas as outras, e não só pela diretoria, o Gaam é composto por uma grande rede de apoio que envolve muitas pessoas mas com o mesmo propósito: Amar o próximo.
Diário do Estado: Como você gostaria que a adoção fosse vista pelas pessoas?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Glenda, as pessoas dizem muito que doar sangue é um gesto de amor não é? E tirar uma criança das ruas, tirar de abrigos, dar um lar, uma família, ter uma convivência com outras crianças e um lar de verdade, tudo isso é o que? É mais que amor, é você ter a certeza que sua adoção está transformando a vida de uma pessoa para sempre, a doação é mais que amor, adoção é maior e mais verdadeira demonstração de generosidade.
Diário do Estado: A sociedade Coxinense está mais aberta para este tema?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Sem dúvidas, melhorou muito, já foi mais difícil, mas temos que levar em conta que tudo leva tempo, a conscientização precisa ser trabalhada, leva tempo, mas em vista do que era há anos atrás hoje a sociedade de Coxim está muito mais aberta e nos ajuda sempre que precisamos.
Diário do Estado: Qual o lado bonito e o lado feio deste processo?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: O lado bonito é quando vemos uma criança deixando os abrigos, saindo das ruas e irem para um lar cheio de amor, o lado feio é quando por alguma motivo essas crianças precisam retornar ao abrigo por uma falta de adaptação dos pais adotivos ou delas própria.
Diário do Estado: Silvana, quando uma criança é retirada do seu lar e colocada em abrigos e adotada todas as estâncias para que ela continuasse na família biológica foram percorridas?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Sim, antes que isso aconteça, que as crianças sejam retiradas do seu convívio familiar aconteceram conversas, encaminhamentos, por que não é do interesse de ninguém separá-las de seus pais biológicos, várias tentativas para fazer esse convívio saudável para as crianças foi esgotado, o processo final e mais doloroso para as crianças que são as que sempre sofrem mais é afastá-las desse lar adoecido, é aí que o Gaam entra.
Diário do Estado: E na maioria dos casos por que essa criança é tirada da família biológica?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Glenda, são vários motivos, abuso sexual, violência física, violência moral, maus tratos, pais com vício de bebidas ou drogas e também existe outra causa, aquela que a própria mãe não quer o filho e entrega para adoção.
Diário do Estado: É um trabalho muito bonito mas que também mexe muito com emocional de todos vocês certo?
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Sim, muito, por que a maioria de nós somos mães, então é impossível não se envolver emocionalmente, uma vitória de um final feliz nos emociona, um final triste nos deixa frustradas, mas na maioria das vezes temos chorado de alegria por finais felizes.
Diário do Estado: Silvana, gostaria que você deixasse suas considerações finais
Silvana Aparecida da Silva Zanchett: Gostaria de agradecer pela oportunidade em poder falar sobre esse tema tão importante e necessário que é a adoção, abrir essa espaço para mostrar o trabalho da equipe do Gaam e de nossos companheiros de caminhada é de uma importância extremamente relevante, nos colocamos a disposição para os que queiram nos ajudar de alguma forma ou conhecer o projeto, nossa sede está localizada na rua Viriato Bandeira 834-sala 2 no centro de Coxim e o nosso telefone de contato é o: 67-99965-1457, interessados em conhecer podem nos ligar estamos sempre a disposição de toda Coxim, grande abraço de toda equipe Gaam.
Entrevista
Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.
10 de outubro de 2025
Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração
Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel: Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.
Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel: Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.
Diário do Estado: Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel: Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.
Diário do Estado: Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel: Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.
Diário do Estado: Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel: O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.
Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel: Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.
Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel: Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.
Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel: O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.
Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel: Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.
Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel: Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.
Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel: Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.
Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel: No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.
Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel: Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.
Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel: Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.
Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel: Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.
Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel: Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.
Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel: Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.
Diário do Estado: Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel: Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.
Diário do Estado: Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel: Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.
Diário do Estado: Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel: Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.
Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel: O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.
Diário do Estado: Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel: Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.
Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel: Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais @Vicktor_emanuell



Entrevista
Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.
5 de setembro de 2025
À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.
Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly: Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.
Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly: Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.
Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly: Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.
Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly: Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.
Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly: Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly: O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.
Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly: Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.
Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly: As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.
Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly: Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.
Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly: Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.
Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly: Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.
Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly: É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.
Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly: Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.
Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly: Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly: Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.
Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly: Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.
Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly: Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.
Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly: Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.
Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly: Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.
Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly: O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.
Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly: Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.
Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly: • Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.
Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly: A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.
Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly: Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.
Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly: Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.