quinta, 04 de junho, 2026
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Diário do Estado: Quais foram, na sua visão, as principais conquistas à frente da Secretaria de Receita e Gestão durante sua gestão?
Veronildes: Foram várias conquistas ao longo desses quase 5 anos, porém muito me orgulho de termos conseguido manter o pagamento dos servidores em dia e, cumprindo com a lei do 5º dia útil.
Diário do Estado: Qual projeto ou ação mais te orgulha de ter liderado ou contribuído diretamente?
Veronildes: Cumprir com a Lei do Piso Nacional dos professores, a correção inflacionária salarial dos demais servidores, de ter iniciado e dado os andamentos aos projetos de criação e adequação dos Estatutos dos servidores municipais e da Educação e aos Planos de Cargos e Carreiras dos servidores municipais e da Educação, o projeto do centro de Cultura, esporte e lazer do previsul, dentre outros.
Diário do Estado: Como era a sua rotina como secretária em uma pasta tão estratégica?
Veronildes: Na verdade, nunca houve rotina. Desempenhar um trabalho frente a secretaria de Receita e Gestão do município nunca foi uma tarefa fácil ou rotineira, mas sim, intensa e na maioria das vezes bastante complicada seja pela parte técnica ou politica, sempre tive que me dedicar ao extremo e trabalhar com muita garra e desempenhar o meu papel de gestora preocupada com a gestão do município e lidar com um orçamento pequeno para uma cidade que necessita de muito mais.
Diário do Estado: Houve alguma meta que parecia impossível no início e que acabou sendo superada?
Veronildes: Sim. Mantermos os salários dos servidores e o pagamento dos fornecedores em dia.
Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios enfrentados no comando da secretaria?
Veronildes: Trabalhar com um orçamento baixo e lidar com as grandes necessidades do municipio
Diário do Estado: Como você lidava com as limitações orçamentárias e os entraves burocráticos típicos da gestão pública?
Veronildes: Com muita responsabilidade e dedicação. Imagina trabalhar com um orçamento mínimo para uma cidade com tantas necessidades na Educação, saúde, infraestrutura, etc. Gerenciar um orçamento que tem por obrigação o investimento de 25% na educação e 15% na saúde que, nunca foi o suficiente havendo a necessidade de atender com excelência e assim, chegando a percentuais de 36% e 38% respectivamente de investimento da totalidade orçamentária do município e, mesmo assim, ainda sendo insuficiente e a população clamando por mais atendimentos. Restando ainda atender a parte de infraestrutura, esporte, lazer e diversos outros investimentos que na maioria das vezes pareciam impossíveis e, acabamos conseguindo mesmo com muita dificuldade.
Diário do Estado: Em algum momento pensou em desistir? O que te fez seguir?
Veronildes: Na verdade, por diversas vezes. Segui pela preocupação, amor e respeito ao meu município, além de ter um perfil de nunca desistir daquilo que me proponho fazer.
Diário do Estado: Como foi, para você, ser uma mulher à frente de uma das pastas mais importantes da gestão municipal?
Veronildes: Não posso dizer que foi fácil. Além de ser MULHER, sou professora e isso dificultou bastante para mim e por diversas vezes fui criticada, até mesmo julgada por isso, mas nunca me deixei abater ou atingir por criticas e julgamentos, fui atrás de conhecimentos e mais conhecimentos e somado a parceria de uma equipe totalmente capacitada e comprometida conseguíamos obter sucesso no nosso trabalho.
Diário do Estado: Você enfrentou resistência ou preconceito por ser mulher em um cargo de comando?
Veronildes: Enfrentei sim. Chegando ao ponto de disserem para mim que uma “mulher e professorinha” não tinha condição de administrar um cargo tão pesado de gestora, inclusive, que “essa professorinha” não duraria 15 dias e fico feliz por terem se enganado.
Diário do Estado: Que conselhos daria para outras mulheres que querem ocupar espaços de liderança na administração pública?
Veronildes: TODAS somos capazes de fazermos TUDO aquilo que queremos fazer. Somos fortes, dedicadas, responsáveis e sabemos lidar com qualquer situação que nos são apresentadas, então, Vamos lá! SEJAMOS TUDO AQUILO QUE QUEREMOS SER!
Diário do Estado: Verô, quem fez a sugestão ao prefeito Edilson Magro para que você assumisse a pasta, levando em consideração que essa foi a primeira vez que uma mulher toca essa pasta na cidade de Coxim?
Veronildes: Quem sugeriu não sei bem dizer, mas lembro-me que ao final do período eleitoral em que dr Edilson foi eleito, fui convidada para uma reunião com ele e com mais alguns apoiadores onde me foi feito o convite. Convite esse que fiquei bem relutante em aceitar, porém após muita conversa com minha família e amigos próximos decidi aceitar.
Diário do Estado: Veronildes, Coxim recentemente foi palco de uma operação do Gaeco em que diversos funcionários públicos lotados inclusive na prefeitura de Coxim estavam envolvidos no maior esquema de corrupção existente na cidade, como isso chegou até você e o que você tem a dizer sobre isso?
Veronildes: Tive conhecimento quando a operação chegou na cidade, inclusive, pelos mesmos meios midiáticos que todos tomaram conhecimento. Todos esses acontecimentos foram lamentáveis.
Diário do Estado: Para você que trabalhou por 5 anos junto ao prefeito Edilson Magro, o que você teria para falar sobre ele como administrador?
Veronildes: Dr Edilson Magro é uma pessoa de grande valor, um homem/gestor muito trabalhador, honesto, dedicado e de um senso de responsabilidade muito grande. Nunca se eximiu do seu cargo de prefeito (eleito pelo povo), as vezes criticado por pessoas que não conhecem o mínimo dos problemas que lidamos todos os dias e que acabam cometendo várias injustiças ao criticar, porém sabemos que tudo isso é próprio do ser humano e, principalmente, que quando se assume algo tão grandioso como ser prefeito de uma cidade está sujeito a tudo isso. O que se faz de bom precisa-se de uma lupa para enxergar!
Diário do Estado: Qual o motivo verdadeiro que a levou deixar a administração atual?
Veronildes: O meu compromisso com administração encerrou-se dia 31/12/2024. Estava bastante cansada, na verdade, bastante exausta devido 2024 ter sido um ano muito difícil profissionalmente e na minha vida pessoal. Perdi o meu braço direito, a pessoa que estava o tempo todo me apoiando, me amparando e, não pude se quer passar pelo meu luto devido as grandes responsabilidades que tinha. Lembro-me que, no dia do falecimento do meu esposo, tive que estar na prefeitura para fazer o pagamento do salário dos servidores, isso não foi uma tarefa fácil, mas consegui cumprir, trabalhei sem nunca ter usufruído de férias, o trabalho estava comigo 24 horas diárias. Não conseguia ter uma folga, dar atenção para os meus filhos, minha família. Estacionei a minha busca constante por conhecimento dentro da minha área de paixão: a Educação, por falta de tempo e sem contar, a pressão psicológica e politica! Comecei a me questionar se tudo isso valia a pena, principalmente depois que a minha Annie nasceu e eu se quer pude estar nesse momento ímpar que foi o nascimento da minha primeira neta. Diversos acontecimentos já vinham ocorrendo e, assim como fiz quando aceitei o cargo, conversei com meus filhos, minha família e meus amigos e todos me apoiaram na decisão de pedir a exoneração e voltar a “viver”. Ponderei todos os pontos que estavam positivos e negativos até aquele momento e percebi que os negativos estavam superando os positivos, sem contar que durante esses 7 meses de 2025 muitas coisas novas na minha vida pessoal aconteceram e a decisão final foi tomada quando recebi o convite de integrar a equipe da UNDIME/MS, ou seja, voltar para a minha amada educação podendo contribuir de uma forma ímpar pela mesma. Então, “bati o martelo” e dei um novo rumo a minha vida.
Diário do Estado: Você está deixando Coxim para assumir um novo desafio profissional em Campo Grande, nos conte sobre essa nova fase da sua vida e para onde você está indo
Veronildes: A UNDIME (União Nacional dos dirigentes municipais de Educação), trabalha em defesa de uma educação pública de qualidade e está dentro de todo o território nacional e, agora integro a equipe do MS. Assim que me foi feito o convite, aceitei sem pensar duas vezes, pois vai de encontro com minhas perspectivas e minha formação. Sou professora, amo minha profissão e sou apaixonada pela educação, pois sei da importância que esta tem na vida de uma pessoa, inclusive, de como pode transformar uma vida e eu sou prova viva disso. Estou feliz, estou realizada e com muitos projetos e ideias para desenvolver.
Diário do Estado: Quando você assumiu a secretaria de gestão da administração anterior as dificuldades financeiras eram enormes, pagamentos de servidores atrasados, sindicatos e fornecedores também com pagamentos atrasados, como foi colocar os cofres da prefeitura em dia e qual maior desafio nesse período em que você também tomava pé da situação financeira real de Coxim.
Veronildes: Foi gratificante! Afinal sou professora e mulher e consegui fazer um município rodar. O maior desafio sempre foi lidar com tantos problemas financeiros e com um orçamento apertado diante de tantas necessidades.
Diário do Estado: Você sai com alguma mágoa ou ressentimento?
Veronildes: Não tenho magoa ou ressentimentos, apenas acredito que as pessoas que ingressam na administração pública deviam ser mais valorizadas pelo seu trabalho, seus feitos e seus esforços, pois se algo deu errado ou foi deixado de fazer isso aconteceu não porque tenha sido proposital, mas sim porque existem diversas situações técnicas, politicas e financeiras que envolvem todo esse processo gigantesco que se chama administração pública. Tenho gratidão pela equipe que trabalhou esses anos todos comigo, aprendi e aprendi muito! Sei que hoje tenho um conhecimento muito grande e adquiri uma grande agilidade de resolução de problemas e devo muito à eles.
Diário do Estado: Qual legado você acredita ter deixado para a Secretaria e para a cidade de Coxim?
Veronildes: Estive a frente de diversos projetos. Não posso aqui elencar um por um, mas tudo o que foi construído dentro desses últimos anos me considero parte.
Diário do Estado: Como espera que os próximos gestores deem continuidade ao seu trabalho?
Veronildes: Espero que trabalhem com a mesma responsabilidade, amor e dedicação como trabalhei. Que o município de Coxim seja sempre a prioridade, o objetivo e o foco principal. Que os olhos e os cuidados necessários estejam sempre voltados para a população coxinense.
Diário do Estado: Qual contribuição pessoal acredita ter deixado para o desenvolvimento do município?
Veronildes: A Responsabilidade com o orçamento público
Diário do Estado: O que mais te trouxe alegria nesse período?
Veronildes: Poder ter contribuído para o desenvolvimento da minha cidade
Diário do Estado: E o que mais te entristeceu?
Veronildes: Julgamentos errôneos
Diário do Estado: Houve algum momento marcante que você jamais vai esquecer durante sua atuação como secretária?
Veronildes: Impossivel apontar, pois todos os momentos foram marcantes e carregarei para o resto da vida.
Diário do Estado: O que você faria diferente, se tivesse a chance de recomeçar?
Veronildes: Trabalharia descentralizadamente e delegaria as funções a quem é de responsabilidade.
Diário do Estado: Você sente que conseguiu realizar tudo o que se propôs ao assumir o cargo?
Veronildes: Sim. Tudo o que me foi delegado tenho certeza que realizei com muita destreza e responsabilidade.
Diário do Estado: Pensa em voltar à vida pública ou assumir novos desafios na administração?
Veronildes: Não.
Diário do Estado: Como enxerga hoje a cidade de Coxim em termos de gestão e planejamento?
Veronildes: Uma cidade com muitos problemas que são decorrentes de longos anos, mas que vem evoluindo e crescendo a cada dia.
Diário do Estado: O que ainda precisa ser feito, em sua opinião, para que Coxim avance mais na área da gestão pública?
Veronildes: Ter sempre pessoas que realmente pensam na cidade COXIM a frente das pastas.
Diário do Estado: Por fim, que mensagem você deixaria para a população que acompanhou sua trajetória na secretaria?
Veronildes: Meu eterno agradecimento ao apoio e as mensagens de reconhecimento ao trabalho que desenvolvi durante esses quase 05 anos. Amo a cidade onde nasci, cresci e vivi até o presente momento. Continuo à disposição de todos! MUITO OBRIGADA!
Diário do Estado: Considerações finais para o Jornal Diário do Estado e seus leitores
Veronildes: Agradeço ao Jornal Diário do Estado pela proposição e pela abertura dada a mim. Estou sempre aberta e disponível para qualquer dialogo que se fizer necessário.

Entrevista
Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.
10 de outubro de 2025
Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração
Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel: Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.
Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel: Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.
Diário do Estado: Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel: Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.
Diário do Estado: Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel: Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.
Diário do Estado: Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel: O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.
Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel: Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.
Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel: Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.
Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel: O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.
Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel: Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.
Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel: Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.
Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel: Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.
Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel: No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.
Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel: Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.
Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel: Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.
Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel: Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.
Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel: Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.
Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel: Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.
Diário do Estado: Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel: Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.
Diário do Estado: Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel: Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.
Diário do Estado: Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel: Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.
Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel: O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.
Diário do Estado: Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel: Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.
Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel: Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais @Vicktor_emanuell



Entrevista
Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.
5 de setembro de 2025
À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.
Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly: Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.
Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly: Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.
Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly: Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.
Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly: Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.
Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly: Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly: O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.
Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly: Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.
Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly: As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.
Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly: Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.
Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly: Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.
Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly: Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.
Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly: É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.
Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly: Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.
Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly: Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly: Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.
Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly: Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.
Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly: Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.
Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly: Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.
Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly: Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.
Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly: O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.
Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly: Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.
Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly: • Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.
Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly: A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.
Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly: Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.
Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly: Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.