domingo, 26 de julho, 2026
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Alvo de investigação do presidente norte-americano Donald Trump, o Pix, ferramenta criada pelo Banco Central do Brasil, é fortemente defendido pelo setor comercial de Mato Grosso do Sul, que cita a ferramenta como um instrumento indispensável para o varejo no Estado.
O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos foi citado em um processo aberto pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que investiga o país por supostamente adotar ‘práticas desleais’ em serviços de pagamentos eletrônicos. O documento foi divulgado na última terça-feira (15).
Conforme a presidente da FCDL/MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul), Inês Santiago, desde sua implementação, em 2020, o Pix transformou como o comércio se relaciona com os meios de pagamento, garantindo agilidade nas transações, redução de custos operacionais e mais segurança no recebimento.
“Para o pequeno lojista, sobretudo, o Pix eliminou etapas burocráticas, facilitou o controle financeiro diário e aumentou a competitividade. A aceitação dessa ferramenta pelo consumidor também é ampla, tornando sua presença no setor praticamente obrigatória. Trata-se de um recurso que fortalece a economia local, promove inclusão financeira em todas as regiões do Estado e contribui para a modernização do ambiente de negócios brasileiro”, pontua Santiago.
A presidente cita que a Federação reconhece o sistema de pagamentos instantâneos uma conquista do Brasil, adotada massivamente pelos consumidores e pelo setor produtivo. Além disso, ela avalia que uma eventual invalidação ou restrição do uso do Pix impactaria diretamente a dinâmica de vendas, o fluxo de caixa dos empresários e a confiança do consumidor.
“Defendemos que o Pix seja tratado como infraestrutura essencial, com ampla proteção jurídica e institucional, blindada contra pressões externas que possam comprometer seu funcionamento. Eventuais ameaças à sua estabilidade, sobretudo vindas de contextos políticos ou externos, colocam em risco um dos pilares de modernização do comércio nacional. O Brasil é um Estado soberano, com plena autonomia para definir e conduzir sua política financeira interna”, conclui.
Conforme observa o analista de economia do Departamento Técnico da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Jean Carlos da Silva Américo, assim como em outras atividades econômicas, o Pix passou a fazer parte da rotina financeira de quem atua no campo.
“O produtor rural utiliza a ferramenta de acordo com suas necessidades operacionais, estrutura de gestão e nível de acesso à tecnologia, o que varia entre pequenas, médias e grandes propriedades”, destaca.
No meio rural, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos costuma ser utilizado para transações do dia a dia, como compras de insumos, despesas com fornecedores locais, contratação de serviços, transporte de cargas, pequenos reparos e remuneração de mão de obra eventual.
Já no que diz respeito a transações de grandes valores, ou ligadas ao comércio exterior, o setor segue utilizando os modelos de operações tradicionais, como contratos bancários, operações de câmbio e outros mecanismos específicos de liquidação, que atendem às exigências formais e regulatórias dessas transações, conforme explica Américo.
“O principal benefício do Pix é a agilidade para fazer transferências a qualquer hora, o que facilita pagamentos imediatos, elimina burocracias de horário bancário e reduz a circulação de dinheiro vivo. Esses mesmos benefícios são percebidos no meio rural, onde é comum haver pagamentos a fornecedores, pequenos prestadores de serviços e funcionários fora do horário comercial ou em localidades mais distantes dos centros urbanos”, exemplifica.
Em relação aos possíveis impactos que possam surgir diante da investigação aberta pelo governo norte-americano, Américo cita possíveis mudanças de regras ou restrições no funcionamento do Pix. No entanto, reforça que qualquer ajuste costuma seguir as diretrizes gerais do mercado financeiro, e que os reflexos para o agro ocorrem de forma semelhante a outros setores. “Apesar dessas possibilidades, o cenário ainda exige cautela e acompanhamento das definições”.
O vice-presidente da ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), Omar Aukar, declara que a Associação não acredita que a investigação por parte do governo norte-americano vá gerar algum impacto sobre a utilização do Pix no Brasil, e nem deva interferir nas atuais discussões sobre a imposição de tarifas ao Brasil.
“Apesar de o Pix ter trazido prejuízos aos bancos e operadoras de cartão de crédito que deixaram de faturar pela gratuidade desse serviço, ele é um sistema de pagamento fruto de uma evolução tecnológica e que se tornou muito importante para o setor empresarial e para os consumidores”, comenta.
Além disso, Aukar destaca que a modalidade oferece vantagens como pagamentos rápidos, redução de custos, maior segurança, melhoria da gestão financeira, e seu sucesso de adesão atrai olhares para além das fronteiras. “Vale lembrar que a ferramenta de pagamento instantâneo criada pelo Banco Central tem despertado o interesse de outros países também, comprovando seu poder de inovação”, conclui.
Em Mato Grosso do Sul, 54% dos clientes de micro e pequenos empreendedores utilizam o Pix como principal meio de pagamento, de acordo com dados mais recentes levantados na pesquisa “Pulso dos Pequenos Negócios”, elaborada pelo Sebrae/MS em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O levantamento também colocou o Estado como líder no ranking nacional no uso do Pix como forma para aquisição de produtos e contratação de serviços no ano de 2023. Foi constatado também que 14% dos consumidores preferem o cartão de crédito, e 9% optam pelo cartão de débito.
Conforme o relatório preliminar da USTR, o governo norte-americano acusa o Brasil de adotar ‘práticas desleais’ em serviços de pagamentos eletrônicos. Apesar do documento não citar especificamente o Pix, uma das linhas de investigação aborda ‘serviços de comércio digital e pagamento eletrônico’, incluindo serviços do governo, sendo que a modalidade representa o único sistema da instituição voltado a esta finalidade.
O documento ainda inclui outros tópicos de investigação, como: pirataria, em que faz menção à Rua 25 de Março, um dos maiores centros comerciais da cidade de São Paulo (SP); tarifas protegidas sobre produtos norte-americanos (como o etanol); corrupção, desmatamento; e restrições à transferência nacional de dados.
A principal motivação para colocar o Pix na ‘berlinda’, está em uma suposta vantagem concedida pelo governo brasileiro ao modelo de transação. Conforme justifica a USTR, a modalidade teria sido estruturada com intuito de beneficiar serviços locais, causando prejuízos a soluções de pagamento oferecidas por empresas norte-americanas.
Dessa forma, o governo norte-americano alega estar sendo prejudicado pelo caráter gratuito, instantâneo e massivo do Pix, ocasionando uma mudança estrutural no setor de pagamentos, reduzindo receitas de operadoras de cartão, como Visa e Mastercard, e de sistemas privados que cobram taxas.
A reportagem procurou o Banco Central, bem como a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), para solicitar um posicionamento referente à investigação por parte do governo norte-americano, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.
Economia
Concurso 3.035 foi sorteado em São Paulo; em Mato Grosso do Sul, 54 apostas acertaram a quadra em 26 municípios.
24 de julho de 2026
Uma aposta registrada em Bonito acertou cinco das seis dezenas da Mega-Sena e ganhou R$ 41.401,04 no concurso 3.035, sorteado em São Paulo na noite de quinta-feira (23). Como nenhuma aposta acertou as seis dezenas, o prêmio principal acumulou e pode chegar a R$ 70 milhões no próximo sorteio, previsto para domingo.
Os números sorteados foram 5, 7, 17, 51, 56 e 59. Em todo o país, 49 apostas acertaram a quina, com prêmio de R$ 41.401,04 para cada bilhete.
A Caixa Econômica Federal (CEF) também registrou 4.056 apostas com quatro acertos, com prêmios a partir de R$ 824,44.
Em Mato Grosso do Sul, 54 apostas acertaram a quadra em 26 municípios, somando R$ 54.412,46 em prêmios. Campo Grande e Dourados tiveram nove bilhetes premiados cada.
Coxim, Ponta Porã e Três Lagoas registraram três apostas vencedoras por cidade. Amambai, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Mundo Novo, Sidrolândia e Sonora tiveram duas quadras por município.
Também houve registros com uma quadra em Anastácio, Bonito, Caarapó, Camapuã, Cassilândia, Chapadão do Sul, Fátima do Sul, Iguatemi e Jardim. A relação inclui ainda Ladário, Miranda, Naviraí, Nova Andradina, Rio Verde de Mato Grosso e São Gabriel do Oeste.
A maioria das apostas com quatro acertos recebeu R$ 824,44. Seis registros feitos com sete números ou por meio de bolões renderam entre R$ 2.473,12 e R$ 2.473,32.
Segundo os dados do concurso, o valor acumulado chegou a R$ 61.587.911,42. Parte dos bilhetes foi registrada por canais eletrônicos e pelo internet banking da CEF, além de apostas feitas em casas lotéricas.