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Orgulhos Coxinenses

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Dona Arminda

a mulher que transformou uma cachoeira em lar e deixou saudade nas águas de Coxim

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8 de maio de 2026

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Glenda Melo

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Existem pessoas que passam pela vida.

E existem aquelas que se tornam eternas.

Não porque foram famosas.
Não porque tiveram riquezas.
Não porque buscaram reconhecimento.

Mas porque aprenderam a coisa mais rara deste mundo: amar gente.

Arminda Santana de Araújo (IN MEMORIAM) foi assim.

Uma mulher simples aos olhos de quem não conhecia sua história, mas gigantesca para todos aqueles que tiveram o privilégio de sentar-se à sua mesa, ouvir sua voz calma, sentir o cheiro do café recém-passado vindo da cozinha ou simplesmente receber um de seus sorrisos sinceros.

Falar de Dona Arminda é falar de Coxim.

É falar de família.
De fé.
De luta.
De rio.
De comida feita no fogão com carinho.
De portas abertas.
De abraço que acolhia até quem chegava pela primeira vez.

Dona Arminda não construiu apenas uma fazenda.

Ela construiu memórias.

Nasceu em 23 de dezembro de 1919, na Fazenda Santa Luzia, em Coxim. Filha de Sérgio Santana e Amélia Belarmino Santana, foi a sétima entre nove irmãos. Cresceu em uma família católica, aprendendo desde cedo os valores que carregaria até o último dia de vida: humildade, respeito, fé e amor ao próximo.

Talvez ela mesma nunca tenha imaginado que se tornaria uma das mulheres mais importantes da história afetiva do turismo de Coxim.

Casou-se em março de 1937 com seu primo e grande amor, Luis Ranulfo Ferreira de Araújo. E quem conheceu os dois dizia que existia entre eles uma dessas uniões raras, construídas não apenas no amor, mas na parceria, no cuidado e na admiração.

Foram 22 anos de casamento.

Vinte e dois anos dividindo sonhos, dificuldades e esperanças.

Luís era conhecido como homem trabalhador, respeitado pelos ribeirinhos da região. Arminda, ainda jovem, já demonstrava a serenidade que mais tarde se tornaria sua marca. Juntos formaram uma família grande: oito filhos. Quatro mulheres. Quatro homens.

E ali começava a história que mudaria para sempre a vida daquela família e também a história de Coxim.

Quando chegaram às terras da futura Cachoeira das Palmeiras, em 1950, o que existia era apenas mata fechada.

Não havia energia.
Não havia estrada estruturada.
Não havia conforto.

Havia apenas coragem.

Luís foi primeiro. Sozinho, desbravando o mato, abrindo espaço no coração da floresta para construir uma pequena casa de barro e sapé, simples, humilde, mas cheia de esperança.

Depois Arminda chegou com os filhos.

E foi ali, no meio da natureza bruta, cercada pelos babaçuais, pelo rio e pelo som da cachoeira, que ela criou sua vida.

Aquela mulher delicada, calma e sorridente também era forte como poucas.

Plantava.
Cuidava da casa.
Criava os filhos.
Ajudava na fazenda.
Recebia visitantes.
Enfrentava as dificuldades da distância e da escassez.

Tudo isso sem jamais perder a doçura.

O dinheiro era pouco. Muitas vezes os serviços eram trocados por mantimentos ou roupas. Mas ninguém saía dali sem acolhimento.

Porque Arminda tinha uma riqueza que não se mede.

Ela fazia as pessoas se sentirem pertencentes.

Aos poucos, começaram a chegar os primeiros pescadores vindos de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Vinham atraídos pelas histórias dos peixes abundantes, pela famosa piracema, pelas águas cristalinas onde o peixe “saltava até na cachoeira”.

E encontravam muito mais do que peixe.

Encontravam uma família.

Os turistas dormiam na própria casa dos Araújo. Comiam junto da família. Sentavam-se ao redor da mesa como velhos conhecidos.

E Dona Arminda servia café.

Sempre o café.

Talvez ela nunca tenha percebido que aquele gesto simples atravessaria décadas e se tornaria parte da memória de milhares de pessoas.

O poeta Geraldo Mochi eternizou isso em versos ao falar do “cafezinho da Dona Arminda com sabor Sul-mato-grossense”.

Mas a verdade é que o sabor não estava no café.

Estava nela.

Na forma como olhava as pessoas.
Na maneira como escutava.
Na paz que transmitia.

Dizem que para Dona Arminda não existiam estranhos.

Todos viravam amigos.

E viravam mesmo.

A fazenda cresceu. O turismo floresceu. A Cachoeira das Palmeiras tornou-se referência nacional. Vieram excursões, ônibus, famílias inteiras, pescadores do Brasil inteiro.

Mas nada ali era mais forte que a presença daquela mulher.

Ela era o coração do lugar.

E então veio a dor.

Em 16 de dezembro de 1959 Arminda leva um grande baque, seu grande amor e melhor amigo Luís sofre um AVC fatal e vem a falecer.

Arminda ficou viúva aos 37 anos.

Sozinha.

Com oito filhos para criar e se seu amor.

O mais novo tinha apenas um ano e seis meses.

Qualquer pessoa teria desabado.

Mas ela não.

Chorou suas dores em silêncio e transformou sofrimento em força.

Virou mãe e pai.
Virou liderança.
Virou exemplo.

Com ajuda dos filhos e dos ribeirinhos da região, continuou tocando a fazenda. Seguiu em frente mesmo carregando saudades profundas dentro do peito.

E talvez seja justamente aí que sua grandeza se revele.

Porque Dona Arminda nunca permitiu que a tristeza endurecesse seu coração.

Mesmo após perder filhos ao longo da vida, manteve sua fé inabalável. Continuava sorrindo. Continuava acolhendo. Continuava oferecendo café e bolo a quem chegava.

Ela amava flores. Primavera era sua favorita.

Amava perfumes. Gostava de vestidos novos, sapatos bonitos, cabelos sempre arrumados. Tinha vaidade, mas uma vaidade leve, feminina, elegante.

Gostava da vida.

Gostava de conversar.
De ouvir histórias.
De reunir a família.
De celebrar aniversários.
De preparar almoço para os festeiros da Bandeira do Divino.

A casa de Dona Arminda nunca foi apenas uma casa.

Era um refúgio.

Quem chegava cansado, saía renovado.

Quem chegava visitante, partia amigo.

Ela carregava uma sabedoria rara. Tinha pouco estudo formal, mas uma inteligência que nascia da vida. Sabia cuidar da fazenda, administrar negócios e, principalmente, cuidar de pessoas.

A Cachoeira das Palmeiras cresceu junto com ela.

Ou talvez tenha sido ela quem deu alma àquele lugar.

Porque existem paisagens bonitas em muitos lugares do mundo.

Mas poucos lugares tiveram uma mulher como Dona Arminda vivendo dentro deles.

Em 2014, ela partiu, foi encontrar seu grande amor, após anos de saudades chegava ao fim a distância, eles então se reencontraram na eternidade.

Mas, desde então, algo silenciou naquelas águas.

A cachoeira continua lá.
Os babaçuais continuam lá.
O rio continua correndo.

Mas quem conheceu Dona Arminda sabe: nunca mais foi igual.

Porque algumas pessoas não morrem apenas para a família.

Elas deixam vazio em cidades inteiras.

Hoje, a antiga Cachoeira das Palmeiras já não recebe visitantes como antes. Tornou-se propriedade privada. O movimento cessou. Os ônibus desapareceram. As barracas sumiram das margens do rio.

Mas a memória dela continua viva.

Viva no cheiro imaginário do café passado no fogão.
Viva nas fotografias antigas.
Viva nas histórias contadas pelos filhos, netos e amigos.
Viva nas lembranças de quem um dia foi recebido por ela.

Dona Arminda foi mais que uma pioneira do turismo.

Foi dessas mulheres raras que transformam qualquer lugar em lar.

E talvez a maior prova de sua grandeza seja justamente essa:

Mesmo depois de sua partida, ainda existem pessoas que se emocionam ao ouvir seu nome.

Porque o tempo leva muita coisa.

Mas jamais leva o amor deixado por alguém que viveu para fazer o bem.

 

 

Orgulhos Coxinenses

Jeferson Arruda: o homem que fez do tatame um caminho para transformar vidas em Coxim

"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa...

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"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa última categoria." Há homens cuja história pode ser contada pelas datas registradas em documentos. Outros podem ser lembrados pelos títulos conquistados, pelas medalhas erguidas ou pelos troféus acumulados ao longo da vida. Mas existe um tipo de homem cuja verdadeira biografia não cabe em papéis. Ela está escrita na memória de uma cidade inteira. A história de Jeferson Arruda da Silva não começa em um tatame, tão pouco começa em uma competição. Ela começa muito antes, no dia 28 de junho de 1974, em Campo Grande, quando nasceu aquele que, décadas depois, seria reconhecido como um dos maiores formadores de atletas e cidadãos da história de Coxim.  

Filho de Adjalmo Arruda da Silva e Nadir Teodoro da Silva, cresceu cercado pelos valores simples que moldam grandes homens: respeito, trabalho, honestidade e perseverança. Ao lado dos irmãos Genifer Arruda, Tutankamon e Carol, aprendeu desde cedo que o caráter vale muito mais do que qualquer vitória. Talvez ninguém pudesse imaginar que aquele menino levaria consigo uma missão silenciosa: dedicar a própria existência para transformar a vida de milhares de outras pessoas.  

O chamado das artes marciais exige vocação, e  se transforma em propósito de vida. Foi nas artes marciais que Jeferson encontrou esse propósito. Há 33 anos, iniciou uma caminhada que ultrapassaria qualquer expectativa. O que começou como paixão pelo Judô, pelo Jiu-Jítsu e pela Defesa Pessoal Militar e Civil rapidamente se transformou em um compromisso permanente com a formação humana. Enquanto muitos enxergam as artes marciais como esporte ou defesa, Jeferson sempre enxergou algo maior. Para ele, um tatame nunca foi apenas um lugar de luta. Foi uma sala de aula. Um templo de disciplina. Um refúgio para crianças. Uma segunda casa para adolescentes. Um caminho capaz de mudar destinos.  

Quando ensinar tornou-se missão Em 1995, decidiu que havia chegado o momento de transmitir tudo aquilo que aprendera. Nascia ali muito mais que um professor. Nascia um mestre. Desde então, praticamente todos os dias de sua vida foram dedicados ao mesmo objetivo: ensinar. Ensinar golpes. Ensinar equilíbrio. Ensinar coragem. Ensinar respeito. Ensinar que perder também faz parte da vitória. Ao longo das décadas, milhares de crianças passaram pelo tatame. Algumas chegaram tímidas. Outras carregavam dificuldades familiares. Havia quem enfrentasse problemas financeiros. Quem buscasse disciplina. Quem apenas procurasse um lugar para pertencer. Jeferson recebeu todas da mesma maneira. Com firmeza. Com paciência. Com dedicação. Porque compreendia algo que poucos professores conseguem enxergar: Antes de formar campeões, era preciso formar seres humanos.  

Coxim encontrou um mestre Foi em Coxim que essa missão ganhou proporções extraordinárias. A cidade não recebeu apenas um professor de artes marciais. Recebeu alguém disposto a investir sua própria vida nas pessoas. Segundo estimativas de antigos alunos, somente em Coxim, entre academia e projetos sociais, aproximadamente cinco mil pessoas passaram por seus ensinamentos. Quando se somam os alunos formados em Sonora, Pedro Gomes, Alcinópolis, Figueirão e Rio Verde de Mato Grosso, esse número praticamente dobra. É impossível calcular quantas histórias foram modificadas. Porque nem toda transformação termina em medalha. Algumas terminam em um diploma. Outras em um emprego. Outras em um pai de família. 

Outras em um jovem que escolheu estudar em vez de seguir caminhos errados. Essas vitórias nunca aparecem nos jornais. Mas talvez sejam as maiores. O esporte que levou Coxim ao Brasil e ao mundo Pouco a pouco, os resultados começaram a aparecer. Vieram campeonatos estaduais. Vieram competições nacionais. Vieram convocações. Vieram títulos. Vieram medalhas. Vieram sonhos realizados. Seus alunos passaram a representar Coxim em eventos de enorme importância. As conquistas atravessaram fronteiras.  

Houve atletas campeões na Argentina. Vieram quatro participações em Campeonatos Mundiais organizados pela CBJJE, em São Paulo. Vieram os Campeonatos Brasileiros realizados em: - Mariana (MG) – 2018 - Uberaba (MG) – 2019 - Ribeirão das Neves (MG) – 2022 e 2024 - Recife (PE) – 2023- Vitória (ES) – 2025. Cada medalha conquistada carregava muito mais que talento. Carregava incontáveis horas de treino. Sacrifícios. Viagens. Superação. E, principalmente, a dedicação de um mestre que acreditava em seus alunos antes mesmo que eles acreditassem em si próprios.  

A maior felicidade nunca foi a própria vitória quando perguntam a Jeferson quais foram seus momentos mais felizes, ele não fala de conquistas pessoais. Não cita troféus próprios. Não fala de reconhecimento. Ele lembra dos alunos. Lembra dos campeões. Lembra das medalhas conquistadas por eles. Porque um verdadeiro mestre mede sua grandeza pelas vitórias dos seus discípulos. Cada criança que sobe ao pódio é uma conquista compartilhada.  

Cada faixa conquistada representa anos de dedicação invisível. Cada abraço após uma competição resume uma história inteira. As dores que ninguém via, mas nem toda história é feita apenas de vitórias. Existem cicatrizes que permanecem silenciosas. Entre as maiores tristezas de sua caminhada está uma realidade conhecida por quem trabalha com esporte no interior do Brasil.  

Diversas vezes classificou atletas para grandes competições. Jovens que haviam treinado durante meses. Que conquistaram a vaga. Que mereciam representar Coxim. Mas não puderam viajar. Faltou apoio. Faltaram recursos. Faltaram oportunidades. É uma dor difícil de explicar. Porque nenhum professor gosta de ver um sonho interrompido por motivos financeiros. Ainda assim, nunca desistiu. No dia seguinte, voltava ao tatame. Recomeçava. Treinava novamente. Incentivava outro aluno. E seguia acreditando. 

Muito além das medalhas talvez o maior legado de Jeferson Arruda jamais possa ser contado pelos números. Nem pelas medalhas. Nem pelos campeonatos. Seu verdadeiro patrimônio são as pessoas. São milhares de ex-alunos espalhados por Coxim e por diversas cidades. Homens e mulheres que hoje trabalham, estudam, criam seus filhos e levam consigo valores aprendidos durante os treinos. Eles talvez não se recordem de cada golpe ensinado.  

Mas jamais esquecerão das palavras. Da disciplina. Do respeito. Da humildade. Da coragem. Porque quem aprende uma arte marcial com um verdadeiro mestre aprende muito mais do que lutar. Aprende a viver. Um legado que pertence à cidade Poucos profissionais conseguem dedicar mais de três décadas à mesma missão. Menos ainda conseguem manter viva a mesma paixão depois de tantos anos. Jeferson conseguiu. Seu nome tornou-se parte da história esportiva de Coxim.  

Sua trajetória se confunde com a evolução das artes marciais no município. Cada faixa preta formada. Cada campeão revelado. Cada criança salva do caminho da violência. Cada jovem incentivado a acreditar em si mesmo. Tudo isso faz parte de uma construção silenciosa iniciada há muitos anos e que continua sendo escrita diariamente.  

A gratidão de uma cidade As cidades costumam homenagear seus grandes homens com placas, medalhas ou títulos. Mas existem homenagens maiores. São aquelas que aparecem quando um ex-aluno reencontra seu professor anos depois. Quando um pai matricula o filho porque um dia também foi seu aluno. Quando um campeão aponta para o mestre antes de subir ao pódio.  

Quando uma família agradece porque encontrou no esporte um caminho de esperança. Essa talvez seja a maior recompensa de Jeferson Arruda. Ser lembrado não apenas como professor. Nem apenas como treinador. Mas como alguém que acreditou em milhares de crianças antes que o mundo acreditasse nelas. Hoje, sua história pertence muito mais a Coxim do que a ele próprio.  

Porque homens passam. Medalhas envelhecem. Faixas se desgastam. Troféus acumulam poeira. Mas o bem plantado no coração das pessoas permanece vivo por gerações. E enquanto existir um único aluno carregando consigo os valores aprendidos em seu tatame, o legado de Jeferson Arruda da Silva continuará sendo escrito. Não apenas na história do esporte. Mas, principalmente, na história de uma cidade que encontrou em um mestre muito mais do que um professor. Encontrou um verdadeiro construtor de vidas.  

E talvez seja exatamente essa a definição mais bonita para sua trajetória: Há campeões que vencem lutas. Há mestres que vencem o tempo. Jeferson Arruda venceu ambos, porque transformou sua própria vida em uma vitória compartilhada por milhares de outras pessoas

Orgulhos Coxinenses

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é...

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

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Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

 

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Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é permanecer vivas na  

memória de milhares de pessoas por aquilo que ensinaram, pelo exemplo que deram e pelos valores que semearam ao longo da vida. Em Coxim, um desses nomes é o do professor Alcides Neves Filho. 

Nascido em 31 de outubro de 1967, na própria cidade onde escreveria sua história, Alcides cresceu aprendendo que a honestidade, o trabalho e o respeito eram patrimônios que nenhuma dificuldade poderia tirar. Filho de Alcides Neves e Zenaide Louzada Neves, ao lado das irmãs Elizabeth, Adnair e Luzia, construiu uma infância marcada pelos valores familiares que mais tarde levaria para dentro das quadras, das salas de aula e da vida. 

Sua trajetória profissional nunca foi apenas sobre ensinar um esporte. Foi sobre ensinar disciplina, responsabilidade, amizade, coragem e perseverança. Porque, para ele, a Educação Física sempre significou muito mais do que movimento: significou formação humana. 

Graduou-se em Educação Física pela Associação de Ensino de Tupã, em São Paulo, e mais tarde ampliou seus conhecimentos com a pós-graduação em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O conhecimento adquirido nunca permaneceu apenas nos livros. Tornou-se prática diária, exemplo e inspiração. 

Ao longo da carreira, dedicou sua vida à educação pública, atuando em escolas que fazem parte da história de Coxim, como William Tavares, Marechal Rondon, Clarice e Semíramis. Tornou-se servidor efetivo do município, onde encerrou um ciclo com a aposentadoria, e segue exercendo sua missão como professor efetivo da rede estadual de ensino. 

Por mais de três décadas, suas aulas foram muito além do apito que marcava o início das atividades. Cada treino representava uma oportunidade de ensinar respeito ao adversário, trabalho em equipe, solidariedade e superação. Formou gerações de estudantes que aprenderam com ele que vencer é importante, mas vencer com caráter é essencial. 

Treinador de futsal, basquete, atletismo e voleibol, Alcides ajudou incontáveis crianças e adolescentes a descobrirem talentos, fortalecerem a autoestima e acreditarem em si mesmos. Em cada campeonato, em cada treino sob o sol forte ou nas noites de preparação para competições escolares, estava presente não apenas o professor, mas um educador comprometido em enxergar potencial onde muitos viam apenas limitações. 

Quem passou por suas aulas dificilmente esquece seu jeito leve de ensinar. Dono de um humor espontâneo, sempre encontrava uma maneira de arrancar um sorriso dos alunos. Transformava o ambiente esportivo em um espaço de acolhimento, amizade e aprendizado. Sua simpatia aproximava as pessoas; seu respeito conquistava confiança; sua competência consolidava admiração. 

No dia 14 de agosto de 1995, deu mais um passo importante em sua caminhada ao inaugurar sua academia. O espaço rapidamente deixou de ser apenas um local para exercícios físicos e passou a representar um ambiente de convivência, saúde e incentivo à qualidade de vida. Ali, Alcides continuou fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor: cuidar de pessoas. 

Entretanto, nenhuma conquista profissional supera a construção de sua família. 

Ao lado da esposa, Vanize Paula Onuszezak Neves, com quem se casou em 13 de janeiro de 1999, edificou um lar sustentado pelo respeito, pelo companheirismo e pelos mesmos princípios que sempre transmitiu aos seus alunos. Dessa união nasceram Alcides Neves Neto e Maria Rita Onuszezak Neves, seus maiores orgulhos e a continuidade dos valores que sempre cultivou. 

Fora das quadras, Alcides continua sendo um apaixonado pelo esporte. Gosta de acompanhar praticamente todas as modalidades esportivas, aprecia boa música e mantém um jeito simples de viver. Entre uma aula e outra, preserva pequenos hábitos que revelam sua humanidade, como o indispensável descanso após o almoço  momento sagrado que, quando interrompido, costuma tirar um pouco de sua conhecida tranquilidade e render boas histórias entre familiares e amigos. 

Mas seria impossível resumir Alcides apenas pelos cargos que ocupou, pelas escolas onde trabalhou ou pelos esportes que ensinou. 

Seu maior legado está nas pessoas. 

Está no ex-aluno que escolheu o caminho da educação porque encontrou nele uma referência. 

Está no jovem que permaneceu longe das drogas porque encontrou no esporte um propósito. 

Está no adulto que ainda hoje recorda, com carinho, dos conselhos recebidos antes de uma competição. 

Está em cada cidadão que aprendeu que disciplina e respeito caminham juntos. 

Em uma sociedade que tantas vezes procura exemplos distantes, Coxim encontrou um deles bem perto de casa. 

Mais do que ensinar fundamentos esportivos, Alcides Neves Filho sempre compreendeu a dimensão da responsabilidade que carregava como educador. Em cada aula, enxergava crianças e adolescentes que precisavam ser acolhidos, orientados e incentivados a acreditar em um futuro melhor. Para ele, a educação e o esporte jamais foram apenas profissões, mas instrumentos capazes de transformar vidas. 

Convicto de que uma quadra pode ser tão importante quanto uma sala de aula na formação do caráter, sempre acreditou que o esporte é uma das portas mais eficazes para proteger crianças e jovens dos caminhos da violência, das drogas e de tantas vulnerabilidades que desafiam a juventude. Por isso, nunca mediu esforços para incentivar seus alunos a permanecerem na escola, respeitarem o próximo, cultivarem disciplina e descobrirem seus talentos. 

Seu compromisso ultrapassava o horário das aulas. Muitas vezes, um treino representava um espaço de escuta, uma palavra de incentivo ou um conselho dado no momento certo. Alcides sabia que um professor pode marcar uma vida para sempre, e fez dessa consciência um princípio inegociável de sua trajetória. Ao longo de mais de três décadas dedicadas à educação pública e ao esporte, ajudou a formar não apenas atletas, mas cidadãos preparados para enfrentar a vida com dignidade, responsabilidade e esperança. 

Esse talvez seja o maior legado de Alcides Neves Filho: compreender que medalhas envelhecem, troféus acumulam poeira, mas o caráter construído em uma criança permanece por toda a vida. É essa convicção que faz dele não apenas um professor de Educação Física, mas um verdadeiro educador, cuja missão sempre foi transformar o esporte em uma ferramenta de inclusão, proteção social e construção de um futuro melhor para as novas gerações de Coxim. 

Ao longo de mais de trinta anos dedicados ao esporte e à educação, Alcides Neves Filho construiu uma reputação baseada em valores que não envelhecem: honestidade, compromisso, humildade, ética e amor pelo próximo. Sua imagem é associada à seriedade, ao profissionalismo e à dedicação incondicional aos alunos. Tornou-se uma presença respeitada por diferentes gerações, admirado por colegas, ex-estudantes, atletas, famílias e pela comunidade. 

A história de Alcides demonstra que um professor pode ensinar muito mais do que técnicas esportivas. Pode ensinar maneiras de viver. 

Enquanto muitos medem o sucesso pelos troféus expostos em prateleiras, o verdadeiro patrimônio de Alcides permanece espalhado por Coxim: nas lembranças, no caráter das pessoas que ajudou a formar, nos valores transmitidos silenciosamente durante décadas e na certeza de que educar é uma das mais nobres formas de transformar uma sociedade. 

Seu nome já faz parte da história da educação e do esporte coxinense. Não apenas pelos anos de serviço prestado, mas porque deixou marcas onde elas realmente importam: no coração das pessoas.