sábado, 25 de julho, 2026

WhatsApp

(67) 99983-4015

Orgulhos Coxinenses

A+ A-

Lúcia da AAVC: entre a fome e o amor, a história que transforma dor em esperança em Coxim

Icone Calendário

10 de abril de 2026

Icone Autor

Glenda Melo

Continue Lendo...

A vida de Lucimeire Elias da Silva Ramos Barbosa (Lúcia da AAVC) não se conta apenas, se sente. É daquelas histórias que atravessam o peito, que apertam a memória e que fazem lembrar que, por trás de cada gesto de solidariedade, quase sempre existe uma dor antiga que um dia pediu socorro.
Antes de ser conhecida como referência de amor ao próximo, antes de se tornar abrigo para tantos, Lúcia foi apenas uma menina. Uma menina que conheceu cedo demais aquilo que nenhuma criança deveria conhecer: a fome.


Não a fome de esperar a próxima refeição.
Mas a fome de não saber se ela viria.
Nascida em 8 de agosto de 1963, filha de Francisco Elias da Silva e Francisca Lino da Silva, ela veio ao mundo em um cenário simples, trazida pelas mãos de uma parteira, como tantas histórias invisíveis do interior do Brasil. Seus pais, vindos do Ceará em pau de arara, carregavam no corpo o cansaço da estrada e na alma a esperança de um futuro menos duro para os filhos.




Mas a realidade foi implacável.
Eram 12 irmãos. Uma casa cheia de vidas… e muitas vezes vazia de comida. A pobreza não era um detalhe era o chão onde tudo se construía. O frio atravessava a casa de pau a pique, coberta por folhas de coqueiro. Não havia cobertores. Havia sacos de estopa. Não havia conforto. Havia resistência.
E foi assim que Lúcia cresceu: resistindo.


Aos seis anos, a vida mais uma vez mostrou sua dureza. Uma enchente obrigou a família a fugir. Em cima de dois cavalos, com os filhos nos braços e o medo nos olhos, seus pais seguiram rumo a Coxim. Não havia escolha. Havia apenas a necessidade de continuar.
Chegaram sem nada. Mas chegaram juntos.
E isso, naquele momento, era tudo.
Seu pai, homem simples, mas gigante em valores, não se limitou a reconstruir apenas a própria vida. Ele ajudou a construir a comunidade. Foi responsável pela criação da primeira escolinha do bairro Santa Maria e também da primeira igreja católica da região um legado que ultrapassa gerações.
Aos nove anos, a família conquistou algo que parecia impossível: a casa própria. Pequena, simples, mas cheia de significado. Era mais do que paredes era dignidade.


Mas dentro daquela casa, a luta continuava.
Lúcia ia para a escola não apenas para aprender, mas para sobreviver. A merenda escolar, muitas vezes, era a única refeição do dia. Seu corpo, frágil pela falta de alimento, não suportava. Faltavam forças para caminhar. E, em muitos dias, ela era carregada pela professora não apenas por cuidado, mas por compaixão.
Era uma infância onde brincar e lutar aconteciam ao mesmo tempo.
Os doces vinham de latas jogadas por caminhões que cruzavam as estradas. Aquilo era motivo de alegria. Uma manga dividida entre irmãos virava festa. Um caju era um presente raro. Comer era um acontecimento.
E ainda assim… havia amor.
Havia uma mãe que caminhava até 50 quilômetros para vender bordados e tentar trazer alimento para casa. Havia um pai que, mesmo diante da escassez, ensinava valores. Havia irmãos que dividiam o pouco sem reclamar.


Aos 11 anos, Lúcia começou a trabalhar como babá. Não por escolha, mas por necessidade. Trabalhou no jornal, ao lado dos padrinhos Eloisa Dantas e Rubens Dantas, que também marcaram sua caminhada. Mas a vida ainda cobraria mais dela.
Aos 13 anos, partiu.





Saiu de Coxim e foi para Campo Grande. Era ainda uma menina, mas já carregava o peso de uma mulher. Foi ajudar a família, trabalhar, sobreviver. Foram 18 anos longe de casa. Anos de silêncio, de luta, de construção interna.
Mas há coisas que o tempo não apaga.
A fome que ela sentiu… ficou.
E foi essa memória que um dia mudou tudo.
Ao ver pessoas revirando o lixo em busca de comida, Lúcia não viu desconhecidos. Ela se viu. Viu sua infância. Viu a dor que um dia quase a derrubou.
E naquele instante, decidiu.
Decidiu que ninguém mais precisaria passar por aquilo se ela pudesse fazer algo.
E ela fez.


Em 1997, nasceu a AAVC. Não como uma instituição fria, mas como um abraço aberto. Como uma resposta à dor. Como um compromisso com a dignidade.
Ali, todos os dias, vidas são tocadas.
Cursos profissionalizantes são oferecidos gratuitamente porque ela sabe que a fome também se combate com oportunidade.
Alimentos são distribuídos porque ela sabe que ninguém vive de palavras.
Roupas aquecem corpos porque ela conhece o frio da estopa.
Remédios chegam a quem precisa porque ela sabe o que é não ter acesso a nada além de chás e fé.





Na Páscoa, há alegria.
No Natal, há dignidade.
No cotidiano, há cuidado.
Na AAVC, ninguém sai sem atendimento.
Ninguém sai sem um gesto de humanidade.
Ninguém sai sem ser visto. E também através dos seus parceiros essa história tem sido construída e mudado realidades em Coxim.
Porque Lúcia enxerga.


Ela enxerga a dor que muitos não querem ver.
Ao seu lado, está seu companheiro de vida, Célio Ramos. Há 31 anos, ele não apenas caminha com ela ele sustenta esse sonho junto. Muitas vezes, tiram de dentro de casa para manter a missão viva. Porque para eles, ajudar não é o que sobra. É o que define quem são.
A menina que um dia foi carregada por não ter forças… hoje carrega vidas.
A criança que não tinha o que comer… hoje alimenta multidões.




A mulher que saiu para ajudar a família… hoje é família para quem não tem.
Hoje mãe de 3 filhos e 6 netos sabe e valoriza a importância de oferecer o que não teve para que ninguém mais passe pelo seu sofrimento.
Homenagear Lúcia é reconhecer que existem pessoas que não vivem apenas para si e que independente dela estar em seu terceiro mandato como vereadora este projeto existe há 27 anos e não se pauta apenas pelo seu estar vereadora e sim por ser humana.


Em Coxim, seu nome não é apenas lembrado ele é sentido, vivido, agradecido. E ela sabe que o dia que ela faltar sua família e voluntários darão continuidade ao projeto, pois ela sabe que a fome não espera.
Porque Lúcia não apenas venceu a fome.
Ela transformou a fome em amor.
E fez desse amor um caminho.

 

 

 

Orgulhos Coxinenses

Jeferson Arruda: o homem que fez do tatame um caminho para transformar vidas em Coxim

"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa...

Jeferson Arruda: o homem que fez do tatame um caminho para transformar vidas em Coxim

24 de julho de 2026

Jeferson Arruda: o homem que fez do tatame um caminho para transformar vidas em Coxim

 

Continue Lendo...

"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa última categoria." Há homens cuja história pode ser contada pelas datas registradas em documentos. Outros podem ser lembrados pelos títulos conquistados, pelas medalhas erguidas ou pelos troféus acumulados ao longo da vida. Mas existe um tipo de homem cuja verdadeira biografia não cabe em papéis. Ela está escrita na memória de uma cidade inteira. A história de Jeferson Arruda da Silva não começa em um tatame, tão pouco começa em uma competição. Ela começa muito antes, no dia 28 de junho de 1974, em Campo Grande, quando nasceu aquele que, décadas depois, seria reconhecido como um dos maiores formadores de atletas e cidadãos da história de Coxim.  

Filho de Adjalmo Arruda da Silva e Nadir Teodoro da Silva, cresceu cercado pelos valores simples que moldam grandes homens: respeito, trabalho, honestidade e perseverança. Ao lado dos irmãos Genifer Arruda, Tutankamon e Carol, aprendeu desde cedo que o caráter vale muito mais do que qualquer vitória. Talvez ninguém pudesse imaginar que aquele menino levaria consigo uma missão silenciosa: dedicar a própria existência para transformar a vida de milhares de outras pessoas.  

O chamado das artes marciais exige vocação, e  se transforma em propósito de vida. Foi nas artes marciais que Jeferson encontrou esse propósito. Há 33 anos, iniciou uma caminhada que ultrapassaria qualquer expectativa. O que começou como paixão pelo Judô, pelo Jiu-Jítsu e pela Defesa Pessoal Militar e Civil rapidamente se transformou em um compromisso permanente com a formação humana. Enquanto muitos enxergam as artes marciais como esporte ou defesa, Jeferson sempre enxergou algo maior. Para ele, um tatame nunca foi apenas um lugar de luta. Foi uma sala de aula. Um templo de disciplina. Um refúgio para crianças. Uma segunda casa para adolescentes. Um caminho capaz de mudar destinos.  

Quando ensinar tornou-se missão Em 1995, decidiu que havia chegado o momento de transmitir tudo aquilo que aprendera. Nascia ali muito mais que um professor. Nascia um mestre. Desde então, praticamente todos os dias de sua vida foram dedicados ao mesmo objetivo: ensinar. Ensinar golpes. Ensinar equilíbrio. Ensinar coragem. Ensinar respeito. Ensinar que perder também faz parte da vitória. Ao longo das décadas, milhares de crianças passaram pelo tatame. Algumas chegaram tímidas. Outras carregavam dificuldades familiares. Havia quem enfrentasse problemas financeiros. Quem buscasse disciplina. Quem apenas procurasse um lugar para pertencer. Jeferson recebeu todas da mesma maneira. Com firmeza. Com paciência. Com dedicação. Porque compreendia algo que poucos professores conseguem enxergar: Antes de formar campeões, era preciso formar seres humanos.  

Coxim encontrou um mestre Foi em Coxim que essa missão ganhou proporções extraordinárias. A cidade não recebeu apenas um professor de artes marciais. Recebeu alguém disposto a investir sua própria vida nas pessoas. Segundo estimativas de antigos alunos, somente em Coxim, entre academia e projetos sociais, aproximadamente cinco mil pessoas passaram por seus ensinamentos. Quando se somam os alunos formados em Sonora, Pedro Gomes, Alcinópolis, Figueirão e Rio Verde de Mato Grosso, esse número praticamente dobra. É impossível calcular quantas histórias foram modificadas. Porque nem toda transformação termina em medalha. Algumas terminam em um diploma. Outras em um emprego. Outras em um pai de família. 

Outras em um jovem que escolheu estudar em vez de seguir caminhos errados. Essas vitórias nunca aparecem nos jornais. Mas talvez sejam as maiores. O esporte que levou Coxim ao Brasil e ao mundo Pouco a pouco, os resultados começaram a aparecer. Vieram campeonatos estaduais. Vieram competições nacionais. Vieram convocações. Vieram títulos. Vieram medalhas. Vieram sonhos realizados. Seus alunos passaram a representar Coxim em eventos de enorme importância. As conquistas atravessaram fronteiras.  

Houve atletas campeões na Argentina. Vieram quatro participações em Campeonatos Mundiais organizados pela CBJJE, em São Paulo. Vieram os Campeonatos Brasileiros realizados em: - Mariana (MG) – 2018 - Uberaba (MG) – 2019 - Ribeirão das Neves (MG) – 2022 e 2024 - Recife (PE) – 2023- Vitória (ES) – 2025. Cada medalha conquistada carregava muito mais que talento. Carregava incontáveis horas de treino. Sacrifícios. Viagens. Superação. E, principalmente, a dedicação de um mestre que acreditava em seus alunos antes mesmo que eles acreditassem em si próprios.  

A maior felicidade nunca foi a própria vitória quando perguntam a Jeferson quais foram seus momentos mais felizes, ele não fala de conquistas pessoais. Não cita troféus próprios. Não fala de reconhecimento. Ele lembra dos alunos. Lembra dos campeões. Lembra das medalhas conquistadas por eles. Porque um verdadeiro mestre mede sua grandeza pelas vitórias dos seus discípulos. Cada criança que sobe ao pódio é uma conquista compartilhada.  

Cada faixa conquistada representa anos de dedicação invisível. Cada abraço após uma competição resume uma história inteira. As dores que ninguém via, mas nem toda história é feita apenas de vitórias. Existem cicatrizes que permanecem silenciosas. Entre as maiores tristezas de sua caminhada está uma realidade conhecida por quem trabalha com esporte no interior do Brasil.  

Diversas vezes classificou atletas para grandes competições. Jovens que haviam treinado durante meses. Que conquistaram a vaga. Que mereciam representar Coxim. Mas não puderam viajar. Faltou apoio. Faltaram recursos. Faltaram oportunidades. É uma dor difícil de explicar. Porque nenhum professor gosta de ver um sonho interrompido por motivos financeiros. Ainda assim, nunca desistiu. No dia seguinte, voltava ao tatame. Recomeçava. Treinava novamente. Incentivava outro aluno. E seguia acreditando. 

Muito além das medalhas talvez o maior legado de Jeferson Arruda jamais possa ser contado pelos números. Nem pelas medalhas. Nem pelos campeonatos. Seu verdadeiro patrimônio são as pessoas. São milhares de ex-alunos espalhados por Coxim e por diversas cidades. Homens e mulheres que hoje trabalham, estudam, criam seus filhos e levam consigo valores aprendidos durante os treinos. Eles talvez não se recordem de cada golpe ensinado.  

Mas jamais esquecerão das palavras. Da disciplina. Do respeito. Da humildade. Da coragem. Porque quem aprende uma arte marcial com um verdadeiro mestre aprende muito mais do que lutar. Aprende a viver. Um legado que pertence à cidade Poucos profissionais conseguem dedicar mais de três décadas à mesma missão. Menos ainda conseguem manter viva a mesma paixão depois de tantos anos. Jeferson conseguiu. Seu nome tornou-se parte da história esportiva de Coxim.  

Sua trajetória se confunde com a evolução das artes marciais no município. Cada faixa preta formada. Cada campeão revelado. Cada criança salva do caminho da violência. Cada jovem incentivado a acreditar em si mesmo. Tudo isso faz parte de uma construção silenciosa iniciada há muitos anos e que continua sendo escrita diariamente.  

A gratidão de uma cidade As cidades costumam homenagear seus grandes homens com placas, medalhas ou títulos. Mas existem homenagens maiores. São aquelas que aparecem quando um ex-aluno reencontra seu professor anos depois. Quando um pai matricula o filho porque um dia também foi seu aluno. Quando um campeão aponta para o mestre antes de subir ao pódio.  

Quando uma família agradece porque encontrou no esporte um caminho de esperança. Essa talvez seja a maior recompensa de Jeferson Arruda. Ser lembrado não apenas como professor. Nem apenas como treinador. Mas como alguém que acreditou em milhares de crianças antes que o mundo acreditasse nelas. Hoje, sua história pertence muito mais a Coxim do que a ele próprio.  

Porque homens passam. Medalhas envelhecem. Faixas se desgastam. Troféus acumulam poeira. Mas o bem plantado no coração das pessoas permanece vivo por gerações. E enquanto existir um único aluno carregando consigo os valores aprendidos em seu tatame, o legado de Jeferson Arruda da Silva continuará sendo escrito. Não apenas na história do esporte. Mas, principalmente, na história de uma cidade que encontrou em um mestre muito mais do que um professor. Encontrou um verdadeiro construtor de vidas.  

E talvez seja exatamente essa a definição mais bonita para sua trajetória: Há campeões que vencem lutas. Há mestres que vencem o tempo. Jeferson Arruda venceu ambos, porque transformou sua própria vida em uma vitória compartilhada por milhares de outras pessoas

Orgulhos Coxinenses

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é...

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

17 de julho de 2026

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

 

Continue Lendo...

Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é permanecer vivas na  

memória de milhares de pessoas por aquilo que ensinaram, pelo exemplo que deram e pelos valores que semearam ao longo da vida. Em Coxim, um desses nomes é o do professor Alcides Neves Filho. 

Nascido em 31 de outubro de 1967, na própria cidade onde escreveria sua história, Alcides cresceu aprendendo que a honestidade, o trabalho e o respeito eram patrimônios que nenhuma dificuldade poderia tirar. Filho de Alcides Neves e Zenaide Louzada Neves, ao lado das irmãs Elizabeth, Adnair e Luzia, construiu uma infância marcada pelos valores familiares que mais tarde levaria para dentro das quadras, das salas de aula e da vida. 

Sua trajetória profissional nunca foi apenas sobre ensinar um esporte. Foi sobre ensinar disciplina, responsabilidade, amizade, coragem e perseverança. Porque, para ele, a Educação Física sempre significou muito mais do que movimento: significou formação humana. 

Graduou-se em Educação Física pela Associação de Ensino de Tupã, em São Paulo, e mais tarde ampliou seus conhecimentos com a pós-graduação em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O conhecimento adquirido nunca permaneceu apenas nos livros. Tornou-se prática diária, exemplo e inspiração. 

Ao longo da carreira, dedicou sua vida à educação pública, atuando em escolas que fazem parte da história de Coxim, como William Tavares, Marechal Rondon, Clarice e Semíramis. Tornou-se servidor efetivo do município, onde encerrou um ciclo com a aposentadoria, e segue exercendo sua missão como professor efetivo da rede estadual de ensino. 

Por mais de três décadas, suas aulas foram muito além do apito que marcava o início das atividades. Cada treino representava uma oportunidade de ensinar respeito ao adversário, trabalho em equipe, solidariedade e superação. Formou gerações de estudantes que aprenderam com ele que vencer é importante, mas vencer com caráter é essencial. 

Treinador de futsal, basquete, atletismo e voleibol, Alcides ajudou incontáveis crianças e adolescentes a descobrirem talentos, fortalecerem a autoestima e acreditarem em si mesmos. Em cada campeonato, em cada treino sob o sol forte ou nas noites de preparação para competições escolares, estava presente não apenas o professor, mas um educador comprometido em enxergar potencial onde muitos viam apenas limitações. 

Quem passou por suas aulas dificilmente esquece seu jeito leve de ensinar. Dono de um humor espontâneo, sempre encontrava uma maneira de arrancar um sorriso dos alunos. Transformava o ambiente esportivo em um espaço de acolhimento, amizade e aprendizado. Sua simpatia aproximava as pessoas; seu respeito conquistava confiança; sua competência consolidava admiração. 

No dia 14 de agosto de 1995, deu mais um passo importante em sua caminhada ao inaugurar sua academia. O espaço rapidamente deixou de ser apenas um local para exercícios físicos e passou a representar um ambiente de convivência, saúde e incentivo à qualidade de vida. Ali, Alcides continuou fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor: cuidar de pessoas. 

Entretanto, nenhuma conquista profissional supera a construção de sua família. 

Ao lado da esposa, Vanize Paula Onuszezak Neves, com quem se casou em 13 de janeiro de 1999, edificou um lar sustentado pelo respeito, pelo companheirismo e pelos mesmos princípios que sempre transmitiu aos seus alunos. Dessa união nasceram Alcides Neves Neto e Maria Rita Onuszezak Neves, seus maiores orgulhos e a continuidade dos valores que sempre cultivou. 

Fora das quadras, Alcides continua sendo um apaixonado pelo esporte. Gosta de acompanhar praticamente todas as modalidades esportivas, aprecia boa música e mantém um jeito simples de viver. Entre uma aula e outra, preserva pequenos hábitos que revelam sua humanidade, como o indispensável descanso após o almoço  momento sagrado que, quando interrompido, costuma tirar um pouco de sua conhecida tranquilidade e render boas histórias entre familiares e amigos. 

Mas seria impossível resumir Alcides apenas pelos cargos que ocupou, pelas escolas onde trabalhou ou pelos esportes que ensinou. 

Seu maior legado está nas pessoas. 

Está no ex-aluno que escolheu o caminho da educação porque encontrou nele uma referência. 

Está no jovem que permaneceu longe das drogas porque encontrou no esporte um propósito. 

Está no adulto que ainda hoje recorda, com carinho, dos conselhos recebidos antes de uma competição. 

Está em cada cidadão que aprendeu que disciplina e respeito caminham juntos. 

Em uma sociedade que tantas vezes procura exemplos distantes, Coxim encontrou um deles bem perto de casa. 

Mais do que ensinar fundamentos esportivos, Alcides Neves Filho sempre compreendeu a dimensão da responsabilidade que carregava como educador. Em cada aula, enxergava crianças e adolescentes que precisavam ser acolhidos, orientados e incentivados a acreditar em um futuro melhor. Para ele, a educação e o esporte jamais foram apenas profissões, mas instrumentos capazes de transformar vidas. 

Convicto de que uma quadra pode ser tão importante quanto uma sala de aula na formação do caráter, sempre acreditou que o esporte é uma das portas mais eficazes para proteger crianças e jovens dos caminhos da violência, das drogas e de tantas vulnerabilidades que desafiam a juventude. Por isso, nunca mediu esforços para incentivar seus alunos a permanecerem na escola, respeitarem o próximo, cultivarem disciplina e descobrirem seus talentos. 

Seu compromisso ultrapassava o horário das aulas. Muitas vezes, um treino representava um espaço de escuta, uma palavra de incentivo ou um conselho dado no momento certo. Alcides sabia que um professor pode marcar uma vida para sempre, e fez dessa consciência um princípio inegociável de sua trajetória. Ao longo de mais de três décadas dedicadas à educação pública e ao esporte, ajudou a formar não apenas atletas, mas cidadãos preparados para enfrentar a vida com dignidade, responsabilidade e esperança. 

Esse talvez seja o maior legado de Alcides Neves Filho: compreender que medalhas envelhecem, troféus acumulam poeira, mas o caráter construído em uma criança permanece por toda a vida. É essa convicção que faz dele não apenas um professor de Educação Física, mas um verdadeiro educador, cuja missão sempre foi transformar o esporte em uma ferramenta de inclusão, proteção social e construção de um futuro melhor para as novas gerações de Coxim. 

Ao longo de mais de trinta anos dedicados ao esporte e à educação, Alcides Neves Filho construiu uma reputação baseada em valores que não envelhecem: honestidade, compromisso, humildade, ética e amor pelo próximo. Sua imagem é associada à seriedade, ao profissionalismo e à dedicação incondicional aos alunos. Tornou-se uma presença respeitada por diferentes gerações, admirado por colegas, ex-estudantes, atletas, famílias e pela comunidade. 

A história de Alcides demonstra que um professor pode ensinar muito mais do que técnicas esportivas. Pode ensinar maneiras de viver. 

Enquanto muitos medem o sucesso pelos troféus expostos em prateleiras, o verdadeiro patrimônio de Alcides permanece espalhado por Coxim: nas lembranças, no caráter das pessoas que ajudou a formar, nos valores transmitidos silenciosamente durante décadas e na certeza de que educar é uma das mais nobres formas de transformar uma sociedade. 

Seu nome já faz parte da história da educação e do esporte coxinense. Não apenas pelos anos de serviço prestado, mas porque deixou marcas onde elas realmente importam: no coração das pessoas.