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COXIM COM OUTROS OLHOS

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1 de maio de 2026

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Glenda Melo

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Entre o céu, a fé e o infinito: o Cristo Redentor do Pantanal e a alma de Coxim

Existem lugares que não se resumem a um ponto no mapa. Não cabem em uma legenda de fotografia, nem em uma simples recomendação turística. São espaços que carregam história, sentimento, identidade. Lugares onde o tempo parece desacelerar e a vida ganha outro ritmo. Em Coxim, esse lugar tem nome, altura e significado: o imponente Cristo Redentor do Pantanal.

Erguido no topo do Morro do Criminoso, no início da estrada pantaneira, o Cristo não apenas observa a cidade ele a envolve. De braços abertos, acolhe quem chega, protege quem parte e acompanha, silenciosamente, o cotidiano de uma Coxim que pulsa lá embaixo. Mas engana-se quem pensa que a experiência começa ao chegar ao topo. Ela começa muito antes, no primeiro olhar, no primeiro passo, na decisão de subir.

Um sonho que venceu o tempo

Antes de ser concreto, altura e paisagem, o Cristo foi sonho.

Um sonho que nasceu no coração do advogado Pedro Ronny Argerin e do empresário  Evaristo Khol, o sonho que se tornou realidade.

E foi assim que, no dia 10 de outubro de 2010, esse sonho ganhou forma e altura, desde então, deixou de ser apenas geográfico para se tornar espiritual, turístico e emocional.

431 degraus: uma jornada que vai além do corpo

Subir até o Cristo é mais do que um deslocamento físico. É uma experiência.

São 431 degraus que conduzem até o topo. Um caminho que exige fôlego, mas que entrega muito mais do que esforço. Cada passo é uma pausa na rotina, uma oportunidade de se desconectar do barulho do mundo e se reconectar consigo mesmo.

Ao longo da escadaria, as 12 estações da Via Sacra transformam o trajeto em um percurso de reflexão. Ali, fé e silêncio caminham lado a lado. Pessoas sobem em oração, em agradecimento, em busca de respostas ou simplesmente de paz.

E não há necessidade de pressa.

O caminho pede calma. Pede olhar atento. Pede presença.

A cada parada, a cidade começa a se revelar. Primeiro tímida, depois mais ampla, até se abrir completamente diante dos olhos. Lá embaixo, o Rio Taquari desenha seu curso com tranquilidade, cortando Coxim e lembrando a todos a força da natureza que sustenta a região.

Entre trilhas e desafios: o Cristo também é movimento

Mas nem só de contemplação vive o morro.

Para os que buscam desafio, as trilhas naturais oferecem um cenário perfeito. O terreno acidentado e a vegetação criam percursos ideais para caminhadas mais intensas, ciclismo e até motociclismo. Não é raro ver praticantes enfrentando o morro como um verdadeiro teste de resistência quase um “enduro” em meio ao Pantanal.

É nesse contraste que o Cristo se torna ainda mais fascinante: ao mesmo tempo em que convida ao silêncio, também impulsiona o movimento. Ao mesmo tempo em que inspira fé, desafia o corpo.

Tudo coexistindo em harmonia.

O topo: onde a cidade encontra o infinito

E então, depois da subida, vem o encontro.

Lá do alto, Coxim se revela por inteiro. Não apenas como cidade, mas como paisagem viva. As ruas, as casas, as árvores, as histórias tudo se encaixa como um mosaico que só pode ser compreendido quando visto de cima.

O Rio Taquari serpenteia o horizonte, refletindo o céu e criando um espetáculo natural que muda a cada hora do dia.

O amanhecer é suave, quase silencioso. A luz chega devagar, tocando cada canto da cidade com delicadeza.

O entardecer, por sua vez, é grandioso. O céu se transforma em uma tela viva, com cores que vão do dourado ao vermelho intenso. Um espetáculo diário, gratuito e inesquecível.

Ali, o vento sopra diferente. O tempo desacelera. O silêncio fala.

E quem chega entende: não se trata apenas de ver. Trata-se de sentir.

Café com Cristo: fé que se compartilha

Aos pés do monumento, a experiência ganha um novo significado através de uma iniciativa que se tornou tradição em Coxim.

Há sete anos, o “Café com Cristo” reúne pessoas nas primeiras horas do dia para momentos de oração, reflexão e convivência. Um encontro simples, mas profundamente significativo.

O café com cristo foi Idealizado pelo jornalista Adelino Alexandre, com a participação do empresário Cláudio Pesso,do radialista Aloísio Guirra, de Flávio Augusto Magalhães e de Dorvalino Azevedo, o movimento cresceu e hoje reúne cerca de 76 participantes.

Ali, entre o aroma do café e o silêncio da manhã, a fé se fortalece, amizades se constroem e a comunidade se une.

Mais do que um encontro, é um gesto coletivo de espiritualidade.

Um lugar para todos e de todos

O Cristo Redentor do Pantanal não pertence a um grupo específico. Ele é de todos.

É do morador que sobe pela centésima vez.
Do visitante que chega pela primeira vez.
Do atleta que busca desafio.
Do fiel que busca oração.
Do fotógrafo que busca o clique perfeito.
Do curioso que busca algo diferente.

A visitação é aberta e gratuita, reforçando o caráter acolhedor do espaço. Mas, junto com esse privilégio, vem também a responsabilidade: preservar.

Levar água, usar protetor solar, vestir roupas leves, usar calçados adequados tudo isso ajuda na experiência. Mas o mais importante é simples: cuidar do lugar. Levar de volta o próprio lixo. Respeitar o espaço. Entender que aquela paisagem precisa continuar existindo para os próximos olhares.

 

Olhar com outros olhos

Talvez o maior valor do Cristo Redentor do Pantanal não esteja apenas na sua altura, na sua vista ou na sua história.

Talvez esteja na forma como ele nos ensina a olhar.

Olhar para a cidade com mais carinho.
Olhar para o tempo com mais calma.
Olhar para a vida com mais presença.

Porque, no fim, subir o morro do Cristo não é apenas alcançar um ponto alto.

É enxergar Coxim de um jeito diferente.

E, quem sabe, enxergar a si mesmo também.

Lá do alto, entre o céu aberto, o verde que se estende e o curso sereno do Taquari, fica uma certeza silenciosa:

Alguns lugares não são apenas visitados.
Eles transformam.

 

Orgulhos Coxinenses

Dalvinha Souza: A mulher por trás do microfone, a vida, os valores e sua história

Existem pessoas que fazem da profissão um trabalho. Outras fazem dela uma missão. E há aquelas que conseguem transformar a própria voz em abrigo, esperança,...

Dalvinha Souza: A mulher por trás do microfone, a vida, os valores e sua história

19 de junho de 2026

Dalvinha Souza: A mulher por trás do microfone, a vida, os valores e sua história

 

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Existem pessoas que fazem da profissão um trabalho. Outras fazem dela uma missão. E há aquelas que conseguem transformar a própria voz em abrigo, esperança, amizade e companhia para milhares de pessoas. Assim é Odavia Ferreira de Souza, conhecida por todos simplesmente como Dalvinha Souza.

Há mais de quatro décadas em Coxim, ela deixou de ser apenas uma comunicadora para se tornar parte da história da cidade. Sua voz atravessa gerações, acompanha manhãs, consola corações, informa, diverte e aproxima pessoas. São 24 anos dedicados ao rádio, construídos com honestidade, responsabilidade e uma paixão que nunca perdeu a intensidade.

Dalvinha carrega em sua essência os valores que aprendeu dentro de casa. Filha de Marcelino Ferreira Capim e Valdevina Ferreira Capim, cresceu em uma família numerosa, cercada pelo carinho e pela convivência com os irmãos Célio, Sônia, Antônio (Carioca), Celso, Altair Poeta, Luzinete, Isaías, Oziel, Otoniel, Josias e Josué.

Foi nesse ambiente de simplicidade, respeito e união que moldou o caráter que hoje todos reconhecem: uma mulher íntegra, de palavra firme, coração generoso e olhar sempre atento às necessidades do próximo.

A educação também ocupou lugar importante em sua caminhada. Formou-se em Licenciatura em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Coxim, demonstrando desde cedo seu interesse pelo conhecimento, pela cultura e pelas histórias das pessoas talvez porque, antes mesmo de contá-las no rádio, sempre soube ouvi-las.

A mulher que fez da comunicação um compromisso com as pessoas

Entrar no rádio nunca significou apenas falar ao microfone.

Para Dalvinha, comunicar sempre foi criar pontes entre as pessoas.

Ao longo de mais de duas décadas de profissão, conquistou algo que não se compra nem se improvisa: a credibilidade.

Seu nome tornou-se sinônimo de informação séria, utilidade pública, respeito ao ouvinte e compromisso com a verdade. Cada notícia anunciada, cada entrevista conduzida e cada mensagem compartilhada carregam a marca de uma profissional preparada, ética e profundamente comprometida com a comunidade.

Hoje, continua escrevendo essa história na Rádio Vale FM 102,9, onde, aos sábados, às 10h30, divide os microfones com os companheiros Jeferson e Rosana Amaral, no animado programa Sábado Show.

Ali, entre músicas, entrevistas, informação e muitas risadas, Dalvinha revela outra de suas maiores virtudes: a capacidade de fazer qualquer pessoa sentir-se bem-vinda.

Porque sua comunicação nunca foi distante.

Ela conversa.

Ela acolhe.

Ela aproxima.

Muito além da radialista

Quem conhece Dalvinha apenas pelo rádio conhece apenas uma parte de sua história.

A mulher que o público encontra diariamente é também aquela que prefere os encontros sinceros às grandes aparições.

Reservada por natureza, discreta nas escolhas e elegante na forma de viver, nunca precisou fazer barulho para ser notada.

Sua força está justamente na simplicidade.

É uma amiga leal, dessas que permanecem mesmo quando as luzes se apagam.

Valoriza conversas verdadeiras, abraços espontâneos e amizades construídas ao longo da vida.

Quem tem o privilégio de dividir momentos ao seu lado sabe que sua gargalhada é contagiante.

Rir é quase um idioma para Dalvinha.

Seu sorriso transforma ambientes.

Sua alegria aproxima pessoas.

Sua presença torna qualquer encontro mais leve.

A natureza como refúgio

Entre uma jornada e outra de trabalho, Dalvinha encontra paz onde muitos encontram silêncio.

Ama viajar.

Descobrir novos lugares.

Respirar novos ares.

Mas é na natureza que reencontra sua essência.

O verde, os rios, os pássaros e a tranquilidade dos ambientes naturais renovam sua energia e alimentam sua alma.

Talvez por isso carregue consigo essa serenidade que tantos percebem.

Ela compreendeu que a verdadeira felicidade mora nas pequenas coisas.

Num pôr do sol.

Num café entre amigos.

Num reencontro em família.

Num final de semana cercado por quem ama.

Família: o seu porto seguro

Apesar da intensa rotina profissional, existe um lugar onde Dalvinha nunca deixa de estar presente: sua família.

É ali que encontra força.

É ali que celebra as conquistas.

É ali que compartilha as dificuldades.

Os laços construídos desde a infância continuam sendo seu maior patrimônio.

O respeito pelos pais, o carinho pelos irmãos e o cuidado constante com aqueles que ama revelam uma mulher que jamais perdeu suas raízes.

Uma influência construída pelo exemplo

Em tempos de redes sociais e exposição constante, Dalvinha também conquistou espaço como influenciadora digital.

Mas sua influência nunca esteve baseada em números.

Ela nasce da confiança.

Da coerência.

Da credibilidade construída ao longo dos anos.

Sua voz mobiliza campanhas sociais.

Incentiva ações solidárias.

Divulga projetos comunitários.

Leva informação de interesse público.

Sempre utilizando a comunicação como ferramenta de transformação social.

Uma mulher que venceu sem perder a essência

Nenhuma trajetória construída ao longo de 24 anos acontece por acaso.

Ela exigiu coragem.

Persistência.

Dedicação.

Renúncias.

Horas incontáveis de trabalho.

Mas, acima de tudo, exigiu caráter.

Dalvinha nunca precisou diminuir ninguém para conquistar seu espaço.

Nunca buscou reconhecimento a qualquer preço.

Foi conquistando cada degrau com competência, respeito e dignidade.

Hoje, é impossível contar parte da história da comunicação em Coxim sem mencionar seu nome.

Sua voz faz parte da memória afetiva de milhares de ouvintes.

Sua presença inspira colegas de profissão.

Seu exemplo demonstra que ainda é possível fazer comunicação com responsabilidade, sensibilidade e compromisso com as pessoas.

A voz que permanece

Existem profissionais que informam.

Existem comunicadores que entretêm.

E existem aqueles que conseguem marcar vidas.

Dalvinha Souza pertence a esse grupo raro.

Ela transformou palavras em companhia.

O microfone em instrumento de serviço.

A profissão em missão.

E a própria história em um exemplo de que talento, humildade e honestidade continuam sendo os maiores patrimônios que alguém pode construir.

Sua voz ecoa pelas ondas do rádio.

Mas é no coração de quem a conhece que ela encontra sua frequência mais forte.

Porque algumas pessoas passam pela vida.

Dalvinha Souza escolheu fazer parte da história de Coxim.

Orgulhos Coxinenses

Professora Cidinha: a maestra da História que ensinou gerações a viajar pelo tempo

Existem pessoas que atravessam nossa vida Existem pessoas que deixam marcas. E existem aquelas raríssimas que se transformam em capítulos permanentes da...

Professora Cidinha: a maestra da História que ensinou gerações a viajar pelo tempo

12 de junho de 2026

Professora Cidinha: a maestra da História que ensinou gerações a viajar pelo tempo

 

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Existem pessoas que atravessam nossa vida

Existem pessoas que deixam marcas.

E existem aquelas raríssimas que se transformam em capítulos permanentes da história de uma cidade.

Maria Aparecida Ignotti Lima, a querida Professora Cidinha, é uma dessas mulheres.

Seu nome não está gravado apenas em documentos escolares, atas ou registros funcionais. Seu nome está escrito na memória afetiva de gerações inteiras de coxinenses que tiveram o privilégio de sentar-se diante dela e descobrir que aprender podia ser uma das experiências mais fascinantes da vida.

Hoje, aposentada, ela talvez não tenha dimensão da imensidão de seu legado.

Porque os anos passaram.

As escolas mudaram.

Os alunos cresceram.

Muitos se tornaram pais, avós, profissionais, autoridades e educadores.

Mas existe algo que permaneceu intacto: a lembrança da professora que transformava História em poesia.

Da professora que não apenas ensinava sobre o passado.

Ela fazia seus alunos caminharem por ele.

As raízes de uma grande educadora

A história da Professora Cidinha começou muito antes de Coxim.

Muito antes das salas lotadas.

Muito antes das aulas que encantariam centenas de jovens.

Ela nasceu em 22 de julho de 1944, na cidade de Irapuã, interior de São Paulo.

Era um Brasil diferente.

Um país ainda rural em muitas regiões, onde os sonhos eram construídos lentamente e onde a educação representava uma das poucas pontes para um futuro melhor.

Filha de João Francisco Ignotti e Maria Rafaela Colucci Ignotti, cresceu cercada pelos valores da família, da honestidade e do trabalho.

Ao lado dos irmãos Elza Aparecida Ignotti Kopcak e Celso Carlos Ignotti, aprendeu desde cedo a importância da união familiar e do respeito às pessoas.

Ainda menina, carregava consigo uma característica que a acompanharia por toda a vida: a curiosidade.

Aquela curiosidade típica das pessoas destinadas ao conhecimento.

A curiosidade de quem deseja entender o mundo.

De quem deseja conhecer as histórias escondidas atrás das histórias.

De quem busca compreender não apenas o que aconteceu, mas por que aconteceu.

Talvez ali já estivesse nascendo a professora.

Talvez ali já estivesse sendo moldada a mulher que um dia encantaria gerações.

Centenário do Sul: onde nasceu a professora

Foi em Centenário do Sul, no Paraná, que Maria Aparecida viveu boa parte de sua juventude.

Ali estudou.

Ali amadureceu.

Ali construiu seus sonhos.

Ali encontrou sua vocação.

Em uma época em que a profissão docente exigia muito mais do que conhecimento, ela decidiu abraçar o magistério.

Formou-se professora normalista.

Mas ser normalista, para ela, nunca foi apenas possuir um diploma.

Era assumir uma missão.

Era compreender que educar significava ajudar a construir futuros.

Era acreditar que uma sala de aula podia transformar destinos.

Enquanto muitas pessoas escolhem profissões, ela escolheu um propósito.

E faria dele a razão de sua vida.

Um amor que atravessou meio século

Foi também em Centenário do Sul que floresceu uma das mais belas histórias de sua trajetória.

Ela conheceu José Abdias Mateus Lima.

O encontro transformou-se em namoro.

O namoro transformou-se em casamento.

E o casamento transformou-se numa união que atravessaria cinquenta anos.

Cinco décadas de amor.

Cinco décadas de companheirismo.

Cinco décadas compartilhando sonhos, alegrias, desafios e conquistas.

Ao lado de José Abdias, construiu uma família sólida e baseada em valores que sempre fizeram parte de sua essência.

Dessa união nasceram Afonso Celso Mateus Lima e Marta Valéria Mateus Lima.

Filhos que cresceram acompanhando a dedicação da mãe à educação.

Filhos que testemunharam de perto o amor que ela nutria por seus alunos.

Porque para a Professora Cidinha, ensinar nunca terminava quando a aula acabava.

Era um modo de viver.

O destino chamado Coxim

Em 1981, a vida escreveu um novo capítulo.

A família chegou a Coxim.

Uma cidade que ainda não sabia que estava recebendo uma das educadoras mais marcantes de sua história.

Ela trouxe na bagagem muito mais do que roupas e objetos pessoais.

Trouxe experiência.

Trouxe conhecimento.

Trouxe sensibilidade.

Trouxe uma paixão inabalável pelo ensino.

E, acima de tudo, trouxe a capacidade rara de despertar sonhos.

No ano seguinte, em 1982, iniciou sua caminhada profissional na Escola Estadual Viriato Bandeira.

Era o começo de uma relação que duraria décadas.

Uma relação construída diariamente entre professora e alunos.

Entre conhecimento e descoberta.

Entre passado e futuro.

Muito além da sala de aula

Posteriormente, a Professora Cidinha também atuou na Fundação Educacional de Coxim (FEC), onde exerceu as funções de professora e coordenadora.

Sua competência e dedicação a levaram a assumir responsabilidades cada vez maiores.

Mas nunca perdeu aquilo que a diferenciava.

A capacidade de olhar cada estudante como um ser humano único.

Também lecionou na Escola Xaraés, ampliando ainda mais sua contribuição para a educação coxinense.

Por onde passou deixou marcas.

Não marcas burocráticas.

Não marcas administrativas.

Mas marcas humanas.

Daquelas que permanecem mesmo quando o tempo passa.

A professora que fazia a História ganhar vida

Mas existe algo que nenhum currículo consegue registrar.

Algo impossível de medir.

Algo que não aparece em certificados.

O encantamento.

Quem nunca foi aluno da Professora Cidinha talvez tenha dificuldade de compreender.

Mas quem foi, como eu fui, entenda imediatamente.

Ela não entrava na sala simplesmente para dar aula.

Ela entrava para abrir portais.

Quando falava da Grécia Antiga, não parecia que estávamos estudando um conteúdo escolar.

Parecia que embarcávamos em uma viagem.

As paredes desapareciam.

As carteiras deixavam de existir.

E, de repente, estávamos caminhando pelas ruas de Atenas.

Podíamos imaginar Sócrates dialogando com seus discípulos.

Platão escrevendo suas ideias.

Aristóteles refletindo sobre o mundo.

Quando chegava a vez de Roma, a transformação acontecia novamente.

Os imperadores ganhavam rosto.

As batalhas ganhavam significado.

Os monumentos surgiam diante de nossos olhos.

As estradas romanas pareciam se estender pela própria sala de aula.

A Península Ibérica.

O Egito.

As grandes navegações.

A Idade Média.

O Renascimento.

As revoluções que mudaram a humanidade.

Tudo deixava de ser conteúdo.

Tudo se tornava experiência.

Tudo ganhava vida.

Uma orquestra chamada sala de aula

Se fosse necessário encontrar uma definição para a maneira como conduzia suas aulas, talvez a melhor comparação fosse a de uma maestra.

Sim.

Uma maestra.

Porque a sala de aula era sua orquestra.

Cada aluno era um instrumento.

Cada conteúdo era uma partitura.

E ela sabia exatamente como harmonizar tudo.

Sua voz tinha ritmo.

Sua narrativa tinha emoção.

Sua didática possuía beleza.

Ela não precisava gritar para ser ouvida.

Não precisava impor para ser respeitada.

Seu conhecimento falava por ela.

Sua paixão pelo ensino conquistava naturalmente a atenção dos alunos.

A professora que mora na memória

Eu fui uma dessas alunas.

E carrego comigo a certeza de que não fui a única.

Muitos anos se passaram.

As fases da vida mudaram.

Novos professores vieram.

Novos desafios surgiram.

Mas algumas lembranças permanecem intactas.

Lembro da sensação de entrar na aula sem saber que sairíamos dali muito maiores do que entramos.

Lembro do fascínio que ela despertava.

Lembro de como nos fazia compreender que a História não era apenas uma coleção de datas.

Era a própria história da humanidade.

Era a história de quem fomos.

De quem somos.

E de quem podemos nos tornar.

Um legado eterno

Hoje, ao olhar para trás, percebemos que a Professora Cidinha ajudou a construir muito mais do que conhecimento.

Ela ajudou a construir pessoas.

Ajudou a formar caráter.

Ajudou a despertar sonhos.

Ajudou a mostrar que estudar é uma das formas mais bonitas de liberdade.

Seu legado está espalhado por Coxim.

Está nos profissionais que passaram por suas salas.

Está nos pais e mães que um dia foram seus alunos.

Está nos educadores que seguiram seus passos.

Está em cada pessoa que aprendeu a amar o conhecimento graças a ela.

A aposentadoria encerrou uma carreira.

Mas jamais encerrará sua influência.

Porque professores como Cidinha não se aposentam do coração de seus alunos.

Eles permanecem.

Vivem nas lembranças.

Vivem nas histórias contadas entre amigos.

Vivem nos reencontros escolares.

Vivem na gratidão silenciosa daqueles que tiveram a vida transformada por eles.

E enquanto existir um ex-aluno que se recorde de uma aula sobre Grécia, Roma, Egito ou qualquer outro capítulo da humanidade, a Professora Cidinha continuará presente.

Continurá ensinando.

Continuará inspirando.

Continuará fazendo aquilo que fez durante toda a vida.

Transformar conhecimento em encantamento.

Porque existem professores que passam pela escola.

Existem professores que marcam uma geração.

E existem aqueles que entram para a história.

Maria Aparecida Ignotti Lima, nossa Professora Cidinha, pertence para sempre a essa última categoria, e apesar de ter se aposentado em 1996, continuou lecionando ate 2002 e hoje após anos de dedicação para educação coxinense aquela que por tantos anos se dedicou aos filhos de tantos agora recebe o cuidado dos seus, pois afinal...

Ela não apenas ensinou História.

Ela se tornou parte dela.