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Entrevista

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Angela Kwiatkowski: Educação que Transforma e Liderança que inspira no Coração do Pantanal

Diretora-Geral do IFMS Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre sua trajetória, a força da educação pública e o protagonismo feminino na gestão acadêmica

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1 de agosto de 2025

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Glenda Melo

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À frente do IFMS Campus Coxim desde 2019, Angela Kwiatkowski, 44 anos, nascida em Campo Mourão/ Paraná, há 05 anos e 07 meses a frente do Intituto Federal de Coxim é mais do que uma diretora: é uma mulher que enxerga na educação pública a chave para romper ciclos de desigualdade e acender futuros possíveis. Com uma trajetória marcada por dedicação acadêmica da técnica em alimentos à pós-doutorado em Ciência dos Alimentos, ela construiu não só uma carreira sólida, mas um propósito: transformar vidas por meio do conhecimento.
Reeleita para o segundo mandato pela comunidade acadêmica, Angela lidera com escuta, afeto e firmeza em um cenário ainda predominantemente masculino. É nesse espaço, no interior de Mato Grosso do Sul, que ela inspira meninas, mulheres e jovens a acreditarem que é possível ocupar lugares de decisão, romper barreiras históricas e construir um projeto coletivo de futuro.
Nesta entrevista profunda, humana e necessária, ela fala sobre os desafios da gestão pública, as conquistas do IFMS Coxim, o impacto dos projetos comunitários e a força da educação como política transformadora. Ângela também reflete sobre inclusão, inovação, protagonismo feminino e a fé que a move todos os dias a seguir lutando por uma escola que acolhe, respeita e dá sentido à palavra pertencimento.

Diário do Estado: Professora Angela, o que representa para a senhora liderar uma instituição como o IFMS em uma cidade como Coxim?
Angela:
Liderar o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, IFMS Coxim, como Diretora-Geral, é mais que uma missão institucional, é acreditar que a educação profissional, pública e gratuita transforma a vida das pessoas, como transformou a minha, pois estamos em uma cidade que pulsa educação, visto que além da oferta da educação básica, o município tem outros dois campi de grandes instituições públicas, a UEMS e a UFMS, e isso me dá energia para trabalhar em prol do fortalecimento da educação e ampliar o impacto social da atuação do IFMS em toda região norte de MS, que merece e precisa desse compromisso com a formação de excelência, e vejo o IFMS é, com muito orgulho, como parte essencial dessa engrenagem. Essa missão me emociona porque ela é profundamente humana, e é por isso que sigo todos os dias com o coração cheio de propósito, sabendo que cada esforço vale a pena. Porque estamos, juntos, mudando vidas.

Diário do Estado: Quais foram os principais desafios enfrentados desde que assumiu a direção do campus?
Angela:
Assumir a Direção-Geral do IFMS Campus Coxim foi, desde o início, um grande chamado à liderança com propósito. Entre tantos desafios, um dos desafios mais evidentes foi fortalecer o sentimento de pertencimento. O IFMS é uma instituição grandiosa, mas ainda jovem, com aproximadamente 14 anos no município de Coxim, por isso sigo trabalhando para que servidores, estudantes e comunidade enxerguem o campus como um espaço vivo, acolhedor e transformador. Outro ponto desafiador foi alinhar a infraestrutura e os recursos disponíveis às demandas crescentes de uma educação pública de excelência. Investimos esforços em garantir melhorias físicas e tecnológicas, sempre com foco no bem-estar de quem estuda e trabalha aqui, sem perder de vista o equilíbrio orçamentário e o respeito às questões públicas.
Não posso deixar de destacar que também, quando no início do primeiro mandato na gestão da direção-geral do campus, tivemos uma pandemia, que mudou nossas rotinas, hábitos e nesse sentido o planejamento e as ações estratégicas da gestão caminhou com mais cautela, pois o momento exigiu muito cuidado com toda comunidade acadêmica e foi necessário reinventar estratégias pedagógicas e de condução do trabalho para com a educação pública, segundo para o pós-pandemia, retomando aos poucos presencialmente a vida na instituição, resgatar vínculos, acolher as fragilidades emocionais dos estudantes e servidores exigiu sensibilidade e planejamento. 
E como já mencionado o desafio e também a oportunidade de firmar o IFMS como uma referência regional, pois o campus está em uma cidade com outras instituições públicas, como a UFMS e a UEMS, nos impulsiona a buscar excelência, inovação e integração com todas as instituições. Coxim merece que caminhemos juntos, em rede, e esse tem sido um desafio bonito de encarar criando pontes, e não muros.
Enfim, cada desafio, na verdade, é um convite à superação. A busca por novas oportunidades, projetos e novos cursos formativos para o campus Coxim, ouvindo e dialogando com toda sociedade, sigo com coragem, parceria e muito amor pela educação pública.    

Diário do Estado: O IFMS é uma porta de oportunidades para muitos jovens. O que mais emociona a senhora nessa missão?
Angela:
O que mais me emociona nessa missão é ver, com os próprios olhos, a transformação acontecendo diante de nós. É testemunhar aquele estudante que chega tímido, inseguro, muitas vezes vindo da zona rural ou de uma realidade desafiadora, e que, pouco a pouco, descobre seu potencial, sua voz e seu lugar no mundo. É ver a educação fazendo florescer sonhos que antes pareciam impossíveis.
Cada história de superação que passa pelos corredores do nosso campus carrega uma potência imensa. E saber que o IFMS é o espaço onde esses sonhos se alimentam, ganham forma e se realizam é, para mim, o maior presente da gestão.
O que mais me toca, profundamente, é perceber que não oferecemos apenas conhecimento técnico, oferecemos dignidade por meio de oportunidades, criamos possibilidades onde antes havia limites, abrimos portas para a capacitação profissional em nível médio e superior, para o mundo do trabalho, para o empreendedorismo e para a cidadania plena.

Diário do Estado: Como a educação profissional e tecnológica pode transformar realidades em municípios do interior?
Angela:
O IFMS, além de ofertar cursos presenciais no município de Coxim, oferta cursos nos Polos da Educação à Distância (EAD) em vários municípios da região norte do estado de MS, e nesse sentido minha visão é muito clara: quando oferecemos educação técnica de qualidade, integrada ao ensino médio e articulada com o ensino superior, não estamos apenas formando profissionais, mas sim estamos formando protagonistas, pessoas capazes de empreender, de inovar, de liderar mudanças nas suas comunidades.
Nos municípios do interior, muitas vezes carentes de oportunidades e acesso a tecnologias, o IFMS Coxim representa um divisor de águas, pois é uma instituição que chega onde antes havia ausência de políticas públicas efetivas para educação, pois vejo a educação profissional e tecnológica como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento regional sustentável. Ela forma mão de obra qualificada, estimula arranjos produtivos locais, impulsiona a inovação e contribui para fixar talentos no próprio município, e mais do que isso, ela dá sentido ao aprender, pois os estudantes percebem que o que estudam tem aplicação prática, tem impacto real, transforma vidas, inclusive a deles próprios.

Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas do campus nos últimos anos?
Angela:
As conquistas foram muitas nesses últimos anos, resultado de trabalho de vários servidores competentes, técnicos administrativos, docentes e colaboradores terceirizados, assim como muitos parceiros do setor público e privado, que fazem e colaboram com o seu melhor, pela educação todos os dias, e afirmo que muitos planos se concretizaram e o campus pode oportunizar o aumento da oferta de cursos para comunidade, entre os cursos que o campus já ofertava, destacamos a oferta do Técnico Integrado em Agropecuária a partir do ano de 2024. 
Também tivemos a parceria com o IF Goiano, Campus Rio Verde, da formação de uma turma de mestrado professional em Tecnologia de Alimentos (2022 a 2024), a oferta de Especialização em Robótica Educacional (2021), e a aprovação para implementação do curso técnico em Logística, na modalidade Educação à distância – EAD (2022) para todo o IFMS.
Hoje o campus oferece vagas para formação nos cursos Técnico Integrado em Agropecuária, em Alimentos e Desenvolvimento em Sistemas, em período diurno. Temos o curso Técnico de Manutenção e Suporte em Informática, modalidade Proeja (Educação de Jovens e Adultos) no período noturno. Ainda, no período noturno, temos os cursos de graduação de Engenharia de Pesca, Licenciatura em Química e Tecnologia em Alimentos e Tecnologia em Sistemas para Internet.
O campus também se empenhou em entregas à comunidade acadêmica de melhorias na infraestrutura e materiais, com a cobertura e renovação da quadra poliesportiva, aquisição de materiais esportivos, construção do laboratório de Recursos Naturais chamado de barracão, organização de novos espaços experimentais, laboratórios, cobertura de passarelas e rampas de acesso, assim como a oferta de merenda escolar a partir de novembro de 2024, e assim, como gestora escolar está uma das maiores conquistas, pois uma instituição pública como o IFMS, que atende uma diversidade enorme de realidades sociais, garantir uma alimentação nutritiva, equilibrada e respeitosa com a cultura local é garantir condições reais para o aprendizado, e em muitos casos, a merenda escolar é a principal refeição do dia de nossos estudantes. Isso carrega uma responsabilidade enorme e um sentido ainda maior.
Como gestora, vejo a merenda como uma política pública fundamental, que precisa ser planejada com cuidado, respeito e visão pedagógica que os servidores de todo os IFMS abraçaram com muita dedicação para que se tornasse uma realidade. Ela também é uma ferramenta de inclusão: é democrática, acolhe a todos, fortalece vínculos e até promove hábitos de saúde e bem-estar. No IFMS, temos um compromisso com a qualidade da merenda, desde a escolha dos ingredientes até a forma como ela é servida, porque entendemos que isso também é parte do processo educativo.
Além disso, quando possível, a merenda pode se conectar com o comércio e produtores locais, valorizando a agricultura familiar e gerando impacto econômico na região. Isso fortalece o território e torna a alimentação escolar um instrumento ainda mais potente de transformação.
Portanto, acredito que a merenda escolar é, sim, uma aliada do aprendizado, pois oportuniza alimentar o corpo, fortalecer a dignidade e preparar o estudante para o que é mais importante: aprender, crescer e sonhar com um futuro melhor. 
 

Diário do Estado: Em sua visão, o que torna o IFMS de Coxim diferente de outras instituições?
Angela:
O que torna o IFMS de Coxim diferente é a nossa capacidade de unir excelência acadêmica com compromisso social, inovação com acolhimento, e tecnologia com humanidade. Somos uma instituição que não forma apenas técnicos ou futuros profissionais, formamos pessoas completas, críticas, criativas e conectadas com os desafios do mundo real. Outro diferencial é o protagonismo estudantil a partir do ensino médio técnico, onde estimulamos nossos jovens a assumirem responsabilidades, participarem de projetos, criarem soluções e se expressarem. Valorizamos a autonomia, o pensamento crítico e a formação cidadã. E isso se reflete na postura de nossos egressos, que saem preparados para atuar com ética, competência e sensibilidade.
Diário do Estado: A senhora acredita que o campus tem cumprido seu papel social na região norte de Mato Grosso do Sul?
Angela: Sim, eu acredito com absoluta convicção que o IFMS Campus Coxim tem cumprido seu papel social na região norte de Mato Grosso do Sul. Nosso compromisso vai além da formação técnica: contribuímos para o desenvolvimento humano, econômico e social do nosso território. Além disso, o IFMS Coxim tem sido um espaço de acolhimento e esperança. Em um cenário nacional onde tantos jovens enfrentam desigualdades e incertezas, nosso campus representa estabilidade, estrutura, apoio e perspectiva de futuro. E seguimos firmes, na busca de novos cursos, projetos, ações e oportunidades para região, com responsabilidade, compromisso e amor pela educação, para continuar fazendo a diferença na vida das pessoas e no desenvolvimento de toda região.

Diário do Estado: Como o IFMS está se preparando para os desafios da educação do futuro?
Angela:
Sabemos que os desafios da educação estão mudando muito rápido. Novas tecnologias, profissões emergentes, transformações sociais, climáticas e culturais exigem da escola muito mais do que apenas conteúdo. Precisamos formar pessoas críticas, criativas, resilientes e preparadas para aprender ao longo da vida.
Temos investido em infraestrutura tecnológica, com laboratórios modernos, conectividade e ferramentas que colocam nossos estudantes em sintonia com o mundo digital. Mas mais do que tecnologia, estamos formando pessoas: capacitamos nossos servidores, incentivamos práticas pedagógicas inovadoras e fortalecemos o protagonismo estudantil.
O futuro da educação também é colaborativo e interdisciplinar. Por isso, temos buscado parcerias com outras instituições, com o setor produtivo, com a comunidade local, criando uma rede de aprendizado que ultrapassa os limites da sala de aula. Projetos integradores, feiras de ciência, empreendedorismo, cultura e extensão são exemplos de como unimos teoria e prática com sentido.
Outro ponto essencial é a inclusão, temos promovido ações de acolhimento, apoio psicológico, acessibilidade e políticas que garantem permanência e sucesso estudantil.

Diário do Estado: O campus tem desenvolvido projetos voltados para a comunidade externa. Pode nos contar alguns que merecem destaque?
Angela:
Um dos projetos que mais merece destaque é a implementação de tanques elevados de geomembrana, coordenado pelo professor Dr. Odair Diemer, com o apoio institucional do IFMS e em parceria com várias esferas do poder público. Esse projeto tem levado inovação, sustentabilidade e eficiência para a área de piscicultura em vários municípios do Mato Grosso do Sul, pois a tecnologia aplicada permite o uso racional da água, maior controle de produção e redução de custos, beneficiando diretamente pequenos produtores e comunidades rurais. Mais do que uma ação técnica, trata-se de um projeto de desenvolvimento que fortalece cadeias produtivas e promove autonomia econômica com base no conhecimento científico e na extensão tecnológica.
Esse é apenas um exemplo do nosso compromisso com a comunidade externa. Acredito que a extensão é um dos caminhos mais poderosos para transformar a sociedade e devolver à população, em forma de ação concreta, o investimento feito na educação pública.

Diário do Estado: Qual o papel da mulher na liderança acadêmica e quais barreiras ainda precisam ser superadas?
Angela:
O papel da mulher na liderança acadêmica é fundamental para promover uma gestão mais inclusiva, sensível e inovadora. As mulheres trazem para esses espaços não apenas competências técnicas e administrativas, mas também uma capacidade única de empatia, diálogo e colaboração, que enriquecem o ambiente educacional e fortalecem a construção de comunidades escolares mais humanas e justas.
A presença das mulheres em cargos de direção, como é o meu caso no IFMS Coxim, é uma conquista que representa não só uma vitória pessoal, mas uma transformação necessária para a educação pública, que só ganha força e diversidade com a pluralidade de vozes e experiências.

Diário do Estado: O que é ser uma mulher gestora em um cenário ainda predominantemente masculino?
Angela:
Ser uma mulher gestora em um cenário ainda predominantemente masculino é, antes de tudo, um ato de coragem e resistência. É ocupar espaços que historicamente foram construídos para outros, desafiando preconceitos, rompendo barreiras e abrindo caminhos para que outras mulheres também possam chegar.
Significa liderar com firmeza, competência e sensibilidade, mostrando que gestão não é questão de gênero, mas de capacidade, dedicação e compromisso. Muitas vezes, é preciso ser dupla, tripla: além de gerir a instituição, lidar com a pressão dos estereótipos, provar a todo momento que se é capaz, e ainda manter a sensibilidade que caracteriza a liderança feminina. Ser mulher gestora é, acima de tudo, inspirar outras mulheres e meninas a sonharem alto e a acreditarem que podem e devem ocupar todos os espaços, inclusive os de liderança. É ser parte de uma mudança histórica que está acontecendo, e da qual tenho muito orgulho de fazer parte.

Diário do Estado: Como o IFMS Coxim contribui diretamente com o desenvolvimento econômico e social da cidade?
Angela:
O IFMS Campus Coxim exerce um papel fundamental no desenvolvimento econômico e social de Coxim por meio de suas ações em ensino, pesquisa e extensão, e pela formação de profissionais para as demandas regionais com a oferta de cursos em nível médio técnico, graduação e pós-graduação. Atualmente, o campus oferece vagas para formação nos cursos Técnico Integrado em Agropecuária, em Alimentos e Desenvolvimento em Sistemas, em período diurno. Temos o curso Técnico de Manutenção e Suporte em Informática, modalidade Proeja (Educação de Jovens e Adultos) no período noturno. Ainda, no período noturno, temos os cursos de graduação de Engenharia de Pesca, Licenciatura em Química e Tecnologia em Alimentos e Tecnologia em Sistemas para Internet. Além da oferta de cursos do Centro de Idiomas, CENID, de Inglês e Espanhol.
Vale destacar, que neste ano de 2025, o IFMS Coxim oferece curso preparatório para o exame de seleção dos cursos técnicos, do Programa da rede federal, o Partiu IF, capacitando 40 estudantes dos 9° anos da educação fundamental que estudam em escolas públicas da região. 

Diário do Estado: Qual o impacto da pesquisa e da extensão na vida dos estudantes e da comunidade?
Angela:
A pesquisa e a extensão são pilares fundamentais, junto com o ensino, para a formação completa dos nossos estudantes e para a construção de uma relação sólida entre o IFMS Campus Coxim e a comunidade em que estamos inseridos. Assim, pesquisa e extensão caminham juntas para formar estudantes mais engajados, conscientes e preparados para serem agentes de transformação social, ao mesmo tempo em que promovem impacto real e positivo na vida das pessoas ao nosso redor. Essa integração entre ensino, pesquisa e extensão é o que faz do IFMS uma instituição viva, conectada e comprometida com o futuro.

Diário do Estado: Em tempos de avanço tecnológico, como equilibrar inovação e humanização no ensino?
Angela:
No IFMS Coxim, trabalhamos para que a tecnologia seja uma ponte e não uma barreira, entre o conhecimento e a experiência humana. Isso implica investir em metodologias que promovam a participação ativa, o trabalho colaborativo e a reflexão crítica, garantindo que nossos alunos não sejam apenas consumidores de informação, mas agentes conscientes da sua própria aprendizagem e transformação social. É esse equilíbrio que vai preparar nossos estudantes não só para o mercado, mas para a vida.

Diário do Estado: O IFMS tem se tornado cada vez mais conhecido. Como a instituição lida com a responsabilidade de formar profissionais para o mundo?
Angela:
Aqui no campus Coxim, também buscamos oferecer uma formação que dialogue com as tendências tecnológicas e as demandas do setor produtivo, formando profissionais preparados para atuar em diversos contextos, seja regional, nacional ou mundialmente, capazes de contribuir com os setores e, ao mesmo tempo, prontos para se conectar com o que há de mais moderno no mundo. Temos oportunizado que nossos estudantes tenham experiências em ensino, pesquisa e extensão no âmbito nacional e internacional, e há exemplo disso temos egressos que hoje continuam em capacitações ou atuação profissional em outros países.

Diário do Estado: Quais cursos ou projetos o campus pretende implantar nos próximos anos?
Angela:
O IFMS Campus Coxim pretende implantar o Curso de Graduação de Tecnologia em Agroindústria, conforme audiência pública realizada no dia 22 de julho 2025, no auditório do campus, onde foram realizadas a apresentação da proposta do novo curso pela comissão de estudo de viabilidade, assim como ouvir toda a sociedade.

Diário do Estado: Há planos para parcerias com empresas e setores produtivos locais? Como isso pode beneficiar os alunos?
Angela:
Sim, temos algumas importantes parcerias, onde nossos estudantes desenvolvem estágios, e há planos de ampliação para fortalecer e ampliar parcerias com empresas, cooperativas, associações e setores produtivos locais e regionais. Acreditamos que essa aproximação entre o IFMS e o mercado regional é fundamental para tornar o processo de ensino mais dinâmico, contextualizado e conectado com as reais necessidades do mundo do trabalho. Estamos trabalhando para construir pontes sólidas com o setor produtivo de Coxim e região, pois entendemos que a educação profissional e tecnológica só cumpre plenamente seu papel quando está em diálogo constante com quem produz, empreende e transforma a economia local.

Diário do Estado: Como a senhora avalia o nível de engajamento dos alunos nas causas sociais, científicas e ambientais?
Angela:
Avalio com muito otimismo e orgulho, pois o nível de engajamento dos nossos alunos nas causas sociais, científicas e ambientais tem sido inspirador. Eles não apenas participam, eles se envolvem de verdade, com senso de responsabilidade, empatia e vontade de transformar a realidade em que vivem.
No campo social, vemos estudantes atuando em projetos de extensão, campanhas solidárias, ações de inclusão e atividades que promovem o respeito às diversidades.
Na ciência, o engajamento tem se fortalecido ano após ano. Os alunos se destacam em feiras científicas, desenvolvem projetos de iniciação científica e participam de grupos de pesquisa que buscam soluções reais para desafios locais e regionais. Muitos, inclusive, já estão trilhando caminhos acadêmicos que começaram dentro dos laboratórios e salas do nosso campus.
E no aspecto ambiental, há um despertar cada vez maior, pois nossos estudantes demonstram preocupação com a sustentabilidade, participam de ações de conscientização, uso consciente de recursos e, inclusive, integram projetos ligados ao meio ambiente, como o uso sustentável da água em sistemas produtivos, por exemplo.
Esse engajamento, para mim, é resultado de um ambiente escolar que valoriza a escuta, estimula o protagonismo e entende a educação como um processo vivo, conectado ao mundo. 

Diário do Estado: De onde vem sua inspiração e força para seguir em frente diante dos inúmeros desafios da educação pública?
Angela:
Minha inspiração vem, em primeiro lugar, da minha família, que mesmo distante em espaço físico, morando no estado Paraná, sempre me mostraram o caminho da educação como transformadora das oportunidades, resultando em sonhos concretizados.
Assim, também vem dos estudantes, pois cada rosto que chega ao nosso campus cheio de expectativa, cada história de superação, cada sonho que começa a ganhar forma dentro das salas de aula — tudo isso me lembra, todos os dias, por que escolhi estar aqui. É por eles e com eles que sigo em frente, mesmo diante das dificuldades.
A força também vem da minha equipe, colegas servidores e servidoras que, assim como eu, acreditam profundamente no valor da educação pública, gratuita e de qualidade. São profissionais que não medem esforços para garantir que o ensino aconteça com excelência, sensibilidade e compromisso. Estar cercada por pessoas com esse propósito coletivo é, sem dúvida, uma grande fonte de energia.

Diário do Estado: Quais histórias de alunos ou ex-alunos marcaram sua trajetória como diretora?
Angela:
Todas as histórias são marcantes, mas ver estudantes formados, atuando na formação de outras pessoas, e na construção de uma sociedade melhor, sem dúvida é o muito gratificante.

Diário do Estado: A senhora já pensou em desistir? O que a fez continuar?
Angela:
Estar sempre em contato com a família e pessoas com esse propósito coletivo da educação como transformadora de realidades é, sem dúvida, uma grande fonte de energia.

Diário do Estado: Qual a sua maior motivação diária ao entrar pelos portões do IFMS Coxim?
Angela:
Com certeza, com o trabalho do IFMS, mudamos a vida de muitas famílias, e damos esperança de uma sociedade com mais dignidade, equidade, pertencimento, participativa, inclusiva com oportunidades de crescimento e desenvolvimento para todas as pessoas, faz minha motivação e renovação diária de energia ser sempre prazerosa. 
A fé na potência da educação como ferramenta de transformação social é o que me move, pois mesmo diante dos desafios, acredito que cada semente que plantamos hoje, com coragem e compromisso, vai florescer em um futuro mais justo, mais humano e mais igualitário. É isso que me guia, a certeza de que vale a pena, sempre.
    
Diário do Estado: O que a senhora diria para as meninas e mulheres que sonham em ocupar cargos de liderança como o seu?
Angela:
Eu diria: acreditem no seu potencial, mesmo quando tentarem convencer vocês do contrário, incluir barreiras e desestímulos pelo simples fato de sermos mulheres. Sonhar com cargos de liderança não é sobre vaidade ou status, é sobre assumir espaços de decisão com responsabilidade, sensibilidade e coragem. E as mulheres têm muito a contribuir com isso: temos olhar atento, capacidade de escuta, firmeza ética e uma força coletiva que transforma ambientes. 
Às meninas e jovens mulheres, digo: não se deixem limitar por estereótipos. Estudem, ocupem espaços, busquem conhecimento, confiem na sua voz. Cercar-se de pessoas que acreditam em você, criar redes de apoio e valorizar suas conquistas, por menores que pareçam, é essencial.
Se hoje estou à frente do IFMS Campus Coxim, é porque outras mulheres também abriram caminho para mim e assim como também me inspiro nelas. E quero que minha presença aqui sirva como prova de que nós podemos, sim, liderar com competência, com coração, sensibilidade, mas sempre com determinação.

Diário do Estado: Se pudesse deixar uma marca eterna no campus, qual gostaria que fosse lembrada?
Angela:
Se eu pudesse deixar uma marca eterna no IFMS Campus Coxim, gostaria que fosse a certeza de que a educação transforma vidas quando é feita com humanidade, compromisso e amor verdadeiro pelo que se faz. A marca que eu gostaria de deixar não está nas paredes nem nos títulos, mas na cultura que ajudei a construir, no sentimento de que o IFMS Coxim é, e sempre será, uma instituição que cuida de gente, que acredita no potencial humano e que forma para além do currículo.
Se um dia alguém lembrar da minha passagem por aqui e disser: "Ela fez com que cada pessoa se sentisse parte disso tudo", então saberei que minha missão foi cumprida.

Diário do Estado: Como a senhora enxerga o futuro do IFMS Coxim nos próximos 10 anos?
Angela:
Eu enxergo o IFMS Coxim, nos próximos 10 anos, como uma referência regional de inovação, inclusão e excelência na educação profissional e tecnológica. Um campus ainda mais conectado com as transformações do mundo, mas profundamente enraizado nas necessidades e potencialidades da região norte de Mato Grosso do Sul, com novos cursos, mais oportunidades de formação continuada, mais investimentos em pesquisa aplicada e em soluções tecnológicas voltadas para o desenvolvimento local e regional. 
Imagino um ambiente onde o estudante é protagonista, onde a diversidade é respeitada, onde há espaço para crescer com liberdade, criatividade e responsabilidade. Um campus que continue formando não só técnicos altamente qualificados, mas líderes, empreendedores e cidadãos conscientes do seu papel no mundo.

Diário do Estado: Suas considerações finais 
Angela:
Agradeço, Glenda, pelo espaço de falar sobre a Professora Angela, sobre o IFMS Campus Coxim, que sonho e trabalho para manter a construção e evolução, de um campus que honra seu passado, transforma seu presente e inspira o futuro para todas as gerações e setores da sociedade.
 

Entrevista

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem confeiteiro que está conquistando Coxim

Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

10 de outubro de 2025

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

 

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Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração 

Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel:
Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.

Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel:
Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer  eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.

Diário do Estado:  Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.

Diário do Estado:  Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel:
Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.

Diário do Estado:  Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel:
O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.

Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel:
Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.

Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel:
Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.

Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel:
O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.

Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel:
Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.

Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel:
Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.

Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel:
Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.

Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel:
No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.

Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel:
Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.

Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel:
Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.

Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.

Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel:
Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.

Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel:
Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.

Diário do Estado:  Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel:
Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.

Diário do Estado:  Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel:
Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.

Diário do Estado:  Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel:
Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.

Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel:
O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.

Diário do Estado:  Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel:
Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.

Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel:
Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais  @Vicktor_emanuell


 

Entrevista

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre desafios, conquistas e futuro da rede educacional

Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

5 de setembro de 2025

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

 

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À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.

Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly:
Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.

Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly:
Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.

Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly:
Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.

Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly:
Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.

Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly:
Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly:
O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.

Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly:
Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.

Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly:
As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.

Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly:
Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.

Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly:
Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.

Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly:
Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.

Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly:
É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.

Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly:
Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.

Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly:
Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly:
Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.

Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly:
Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.

Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly:
Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.

Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly:
Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.

Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly:
Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.

Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly:
O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.

Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly:
Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.

Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly:
• Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.

Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly:
A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.

Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly:
Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.

Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly:
Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.