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Orgulhos Coxinenses

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Maria de Lourdes "Nira": mãe de 14 filhos biológicos e 13 de coração

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3 de abril de 2026

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Glenda Melo / Diário do Estado

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Debaixo de uma sombra simples, em frente à sua casa, entre pausas longas e olhos marejados, dona Maria de Lourdes da Silva Marques ou simplesmente Nira, como é conhecida por todos me recebe com um abraço que senti o amor de Deus, ela então   começa a me contar sua história. Não é uma história qualquer. É daquelas que atravessam o peito, apertam o coração e deixam marcas em quem escuta, e tenho certeza que vocês como eu, ficarão impactados.

Estão preparados para se emocionar? Prepara o coração então.

Aos 75 anos, nascida em 1º de maio de 1950, dona Nira carrega em si o tempo, mas principalmente, carrega vidas. Muitas vidas.

Filha de dona Júlia, uma parteira respeitada em Coxim e região, Nira cresceu vendo a mãe levar esperança para dentro de casas simples, fazendas e comunidades afastadas. Dona Júlia era mais que parteira: era ponte entre a dor e a vida. E não parava por aí adotou seis crianças ao longo da vida.

Talvez tenha sido ali, ainda menina, que Nira aprendeu algo que nem todos conseguem compreender: que o amor não precisa nascer do ventre para ser verdadeiro.

Mas a vida trataria de confirmar isso de forma muito mais profunda.

Ainda jovem, aos 18 anos, Nira teve seu primeiro filho. Como muitas mulheres de sua época, construiu sua família na base da coragem, do trabalho e da fé. Ao lado do marido, José Marques (IN MEMORIAM) pedreiro, companheiro de luta e de vida por 53 anos enfrentou dificuldades, limitações financeiras e os desafios de criar uma família numerosa. E numerosa mesmo.

Quando percebeu, já eram 12 filhos biológicos dentro de casa. Doze bocas, doze histórias, doze mundos diferentes que dependiam dela.

E foi então que a vida, mais uma vez, bateu à sua porta.

Mas não com um pedido comum.

Era uma criança.

Uma daquelas histórias que chegam carregadas de dor, abandono e silêncio.

Antes de tomar qualquer decisão, Nira fez o que sempre fez ao longo de sua vida: dividiu com o marido.

Sentou-se com José e perguntou, com a sinceridade de quem sabia o peso daquela escolha:

 Você concorda?

E ele, com a simplicidade de quem entende o essencial da vida, respondeu:

 Onde comem 12, comem mais.

Aquela frase, dita sem cerimônia, mudou tudo.

Ali nascia não apenas uma decisão, mas um propósito.

A partir daquele momento, a casa de dona Nira deixou de ser apenas um lar. Tornou-se refúgio.

Vieram mais crianças. E cada uma com uma história que, muitas vezes, nem caberia ser contada.

Crianças abandonadas.
Doentes.
Desnutridas.
Machucadas.
Sem esperança.

Algumas chegaram em seus braços como quem já não tinha mais forças para viver.

Outras simplesmente apareceram.

Como o dia em que uma menina de apenas 8 anos surgiu em seu portão.

Sozinha.

Nas mãos, uma pequena bolsa de pano.

Dentro dela, apenas duas peças de roupa e um registro de nascimento.

Era tudo o que ela tinha no mundo.

A menina dizia não saber onde estava a mãe.

Mas, para dona Nira, a resposta era clara demais para precisar de explicação.

Ela não fez perguntas.

Não cobrou respostas.

Não julgou.

Apenas abriu o portão.

E, junto com ele, abriu o coração mais uma vez.

Assim, ao longo dos anos, foram chegando filhos que não nasceram de seu ventre, mas renasceram em sua casa.

Hoje, são 27 filhos.

14 biológicos.
13 adotados.

Mas, para ela, não existe diferença.

Todos são filhos.

Todos são amados.

Todos são seus.

Durante a conversa, dona Nira se emociona. Chora. Para. Respira. E continua.

Ela revela que muitas das histórias que viveu são pesadas demais para serem contadas. Histórias que envolvem dor, abandono e sofrimento profundo. E, por amor aos filhos, prefere guardar.

Mas o que ela deixa escapar já é suficiente para entender a dimensão do que viveu.

Nem sempre foi fácil.

Aliás, quase nunca foi.

Dona de casa, com o marido pedreiro, a vida sempre foi simples. Faltava dinheiro, sobrava responsabilidade. Mas, como ela mesma faz questão de dizer, nunca faltou comida.

E, principalmente, nunca faltou amor.

Mesmo diante das dificuldades, ainda enfrentou o peso do julgamento.

Foi humilhada.

Criticada.

Questionada por acolher quem o mundo rejeitou.

Mas nada disso foi suficiente para fazê-la parar.

Porque havia algo maior guiando seus passos. A fé.

Uma das fundadoras da igreja Assembleia de Deus Madureira em Coxim, dona Nira frequenta a mesma igreja há mais de 55 anos. E acredita, com toda convicção, que sua missão foi dada por Deus.

Para ela, a maternidade especialmente a adoção, não foi escolha.

Foi chamado.

E ela atendeu.

Com coragem.

Com entrega.

Com amor.

E, muitas vezes, com o pouco que tinha.

Quando as crianças chegavam doentes, desacreditadas pelos médicos, dona Nira fazia o que sabia.

Cuidava.

Preparava chás.

Fazia banhos com ervas.

Usava receitas simples, ensinadas por saberes antigos.

Orava.

Acreditava.

E muitas vezes, contra todas as expectativas, aquelas crianças sobreviviam.

Ali, naquela casa simples, começava uma nova história.

Uma nova chance.

Uma nova vida.

Entre lágrimas, ela confessa algo que revela o tamanho do seu coração:

 Eu tenho mais medo de perder os adotivos do que os biológicos… porque os meus já são meus. Os adotivos já foram abandonados uma vez… eles precisam de mim.

É um amor que não se explica.

Um amor que protege.

Que vigia.

Que não dorme enquanto os filhos não chegam.

Que teme o mundo lá fora.

Que prefere manter por perto, porque sabe o que existe além dos muros de casa.

Hoje, mesmo com o passar dos anos, dona Nira continua sendo o centro de tudo.

Sua casa segue cheia.

Viva.

Aos domingos, a cena se repete como um ritual sagrado: mesa farta, risadas, conversas, crianças correndo, adultos relembrando histórias.

Cerca de 25 pessoas reunidas em volta daquela que, um dia, decidiu não fechar o portão.

E uma vez por mês, ela mantém uma tradição que carrega mais significado do que parece: a noite da pizza.

Um gesto simples.

Mas que diz tudo.

Porque, no fundo, tudo o que dona Nira sempre quis foi garantir duas coisas:

Que ninguém passasse fome.

E que ninguém se sentisse sozinho.

Dona Nira não é apenas uma mãe.

É abrigo.

É recomeço.

É resposta para quem já não tinha mais nenhuma.

Sua história não é feita apenas de filhos.

É feita de escolhas.

Escolhas difíceis.

Escolhas corajosas.

Escolhas que poucos teriam coragem de fazer.

Ela não mudou o mundo inteiro.

Mas mudou o mundo de 27 filhos.

E, através deles, de muitos outros.

Porque o amor que ela plantou continua crescendo.

Em cada vida salva.

Em cada história reconstruída.

Em cada abraço de domingo.

Em cada pedaço de pizza compartilhado.

Debaixo daquela mesma sombra onde tudo foi contado, fica a certeza:

Existem pessoas que nascem para viver.

E existem aquelas que nascem para salvar vidas.

Dona Nira… nasceu para amar.

Orgulhos Coxinenses

Jorge Antonio Gai: a história de um homem que faz da ética sua maior herança

Há homens que atravessam o tempo apenas ocupando espaço. E há aqueles que, pela grandeza silenciosa de seus atos, transformam-se em referências morais, culturais e...

Jorge Antonio Gai: a história de um homem que faz da ética sua maior herança

29 de maio de 2026

Jorge Antonio Gai: a história de um homem que faz da ética sua maior herança

 

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Há homens que atravessam o tempo apenas ocupando espaço. E há aqueles que, pela grandeza silenciosa de seus atos, transformam-se em referências morais, culturais e humanas para toda uma comunidade. Jorge Antônio Gai pertence a essa rara geração de homens cuja história não se resume aos próprios passos, mas se mistura à identidade de uma cidade inteira.


Sua trajetória não é feita apenas de processos, audiências ou tribunais. É construída sobre valores. Sobre dignidade. Sobre o peso da palavra dada. Sobre a honestidade que nunca se curva. Sobre o trabalho silencioso de quem constrói um legado sem precisar levantar a voz para ser reconhecido.
Ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à advocacia, Jorge Gai consolida seu nome como um dos grandes pilares da história jurídica de Coxim e do norte de Mato Grosso do Sul. Não apenas pela competência técnica admirável, mas principalmente pela forma humana, ética e profundamente respeitosa com que escolhe exercer sua profissão.
Nascido em 14 de junho de 1950, na cidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Jorge vem de uma família simples, numerosa e marcada pela perseverança. Filho de Vitelio Gai e Julieta Brondani Gai, cresce ao lado de nove irmãos em uma realidade onde o dinheiro era escasso, mas os ensinamentos eram imensos.
Seu pai, homem humilde e trabalhador, sustentava a família como taxista e costumava repetir aos filhos que a única herança verdadeira capaz de mudar destinos seria o estudo. Não havia patrimônio financeiro para deixar. Havia, porém, um legado muito maior: a convicção de que a educação era a mais poderosa riqueza que alguém poderia carregar pela vida.
E talvez nenhuma frase tenha atravessado tanto a existência de Jorge quanto essa.
Enquanto muitos adolescentes viviam os anos da juventude entre distrações e descobertas, Jorge aprendia cedo o significado da responsabilidade. Ainda jovem, divide a rotina entre o trabalho e os estudos. Frequenta o colegial pela manhã e trabalha à tarde em um escritório de contabilidade. Não conhece privilégios. Conhece esforço.



Cada conquista surge da disciplina.
Cada passo nasce da persistência.
Aos 18 anos, presta concurso para o Banco do Brasil um dos mais concorridos e respeitados do país naquela época. É aprovado entre os melhores colocados e assume suas funções em Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul. Para muitos, aquilo já significaria estabilidade suficiente para uma vida inteira. Mas Jorge carrega dentro de si algo maior: o desejo profundo de estudar Direito.
Em 1970 ingressa na recém-criada Faculdade de Direito de Cruz Alta. Trabalha, estuda, enfrenta dificuldades e segue em frente sem jamais abandonar o compromisso consigo mesmo e com os sonhos que carrega desde a juventude. Os primeiros anos da faculdade acontecem em meio a jornadas cansativas, deslocamentos e rotinas intensas. Ainda assim, permanece firme.


Quando finalmente recebe o diploma de advogado, aquele momento ultrapassa a realização individual. Torna-se um símbolo familiar. Mais tarde, Jorge descobriria que o maior sonho de seu pai era justamente ver um filho formado em Direito.
Talvez por isso sua formação tenha um significado tão profundo.
Não se tratava apenas de uma profissão.
Tratava-se da concretização de uma esperança construída dentro de uma família simples que acreditava no poder transformador da educação.
O destino então conduz Jorge até Mato Grosso do Sul.



No ano de 1975, transferido pelo Banco do Brasil, Jorge chega inicialmente à cidade de Rio Verde. Era um tempo de novos horizontes, de recomeços e de construção de sonhos. Foi também naquele mesmo ano que a vida lhe reservou outro encontro definitivo: Maria Lúcia Guerra Gai.
Os dois começaram a namorar em julho de 1975, iniciando uma história de amor que atravessaria décadas e se tornaria um dos alicerces mais importantes de sua vida. Embora trabalhasse em Rio Verde pelo Banco do Brasil, o escritório de advocacia de Jorge já funcionava em Coxim, cidade que começava a ocupar espaço definitivo em sua trajetória.
Em 1976, Jorge consegue a transferência do Banco do Brasil para Coxim. E é ali, definitivamente, que sua história passa a se confundir com a própria história da cidade.
Ao chegar em Coxim, Jorge divide a rotina entre o banco e a advocacia. Pela manhã cumpre suas atividades na instituição financeira. À tarde mergulha nos corredores do fórum, nas audiências, nos processos e nas causas humanas que passam a definir sua caminhada.
E é ali que sua história ganha raízes profundas


Os anos 70 e 80 são marcados por intensos conflitos fundiários no então jovem Mato Grosso do Sul. As disputas por posse e domínio de terras movimentam os tribunais e exigem advogados preparados para lidar não apenas com questões jurídicas complexas, mas também com dramas humanos, tensões sociais e interesses poderosos.
Jorge enfrenta esse período com firmeza, equilíbrio e ética
Sua atuação rapidamente conquista respeito. Não apenas pelo conhecimento jurídico, mas pela serenidade de suas posições, pela responsabilidade com que trata cada cliente e pela absoluta honestidade que se torna marca permanente de sua trajetória.
Ao longo do tempo, seu nome deixa de ser apenas o de um advogado competente. Passa a representar confiança.
E confiança talvez seja o patrimônio mais raro que um homem pode construir.
No dia 12 de fevereiro de 1977, Jorge e Maria Lúcia oficializam a união construída sobre amor, companheirismo e respeito mútuo. O casamento transforma-se em um dos pilares de sua existência. São quase cinco décadas caminhando lado a lado, compartilhando sonhos, desafios, conquistas e valores.
Dessa união nascem os filhos Johnny Guerra Gai, Rômulo Guerra Gai, Luciano Guerra Gai e Larissa Guerra Gai. Mais tarde, a família amplia ainda mais seus laços de amor com a chegada da filha adotiva Lucicleide Leite Sobreira Giglio, acolhida com o mesmo carinho, proteção e dedicação que sempre marcaram a essência da família Gai.
A vocação para o Direito atravessa gerações. Johnny, Rômulo e Luciano seguem os passos do pai na advocacia, compartilhando não apenas o exercício profissional, mas os princípios éticos que fazem de Jorge uma referência humana e jurídica.
Seu escritório transforma-se não apenas em ambiente profissional, mas em continuidade de uma história familiar construída sobre honestidade, responsabilidade e respeito às pessoas.



Mas talvez uma das maiores riquezas da vida de Jorge esteja nos momentos em que deixa os processos de lado para assumir o papel que mais lhe emociona: o de avô.
Os netos David Roger Alves Guerra Gai, Athena Andrade Brondani Gai, Melissa Gai Cunha Pereira, Danielle Vitória Silva Gai e Agatha Camargo Gai representam a continuidade de uma árvore familiar cultivada com amor, firmeza e valores sólidos.
É neles que Jorge vê o futuro.
É neles que permanece vivo o ensinamento recebido ainda na infância por seu pai: o conhecimento, a dignidade e a honestidade são patrimônios eternos.
Em 1983, outro capítulo importante marca sua trajetória profissional. Jorge assume a Assessoria Jurídica do Banco do Brasil, consolidando ainda mais o respeito conquistado ao longo dos anos tanto na advocacia quanto dentro da instituição bancária.
No mesmo período, ajuda a escrever uma das páginas mais importantes da história da advocacia regional. Participa diretamente da criação da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Coxim, tornando-se seu primeiro presidente. Naquele período, todos os profissionais da região ainda dependiam administrativamente da Capital.
A criação da Subseção representa independência institucional, fortalecimento jurídico e reconhecimento para toda a advocacia do norte do Estado.
Mais uma vez, Jorge demonstra aquilo que sempre norteia sua vida: pensar coletivamente.
Seu trabalho nunca se limita aos interesses pessoais. Ele compreende a advocacia como instrumento social, como missão pública e como ferramenta indispensável para a construção da justiça.


Os anos passam.
O mundo muda.
A tecnologia transforma profissões, rotinas e relações humanas.
Jorge acompanha todas essas mudanças sem jamais perder sua essência.
Vê as antigas máquinas de escrever desaparecerem diante dos computadores. Assiste aos processos físicos se tornarem digitais. Adapta-se às transformações tecnológicas, jurídicas e sociais. Mas permanece fiel àquilo que considera inegociável: ética, honestidade e autenticidade.
Enquanto muitos buscam soluções rápidas, ele insiste na construção sólida.
Enquanto o imediatismo domina o mundo moderno, Jorge segue acreditando no valor da reputação construída ao longo da vida.
E talvez seja justamente isso que torna sua trajetória tão admirável.
Porque ela prova que ainda é possível vencer sem abandonar princípios.
Ao falar sobre advocacia, Jorge costuma dizer que advogar é ciência, arte e abnegação. E talvez poucas frases consigam defini-lo tão bem.
Porque sua atuação jamais se resume à interpretação fria das leis. Existe sensibilidade em sua forma de enxergar o Direito. Existe humanidade em sua maneira de compreender conflitos. Existe prudência em suas palavras.


Ao orientar jovens advogados, insiste sempre no mesmo ensinamento: nenhum sucesso profissional vale a perda da honestidade.
Para ele, reputação não se conquista da noite para o dia. É construída lentamente, através do trabalho sério, da lealdade aos clientes, da ética profissional e da coragem de agir corretamente mesmo diante das dificuldades.
E é exatamente por nunca abrir mão desses valores que Jorge Antônio Gai se transforma em uma das figuras mais respeitadas da advocacia sul-mato-grossense.
Hoje, sua história ultrapassa os limites dos tribunais.
Ela pertence também à memória afetiva de Coxim.
Pertence aos corredores do fórum onde constrói amizades ao longo de décadas.
Pertence às famílias que encontram em seu trabalho amparo e orientação.
Pertence às gerações de advogados que enxergam em sua trajetória um exemplo raro de integridade.
Coxim aprende, ao longo do tempo, a admirar não apenas o advogado Jorge Gai, mas o homem Jorge Gai.


O homem de fala serena.
De postura firme.
De princípios sólidos.
De humildade intacta apesar de todas as conquistas.
Em tempos em que o mundo parece cada vez mais apressado, superficial e imediatista, Jorge representa a permanência de valores que nunca deveriam envelhecer.
Representa a dignidade.
Representa o compromisso.
Representa a honra.
E talvez seja justamente por isso que sua história emociona tanto.
Porque homens como Jorge Antônio Gai lembram à sociedade que o verdadeiro sucesso não está apenas nos títulos acumulados, nas homenagens recebidas ou no reconhecimento profissional.


O verdadeiro sucesso está na capacidade de atravessar o tempo sem perder a essência.
E Jorge Gai faz exatamente isso.
Constrói diariamente, através de sua vida e de sua trajetória, um legado que ultrapassa o Direito e alcança algo muito maior:
o respeito humano.
Um legado que permanece vivo em cada pessoa que aprende com sua caminhada.
Em cada jovem advogado que encontra inspiração em seus ensinamentos.
Em cada cidadão que reconhece nele um exemplo raro de honestidade e caráter.
Porque algumas pessoas não se tornam admiráveis apenas pelo que conquistam.
Tornam-se admiráveis pela forma como escolhem viver.
 

Orgulhos Coxinenses

Dr. Irajá Pereira Messias: uma vida construída entre o amor, o Direito e a dignidade

No interior do Paraná, na pequena cidade de Ivaí, nascia em 16 de abril de 1943 um menino que, décadas depois, se tornaria um dos nomes mais respeitados da advocacia...

Dr. Irajá Pereira Messias: uma vida construída entre o amor, o Direito e a dignidade

22 de maio de 2026

Dr. Irajá Pereira Messias: uma vida construída entre o amor, o Direito e a dignidade

 

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No interior do Paraná, na pequena cidade de Ivaí, nascia em 16 de abril de 1943 um menino que, décadas depois, se tornaria um dos nomes mais respeitados da advocacia sul-mato-grossense. Seu nome: Irajá Pereira Messias.
Naquele tempo, o Brasil ainda caminhava lentamente entre transformações sociais, estradas de terra e cidades pequenas onde os valores humanos tinham peso maior que qualquer título. Foi nesse ambiente simples, marcado pelo respeito à família, pelo trabalho e pela honestidade, que começou a ser moldado o caráter do homem que Coxim aprenderia a admirar profundamente.


Desde jovem, Irajá demonstrava algo que o acompanharia pela vida inteira: uma inteligência silenciosa e uma curiosidade profunda pelo conhecimento. Enquanto muitos rapazes de sua geração enxergavam apenas o caminho imediato do trabalho, ele carregava consigo uma inquietação intelectual rara. Gostava dos livros, das reflexões, da leitura cuidadosa. Havia nele uma serenidade madura, quase precoce, como se desde cedo compreendesse que a vida exigia profundidade.
Foi justamente essa paixão pelo conhecimento que o conduziu ao curso de Direito da Universidade Estadual de Maringá (UEM), uma das instituições mais respeitadas do Paraná. Na universidade, encontrou não apenas uma profissão, mas um propósito.
O jovem estudante mergulhou intensamente no universo jurídico. Não estudava o Direito apenas para obter um diploma. Estudava para compreender o comportamento humano, os conflitos da sociedade e a delicada missão de buscar justiça em um mundo imperfeito.
Os colegas já percebiam naquele rapaz discreto uma postura diferenciada. Não era homem de excessos, nem de vaidades. Preferia o silêncio dos observadores inteligentes às aparições espalhafatosas. Lia muito. Estudava profundamente. Pensava antes de falar. E quando falava, era ouvido.
Foi também nesse período que a vida lhe apresentou um dos encontros mais importantes de sua existência: Lídia Zanella.
Mais do que esposa, Lídia se tornaria sua companheira de caminhada, sua base emocional e seu grande amor. O relacionamento nasceu de forma sólida, tranquila e verdadeira, exatamente como seriam os mais de quarenta anos que viveriam juntos.



Em uma época em que os relacionamentos eram construídos sobre compromisso, parceria e permanência, Irajá e Lídia edificaram uma união marcada pelo respeito mútuo, pelo companheirismo e pelo amor silencioso dos casais que aprendem a caminhar lado a lado diante de todas as fases da vida.
O casamento trouxe não apenas felicidade, mas também o sonho da família.
Vieram então os filhos: Dartagnan Zanella Messias (IN MEMORIAM) e Athos Zanella Messias
A paternidade transformou ainda mais o homem reservado em um pai profundamente dedicado. Embora naturalmente sério e discreto, Dr. Irajá sempre carregou um amor imenso pelos filhos. A família tornou-se seu centro emocional, seu porto seguro e a principal razão de seus esforços.
Já formado em Direito, em 18 de dezembro de 1974, começava oficialmente sua trajetória na advocacia.
Mas o destino ainda preparava a cidade que verdadeiramente acolheria sua história.
Foi assim que Irajá e sua família chegaram a Coxim.
Naquele período, Coxim crescia como importante município do norte de Mato Grosso do Sul. A cidade possuía o calor humano típico do interior, onde as relações pessoais ainda eram construídas olho no olho, pela confiança e pela reputação.
E foi justamente ali que Dr. Irajá encontrou espaço para construir muito mais do que carreira.
Construiu pertencimento.


Nos primeiros anos, o jovem advogado começou a atuar na comarca com a discrição que sempre o caracterizou. Não demorou para que magistrados, colegas e clientes percebessem que havia algo diferente naquele profissional vindo do Paraná.
Ele dominava o Direito com profundidade rara.
Era preparado.
Culto.
Sereno.
E, acima de tudo, ético.
Em pouco tempo, seu nome passou a circular com respeito nos corredores do fórum, nos escritórios e nas conversas da cidade. Sua atuação firme, técnica e elegante fez dele uma referência jurídica em toda a região.
Mas Dr. Irajá nunca permitiu que o prestígio profissional alterasse sua essência humana.
Continuava acessível.
Educado.
Respeitoso com todos.



Dos empresários aos trabalhadores simples, todos encontravam nele o mesmo tratamento digno e cordial.
Talvez por isso tenha conquistado algo raro em qualquer cidade do interior: admiração praticamente unânime.
Ao longo de mais de três décadas atuando diretamente na comarca de Coxim, tornou-se um dos grandes pilares da advocacia regional. Não apenas pela quantidade de causas ou pelo reconhecimento profissional, mas pela forma como exercia o Direito.
Para ele, a advocacia jamais foi mero instrumento financeiro.
Era vocação.
Era responsabilidade moral.
Era compromisso humano.
Sua liderança natural o levou à presidência da 9ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Coxim, cargo que exerceu por dois mandatos.
Durante sua gestão, ajudou a fortalecer institucionalmente a advocacia local e teve participação decisiva na luta pela conquista da sede própria da subseção um sonho antigo da classe.


Mas sua visão sobre o Direito ultrapassava os limites tradicionais da advocacia.
Dr. Irajá acreditava que o conhecimento jurídico também precisava dialogar com cultura, reflexão e sociedade.
Foi assim que promoveu eventos históricos em Coxim, como o julgamento simulado de Lampião, o Rei do Cangaço. Atuando na defesa do lendário personagem brasileiro, conduziu um espetáculo jurídico que mobilizou a cidade e entrou para a memória da advocacia regional.
No julgamento, Lampião acabou absolvido.
Mais tarde, realizaria outro grande evento cultural e jurídico: o julgamento simulado de Otelo, personagem de William Shakespeare. O acontecimento reuniu importantes nomes do cenário jurídico e político, incluindo o senador Ramez Tebet, tornando-se um marco intelectual para Coxim.
Enquanto construía uma carreira admirável, também consolidava sua imagem como homem de profundo conhecimento. Apaixonado pelos livros, tornou-se estudioso respeitado no meio jurídico. Sua dedicação intelectual resultou na obra “Da Prova Penal”, livro que alcançou três edições esgotadas e se transformou em referência para profissionais do Direito.
Mesmo aos 83 anos, continua produzindo conhecimento. Seu novo livro, “O Lado Invisível do Tribunal do Júri”, nasce da experiência acumulada em décadas observando a complexidade humana dos julgamentos.
Mas por trás do advogado respeitado, existia sempre o homem de família.
O esposo dedicado.
O pai amoroso.
O avô apaixonado.



A vida, porém, também lhe apresentou dores profundas.
Em 11 de outubro de 2012, perdeu sua esposa Lídia Zanella Messias para o câncer. Após quarenta anos, quatro meses e treze dias de casamento, viu partir a mulher que havia caminhado ao seu lado durante praticamente toda a vida adulta.
A perda trouxe um silêncio ainda maior ao homem já naturalmente reservado.
Mas o destino lhe imporia outra ferida ainda mais devastadora.
Em 5 de setembro de 2018, perdeu o filho Dartagnan Zanella Messias, advogado formado pela UCDB, vítima de infarto fulminante.
A dor de um pai que perde um filho não encontra tradução completa nas palavras.
Ainda assim, Dr. Irajá atravessou o sofrimento da mesma forma como enfrentou toda sua trajetória: com dignidade, discrição e força interior.
Sem jamais perder a elegância emocional.
Sem transformar dor em espetáculo.
Hoje, parte de sua continuidade vive nos netos Valentina Lima Messias, Aramis Lima Messias e Heitor Carmona Zanella Messias, heranças afetivas que parecem devolver luz aos dias difíceis.


Atualmente residindo em Campo Grande, onde continua exercendo a advocacia, Dr. Irajá permanece como uma figura histórica profundamente ligada a Coxim.
Seu nome ainda é lembrado com carinho nos corredores do fórum, nas conversas entre antigos amigos, nas memórias da advocacia e no coração daqueles que conviveram com ele.
Ao longo da vida, recebeu importantes homenagens, como o título de Cidadão Honorário de Coxim, concedido por iniciativa da vereadora Dinalva, além da Medalha Jorge Siufi, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, e da Medalha Heitor Medeiros, maior honraria da OAB/MS.
Mas talvez sua maior homenagem seja invisível.
Está no respeito espontâneo das pessoas.
Na admiração silenciosa de uma cidade e de uma comunidade.
Na forma como seu nome continua sendo pronunciado com carinho e reverência.
Porque algumas pessoas passam pela vida acumulando conquistas.
Outras constroem legado.
E Dr. Irajá Pereira Messias construiu algo ainda mais raro e muito mais caro:
Construiu uma história de dignidade humana que o tempo jamais conseguirá apagar.