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Entrevistas da Semana

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A compaixão tem poder. E o maior poder que ela tem é o de salvar vidas, conheça a história de Manoel

Manoel Virgílio da Conceição, 39 anos, Coxinense, Casado com Aline Silva Loiola há 10 anos, são pais de 2 cachorros.

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9 de agosto de 2024

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(Glenda Melo/ Diário do Estado)

Manoel durante curso, realizando manobra de salvamento Manoel supervisionando equipamento usado durante salvamentos na CCRMS Via Manoel durante curso Manoel e sua mãe, Dona Nelly, falecida recentemente Manoel durante curso de Resgate Vertical
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Nosso entrevistado da semana é uma pessoa que sempre em sua vida teve o desejo de ajudar as pessoas, criado em uma família humilde mas repleta de amor e valores Manoel Júnior desde muito jovem sentiu a vontade de fazer a diferença na sociedade, mas o que ele não sabia é que em cada chamado estaria salvando vidas. Conheça um pouco da história desse cara que escolheu fazer a diferença entre a vida e a morte das pessoas.

Manoel Virgílio da Conceição, 39 anos, Coxinense, Casado com Aline Silva Loiola há 10 anos, são pais de 2 cachorros.
• Instrutor de APH em Combate 
• Inst. Atendimento pré Hospitalar
• Inst. Resgate Veicular
• Inst. Resgate em Espaço Confinado
• Inst. Resgate Vertical 
• Téc. Segurança do trabalho TST
• Proprietário Da G&M Consultoria em primeiros socorros

Diário do Estado: Manoel, para começar gostaria que você contasse um pouco da sua vida para nossos leitores te conhecerem um pouco
Manoel Júnior:
Glenda, sou nascido em Coxim, fui criado brincando pelas ruas da nossa cidade, tive uma infância muito saudável, sempre fui atraído por esportes, fui uma criança muito agitada e curiosa, tive uma infância saudável, não era como hoje que as crianças só ficam dentro de casa mexendo em celular e vendo tv, posso dizer com prazer que tive uma infância feliz.

Diário do Estado: Quando foi que essa vontade de ajudar o próximo, cuidar do próximo foi despertada em você?
Manoel Júnior:
Foi ainda na juventude, eu era aquele amigo que sempre estava pronto para ajudar outros amigos, sempre estava em alerta caso alguém precisasse de mim, não tinha dia, não tinha hora, se alguém precisasse de mim, eu estava alí.

Diário do Estado: Vamos entrar agora na parte em que você de fato descobre esse seu chamado para cuidar de outras vidas, quando começou?
Manoel Júnior:
Em 2014 me formei em resgate APH (APH é a sigla utilizada para Atendimento Pré Hospitalar – aquele primeiro atendimento emergencial que ocorre geralmente fora do ambiente hospitalar. Esta é uma atividade fundamental para as vítimas de acidentes pois, muitas vezes, é neste momento que se evitam as fatalidades.) Foi então que eu descobri o que eu queria fazer da minha vida “ salvar vidas”.

Diário do Estado: E como foi? Mesmo sabendo que você passaria e veria situações extremas de fatalidades, acidentes e mortes você se sentia feliz na escolha que havia feito para sua vida?
Manoel Júnior:
Nunca me arrependi Glenda da escolha que eu havia feito, porque a satisfação que existe dentro de mim, a gratidão que existe dentro de mim em poder ajudar quem está precisando e saber que eu pude salvar uma vida é maior que qualquer dificuldade que as dificuldades da profissão me oferecem.

Diário do Estado: Hoje entre os cursos que você oferece em Coxim e falaremos deles mais adiante, você trabalha como socorrista na CCRMS-VIA, como são suas rotinas lá?
Manoel Júnior:
Pesadas, gostaria de dizer que meus plantões são tranquilos, mas raramente, muito raramente não acontece algum acidente que temos que nos deslocar da nossa base para atender, as pessoas em sua grande maioria são imprudentes, não respeitam as leis de trânsito e isso como consequência gera acidentes e muitos com morte. 

Diário do Estado: A maioria dos acidentes, quais os motivos Manoel?
Manoel Júnior:
Imprudência, sempre, sempre é a imprudência, ultrapassagens proibidas, excesso de velocidade, a pressa é a grande causadora dos acidentes, as pessoas em fração de segundos perdem a vida por total irresponsabilidade, se esquecem que com calma e paciência também chegam ao seu destino.

Diário do Estado: Quantos anos você está na CCRMS-VIA?
Manoel Júnior:
9 anos

Diário do Estado: Nesses 9 anos como socorrista na BR você já deve ter visto muitas coisas felizes e tristes, existe alguma ocorrência que você jamais se esquecerá? uma que tenha te impactado profundamente.
Manoel Júnior:
Houve sim Glenda, aconteceu um acidente entre 2 carros, em um carro haviam 3 pessoas, no outro também 3 pessoas, fomos acionados e ao chegar no local do acidente a cena era de destruição, não havia a mínima chance de alguém ter sobrevivido alí, os carros bateram de frente, em uma ultrapassagem proibida que um dos carros fez, era uma cena de filme de terror, saímos da viatura, nos aproximamos dos carros envolvidos no acidente e não vimos nenhum sobrevivente, ouvi então bem distante uma criança de aproximadamente 6 anos, uma menina, ela foi arremessada para fora do carro, mas o que mais me deixou perplexo foi que ela foi lançada para um monte de mato, parecia que Deus havia feito uma cama de mato, vegetação para que ela caísse ali e aquilo seria para amortecer a queda dela, ela simplesmente saiu ilesa do acidente, não quebrou nenhuma parte do corpo, estava mais assustada e perguntando pela família, eu me desloquei com a menina para viatura a levando para o atendimento médico e eu olha para minha superior e falava: Não tem como, isso aqui que aconteceu foi Deus, como essa menina conseguiu sobreviver a isso? Como ela foi lançada para aquele lugar e não se machucou, não quebrou absolutamente nada, como ela caiu exatamente naquela vegetação que mais parecia uma cama, sem bater em nenhuma árvore? Haviam árvores próximas dela, parece que o corpo dela foi desviado das árvores e caiu exatamente naquele lugar, até hoje eu me pergunto o que aconteceu naquele dia.

Diário do Estado: Você teve notícias dessa criança após o acidente?
Manoel Júnior:
Sim, eu descobri que ela morava perto, na cidade de Rio Verde MT/MS, cidade vizinha de Coxim, fui até a casa dela, levei uma camiseta do Flamengo para ela, porque durante o resgaste fui conversando com ela para acalmá-la e perguntei qual o time dela, ela me disse que torcia pelo flamengo e fui visitá-la e levei essa camiseta para ela, mas até hoje aquele dia não me sai da cabeça, hoje ela está com 9 anos, uma criança saudável e feliz, ela foi a única sobrevivente daquele acidente. Ao todo eram 6 pessoas envolvidas no acidente, foram 5 óbitos e somente ela de sobrevivente.

Diário do Estado: Vamos falar agora sobre um assunto que nos últimos meses têm tomado conta das mídias, vamos falar sobre engasgamentos Manoel, porque tantas pessoas têm se engasgado nos últimos meses? 
Manoel Júnior:
Glenda, é impossível atribuir por que acontece, se é fatalidade, pressa em mastigar, muitas pessoas também se esgasgam com a própriasaliva, ou simplesmente porque aconteceu, o que eu posso dizer é que as pessoas não estão preparadas para socorrer o outro caso isso aconteça, as pessoas acham que nunca precisarão fazer alguma manobra em alguém, até que precisem. Agora eu que vou te fazer uma pergunta, Glenda, você está preparada para fazer uma monobra para desengasgar alguém? ou sabe fazer massagem cardíaca?

Diário do Estado: Não Manoel, não tenho curso de primeiros socorros e também se hoje alguém precisasse de mim eu não saberia como proceder, e sei que deveria saber pois tenho uma mãe idosa.
Manoel Júnior:
Viu? mas não se sinta mal por isso Glenda, você faz parte da grande maioria da população brasileira que não têm conhecimento sobre APH, nos últimos meses vimos sim um grande número de casos fatais que levam a óbitos em idosos e crianças serem divulgados, aqui em Coxim inclusive houve um caso de uma criança que veio a óbito após se engasgar, isso acontece com mais frequência que pensamos, e na grande maioria as vítimas são idosos e crianças.

Diário do Estado: Você é habilitado para dar os cursos de APH em Coxim certo Manoel? e a procura por esses cursos é grande aqui?
Manoel Júnior:
Glenda, é inacreditável como o curso de APH e primeiros socorros cresceu em Coxim nos últimos meses, muitas pessoas têm nos procurado para começar fazer os cursos e sim, tenho cursos, certificados,treinamentos, que me credenciam para oferecer esses cursos na cidade, até porque também minha profissão é essa né? Sou socorrista, então tenho experiência salvamento.

Diário do Estado: Quais as pessoas que mais procuram para fazer os cursos manoel?
Manoel Júnior:
Na grande maioria são pessoas que cuidam dos seus pais idosos e pais com crianças pequenas em casa, eles querem saber como proceder em casos em que um idoso se engasga, sofre um infarto, um AVC, uma queda, já que a mobilidade dos idosos fica bem reduzida com passar dos anos, e no caso das crianças os pais fazem o curso por medo dos afogamentos e engasgamentos, mas os números de pessoas interessadas pelo curso triplicou nos últimos meses.

Diário do Estado: Quanto tempo dura um curso de APH e primeiros socorros?
Manoel Júnior:
Os cursos duram 3 meses, o material é todo oferecido por mim, acontecem sempre aos domingos, porque muitas pessoas que querem fazer trabalham durante a semana e não podem fazer então optei por fazer aos domingos.

Diário do Estado: Você tem um número estimado de quantas pessoas você capacitou este ano de 2024?
Manoel Júnior:
De janeiro até agora foram 57 pessoas, no mês passado, julho, formei uma turma agosto agora começou mais uma turma e a última turma será em outubro.

Diário do Estado: Qual sentimento em formar pessoas para ajudar outras pessoas Manoel?
Manoel Júnior:
De gratidão por poder contribuir de alguma forma e saber que alguns sacrifícios na vida valem a pena.

Diário do Estado: Nessa caminhada, existe alguma dor de ter perdido alguém?
Manoel Júnior:
Glenda, todas as vidas são importantes, das pessoas que eu conheço, e também das pessoas que eu não conheço porque elas são o amor na vida de alguém, então toda vida é importante, mas uma dor que acho que não será curada nunca, é não ter tido o poder para salvar minha mãe, ela faleceu há quase 1 mês, e esse era o atendimento que eu gostaria de ter conseguido sucesso, se dependesse de mim, mas Deus precisava mais dela que eu, e eu aceito, porque de tudo, ser filho dela me salvou, o amor dela por mim me salvou muitas vezes.

Diário do Estado: Hora do nosso bate-bola Manoel, vamos lá?
Diário do Estado:
Um cheiro?
Manoel Júnior: O cheiro da minha mãe 

Diário do Estado: Uma música?
Manoel Júnior:
Meu abrigo (Melim)

Diário do Estado: Um lugar?
Manoel Júnior:
Minha casa

Diário do Estado: Uma saudade?
Manoel Júnior:
Sem dúvida, da minha mãe

Diário do Estado: Um sonho?
Manoel Júnior:
Ser reconhecido pelo meu trabalho

Diário do Estado: Um dia feliz é?
Manoel Júnior:
Estar vivo

Diário do Estado: Um dia triste é? 
Manoel Júnior:
Quando perdemos quem amamos

Diário do Estado: O que te deixa com raiva?
Manoel Júnior:
Quando sei que estou certo mas tenho que me calar

Diário do Estado: Um dia perfeito é?
Manoel Júnior:
Poder fazer a diferença na vida de alguém

Diário do Estado: Uma lembrança?
Manoel Júnior:
Minha mãe

Diário do Estado: Uma comida?
Manoel Júnior:
Arroz, feijão e bife a milanesa

Diário do Estado: Uma cor?
Manoel Júnior:
Preto

Diário do Estado: Um sentimento?
Manoel Júnior:
Amor

Diário do Estado: Gratidão?
Manoel Júnior:
Estar vivo

Diário do Estado: Quem quiser se informar sobre os cursos qual contato?
Manoel Júnior:
Pelo telefone 67- 99892-1061

Diário do Estado: Gostaria que você deixasse suas considerações finais por favor Manoel
Manoel Júnior:
Gostaria de agradecer todos do jornal Diário do Estado de poder contar um pouco da minha história, e de como somos importantes e podemos fazer a diferença na vida das pessoas, nós escolhemos de que forma iremos impactar na vida do outro, de maneira positiva ou maneira negativa, poder ajudar pessoas, salvar vidas sempre foi o que eu quis fazer da minha vida, uns escolhem caminhos errados, eu escolhi lutar pela vida, não só pela minha mas de todas as pessoas, é isso que Deus espera de nós, é isso que devemos oferecer a Deus.

 

Entrevista

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem confeiteiro que está conquistando Coxim

Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

10 de outubro de 2025

Doce Propósito: A trajetória de Victor Manuel, o jovem
confeiteiro que está conquistando Coxim

 

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Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração 

Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel:
Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.

Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel:
Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer  eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.

Diário do Estado:  Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.

Diário do Estado:  Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel:
Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.

Diário do Estado:  Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel:
O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.

Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel:
Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.

Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel:
Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.

Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel:
O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.

Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel:
Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.

Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel:
Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.

Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel:
Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.

Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel:
No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.

Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel:
Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.

Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel:
Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.

Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel:
Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.

Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel:
Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.

Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel:
Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.

Diário do Estado:  Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel:
Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.

Diário do Estado:  Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel:
Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.

Diário do Estado:  Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel:
Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.

Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel:
O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.

Diário do Estado:  Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel:
Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.

Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel:
Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais  @Vicktor_emanuell


 

Entrevista

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre desafios, conquistas e futuro da rede educacional

Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

5 de setembro de 2025

Educação que Transforma: Marly Nogueira fala sobre
desafios, conquistas e futuro da rede educacional

 

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À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.

Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly:
Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.

Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly:
Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.

Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly:
Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.

Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly:
Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.

Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly:
Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly:
O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.

Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly:
Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.

Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly:
As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.

Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly:
Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.

Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly:
Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.

Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly:
Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.

Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly:
É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.

Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly:
Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.

Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly:
Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly:
Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.

Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly:
Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.

Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly:
Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.

Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly:
Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.

Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly:
Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.

Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly:
O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.

Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly:
Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.

Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly:
• Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.

Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly:
A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.

Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly:
Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.

Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly:
Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.