quinta, 04 de junho, 2026
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O tema de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013 pode ser considerado tradicional em relação ao que a prova costuma cobrar. “Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil” foi visto como um tema simples, de relevância social e âmbito nacional - além de ser uma atualidade na época. Em dezembro de 2012, a lei havia se tornado ainda mais rígida, causando polêmica. Foi parar no caderno de questões do popular exame brasileiro.
Não há como prever qual será o desafio dos cerca de 9,5 milhões de inscritos no Enem 2014. E professores de cursos pré-vestibulares nem recomendam aos alunos que tentem adivinhar qual será. “O aluno preparado é aquele que fala sobre qualquer tema, acompanha jornais, portais de notícias. É o aluno que lê. Não o que pensa em algum tema e só se prepara para ele”, afirma Andrea Provasi, professora de redação do Cursinho da Poli.
Segundo a professora, o Enem estabelece quatro ordens nas quais o tema pode estar: cultural, social, científica e política. E, dentro disso, o mais comum é apresentar atualidades. “Mas nada impede que apareçam surpresas. Em uma edição, o Enem tratou do tema ‘O poder transformador da leitura’ (2006). De certa forma, foi uma surpresa”, conta. Veja a seguir apostas de professores de cursos pré-vestibulares para a redação de 2014.
Participação da mulher na sociedade
Ainda acerca de uma abordagem política, o professor de Língua e Portuguesa e redação Ávila Oliveira, do Unificado, aposta que o fato do Brasil e outros países da América Latina apresentarem presidentes mulheres – além de Dilma Rousseff, Michelle Bachelet, no Chile, e Cristina Kirchner, na Argentina, são exemplos – é um tema de redação possível.
“Acho que está ‘quicando essa bola’ há algum tempo, o tema da participação da mulher na sociedade. Temos a Dilma como presidenta, a América Latina com presidentas. Até o termo ‘presidenta’ pode aparecer nos textos de apoio”, arrisca. Outros fatos como a Lei Maria da Penha, o movimento social Marcha das Vadias e o erro em pesquisa do Ipea (o órgão publicou que 65,1% concordam quemulheres com roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas, quando o correto seria 26%) também são indicações.
Para a professora Andrea, a questão de gênero pode ter relação com as denúncias de assédio sexual nos metrôs, amplamente divulgadas pela imprensa. O pedido por vagões femininos poderiam ser debatidos como um direito ou uma segregação negativa.
Democracia
A maior efeméride brasileira em 2014 pode motivar a banca a discutir a democracia com os candidatos. O golpe militar de 1964, cujo aniversário de 50 anos aconteceu em março, é uma aposta de professores para o tema de redação do Enem.
Ainda que não acredite em uma discussão do fato em si, Andrea Provasi pensa que o Enem pode trazer textos sobre os 50 anos do golpe e pedir propostas de intervenção para consolidar a democracia brasileira, considerada por ela recente.
Professor de História do Grupo Unificado, Fabrício Indrusiak não está tão confiante quanto à cobrança do cinquentenário na prova de redação – mas, se o golpe militar aparecer na prova, o mais provável é que discuta a democracia brasileira, acredita. A ampliação da rede de saúde brasileira, “principal pauta do governo nos últimos quatro anos”, sobretudo pelo programa Mais Médicos, seria um tema histórico mais provável, diz Indrusiak.
O tema do processo democrático pode surgir ainda motivado pelas eleições, que acontecerão ainda esse ano, diz Liliane Negrão, professora de gramática e redação do curso Oficina do Estudante. “O Brasil tem um dos processos eleitorais mais modernos do mundo. Além disso, as redes sociais e a internet podem entrar (na prova) pela possibilidade de conscientização do voto, com as pessoas mais bem informadas”, diz.
Racismo e esporte
Em ano de Copa do Mundo no Brasil, é razoável supor que o maior campeonato de futebol do planeta possa surgir como base para um tema de redação do Enem. Porém, os professores acreditam que a abordagem, se acontecer, deve ser mais ampla.
Andrea aposta em um debate sobre a dimensão social, histórica e cultural do esporte em meio ao povo brasileiro. Questões de identidade e de integração social são típicas do Enem, no seu ponto de vista. Da mesma forma, Ávila Oliveira aposta em “como o esporte pode modificar a sociedade”, ou algo similar. Mas acha difícil a cobrança sobre grandes eventos esportivos.
Andrea lembra outro episódio marcante em 2014 que dialoga com a prática esportiva: a campanha “Somos todos macacos”, gerada a partir do episódio na Espanha em que o jogador brasileiro Daniel Alves mordeu uma banana durante uma partida de futebol, após esta ser atirada em sua direção - ato claramente racista. “Dentro disso, há vários recortes possíveis. Como a questão das cotas nas universidades”.
Tráfico humano: da novela para a prova
Em 2007, o tema de redação do Enem foi “O desafio de se conviver com a diferença”. No ano anterior, estava no ar a novela Páginas da Vida (TV Globo, 2006), que tinha entre suas personagens uma menina comSíndrome de Down - o que não parece coincidência para o professor Ávila Oliveira. “As novelas atingem a todos, quem vê e quem não vê”.
Oliveira não duvida que isso possa acontecer novamente em 2014. “No ano passado, uma novela falou de tráfico humano (Salve Jorge, TV Globo). A gente foi bombardeado massivamente com reportagens repercutindo isso, o trajeto da personagem, etc. Para você ver, eu particularmente não acompanho novelas, mas isso chegou até mim”.
Esse seria um forte candidato à tema de redação do Enem 2014 na visão do professor, assim como apublicidade direcionada ao público infantil. O debate sobre uma restrição de horário para a veiculação dessas propagandas às crianças poderia se estender até a ponta do lápis dos candidatos.
Educação
Candidatos devem se inscrever na Página do Participante; prova será aplicada nos domingos 8 e 15 de novembro.
29 de maio de 2026
As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 seguem abertas até 5 de junho, na Página do Participante. A taxa é de R$ 85 e pode ser paga até 10 de junho. As provas estão marcadas para os domingos 8 e 15 de novembro.
Após a inscrição, o sistema gera a Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança) no valor de R$ 85. O pagamento pode ser feito entre 25 de maio e 10 de junho, por Pix, cartão de crédito, débito ou boleto, em bancos, casas lotéricas e aplicativos bancários.
A inscrição só é confirmada após o processamento do pagamento da taxa. O prazo também vale para pedidos de atendimento especializado e uso de nome social.
Estudantes que estão concluindo o ensino médio em escolas públicas têm inscrição automática, mas precisam confirmar a participação no sistema, escolher a opção de língua estrangeira e informar, se necessário, recursos de acessibilidade ou nome social.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), candidatos com pedido de isenção aprovado também devem confirmar a participação na Página do Participante.
O Inep informou que pretende ampliar para cerca de 10 mil o número de locais de aplicação do exame em todo o país. A estimativa é que aproximadamente 80% dos estudantes da rede pública façam a prova na própria escola em que estudam.
O Enem avalia o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica e é usado como principal forma de acesso ao ensino superior no Brasil, por meio de programas federais como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As instituições de ensino públicas e privadas também utilizam os resultados do exame em seus processos seletivos. Desde 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão do ensino médio para candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima exigida em cada área do conhecimento e na redação.
As notas individuais também podem ser usadas em processos seletivos de instituições portuguesas conveniadas com o Inep.
Educação
O Senado Federal aprovou ontem, (26) a medida provisória que reajusta o piso salarial nacional dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026. O novo valor...
27 de maio de 2026
O Senado Federal aprovou ontem, (26) a medida provisória que reajusta o piso salarial nacional dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026. O novo valor representa um aumento de 5,4% em relação ao piso anterior, fixado em R$ 4.867,77.
A proposta foi analisada pelo Congresso Nacional e recebeu alterações durante a tramitação. Por isso, o texto foi convertido em projeto de lei e seguirá agora para sanção do presidente da República.
O reajuste beneficia professores da rede pública da educação básica em todo o país e segue a política nacional de valorização do magistério. O piso salarial é válido para profissionais com jornada de 40 horas semanais.
Segundo o governo federal, a atualização busca garantir a recomposição salarial da categoria e fortalecer a valorização dos profissionais da educação.
Após a sanção presidencial, o novo valor passará a valer oficialmente para o ano de 2026.