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Orgulhos Coxinenses

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Coxim e a marca eterna de um pastor: a vida, a obediência e o amor de Erno Selvino Schmidt

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1 de maio de 2026

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Glenda Melo

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Há homens que passam pela vida.
E há homens que deixam marcas profundas não apenas em lugares, mas em corações.

Hoje quero contar um pouco sobre a história deste homem de fé que fez parte da minha vida, infância e parte da adolescência e desde já agradeço ao pastor pela conversa e informações para que eu contasse um pouco de sua trajetória em Coxim.

A história do pastor Erno Selvino Schmidt é uma dessas histórias que não cabem apenas em datas ou registros. Ela é feita de fé vivida, de lágrimas compartilhadas, de orações silenciosas e de uma obediência constante à voz de Deus.

Tudo começou em 1º de setembro de 1948, na pacata Santa Rosa. Ali nascia um menino que cresceria sob os cuidados de Bruno Walter Schmidt e Frida Emília Schmidt, em um lar onde os valores eram firmes e a fé, ainda que simples, já apontava para algo maior. Ao lado de suas irmãs: Neli Breunig, Edi Junges e Iloni Adams aprendeu cedo sobre respeito, família e responsabilidade.

Mas havia algo diferente.

Algo que não se explicava apenas pela convivência ou pela educação. Havia um chamado. Um sussurro de Deus que, pouco a pouco, moldava seu coração.

E ele ouviu.


O chamado e a escolha da obediência

Seguir a Deus nunca foi, para Erno, uma decisão superficial. Foi uma entrega. Uma renúncia. Uma escolha diária.

Ao decidir trilhar o caminho da Teologia, formou-se em 5 de dezembro de 1981, no Rio de Janeiro. Mas seu verdadeiro preparo não estava apenas nos livros estava no relacionamento com Deus, na disciplina espiritual, na disposição de servir sem esperar reconhecimento.

A obediência se tornou sua marca.

Obedecer quando era fácil.
Obedecer quando era difícil.
Obedecer mesmo quando não entendia completamente os caminhos.

Ao lado de sua esposa, Ana Lúcia Penha Schmidt, construiu uma família firmada nessa mesma base. Um lar onde Deus era o centro, onde o amor era vivido no dia a dia, e onde suas filhas, Ingrid Anne Schmidt e Evelyn Beatriz Schmidt, cresceram vendo, de perto, o que significa viver uma fé verdadeira.

Coxim: o lugar onde o propósito floresceu

Foi em março de 1994 que Deus conduziu os passos do pastor Erno até Coxim.

E aquele não foi apenas um destino geográfico.

Foi um encontro divino.

Coxim não recebeu apenas um pastor. Recebeu um homem disposto a se doar por inteiro. Um homem que não veio buscar reconhecimento, mas cumprir um propósito.

Ao assumir a igreja, encontrou 73 membros. Poderia ter visto um desafio. Poderia ter hesitado.

Mas ele viu vidas.

Vidas que precisavam de cuidado.
Corações feridos que precisavam de cura.
Famílias que precisavam de direção.

E, com um coração obediente e cheio de amor, começou a fazer aquilo que Deus o chamou para fazer: pastorear.

O pastor que conhecia suas ovelhas pelo nome

O ministério do pastor Erno nunca foi distante. Ele não era apenas um pregador de púlpito  era um pastor presente.

Ele visitava.
Ele aconselhava.
Ele orava.
Ele chorava junto.

Sabia das lutas de cada família. Conhecia as dores escondidas por trás de sorrisos. Celebrava conquistas como se fossem suas.

Seu amor pelas ovelhas não era discurso era prática.

E foi esse amor que começou a transformar vidas.

Pessoas que chegaram sem esperança encontraram direção.
Famílias quebradas foram restauradas.
Jovens sem propósito encontraram sentido.
Homens e mulheres tiveram um encontro verdadeiro com Deus.

Ao longo de 19 anos, a igreja cresceu de 73 para mais de 300 membros. Mas o verdadeiro crescimento foi invisível aos olhos humanos: aconteceu dentro dos corações.

Muito além das paredes: um ministério que alcançou vidas em todos os lugares

A missão do pastor Erno nunca ficou limitada ao templo.

Por 19 anos, ele também serviu como capelão voluntário do 47º Batalhão de Infantaria em Coxim. Ali, entre fardas, rotinas rígidas e desafios emocionais, ele foi presença de Deus na vida de muitos militares.

Quantas palavras de consolo foram ditas em silêncio.
Quantas orações foram feitas em momentos de dor.
Quantas vidas foram fortalecidas quando tudo parecia difícil.

Ele não buscava visibilidade. Buscava cumprir sua missão.

Além disso, foi instrumento na expansão da obra de Deus na região. Participou da organização de igrejas em Sonora, e contribuiu com ações em Alcinópolis e Figueirão.

Nos bairros Nova Coxim e Senhor Divino, ajudou a transformar sonhos em realidade — com aquisição de terrenos, construção de templos e criação de espaços onde vidas seriam alcançadas.

Cada tijolo colocado carregava oração.
Cada porta aberta representava esperança.

Entre dores e perdas, a fé permaneceu firme

A caminhada, porém, não foi feita apenas de alegrias.

Houve momentos de profunda dor, como a perda de irmãs de fé, Alcione e Valéria, em um trágico acidente. A tristeza atingiu não apenas a igreja, mas também o coração do pastor.

Mas foi nesses momentos que sua fé mais falou alto.

Ele permaneceu.

Permaneceu firme.
Permaneceu fiel.
Permaneceu obediente.

Porque sua confiança nunca esteve nas circunstâncias, mas em Deus.

Um legado que não pode ser medido

Quando deixou Coxim, em 1º de janeiro de 2013, o pastor Erno não deixou apenas números expressivos mais de 300 membros na igreja e 82 na Igreja Batista Manancial.

Ele deixou algo eterno.

Deixou princípios.
Deixou ensinamentos.
Deixou exemplos.

Hoje, seu nome é lembrado com respeito, admiração e carinho. É referência para líderes religiosos, inspiração para novas gerações e exemplo de caráter, integridade e compromisso com Deus.

Ele não foi apenas um pastor.

Foi um instrumento.

A saudade, o reconhecimento e a esperança

Mesmo após anos sem visitar Coxim, sua presença permanece viva.

Está nas histórias contadas.
Nos testemunhos compartilhados.
Nos cultos que continuam.
Nas vidas que seguem firmes.

E há, no coração de muitos, o desejo de reencontro. O desejo de olhar nos olhos daquele que um dia foi pastor, conselheiro, amigo e dizer: “valeu a pena”.

Uma vida que continua falando

O pastor Erno Selvino Schmidt segue vivo.

Mas mais do que isso sua história segue viva.

Viva em cada pessoa que ele alcançou.
Viva em cada lágrima que ajudou a enxugar.
Viva em cada oração que ensinou alguém a fazer.

Sua vida é prova de que a obediência a Deus nunca é em vão.

E que um homem, quando decide viver para o propósito divino, pode transformar não apenas uma igreja, mas uma cidade inteira.

Coxim nunca mais foi a mesma.

Porque um dia, um homem chegou ali…
E decidiu amar como Cristo amou.

Orgulhos Coxinenses

Dalvinha Souza: A mulher por trás do microfone, a vida, os valores e sua história

Existem pessoas que fazem da profissão um trabalho. Outras fazem dela uma missão. E há aquelas que conseguem transformar a própria voz em abrigo, esperança,...

Dalvinha Souza: A mulher por trás do microfone, a vida, os valores e sua história

19 de junho de 2026

Dalvinha Souza: A mulher por trás do microfone, a vida, os valores e sua história

 

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Existem pessoas que fazem da profissão um trabalho. Outras fazem dela uma missão. E há aquelas que conseguem transformar a própria voz em abrigo, esperança, amizade e companhia para milhares de pessoas. Assim é Odavia Ferreira de Souza, conhecida por todos simplesmente como Dalvinha Souza.

Há mais de quatro décadas em Coxim, ela deixou de ser apenas uma comunicadora para se tornar parte da história da cidade. Sua voz atravessa gerações, acompanha manhãs, consola corações, informa, diverte e aproxima pessoas. São 24 anos dedicados ao rádio, construídos com honestidade, responsabilidade e uma paixão que nunca perdeu a intensidade.

Dalvinha carrega em sua essência os valores que aprendeu dentro de casa. Filha de Marcelino Ferreira Capim e Valdevina Ferreira Capim, cresceu em uma família numerosa, cercada pelo carinho e pela convivência com os irmãos Célio, Sônia, Antônio (Carioca), Celso, Altair Poeta, Luzinete, Isaías, Oziel, Otoniel, Josias e Josué.

Foi nesse ambiente de simplicidade, respeito e união que moldou o caráter que hoje todos reconhecem: uma mulher íntegra, de palavra firme, coração generoso e olhar sempre atento às necessidades do próximo.

A educação também ocupou lugar importante em sua caminhada. Formou-se em Licenciatura em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Coxim, demonstrando desde cedo seu interesse pelo conhecimento, pela cultura e pelas histórias das pessoas talvez porque, antes mesmo de contá-las no rádio, sempre soube ouvi-las.

A mulher que fez da comunicação um compromisso com as pessoas

Entrar no rádio nunca significou apenas falar ao microfone.

Para Dalvinha, comunicar sempre foi criar pontes entre as pessoas.

Ao longo de mais de duas décadas de profissão, conquistou algo que não se compra nem se improvisa: a credibilidade.

Seu nome tornou-se sinônimo de informação séria, utilidade pública, respeito ao ouvinte e compromisso com a verdade. Cada notícia anunciada, cada entrevista conduzida e cada mensagem compartilhada carregam a marca de uma profissional preparada, ética e profundamente comprometida com a comunidade.

Hoje, continua escrevendo essa história na Rádio Vale FM 102,9, onde, aos sábados, às 10h30, divide os microfones com os companheiros Jeferson e Rosana Amaral, no animado programa Sábado Show.

Ali, entre músicas, entrevistas, informação e muitas risadas, Dalvinha revela outra de suas maiores virtudes: a capacidade de fazer qualquer pessoa sentir-se bem-vinda.

Porque sua comunicação nunca foi distante.

Ela conversa.

Ela acolhe.

Ela aproxima.

Muito além da radialista

Quem conhece Dalvinha apenas pelo rádio conhece apenas uma parte de sua história.

A mulher que o público encontra diariamente é também aquela que prefere os encontros sinceros às grandes aparições.

Reservada por natureza, discreta nas escolhas e elegante na forma de viver, nunca precisou fazer barulho para ser notada.

Sua força está justamente na simplicidade.

É uma amiga leal, dessas que permanecem mesmo quando as luzes se apagam.

Valoriza conversas verdadeiras, abraços espontâneos e amizades construídas ao longo da vida.

Quem tem o privilégio de dividir momentos ao seu lado sabe que sua gargalhada é contagiante.

Rir é quase um idioma para Dalvinha.

Seu sorriso transforma ambientes.

Sua alegria aproxima pessoas.

Sua presença torna qualquer encontro mais leve.

A natureza como refúgio

Entre uma jornada e outra de trabalho, Dalvinha encontra paz onde muitos encontram silêncio.

Ama viajar.

Descobrir novos lugares.

Respirar novos ares.

Mas é na natureza que reencontra sua essência.

O verde, os rios, os pássaros e a tranquilidade dos ambientes naturais renovam sua energia e alimentam sua alma.

Talvez por isso carregue consigo essa serenidade que tantos percebem.

Ela compreendeu que a verdadeira felicidade mora nas pequenas coisas.

Num pôr do sol.

Num café entre amigos.

Num reencontro em família.

Num final de semana cercado por quem ama.

Família: o seu porto seguro

Apesar da intensa rotina profissional, existe um lugar onde Dalvinha nunca deixa de estar presente: sua família.

É ali que encontra força.

É ali que celebra as conquistas.

É ali que compartilha as dificuldades.

Os laços construídos desde a infância continuam sendo seu maior patrimônio.

O respeito pelos pais, o carinho pelos irmãos e o cuidado constante com aqueles que ama revelam uma mulher que jamais perdeu suas raízes.

Uma influência construída pelo exemplo

Em tempos de redes sociais e exposição constante, Dalvinha também conquistou espaço como influenciadora digital.

Mas sua influência nunca esteve baseada em números.

Ela nasce da confiança.

Da coerência.

Da credibilidade construída ao longo dos anos.

Sua voz mobiliza campanhas sociais.

Incentiva ações solidárias.

Divulga projetos comunitários.

Leva informação de interesse público.

Sempre utilizando a comunicação como ferramenta de transformação social.

Uma mulher que venceu sem perder a essência

Nenhuma trajetória construída ao longo de 24 anos acontece por acaso.

Ela exigiu coragem.

Persistência.

Dedicação.

Renúncias.

Horas incontáveis de trabalho.

Mas, acima de tudo, exigiu caráter.

Dalvinha nunca precisou diminuir ninguém para conquistar seu espaço.

Nunca buscou reconhecimento a qualquer preço.

Foi conquistando cada degrau com competência, respeito e dignidade.

Hoje, é impossível contar parte da história da comunicação em Coxim sem mencionar seu nome.

Sua voz faz parte da memória afetiva de milhares de ouvintes.

Sua presença inspira colegas de profissão.

Seu exemplo demonstra que ainda é possível fazer comunicação com responsabilidade, sensibilidade e compromisso com as pessoas.

A voz que permanece

Existem profissionais que informam.

Existem comunicadores que entretêm.

E existem aqueles que conseguem marcar vidas.

Dalvinha Souza pertence a esse grupo raro.

Ela transformou palavras em companhia.

O microfone em instrumento de serviço.

A profissão em missão.

E a própria história em um exemplo de que talento, humildade e honestidade continuam sendo os maiores patrimônios que alguém pode construir.

Sua voz ecoa pelas ondas do rádio.

Mas é no coração de quem a conhece que ela encontra sua frequência mais forte.

Porque algumas pessoas passam pela vida.

Dalvinha Souza escolheu fazer parte da história de Coxim.

Orgulhos Coxinenses

Professora Cidinha: a maestra da História que ensinou gerações a viajar pelo tempo

Existem pessoas que atravessam nossa vida Existem pessoas que deixam marcas. E existem aquelas raríssimas que se transformam em capítulos permanentes da...

Professora Cidinha: a maestra da História que ensinou gerações a viajar pelo tempo

12 de junho de 2026

Professora Cidinha: a maestra da História que ensinou gerações a viajar pelo tempo

 

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Existem pessoas que atravessam nossa vida

Existem pessoas que deixam marcas.

E existem aquelas raríssimas que se transformam em capítulos permanentes da história de uma cidade.

Maria Aparecida Ignotti Lima, a querida Professora Cidinha, é uma dessas mulheres.

Seu nome não está gravado apenas em documentos escolares, atas ou registros funcionais. Seu nome está escrito na memória afetiva de gerações inteiras de coxinenses que tiveram o privilégio de sentar-se diante dela e descobrir que aprender podia ser uma das experiências mais fascinantes da vida.

Hoje, aposentada, ela talvez não tenha dimensão da imensidão de seu legado.

Porque os anos passaram.

As escolas mudaram.

Os alunos cresceram.

Muitos se tornaram pais, avós, profissionais, autoridades e educadores.

Mas existe algo que permaneceu intacto: a lembrança da professora que transformava História em poesia.

Da professora que não apenas ensinava sobre o passado.

Ela fazia seus alunos caminharem por ele.

As raízes de uma grande educadora

A história da Professora Cidinha começou muito antes de Coxim.

Muito antes das salas lotadas.

Muito antes das aulas que encantariam centenas de jovens.

Ela nasceu em 22 de julho de 1944, na cidade de Irapuã, interior de São Paulo.

Era um Brasil diferente.

Um país ainda rural em muitas regiões, onde os sonhos eram construídos lentamente e onde a educação representava uma das poucas pontes para um futuro melhor.

Filha de João Francisco Ignotti e Maria Rafaela Colucci Ignotti, cresceu cercada pelos valores da família, da honestidade e do trabalho.

Ao lado dos irmãos Elza Aparecida Ignotti Kopcak e Celso Carlos Ignotti, aprendeu desde cedo a importância da união familiar e do respeito às pessoas.

Ainda menina, carregava consigo uma característica que a acompanharia por toda a vida: a curiosidade.

Aquela curiosidade típica das pessoas destinadas ao conhecimento.

A curiosidade de quem deseja entender o mundo.

De quem deseja conhecer as histórias escondidas atrás das histórias.

De quem busca compreender não apenas o que aconteceu, mas por que aconteceu.

Talvez ali já estivesse nascendo a professora.

Talvez ali já estivesse sendo moldada a mulher que um dia encantaria gerações.

Centenário do Sul: onde nasceu a professora

Foi em Centenário do Sul, no Paraná, que Maria Aparecida viveu boa parte de sua juventude.

Ali estudou.

Ali amadureceu.

Ali construiu seus sonhos.

Ali encontrou sua vocação.

Em uma época em que a profissão docente exigia muito mais do que conhecimento, ela decidiu abraçar o magistério.

Formou-se professora normalista.

Mas ser normalista, para ela, nunca foi apenas possuir um diploma.

Era assumir uma missão.

Era compreender que educar significava ajudar a construir futuros.

Era acreditar que uma sala de aula podia transformar destinos.

Enquanto muitas pessoas escolhem profissões, ela escolheu um propósito.

E faria dele a razão de sua vida.

Um amor que atravessou meio século

Foi também em Centenário do Sul que floresceu uma das mais belas histórias de sua trajetória.

Ela conheceu José Abdias Mateus Lima.

O encontro transformou-se em namoro.

O namoro transformou-se em casamento.

E o casamento transformou-se numa união que atravessaria cinquenta anos.

Cinco décadas de amor.

Cinco décadas de companheirismo.

Cinco décadas compartilhando sonhos, alegrias, desafios e conquistas.

Ao lado de José Abdias, construiu uma família sólida e baseada em valores que sempre fizeram parte de sua essência.

Dessa união nasceram Afonso Celso Mateus Lima e Marta Valéria Mateus Lima.

Filhos que cresceram acompanhando a dedicação da mãe à educação.

Filhos que testemunharam de perto o amor que ela nutria por seus alunos.

Porque para a Professora Cidinha, ensinar nunca terminava quando a aula acabava.

Era um modo de viver.

O destino chamado Coxim

Em 1981, a vida escreveu um novo capítulo.

A família chegou a Coxim.

Uma cidade que ainda não sabia que estava recebendo uma das educadoras mais marcantes de sua história.

Ela trouxe na bagagem muito mais do que roupas e objetos pessoais.

Trouxe experiência.

Trouxe conhecimento.

Trouxe sensibilidade.

Trouxe uma paixão inabalável pelo ensino.

E, acima de tudo, trouxe a capacidade rara de despertar sonhos.

No ano seguinte, em 1982, iniciou sua caminhada profissional na Escola Estadual Viriato Bandeira.

Era o começo de uma relação que duraria décadas.

Uma relação construída diariamente entre professora e alunos.

Entre conhecimento e descoberta.

Entre passado e futuro.

Muito além da sala de aula

Posteriormente, a Professora Cidinha também atuou na Fundação Educacional de Coxim (FEC), onde exerceu as funções de professora e coordenadora.

Sua competência e dedicação a levaram a assumir responsabilidades cada vez maiores.

Mas nunca perdeu aquilo que a diferenciava.

A capacidade de olhar cada estudante como um ser humano único.

Também lecionou na Escola Xaraés, ampliando ainda mais sua contribuição para a educação coxinense.

Por onde passou deixou marcas.

Não marcas burocráticas.

Não marcas administrativas.

Mas marcas humanas.

Daquelas que permanecem mesmo quando o tempo passa.

A professora que fazia a História ganhar vida

Mas existe algo que nenhum currículo consegue registrar.

Algo impossível de medir.

Algo que não aparece em certificados.

O encantamento.

Quem nunca foi aluno da Professora Cidinha talvez tenha dificuldade de compreender.

Mas quem foi, como eu fui, entenda imediatamente.

Ela não entrava na sala simplesmente para dar aula.

Ela entrava para abrir portais.

Quando falava da Grécia Antiga, não parecia que estávamos estudando um conteúdo escolar.

Parecia que embarcávamos em uma viagem.

As paredes desapareciam.

As carteiras deixavam de existir.

E, de repente, estávamos caminhando pelas ruas de Atenas.

Podíamos imaginar Sócrates dialogando com seus discípulos.

Platão escrevendo suas ideias.

Aristóteles refletindo sobre o mundo.

Quando chegava a vez de Roma, a transformação acontecia novamente.

Os imperadores ganhavam rosto.

As batalhas ganhavam significado.

Os monumentos surgiam diante de nossos olhos.

As estradas romanas pareciam se estender pela própria sala de aula.

A Península Ibérica.

O Egito.

As grandes navegações.

A Idade Média.

O Renascimento.

As revoluções que mudaram a humanidade.

Tudo deixava de ser conteúdo.

Tudo se tornava experiência.

Tudo ganhava vida.

Uma orquestra chamada sala de aula

Se fosse necessário encontrar uma definição para a maneira como conduzia suas aulas, talvez a melhor comparação fosse a de uma maestra.

Sim.

Uma maestra.

Porque a sala de aula era sua orquestra.

Cada aluno era um instrumento.

Cada conteúdo era uma partitura.

E ela sabia exatamente como harmonizar tudo.

Sua voz tinha ritmo.

Sua narrativa tinha emoção.

Sua didática possuía beleza.

Ela não precisava gritar para ser ouvida.

Não precisava impor para ser respeitada.

Seu conhecimento falava por ela.

Sua paixão pelo ensino conquistava naturalmente a atenção dos alunos.

A professora que mora na memória

Eu fui uma dessas alunas.

E carrego comigo a certeza de que não fui a única.

Muitos anos se passaram.

As fases da vida mudaram.

Novos professores vieram.

Novos desafios surgiram.

Mas algumas lembranças permanecem intactas.

Lembro da sensação de entrar na aula sem saber que sairíamos dali muito maiores do que entramos.

Lembro do fascínio que ela despertava.

Lembro de como nos fazia compreender que a História não era apenas uma coleção de datas.

Era a própria história da humanidade.

Era a história de quem fomos.

De quem somos.

E de quem podemos nos tornar.

Um legado eterno

Hoje, ao olhar para trás, percebemos que a Professora Cidinha ajudou a construir muito mais do que conhecimento.

Ela ajudou a construir pessoas.

Ajudou a formar caráter.

Ajudou a despertar sonhos.

Ajudou a mostrar que estudar é uma das formas mais bonitas de liberdade.

Seu legado está espalhado por Coxim.

Está nos profissionais que passaram por suas salas.

Está nos pais e mães que um dia foram seus alunos.

Está nos educadores que seguiram seus passos.

Está em cada pessoa que aprendeu a amar o conhecimento graças a ela.

A aposentadoria encerrou uma carreira.

Mas jamais encerrará sua influência.

Porque professores como Cidinha não se aposentam do coração de seus alunos.

Eles permanecem.

Vivem nas lembranças.

Vivem nas histórias contadas entre amigos.

Vivem nos reencontros escolares.

Vivem na gratidão silenciosa daqueles que tiveram a vida transformada por eles.

E enquanto existir um ex-aluno que se recorde de uma aula sobre Grécia, Roma, Egito ou qualquer outro capítulo da humanidade, a Professora Cidinha continuará presente.

Continurá ensinando.

Continuará inspirando.

Continuará fazendo aquilo que fez durante toda a vida.

Transformar conhecimento em encantamento.

Porque existem professores que passam pela escola.

Existem professores que marcam uma geração.

E existem aqueles que entram para a história.

Maria Aparecida Ignotti Lima, nossa Professora Cidinha, pertence para sempre a essa última categoria, e apesar de ter se aposentado em 1996, continuou lecionando ate 2002 e hoje após anos de dedicação para educação coxinense aquela que por tantos anos se dedicou aos filhos de tantos agora recebe o cuidado dos seus, pois afinal...

Ela não apenas ensinou História.

Ela se tornou parte dela.