quinta, 04 de junho, 2026
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Nosso entrevistado da semana é o vereador eleito pelo PSDB para o primeiro mandato e empresário Maurício Helpis de Oliveira, 36 anos, casado há 16 anos com Natália de Lima, pai de três filhos, coxinense e filho dos coxinenses Antônio Saraiva de Oliveira e Antônia de Oliveira. Formado em Gestão Financeira pela UNOPAR, foi eleito com 727 votos na eleição de 2024. Ele fala sobre política, vereança e planos para o futuro.

Diário do Estado: Vereador, como foi entrar para a política? O senhor sempre gostou desse segmento? Era um desejo do senhor entrar nesse mundo?
Maurício Helpis: Glenda, nunca fui muito de política, não. Embora tenha muitos amigos nesse mundo — o deputado estadual Júnior Mochi, por exemplo, é meu amigo pessoal da vida toda, temos uma amizade consistente — e, embora exista esse vínculo entre nós, eu nunca pensei em entrar para a política. Aconteceu, e agora estou aqui. Entendo que, por meio da política, eu possa fazer mais pela comunidade de Coxim.
Diário do Estado: Como surgiu o convite para o senhor participar da eleição de 2024?
Maurício Helpis: Recebi, com muita honra, esse convite do ex-governador Reinaldo Azambuja. Coloquei meu nome à disposição do partido por meio desse convite. Me senti honrado em ser convidado por uma das maiores lideranças políticas do nosso estado e do Brasil. Senti o peso da responsabilidade, mas, se o ex-governador viu em mim algum potencial, me senti pronto para essa missão. Desde a nossa conversa, entendi que tinha um chamado e que poderia contribuir com meu partido para as melhorias em Coxim.

Diário do Estado: Mas quando se deu, de fato, esse convite?
Maurício Helpis: Estávamos na campanha de 2022 e eu organizei uma reunião para o Júnior, que vinha como candidato a deputado estadual. Convidei amigos, lideranças, empresários, e, naquela oportunidade, estiveram presentes 600 pessoas. Acredito que foi a partir desse momento que comecei a ser visto. Imagina, colocar 600 pessoas em uma reunião, em tempos em que a população está tão cansada de política. Foi, de fato, uma reunião muito importante e muito bonita.
Diário do Estado: O senhor, nos últimos 8 anos, tem feito, por meios próprios, algumas ações destinadas às crianças carentes do município. Não foi fazendo essas ações que nasceu o desejo de entrar para a vida pública?
Maurício Helpis: Olha, há 8 anos faço esse trabalho para as crianças de Coxim: o Natal Solidário, o Dia das Crianças e, agora, a Páscoa para as crianças carentes da nossa cidade. Eu vim de baixo, Glenda. Trabalhei muito com meus pais na zona rural, peguei muito no cabo da enxada, construí casas, e prometi que, se um dia eu melhorasse de vida, iria fazer a alegria das crianças. Eu não tive infância e adolescência, tive que trabalhar para ajudar meus pais. Nossa infância não foi fácil. Então, prometi que iria ajudar quando melhorasse de vida. Alguns amigos empresários me ajudam nessas ações, cada um como pode, mas a maioria é bancada por mim, com recursos próprios. Agradeço a Deus por poder levar alegria às crianças que precisam.

Diário do Estado: Como foi para o senhor receber a notícia de que havia sido eleito na sua primeira eleição com 727 votos?
Maurício Helpis: Foi uma emoção indescritível. Saber que 727 pessoas confiaram em mim, na minha história e nas minhas propostas logo na minha primeira eleição foi algo que me marcou profundamente. Me senti honrado e, ao mesmo tempo, com uma grande responsabilidade nas mãos. Agradeço de coração a cada voto, cada palavra de apoio e incentivo. Isso só reforçou meu compromisso de trabalhar com seriedade, transparência e dedicação por Coxim e por todos que acreditam em um futuro melhor para a nossa cidade.
Diário do Estado: Ao entrar na Câmara Municipal de Coxim, qual foi sua maior dificuldade ao tomar posse?
Maurício Helpis: Ao tomar posse, minha maior dificuldade foi entender toda a burocracia e os trâmites internos da Câmara. Por ser meu primeiro mandato, tudo era novo: os processos legislativos, a forma como os projetos tramitam, as comissões. Foi um grande desafio no início. Entendi também que nós, vereadores, ficamos limitados — nada depende só da gente, não temos o poder da caneta. Às vezes, a população se irrita com os vereadores, mas, na realidade, nada está em nossas mãos. Somos apenas a voz do povo. Mas, ao entrar lá dentro, muitos dias saímos frustrados ao perceber que, na grande maioria, nossos pedidos não são atendidos. Encarei com humildade e vontade de aprender, buscando sempre me capacitar para representar bem a população de Coxim e fazer um trabalho à altura da confiança que recebi.
Diário do Estado: Para um vereador, qual é a maior frustração?
Maurício Helpis: A maior frustração para um vereador, muitas vezes, é ver que, mesmo com boas ideias e projetos que poderiam melhorar a vida da população, nem tudo depende apenas da nossa vontade. A burocracia, a falta de recursos ou até a falta de apoio político podem barrar iniciativas importantes. É frustrante quando você sabe que algo é necessário e urgente, mas esbarra em limitações que fogem ao nosso controle. Ainda assim, seguimos lutando, porque cada conquista, por menor que pareça, faz a diferença na vida das pessoas.
Diário do Estado: O senhor defende algumas bandeiras no seu mandato — educação, saúde e esporte. O que o senhor acha que precisa ser melhorado em Coxim nessas áreas?
Maurício Helpis: Sim, essas são bandeiras que carrego com muito compromisso, porque refletem diretamente na qualidade de vida da nossa população. Na saúde, acredito que precisamos investir mais na estrutura das unidades básicas, melhorar o atendimento e garantir o acesso rápido a exames e especialidades. Na educação, é essencial valorizar os profissionais, modernizar as escolas e oferecer uma educação mais inclusiva e de qualidade para nossas crianças e jovens. Já no esporte, falta incentivo e estrutura: precisamos apoiar projetos de base, revitalizar espaços esportivos e incentivar as práticas esportivas como forma de inclusão social e promoção da saúde. Coxim tem muito potencial nessas áreas, e, com planejamento e vontade política, dá pra avançar muito.
Diário do Estado: Muitas demandas chegam ao seu gabinete? Qual a maioria dos pedidos?
Maurício Helpis: Sim, chegam muitas demandas ao nosso gabinete, praticamente todos os dias. A maioria dos pedidos está relacionada a questões do dia a dia da população, como melhorias na infraestrutura — pavimentação de ruas, limpeza de terrenos, iluminação pública — e também muitos pedidos voltados à saúde, como agendamento de consultas, exames e apoio no acesso a tratamentos. Além disso, há demandas nas áreas de educação e assistência social. Nosso papel é ouvir, acolher e encaminhar essas demandas aos setores responsáveis, sempre buscando soluções e cobrando resultados. Estar perto da população é uma das minhas prioridades.
Diário do Estado: Como foi sua primeira viagem para Brasília em busca de recursos para Coxim?
Maurício Helpis: Minha primeira viagem para Brasília em busca de recursos para Coxim foi uma experiência única e muito enriquecedora. Confesso que fiquei impressionado com a dimensão do trabalho parlamentar em nível federal e com a importância do contato direto com os deputados e senadores. Fui com o objetivo claro de apresentar as demandas da nossa cidade e buscar apoio para projetos que realmente fazem a diferença na vida das pessoas. Saí de lá com a certeza de que Coxim tem aliados importantes e que, com articulação e persistência, é possível trazer investimentos significativos. Foi o começo de um trabalho que pretendo continuar fazendo com muita seriedade e dedicação.

Diário do Estado: O que o seu mandato trouxe de benefícios para Coxim?
Maurício Helpis: Conversei com os deputados Marcos Pollon, Luiz Ovando, Dagoberto Nogueira e com o senador Nelsinho Trad. Em resumo, em uma conversa com todos eles, se comprometeram a ajudar Coxim, e nos próximos meses já teremos resultados dessa visita.
Diário do Estado: Hoje as pessoas não se interessam mais por política e assuntos relacionados a ela. O que o senhor acha que levou o eleitor a esse desinteresse?
Maurício Helpis: Infelizmente, isso é uma realidade que a gente sente no dia a dia. Muitos eleitores perderam o interesse e até a esperança na política por conta de tantas decepções, escândalos de corrupção e promessas que nunca foram cumpridas. Isso gerou uma desconfiança generalizada. Mas eu acredito que a política ainda é o principal caminho para transformar a realidade das pessoas, e é justamente por isso que precisamos de mais gente boa e comprometida se envolvendo, seja como eleitor, fiscalizador ou até como candidato. Meu papel, como vereador, é tentar resgatar essa confiança, mostrando que é possível fazer política com seriedade, transparência e resultados.
Diário do Estado: Ter disputado com nomes fortes do partido PSDB foi um desafio?
Maurício Helpis: Sim, foi um grande desafio. O PSDB tem nomes muito fortes e consolidados na política de Coxim, pessoas com trajetória, experiência e reconhecimento popular. Disputar ao lado deles me fez entender ainda mais a importância de construir uma campanha sólida, com base na escuta da população, na humildade e no trabalho sério. Mas, em vez de me intimidar, isso me motivou. Mostrou que era possível conquistar meu espaço com verdade, dedicação e propostas voltadas para as necessidades reais da nossa cidade. E, graças a Deus e ao apoio das pessoas, consegui ser eleito, o que, pra mim, foi uma grande vitória.
Diário do Estado: O que é mais fácil: ser empresário ou político?
Maurício Helpis: São dois desafios bem diferentes, cada um com suas complexidades. Como empresário, você lida diretamente com o mercado, com gestão, planejamento, equipe e riscos financeiros. Já na política, o desafio é lidar com as demandas públicas, burocracias, articulações e, principalmente, com as expectativas da população — que são muitas, e com razão. A grande diferença é que, na política, suas decisões impactam diretamente a vida de milhares de pessoas, e isso exige ainda mais responsabilidade. Então, não dá pra dizer que um é mais fácil que o outro, mas posso afirmar que ser político é um desafio constante, porque envolve não só gestão, mas também representatividade, empatia e compromisso com o coletivo.
Diário do Estado: Quem foram seus maiores apoiadores?
Maurício Helpis: Sem dúvida, minha família, Glenda. Meus pais, minha esposa e meus filhos foram meus maiores incentivadores, e sem o apoio deles eu não teria conseguido. A campanha eleitoral é pesada, não tem dia nem hora, é de segunda a segunda. Se a gente não tiver o apoio da família, não consegue caminhar.

Diário do Estado: Você, em algum momento, se arrependeu de ter colocado seu nome à disposição?
Maurício Helpis: Não, nunca me arrependi de ter colocado meu nome à disposição. Claro que existem momentos difíceis, cobranças intensas, críticas e até frustrações quando as coisas não acontecem na velocidade que a gente gostaria. Mas eu sabia que não seria fácil. Entrei na política com o propósito de contribuir, de representar quem muitas vezes não tem voz, e isso me fortalece a cada dia. Quando vejo que, de alguma forma, estou ajudando a melhorar a vida das pessoas, mesmo que seja um passo de cada vez, isso me mostra que fiz a escolha certa.
Diário do Estado: Você tem planos para continuar na política?
Maurício Helpis: Sim, tenho planos de continuar na política, mas sempre com os pés no chão e respeitando a vontade da população. Acredito que, quando a gente entra na vida pública com seriedade, compromisso e resultados, é natural pensar em dar continuidade a esse trabalho. Mas, mais do que pensar no futuro, meu foco hoje é honrar o mandato que recebi, fazer um trabalho transparente e próximo das pessoas. Se lá na frente o povo entender que devo continuar, estarei pronto para seguir contribuindo com ainda mais experiência e responsabilidade.
Diário do Estado: Agradeço por nos conceder essa entrevista e, por favor, suas considerações finais, vereador.
Maurício Helpis: Quero agradecer ao Jornal Diário do Estado pelo espaço e pela oportunidade de dialogar com a população de Coxim. Reforço meu compromisso de continuar trabalhando com seriedade, transparência e dedicação em prol da nossa cidade. Cada conquista, cada ação, cada projeto tem como objetivo principal melhorar a vida das pessoas. Estou sempre à disposição da comunidade, com o gabinete de portas abertas para ouvir, acolher e buscar soluções. A política só faz sentido quando é feita com verdade e proximidade com o povo. Muito obrigado a todos que confiam no nosso trabalho. (Glenda Melo - Diário do Estado)
Entrevista
Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.
10 de outubro de 2025
Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração
Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel: Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.
Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel: Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.
Diário do Estado: Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel: Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.
Diário do Estado: Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel: Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.
Diário do Estado: Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel: O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.
Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel: Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.
Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel: Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.
Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel: O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.
Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel: Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.
Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel: Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.
Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel: Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.
Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel: No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.
Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel: Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.
Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel: Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.
Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel: Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.
Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel: Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.
Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel: Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.
Diário do Estado: Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel: Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.
Diário do Estado: Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel: Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.
Diário do Estado: Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel: Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.
Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel: O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.
Diário do Estado: Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel: Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.
Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel: Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais @Vicktor_emanuell



Entrevista
Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.
5 de setembro de 2025
À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.
Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly: Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.
Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly: Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.
Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly: Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.
Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly: Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.
Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly: Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly: O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.
Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly: Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.
Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly: As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.
Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly: Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.
Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly: Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.
Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly: Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.
Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly: É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.
Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly: Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.
Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly: Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly: Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.
Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly: Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.
Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly: Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.
Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly: Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.
Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly: Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.
Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly: O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.
Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly: Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.
Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly: • Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.
Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly: A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.
Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly: Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.
Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly: Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.