sábado, 25 de julho, 2026
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Debaixo de uma sombra simples, em frente à sua casa, entre pausas longas e olhos marejados, dona Maria de Lourdes da Silva Marques ou simplesmente Nira, como é conhecida por todos me recebe com um abraço que senti o amor de Deus, ela então começa a me contar sua história. Não é uma história qualquer. É daquelas que atravessam o peito, apertam o coração e deixam marcas em quem escuta, e tenho certeza que vocês como eu, ficarão impactados.

Estão preparados para se emocionar? Prepara o coração então.
Aos 75 anos, nascida em 1º de maio de 1950, dona Nira carrega em si o tempo, mas principalmente, carrega vidas. Muitas vidas.
Filha de dona Júlia, uma parteira respeitada em Coxim e região, Nira cresceu vendo a mãe levar esperança para dentro de casas simples, fazendas e comunidades afastadas. Dona Júlia era mais que parteira: era ponte entre a dor e a vida. E não parava por aí adotou seis crianças ao longo da vida.
Talvez tenha sido ali, ainda menina, que Nira aprendeu algo que nem todos conseguem compreender: que o amor não precisa nascer do ventre para ser verdadeiro.
Mas a vida trataria de confirmar isso de forma muito mais profunda.
Ainda jovem, aos 18 anos, Nira teve seu primeiro filho. Como muitas mulheres de sua época, construiu sua família na base da coragem, do trabalho e da fé. Ao lado do marido, José Marques (IN MEMORIAM) pedreiro, companheiro de luta e de vida por 53 anos enfrentou dificuldades, limitações financeiras e os desafios de criar uma família numerosa. E numerosa mesmo.

Quando percebeu, já eram 12 filhos biológicos dentro de casa. Doze bocas, doze histórias, doze mundos diferentes que dependiam dela.
E foi então que a vida, mais uma vez, bateu à sua porta.
Mas não com um pedido comum.
Era uma criança.
Uma daquelas histórias que chegam carregadas de dor, abandono e silêncio.
Antes de tomar qualquer decisão, Nira fez o que sempre fez ao longo de sua vida: dividiu com o marido.
Sentou-se com José e perguntou, com a sinceridade de quem sabia o peso daquela escolha:
Você concorda?
E ele, com a simplicidade de quem entende o essencial da vida, respondeu:
Onde comem 12, comem mais.
Aquela frase, dita sem cerimônia, mudou tudo.
Ali nascia não apenas uma decisão, mas um propósito.
A partir daquele momento, a casa de dona Nira deixou de ser apenas um lar. Tornou-se refúgio.
Vieram mais crianças. E cada uma com uma história que, muitas vezes, nem caberia ser contada.
Crianças abandonadas.
Doentes.
Desnutridas.
Machucadas.
Sem esperança.
Algumas chegaram em seus braços como quem já não tinha mais forças para viver.
Outras simplesmente apareceram.
Como o dia em que uma menina de apenas 8 anos surgiu em seu portão.
Sozinha.
Nas mãos, uma pequena bolsa de pano.
Dentro dela, apenas duas peças de roupa e um registro de nascimento.
Era tudo o que ela tinha no mundo.
A menina dizia não saber onde estava a mãe.
Mas, para dona Nira, a resposta era clara demais para precisar de explicação.
Ela não fez perguntas.
Não cobrou respostas.
Não julgou.
Apenas abriu o portão.
E, junto com ele, abriu o coração mais uma vez.
Assim, ao longo dos anos, foram chegando filhos que não nasceram de seu ventre, mas renasceram em sua casa.
Hoje, são 27 filhos.
14 biológicos.
13 adotados.
Mas, para ela, não existe diferença.
Todos são filhos.
Todos são amados.
Todos são seus.
Durante a conversa, dona Nira se emociona. Chora. Para. Respira. E continua.
Ela revela que muitas das histórias que viveu são pesadas demais para serem contadas. Histórias que envolvem dor, abandono e sofrimento profundo. E, por amor aos filhos, prefere guardar.
Mas o que ela deixa escapar já é suficiente para entender a dimensão do que viveu.
Nem sempre foi fácil.
Aliás, quase nunca foi.
Dona de casa, com o marido pedreiro, a vida sempre foi simples. Faltava dinheiro, sobrava responsabilidade. Mas, como ela mesma faz questão de dizer, nunca faltou comida.
E, principalmente, nunca faltou amor.
Mesmo diante das dificuldades, ainda enfrentou o peso do julgamento.
Foi humilhada.
Criticada.
Questionada por acolher quem o mundo rejeitou.
Mas nada disso foi suficiente para fazê-la parar.
Porque havia algo maior guiando seus passos. A fé.
Uma das fundadoras da igreja Assembleia de Deus Madureira em Coxim, dona Nira frequenta a mesma igreja há mais de 55 anos. E acredita, com toda convicção, que sua missão foi dada por Deus.
Para ela, a maternidade especialmente a adoção, não foi escolha.
Foi chamado.
E ela atendeu.
Com coragem.
Com entrega.
Com amor.
E, muitas vezes, com o pouco que tinha.
Quando as crianças chegavam doentes, desacreditadas pelos médicos, dona Nira fazia o que sabia.
Cuidava.
Preparava chás.
Fazia banhos com ervas.
Usava receitas simples, ensinadas por saberes antigos.
Orava.
Acreditava.
E muitas vezes, contra todas as expectativas, aquelas crianças sobreviviam.
Ali, naquela casa simples, começava uma nova história.
Uma nova chance.
Uma nova vida.
Entre lágrimas, ela confessa algo que revela o tamanho do seu coração:
Eu tenho mais medo de perder os adotivos do que os biológicos… porque os meus já são meus. Os adotivos já foram abandonados uma vez… eles precisam de mim.
É um amor que não se explica.
Um amor que protege.
Que vigia.
Que não dorme enquanto os filhos não chegam.
Que teme o mundo lá fora.
Que prefere manter por perto, porque sabe o que existe além dos muros de casa.
Hoje, mesmo com o passar dos anos, dona Nira continua sendo o centro de tudo.
Sua casa segue cheia.
Viva.
Aos domingos, a cena se repete como um ritual sagrado: mesa farta, risadas, conversas, crianças correndo, adultos relembrando histórias.
Cerca de 25 pessoas reunidas em volta daquela que, um dia, decidiu não fechar o portão.
E uma vez por mês, ela mantém uma tradição que carrega mais significado do que parece: a noite da pizza.
Um gesto simples.
Mas que diz tudo.
Porque, no fundo, tudo o que dona Nira sempre quis foi garantir duas coisas:
Que ninguém passasse fome.
E que ninguém se sentisse sozinho.
Dona Nira não é apenas uma mãe.
É abrigo.
É recomeço.
É resposta para quem já não tinha mais nenhuma.
Sua história não é feita apenas de filhos.
É feita de escolhas.
Escolhas difíceis.
Escolhas corajosas.
Escolhas que poucos teriam coragem de fazer.
Ela não mudou o mundo inteiro.
Mas mudou o mundo de 27 filhos.
E, através deles, de muitos outros.
Porque o amor que ela plantou continua crescendo.
Em cada vida salva.
Em cada história reconstruída.
Em cada abraço de domingo.
Em cada pedaço de pizza compartilhado.
Debaixo daquela mesma sombra onde tudo foi contado, fica a certeza:
Existem pessoas que nascem para viver.
E existem aquelas que nascem para salvar vidas.
Dona Nira… nasceu para amar.

Orgulhos Coxinenses
"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa...
24 de julho de 2026
"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa última categoria." Há homens cuja história pode ser contada pelas datas registradas em documentos. Outros podem ser lembrados pelos títulos conquistados, pelas medalhas erguidas ou pelos troféus acumulados ao longo da vida. Mas existe um tipo de homem cuja verdadeira biografia não cabe em papéis. Ela está escrita na memória de uma cidade inteira. A história de Jeferson Arruda da Silva não começa em um tatame, tão pouco começa em uma competição. Ela começa muito antes, no dia 28 de junho de 1974, em Campo Grande, quando nasceu aquele que, décadas depois, seria reconhecido como um dos maiores formadores de atletas e cidadãos da história de Coxim.
Filho de Adjalmo Arruda da Silva e Nadir Teodoro da Silva, cresceu cercado pelos valores simples que moldam grandes homens: respeito, trabalho, honestidade e perseverança. Ao lado dos irmãos Genifer Arruda, Tutankamon e Carol, aprendeu desde cedo que o caráter vale muito mais do que qualquer vitória. Talvez ninguém pudesse imaginar que aquele menino levaria consigo uma missão silenciosa: dedicar a própria existência para transformar a vida de milhares de outras pessoas.
O chamado das artes marciais exige vocação, e se transforma em propósito de vida. Foi nas artes marciais que Jeferson encontrou esse propósito. Há 33 anos, iniciou uma caminhada que ultrapassaria qualquer expectativa. O que começou como paixão pelo Judô, pelo Jiu-Jítsu e pela Defesa Pessoal Militar e Civil rapidamente se transformou em um compromisso permanente com a formação humana. Enquanto muitos enxergam as artes marciais como esporte ou defesa, Jeferson sempre enxergou algo maior. Para ele, um tatame nunca foi apenas um lugar de luta. Foi uma sala de aula. Um templo de disciplina. Um refúgio para crianças. Uma segunda casa para adolescentes. Um caminho capaz de mudar destinos.
Quando ensinar tornou-se missão Em 1995, decidiu que havia chegado o momento de transmitir tudo aquilo que aprendera. Nascia ali muito mais que um professor. Nascia um mestre. Desde então, praticamente todos os dias de sua vida foram dedicados ao mesmo objetivo: ensinar. Ensinar golpes. Ensinar equilíbrio. Ensinar coragem. Ensinar respeito. Ensinar que perder também faz parte da vitória. Ao longo das décadas, milhares de crianças passaram pelo tatame. Algumas chegaram tímidas. Outras carregavam dificuldades familiares. Havia quem enfrentasse problemas financeiros. Quem buscasse disciplina. Quem apenas procurasse um lugar para pertencer. Jeferson recebeu todas da mesma maneira. Com firmeza. Com paciência. Com dedicação. Porque compreendia algo que poucos professores conseguem enxergar: Antes de formar campeões, era preciso formar seres humanos.
Coxim encontrou um mestre Foi em Coxim que essa missão ganhou proporções extraordinárias. A cidade não recebeu apenas um professor de artes marciais. Recebeu alguém disposto a investir sua própria vida nas pessoas. Segundo estimativas de antigos alunos, somente em Coxim, entre academia e projetos sociais, aproximadamente cinco mil pessoas passaram por seus ensinamentos. Quando se somam os alunos formados em Sonora, Pedro Gomes, Alcinópolis, Figueirão e Rio Verde de Mato Grosso, esse número praticamente dobra. É impossível calcular quantas histórias foram modificadas. Porque nem toda transformação termina em medalha. Algumas terminam em um diploma. Outras em um emprego. Outras em um pai de família.
Outras em um jovem que escolheu estudar em vez de seguir caminhos errados. Essas vitórias nunca aparecem nos jornais. Mas talvez sejam as maiores. O esporte que levou Coxim ao Brasil e ao mundo Pouco a pouco, os resultados começaram a aparecer. Vieram campeonatos estaduais. Vieram competições nacionais. Vieram convocações. Vieram títulos. Vieram medalhas. Vieram sonhos realizados. Seus alunos passaram a representar Coxim em eventos de enorme importância. As conquistas atravessaram fronteiras.
Houve atletas campeões na Argentina. Vieram quatro participações em Campeonatos Mundiais organizados pela CBJJE, em São Paulo. Vieram os Campeonatos Brasileiros realizados em: - Mariana (MG) – 2018 - Uberaba (MG) – 2019 - Ribeirão das Neves (MG) – 2022 e 2024 - Recife (PE) – 2023- Vitória (ES) – 2025. Cada medalha conquistada carregava muito mais que talento. Carregava incontáveis horas de treino. Sacrifícios. Viagens. Superação. E, principalmente, a dedicação de um mestre que acreditava em seus alunos antes mesmo que eles acreditassem em si próprios.
A maior felicidade nunca foi a própria vitória quando perguntam a Jeferson quais foram seus momentos mais felizes, ele não fala de conquistas pessoais. Não cita troféus próprios. Não fala de reconhecimento. Ele lembra dos alunos. Lembra dos campeões. Lembra das medalhas conquistadas por eles. Porque um verdadeiro mestre mede sua grandeza pelas vitórias dos seus discípulos. Cada criança que sobe ao pódio é uma conquista compartilhada.
Cada faixa conquistada representa anos de dedicação invisível. Cada abraço após uma competição resume uma história inteira. As dores que ninguém via, mas nem toda história é feita apenas de vitórias. Existem cicatrizes que permanecem silenciosas. Entre as maiores tristezas de sua caminhada está uma realidade conhecida por quem trabalha com esporte no interior do Brasil.
Diversas vezes classificou atletas para grandes competições. Jovens que haviam treinado durante meses. Que conquistaram a vaga. Que mereciam representar Coxim. Mas não puderam viajar. Faltou apoio. Faltaram recursos. Faltaram oportunidades. É uma dor difícil de explicar. Porque nenhum professor gosta de ver um sonho interrompido por motivos financeiros. Ainda assim, nunca desistiu. No dia seguinte, voltava ao tatame. Recomeçava. Treinava novamente. Incentivava outro aluno. E seguia acreditando.
Muito além das medalhas talvez o maior legado de Jeferson Arruda jamais possa ser contado pelos números. Nem pelas medalhas. Nem pelos campeonatos. Seu verdadeiro patrimônio são as pessoas. São milhares de ex-alunos espalhados por Coxim e por diversas cidades. Homens e mulheres que hoje trabalham, estudam, criam seus filhos e levam consigo valores aprendidos durante os treinos. Eles talvez não se recordem de cada golpe ensinado.
Mas jamais esquecerão das palavras. Da disciplina. Do respeito. Da humildade. Da coragem. Porque quem aprende uma arte marcial com um verdadeiro mestre aprende muito mais do que lutar. Aprende a viver. Um legado que pertence à cidade Poucos profissionais conseguem dedicar mais de três décadas à mesma missão. Menos ainda conseguem manter viva a mesma paixão depois de tantos anos. Jeferson conseguiu. Seu nome tornou-se parte da história esportiva de Coxim.
Sua trajetória se confunde com a evolução das artes marciais no município. Cada faixa preta formada. Cada campeão revelado. Cada criança salva do caminho da violência. Cada jovem incentivado a acreditar em si mesmo. Tudo isso faz parte de uma construção silenciosa iniciada há muitos anos e que continua sendo escrita diariamente.
A gratidão de uma cidade As cidades costumam homenagear seus grandes homens com placas, medalhas ou títulos. Mas existem homenagens maiores. São aquelas que aparecem quando um ex-aluno reencontra seu professor anos depois. Quando um pai matricula o filho porque um dia também foi seu aluno. Quando um campeão aponta para o mestre antes de subir ao pódio.
Quando uma família agradece porque encontrou no esporte um caminho de esperança. Essa talvez seja a maior recompensa de Jeferson Arruda. Ser lembrado não apenas como professor. Nem apenas como treinador. Mas como alguém que acreditou em milhares de crianças antes que o mundo acreditasse nelas. Hoje, sua história pertence muito mais a Coxim do que a ele próprio.
Porque homens passam. Medalhas envelhecem. Faixas se desgastam. Troféus acumulam poeira. Mas o bem plantado no coração das pessoas permanece vivo por gerações. E enquanto existir um único aluno carregando consigo os valores aprendidos em seu tatame, o legado de Jeferson Arruda da Silva continuará sendo escrito. Não apenas na história do esporte. Mas, principalmente, na história de uma cidade que encontrou em um mestre muito mais do que um professor. Encontrou um verdadeiro construtor de vidas.
E talvez seja exatamente essa a definição mais bonita para sua trajetória: Há campeões que vencem lutas. Há mestres que vencem o tempo. Jeferson Arruda venceu ambos, porque transformou sua própria vida em uma vitória compartilhada por milhares de outras pessoas
Orgulhos Coxinenses
Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é...
17 de julho de 2026
Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é permanecer vivas na
memória de milhares de pessoas por aquilo que ensinaram, pelo exemplo que deram e pelos valores que semearam ao longo da vida. Em Coxim, um desses nomes é o do professor Alcides Neves Filho.
Nascido em 31 de outubro de 1967, na própria cidade onde escreveria sua história, Alcides cresceu aprendendo que a honestidade, o trabalho e o respeito eram patrimônios que nenhuma dificuldade poderia tirar. Filho de Alcides Neves e Zenaide Louzada Neves, ao lado das irmãs Elizabeth, Adnair e Luzia, construiu uma infância marcada pelos valores familiares que mais tarde levaria para dentro das quadras, das salas de aula e da vida.
Sua trajetória profissional nunca foi apenas sobre ensinar um esporte. Foi sobre ensinar disciplina, responsabilidade, amizade, coragem e perseverança. Porque, para ele, a Educação Física sempre significou muito mais do que movimento: significou formação humana.
Graduou-se em Educação Física pela Associação de Ensino de Tupã, em São Paulo, e mais tarde ampliou seus conhecimentos com a pós-graduação em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O conhecimento adquirido nunca permaneceu apenas nos livros. Tornou-se prática diária, exemplo e inspiração.
Ao longo da carreira, dedicou sua vida à educação pública, atuando em escolas que fazem parte da história de Coxim, como William Tavares, Marechal Rondon, Clarice e Semíramis. Tornou-se servidor efetivo do município, onde encerrou um ciclo com a aposentadoria, e segue exercendo sua missão como professor efetivo da rede estadual de ensino.
Por mais de três décadas, suas aulas foram muito além do apito que marcava o início das atividades. Cada treino representava uma oportunidade de ensinar respeito ao adversário, trabalho em equipe, solidariedade e superação. Formou gerações de estudantes que aprenderam com ele que vencer é importante, mas vencer com caráter é essencial.
Treinador de futsal, basquete, atletismo e voleibol, Alcides ajudou incontáveis crianças e adolescentes a descobrirem talentos, fortalecerem a autoestima e acreditarem em si mesmos. Em cada campeonato, em cada treino sob o sol forte ou nas noites de preparação para competições escolares, estava presente não apenas o professor, mas um educador comprometido em enxergar potencial onde muitos viam apenas limitações.
Quem passou por suas aulas dificilmente esquece seu jeito leve de ensinar. Dono de um humor espontâneo, sempre encontrava uma maneira de arrancar um sorriso dos alunos. Transformava o ambiente esportivo em um espaço de acolhimento, amizade e aprendizado. Sua simpatia aproximava as pessoas; seu respeito conquistava confiança; sua competência consolidava admiração.
No dia 14 de agosto de 1995, deu mais um passo importante em sua caminhada ao inaugurar sua academia. O espaço rapidamente deixou de ser apenas um local para exercícios físicos e passou a representar um ambiente de convivência, saúde e incentivo à qualidade de vida. Ali, Alcides continuou fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor: cuidar de pessoas.
Entretanto, nenhuma conquista profissional supera a construção de sua família.
Ao lado da esposa, Vanize Paula Onuszezak Neves, com quem se casou em 13 de janeiro de 1999, edificou um lar sustentado pelo respeito, pelo companheirismo e pelos mesmos princípios que sempre transmitiu aos seus alunos. Dessa união nasceram Alcides Neves Neto e Maria Rita Onuszezak Neves, seus maiores orgulhos e a continuidade dos valores que sempre cultivou.
Fora das quadras, Alcides continua sendo um apaixonado pelo esporte. Gosta de acompanhar praticamente todas as modalidades esportivas, aprecia boa música e mantém um jeito simples de viver. Entre uma aula e outra, preserva pequenos hábitos que revelam sua humanidade, como o indispensável descanso após o almoço momento sagrado que, quando interrompido, costuma tirar um pouco de sua conhecida tranquilidade e render boas histórias entre familiares e amigos.
Mas seria impossível resumir Alcides apenas pelos cargos que ocupou, pelas escolas onde trabalhou ou pelos esportes que ensinou.
Seu maior legado está nas pessoas.
Está no ex-aluno que escolheu o caminho da educação porque encontrou nele uma referência.
Está no jovem que permaneceu longe das drogas porque encontrou no esporte um propósito.
Está no adulto que ainda hoje recorda, com carinho, dos conselhos recebidos antes de uma competição.
Está em cada cidadão que aprendeu que disciplina e respeito caminham juntos.
Em uma sociedade que tantas vezes procura exemplos distantes, Coxim encontrou um deles bem perto de casa.
Mais do que ensinar fundamentos esportivos, Alcides Neves Filho sempre compreendeu a dimensão da responsabilidade que carregava como educador. Em cada aula, enxergava crianças e adolescentes que precisavam ser acolhidos, orientados e incentivados a acreditar em um futuro melhor. Para ele, a educação e o esporte jamais foram apenas profissões, mas instrumentos capazes de transformar vidas.
Convicto de que uma quadra pode ser tão importante quanto uma sala de aula na formação do caráter, sempre acreditou que o esporte é uma das portas mais eficazes para proteger crianças e jovens dos caminhos da violência, das drogas e de tantas vulnerabilidades que desafiam a juventude. Por isso, nunca mediu esforços para incentivar seus alunos a permanecerem na escola, respeitarem o próximo, cultivarem disciplina e descobrirem seus talentos.
Seu compromisso ultrapassava o horário das aulas. Muitas vezes, um treino representava um espaço de escuta, uma palavra de incentivo ou um conselho dado no momento certo. Alcides sabia que um professor pode marcar uma vida para sempre, e fez dessa consciência um princípio inegociável de sua trajetória. Ao longo de mais de três décadas dedicadas à educação pública e ao esporte, ajudou a formar não apenas atletas, mas cidadãos preparados para enfrentar a vida com dignidade, responsabilidade e esperança.
Esse talvez seja o maior legado de Alcides Neves Filho: compreender que medalhas envelhecem, troféus acumulam poeira, mas o caráter construído em uma criança permanece por toda a vida. É essa convicção que faz dele não apenas um professor de Educação Física, mas um verdadeiro educador, cuja missão sempre foi transformar o esporte em uma ferramenta de inclusão, proteção social e construção de um futuro melhor para as novas gerações de Coxim.
Ao longo de mais de trinta anos dedicados ao esporte e à educação, Alcides Neves Filho construiu uma reputação baseada em valores que não envelhecem: honestidade, compromisso, humildade, ética e amor pelo próximo. Sua imagem é associada à seriedade, ao profissionalismo e à dedicação incondicional aos alunos. Tornou-se uma presença respeitada por diferentes gerações, admirado por colegas, ex-estudantes, atletas, famílias e pela comunidade.
A história de Alcides demonstra que um professor pode ensinar muito mais do que técnicas esportivas. Pode ensinar maneiras de viver.
Enquanto muitos medem o sucesso pelos troféus expostos em prateleiras, o verdadeiro patrimônio de Alcides permanece espalhado por Coxim: nas lembranças, no caráter das pessoas que ajudou a formar, nos valores transmitidos silenciosamente durante décadas e na certeza de que educar é uma das mais nobres formas de transformar uma sociedade.
Seu nome já faz parte da história da educação e do esporte coxinense. Não apenas pelos anos de serviço prestado, mas porque deixou marcas onde elas realmente importam: no coração das pessoas.