quinta, 04 de junho, 2026
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Depois de 22 anos longe dos livros, a dona de casa Tábata Lopes Ribeiro, 37 anos, de Caçapava, voltou para a sala de aula. A estudante conclui a educação básica pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e conseguiu realizar um sonho: fazer direito, mesmo curso que a filha de 19 anos faz. As aulas começaram nesta semana.
Tábata deixou a escola aos 17 anos durante a primeira gravidez. Depois do nascimento da filha, decidiu que iria se dedicar á maternidade. Durante os anos que esteve longe dos estudos, teve outros dois filhos e achou que estudar era uma realidade distante. Apenas com a oitava série, ela conta que foi a própria filha e o marido que a incentivaram a tentar voltar.
“Eu via os dois na faculdade e sentia que eu estava cada vez mais distante deles. Achava que seria impossível alcançá-los, até que meu marido fez a surpresa de me inscrever para o curso da Educação para Jovens e Adultos (EJA) para eu terminar o ensino médio”, disse.
Conseguir o diploma parecia o primeiro desafio. Em sua época, os alunos usavam livros e tudo era na ponta da caneta. Hoje, com a revolução tecnológica, os livros podem ser substituídos por pen-drives e o acesso ao conteúdo está na ponta dos dedos, com o uso dos smartphones e tablets.
“Voltar a estudar já era uma coisa nova para a minha rotina, com tantas mudanças na educação, foi tudo muito novo para mim. Eu mantive a força de vontade e acabei conseguindo”, disse. Em um ano e meio ela conseguiu terminar o ensino fundamental e o 1º ano do ensino médio.
O caminho para o sonho estava próximo, mas ainda faltavam várias etapas até que chegasse à graduação. Poucos sabem, mas o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) além de ser uma prova unificada para o acesso à universidades públicas e programas sociais, é também usado para a conclusão do ensino médio para aqueles que pararam os estudos. Segundo o Ministério da Educação, é preciso atingir pontuação mínima - 400 pontos em cada uma das áreas avaliadas e 500 na redação- para ter direito ao certificado. A aluna conseguiu 560 pontos no exame.
Sonho de família
O direito não era apenas um sonho de Tábata, mas da família. O marido, Luiz dos Santos Ribeiro, também decidiu deixar o medo de lado e se aventurou a tentar a primeira graduação depois de anos longe dos estudos. Funcionário do fórum de Caçapava, ele começou como entregador e hoje atua no administrativo do órgão.
“Eu me vi tentando e queria que ela fizesse o mesmo. Sabia que ela conseguiria pela mulher forte, comunicativa e esforçada que é. Era o sonho dela e queria que conquistássemos juntos” conta. Luiz hoje cursa o 2º ano de direito, e tem como colega de sala a filha do casal, hoje com 19 anos.
Fazer o Enem foi o primeiro passo, mas com tantos anos fora da sala de aula, a confiança de Tábata foi posta à prova quando decidiu fazer o vestibular. “Eu fiz, mas não acreditava que conseguiria. Tentei para saber como era”. Ao saber que passou, não pode conter as lágrimas.
Tábata teve a primeira aula na universidade nesta semana e planeja, junto com o marido e a filha, montarem um escritório de advocacia.
“Aprendi que nunca é tarde para tentar e só existem obstáculos se nós os fortalecermos. Sei que ainda tenho uma trajetória pela frente e que vai ser difícil, mas hoje sei que sou capaz”.
Educação
Candidatos devem se inscrever na Página do Participante; prova será aplicada nos domingos 8 e 15 de novembro.
29 de maio de 2026
As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 seguem abertas até 5 de junho, na Página do Participante. A taxa é de R$ 85 e pode ser paga até 10 de junho. As provas estão marcadas para os domingos 8 e 15 de novembro.
Após a inscrição, o sistema gera a Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança) no valor de R$ 85. O pagamento pode ser feito entre 25 de maio e 10 de junho, por Pix, cartão de crédito, débito ou boleto, em bancos, casas lotéricas e aplicativos bancários.
A inscrição só é confirmada após o processamento do pagamento da taxa. O prazo também vale para pedidos de atendimento especializado e uso de nome social.
Estudantes que estão concluindo o ensino médio em escolas públicas têm inscrição automática, mas precisam confirmar a participação no sistema, escolher a opção de língua estrangeira e informar, se necessário, recursos de acessibilidade ou nome social.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), candidatos com pedido de isenção aprovado também devem confirmar a participação na Página do Participante.
O Inep informou que pretende ampliar para cerca de 10 mil o número de locais de aplicação do exame em todo o país. A estimativa é que aproximadamente 80% dos estudantes da rede pública façam a prova na própria escola em que estudam.
O Enem avalia o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica e é usado como principal forma de acesso ao ensino superior no Brasil, por meio de programas federais como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As instituições de ensino públicas e privadas também utilizam os resultados do exame em seus processos seletivos. Desde 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão do ensino médio para candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima exigida em cada área do conhecimento e na redação.
As notas individuais também podem ser usadas em processos seletivos de instituições portuguesas conveniadas com o Inep.
Educação
O Senado Federal aprovou ontem, (26) a medida provisória que reajusta o piso salarial nacional dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026. O novo valor...
27 de maio de 2026
O Senado Federal aprovou ontem, (26) a medida provisória que reajusta o piso salarial nacional dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026. O novo valor representa um aumento de 5,4% em relação ao piso anterior, fixado em R$ 4.867,77.
A proposta foi analisada pelo Congresso Nacional e recebeu alterações durante a tramitação. Por isso, o texto foi convertido em projeto de lei e seguirá agora para sanção do presidente da República.
O reajuste beneficia professores da rede pública da educação básica em todo o país e segue a política nacional de valorização do magistério. O piso salarial é válido para profissionais com jornada de 40 horas semanais.
Segundo o governo federal, a atualização busca garantir a recomposição salarial da categoria e fortalecer a valorização dos profissionais da educação.
Após a sanção presidencial, o novo valor passará a valer oficialmente para o ano de 2026.