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Como brasileiro virou programador usando celulares quebrados

Cesar Pauxis desafiou lógica e pobreza para se tornar um menino-prodígio na área de informática. Com apenas 17 anos, ele foi recrutado pela maior empresa brasileira de pagamentos eletrônicos.

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10 de março de 2021

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g1.globo

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"Tinha um aparelho que esquentava tão rápido que eu precisava colocar no congelador. Em outros eu só conseguia usar parte da tela."

Cézar Pauxis assim descreve uma rotina de "relacionamentos problemáticos" com os muitos telefones celulares usados que teve durante a adolescência — os únicos que cabiam no orçamento familiar.

Mas foi em meio a "gambiarras" e com uma dose cavalar de perseverança que o paraense desafiou lógica e pobreza: Pauxis se tornou um autodidata em programação e, aos 17 anos, viu-se disputado por empresas de tecnologia brasileiras depois que um tuíte seu viralizou em meio em meio a profissionais da área no apagar das luzes de 2020.

"Eu estava pedindo ajuda para comprar um computador celular melhorzinho porque, para variar, o que eu estava usando tinha quebrado," conta o jovem à BBC News Brasil.

 

Vaquinha viral

Em uma questão de dias, a thread superou 90 mil curtidas e 20 mil compartilhamentos, além de resultar em enxurrada de doações. A visibilidade também despertou interesse profissional no caso do paraense.

Ele foi contatado por uma série de empresas que incluiu a Picpay, a empresa de pagamentos eletrônicos com sede em Vitória (ES) e que, curiosamente, estava sendo usada por Pauxis na vaquinha virtual. 

"Aprender programação do zero, nas condições que o Cezar tinha, é muito difícil. Quando ele contou sua história no Twitter, a comunidade tech passou a acompanhar," diz Diogo Carneiro, diretor técnico da Picpay.

 

Programar em celulares é mais complicado que em computadores por conta da diferença de tamanho de telas e pelo fato de que é necessário digitar bastante, o que pode ser desconfortável em condições normais — o que dirá em celulares com problemas.

Desde 1º de março deste ano, Pauxis é um dos mais novos funcionários da empresa, na função de desenvolvedor. Trabalhando remotamente de Belém, ele mora sozinho em um apartamento, pois a família se mudou há alguns anos para a pequena cidade de Carutapera, no interior do Maranhão.

A história de Pauxis viajou além do mundo tech. Mais precisamente chegou ao site Razões Para Acreditar, que organiza doações para pessoas consideradas inspiradoras.

Uma nova vaquinha virtual arrecadou em janeiro fundos de mais de R$ 80 mil que serão usados em obras para, literalmente, terminar a casa em que família vive em Carutapera.

"A gente não tinha condições financeiras para achar uma casa pronta, então precisou viver em uma inacabada", conta Pauxis, que também pretende usar parte da verba fazer um curso formal de programação. 

Interesse pelos 'bots'

 

O paraense, que aprendeu a ler aos três anos de idade, tinha 14 quando começou a se interessar pelos chamados "bots", aplicações autônomas que rodam na internet enquanto desempenham algum tipo de tarefa pré-determinada.

Pauxis tinha curiosidade especial pelos bots no aplicativo Telegram. Começou, sempre com o auxílio de um celular usado, a buscar informações em comunidades de programadores.

"A última vez que tive computador em casa foi aos cinco, seis anos de idade", conta.

 

"Então, tive que usar o celular. As pessoas com quem conversava me avisaram do quanto era difícil programar em celular, mas a minha curiosidade era maior."

 

Outro obstáculo eram os problemas nos aparelhos. Falhas fizeram com que Pauxis por várias vezes perdesse todo o trabalho feito e frequentemente o obrigavam a ficar sem trabalhar nos projetos por meses a fio.

"Era muito desmotivador quando isso acontecia. Só que eu nunca pensei em desistir."

Ainda assim, ele conseguiu criar dois bots para o Telegram que respondiam a pesquisas. Pauxis, porém, hesitava em pedir ajuda financeira aos contatos que fez online. Durante anos ele evitou inclusive tornar sua história pública.

"Eu tinha e ainda tenho muito medo de as pessoas me interpretarem mal e acharem que eu estou tentando me vitimizar", diz o adolescente.

Me chamo Cezar Pauxis, tenho 17 anos e estudo programação no celular desde 2017. A última vez que tive computador em casa foi aos 5 ou 6 anos de idade (e teve 2 semanas que eu fiquei com um netbook defeituoso que minha irmã me deu, netbook cujo o HD e bateria não funcionavam)

— December 29, 2020

"Tenho criado projetos com programação todos esses anos sempre somente em celulares quebrados. Mas é o que eu amo fazer e sempre fiz de graça simplesmente para poder ajudar os usuários, por isso relutei em pedir doações ou cobrar pelo serviço."

O mundo deu voltas para Cézar Pauxis desde então e, durante a conversa com a reportagem ele já tinha um smartphone novo em folha em mãos.

Mas o paraense não quer esquecer os percalços passados. E quer que sua história sirva de incentivo para outras pessoas que se encontrem em situações semelhantes a que ele viveu.

"Eu gosto da ideia de inspirar e motivar outras pessoas a não desistir. Queria que elas vissem também que a gente não precisa de muita coisa para seguir um sonho."

"Muita gente tem celulares ou outros equipamentos que às vezes estão largados em alguma gaveta. Elas poderiam doar esses equipamentos, pois isso pode ajudar demais quem precisa," acrescenta.

O desafio agora para Pauxis é um outro tipo de programação: a cozinha.

"Até agora eu só sei fazer arroz e macarrão", brinca o adolescente.

Educação

Enem 2026: inscrições terminam em 5 de junho e taxa de R$ 85 pode ser paga até dia 10

Candidatos devem se inscrever na Página do Participante; prova será aplicada nos domingos 8 e 15 de novembro.

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As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 seguem abertas até 5 de junho, na Página do Participante. A taxa é de R$ 85 e pode ser paga até 10 de junho. As provas estão marcadas para os domingos 8 e 15 de novembro.

Prazo e pagamento

Após a inscrição, o sistema gera a Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança) no valor de R$ 85. O pagamento pode ser feito entre 25 de maio e 10 de junho, por Pix, cartão de crédito, débito ou boleto, em bancos, casas lotéricas e aplicativos bancários.

A inscrição só é confirmada após o processamento do pagamento da taxa. O prazo também vale para pedidos de atendimento especializado e uso de nome social.

Quem precisa confirmar a participação

Estudantes que estão concluindo o ensino médio em escolas públicas têm inscrição automática, mas precisam confirmar a participação no sistema, escolher a opção de língua estrangeira e informar, se necessário, recursos de acessibilidade ou nome social.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), candidatos com pedido de isenção aprovado também devem confirmar a participação na Página do Participante.

Aplicação das provas

O Inep informou que pretende ampliar para cerca de 10 mil o número de locais de aplicação do exame em todo o país. A estimativa é que aproximadamente 80% dos estudantes da rede pública façam a prova na própria escola em que estudam.

Uso da nota

O Enem avalia o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica e é usado como principal forma de acesso ao ensino superior no Brasil, por meio de programas federais como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As instituições de ensino públicas e privadas também utilizam os resultados do exame em seus processos seletivos. Desde 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão do ensino médio para candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima exigida em cada área do conhecimento e na redação.

As notas individuais também podem ser usadas em processos seletivos de instituições portuguesas conveniadas com o Inep.

Educação

Senado aprova reajuste do piso nacional dos professores para R$ 5,1 mil em 2026

O Senado Federal aprovou ontem, (26) a medida provisória que reajusta o piso salarial nacional dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026. O novo valor...

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O Senado Federal aprovou ontem, (26) a medida provisória que reajusta o piso salarial nacional dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026. O novo valor representa um aumento de 5,4% em relação ao piso anterior, fixado em R$ 4.867,77.

A proposta foi analisada pelo Congresso Nacional e recebeu alterações durante a tramitação. Por isso, o texto foi convertido em projeto de lei e seguirá agora para sanção do presidente da República.

O reajuste beneficia professores da rede pública da educação básica em todo o país e segue a política nacional de valorização do magistério. O piso salarial é válido para profissionais com jornada de 40 horas semanais.

Segundo o governo federal, a atualização busca garantir a recomposição salarial da categoria e fortalecer a valorização dos profissionais da educação.

Após a sanção presidencial, o novo valor passará a valer oficialmente para o ano de 2026.