quinta, 04 de junho, 2026
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A desigualdade entre Estados fica evidente quando se olha para as classes médias. Os brasileiros mais ricos são ricos em qualquer lugar do país, e o mesmo vale para os mais pobres. Mas fazer parte da classe média trabalhadora pode jogar o indivíduo para o grupo dos mais pobres do Brasil, se ele estiver em Alagoas, ou colocá-lo entre os mais ricos caso ele esteja no Distrito Federal.
Há várias razões a explicar a disparidade, mas os salários no serviço público são determinantes, aponta estudo divulgado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
Conduzido pelos economistas Carlos Góes e Izabela Karpowicz, o texto "Desigualdade no Brasil, uma Perspectiva Regional" não reflete a posição do Fundo.
Nos últimos anos, essa variação de renda entre as classes médias das diferentes regiões caiu. Mas, embora tenha ficado mais próximo ser da classe média em São Paulo ou no Maranhão, a assimetria persiste, bastante marcada pelos salários da elite do funcionalismo.
Entre 2004 e 2015, os salários do setor privado subiram, em média, 20%, já descontada a inflação. No setor público, a alta superou 40%.
Não fosse o avanço dos salários desse grupo, é possível dizer que o declínio na desigualdade regional teria sido maior no período analisado.
Não por acaso, o Distrito Federal tem renda média quase 20% acima da nacional -além de ser a unidade mais desigual do país.
Para Góes, é curioso que em toda eleição se busque contrapor de forma simplista o Nordeste com São Paulo. A realidade do país é bem mais complexa, diz. "O Brasil é um país com uma Bélgica e uma Índia em todos os Estados. Já as classes médias estaduais divergem muito e há uma ilha da fantasia nos bairros ricos do Planalto Central", diz ele ao se referir ao termo "Belíndia", criado pelo economista Edmar Bacha na década de 1970.
Para Karpowicz, seria bom para a redução da disparidade equiparar as regras previdenciárias do setor privado e do funcionalismo.
O estudo inova ao comparar a desigualdade entre os Estados. Com base na Pnad (pesquisa do IBGE), o cotejo só é possível porque é ajustado pelo custo de vida.
Quanto mais rico, mais caro o Estado, como visto na comparação do poder de compra de R$ 100 por região.
Karpowicz faz parte da missão do FMI para o Brasil. Góes deixou o FMI em abril e está na SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). De acordo com ela, o Fundo deve incluir salário de servidores em estudo futuro.
EFEITOS
O Amapá foi o único Estado em que a desigualdade ficou estável e se destaca também por se sustentar como outra exceção: pode ser considerado um Estado caro, com renda baixa.
Uma família de classe média com quatro pessoas do Estado tinha renda total de R$ 2.000 ao mês em 2014.
Em Santa Catarina, lugar menos desigual do país e considerado relativamente barato, a renda total era o dobro.
Com uma renda familiar de R$ 2.300, Alagoas e Piauí estão no grupo de Estados relativamente pobres e baratos. Foi nesses Estados que a desigualdade caiu mais.
Os pesquisadores lembram que os efeitos da crise econômica não foram capturados porque a pesquisa só vai até 2014. Ainda assim, dizem ambos, é importante conhecer as variáveis que afetaram a desigualdade nos últimos anos para que, em momentos como o atual, em que o ajuste nas contas do governo virou um dos problema mais discutidos do país, seja possível preservar os ganhos obtidos.
Segundo Góes, a questão fiscal precisa ser resolvida porque ela é o fundamento para estabilidade macroeconômica do país. "Considerando a necessidade de reformas e de limitar os gastos, temos que fazer escolhas", diz ele. "O melhor é que elas não contribuam para desigualdade."
Já Karpowicz admite que, dados os resultados da pesquisa e a necessidade de consolidação fiscal, o FMI está olhando como os salários dos servidores podem contribuir para atingir esses objeti- vos de um modo equitativo.
Economia
Bolão de Campo Grande acerta quatro dezenas da Quina e prêmio principal acumula
4 de junho de 2026
Um bolão registrado em Campo Grande acertou quatro dezenas no concurso 7.042 da Quina, sorteado na noite de quarta-feira (3), e faturou R$ 31.770,30. Outros dois jogos de Mato Grosso do Sul também acertaram quatro números e receberam R$ 6.354,06 cada. Ninguém levou o prêmio principal, que acumulou.
A aposta premiada em Campo Grande foi feita na Lotérica Kohatsu, no formato físico, com 25 cotas. As outras apostas vencedoras no Estado foram registradas em uma lotérica de Campo Grande, na Sorte Grande, e em Corumbá, na Lotérica Dom Pedro II.
Segundo a Caixa Econômica Federal (Caixa), 101 apostas acertaram quatro dezenas em todo o país no concurso. Outras 7.334 registraram três acertos e 157.696 fizeram dois acertos.
Os números sorteados foram 10, 13, 25, 36 e 60. Com o resultado, o prêmio principal acumulou e a estimativa para o próximo concurso, marcado para sexta-feira, chegou a R$ 20 milhões.
Economia
Programa alcançará 19,08 milhões de famílias em maio, com pagamentos de R$ 600 e adicionais; valor médio vai a R$ 678,01.
20 de maio de 2026
A Caixa Econômica Federal paga nesta quarta-feira (20) a parcela de maio do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 3. O valor mínimo é de R$ 600, e o benefício médio sobe para R$ 678,01 com os adicionais previstos no programa.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), o Bolsa Família vai atender 19,08 milhões de famílias neste mês, com gasto de R$ 12,9 bilhões.
Além do valor mínimo, o programa prevê três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses para garantir a alimentação da criança.
O Bolsonaro Família também paga acréscimo de R$ 50 a gestantes e nutrizes, R$ 50 por filho de 7 a 18 anos e R$ 150 por criança de até 6 anos.
No modelo tradicional, os pagamentos ocorrem nos últimos dez dias úteis de cada mês. As informações sobre data de pagamento, valor e composição das parcelas podem ser consultadas no aplicativo Caixa Tem.
Beneficiários de 217 cidades de nove estados receberam o pagamento na segunda-feira, independentemente do NIS. A medida incluiu 124 municípios do Rio Grande do Norte, afetados pela seca.
Também foram contempladas cidades do Amazonas, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe. Segundo o MDS, essas localidades foram atingidas por chuvas, estiagens ou têm povos indígenas em situação de vulnerabilidade.
A lista dos municípios com pagamento antecipado está disponível na página do ministério.
Cerca de 2,26 milhões de famílias estão em maio na regra de proteção, que permite a continuidade do recebimento de 50% do benefício por até dois anos quando há melhora da renda familiar, desde que cada integrante receba até R$ 706.
Em maio, 159.248 novas famílias passaram a integrar a regra após aumento da renda. Desde 2025, o tempo de permanência foi reduzido de dois para um ano, mas a mudança vale apenas para famílias que entraram na transição a partir de junho de 2025.
Quem se enquadrou na regra até maio de 2025 continuará recebendo metade do benefício por dois anos.