sábado, 25 de julho, 2026
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Em cada cidade existem nomes que atravessam o tempo como sementes lançadas ao vento. Alguns germinam silenciosamente; outros florescem em gestos que mudam o curso da história. Em Coxim, às margens das águas serenas do Rio Taquari, um desses nomes é o de Celina Moreira Lopes: professora, comerciante, cidadã inquieta e, sobretudo, a mulher que ousou atravessar a porta da política quando quase todas ainda permaneciam do lado de fora.
Celina nasceu em Coxim no dia 6 de novembro de 1942, filha de Brás Moreira Lopes e Valentina Victal Lopes. Era uma época em que a cidade ainda caminhava lentamente entre ruas de terra, sonhos modestos e tradições profundamente enraizadas. As meninas cresciam ouvindo que seu destino estava no lar, nos cuidados da família e na delicadeza dos ofícios domésticos. Mas havia em Celina algo que não cabia apenas nesses limites uma curiosidade viva, um espírito inquieto e a coragem silenciosa de quem pressente que o mundo pode ser maior.
Foi no Grupo Escolar Dr. João Ponce de Arruda que começaram seus primeiros passos na educação. Ali, onde hoje se ergue o prédio do Fórum, a pequena estudante aprendeu não apenas as letras e os números, mas também a disciplina e o valor do conhecimento como ferramenta de transformação. As salas de aula eram simples, mas carregavam a grandeza das primeiras descobertas e Celina soube desde cedo que aprender era também um modo de conquistar liberdade.
Em 1959, ainda jovem, partiu para Campo Grande para continuar os estudos no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Para uma menina do interior, deixar a cidade natal era mais que uma mudança geográfica; era um rito de passagem. Em Campo Grande, Celina ampliou horizontes. Estudou, dedicou-se, aprendeu novas habilidades. Fez cursos de datilografia na Escola Remington, aprendeu corte e costura na Escola Touhmod, e foi acumulando conhecimentos que moldariam sua autonomia e sua visão de mundo.
Em 1964, retornou a Coxim para concluir o curso ginasial no Colégio Batista. Foi ali que uma faceta importante de sua personalidade começou a se revelar com clareza: a liderança. Durante dois anos foi presidente do Grêmio Estudantil, experiência que lhe ensinou a importância da organização, do diálogo e da representação coletiva. Sem saber, ali começava a germinar a vocação política que mais tarde marcaria sua trajetória.
A educação continuou sendo seu caminho. Celina formou-se Técnica em Contabilidade pelo Colégio Herculano Pena e posteriormente concluiu o Magistério na Escola Sílvio Ferreira, reafirmando sua ligação com o universo do ensino e do aprendizado.
A vida profissional foi construída com a mesma determinação que marcaria todas as suas escolhas. Trabalhou por dez anos no Banco Financial S.A., instituição que mais tarde se tornaria conhecida como HSBC/Bamerindus. Ali aprendeu o rigor da organização financeira e o valor da responsabilidade cotidiana. Também exerceu a função de secretária no Colégio Herculano Pena, mantendo-se sempre próxima do ambiente educacional.
Mas a história de Celina não seria apenas uma trajetória de trabalho. O destino lhe reservava um papel que ultrapassaria sua própria vida pessoal e alcançaria a história política de Coxim.
Era o início da década de 1970. O Brasil vivia um período difícil, marcado por transformações políticas e sociais. No interior das cidades, a política ainda era um território quase exclusivamente masculino. As câmaras municipais eram compostas por homens, e raramente se imaginava uma mulher ocupando um dos assentos de decisão pública.
Em 1972, movida por coragem e por uma profunda convicção de que a participação feminina era necessária, lançou-se candidata a vereadora pelo Partido Arena. Para muitos, aquela candidatura parecia improvável. Para outros, ousada demais. Afinal, uma mulher disputando espaço no Legislativo municipal ainda era algo raro, quase impensável.
Mas Celina não se intimidou
Com determinação, percorreu ruas, conversou com moradores, apresentou ideias e defendeu sua visão de cidade. Sua campanha carregava não apenas propostas políticas, mas também um símbolo silencioso: o de que as mulheres também tinham voz, capacidade e direito de participar das decisões públicas.
E a cidade respondeu
Celina foi eleita vereadora, tornando-se a primeira mulher a conquistar uma cadeira na Câmara Municipal de Coxim. No dia 31 de janeiro de 1973, tomou posse, escrevendo definitivamente seu nome na história política do município.
Não era apenas uma vitória individual. Era um marco.
Na Câmara, Celina exerceu o cargo de Primeira-Secretária e integrou Comissões Permanentes, participando ativamente dos debates e das decisões legislativas. Sua presença naquele espaço representava mais que uma atuação política: simbolizava uma ruptura com antigas barreiras invisíveis que por muito tempo limitaram a presença feminina na vida pública.
Ser a primeira mulher em um ambiente predominantemente masculino exigia coragem. Significava enfrentar olhares de desconfiança, superar preconceitos silenciosos e provar, dia após dia, que competência não tem gênero.
Celina fez isso com serenidade, firmeza e dignidade.
Sua trajetória ajudou a abrir caminhos para outras mulheres que, anos depois, também ousariam ocupar espaços na política municipal. De certa forma, cada mulher que hoje se senta em uma cadeira do Legislativo carrega um pouco daquele primeiro gesto de coragem aquele momento em que Celina decidiu que era possível.
Após seu período na política, Celina retornou às atividades familiares e sociais, continuando a contribuir para a comunidade. Participou por muitos anos da Diretoria Social do Clube Esportivo Coxinense, fortalecendo laços culturais e comunitários na cidade.
Também dedicou parte de sua vida à educação, lecionando na Escola Estadual Pedro Mendes Fontoura, compartilhando conhecimento e ajudando a formar novas gerações de coxinenses.
Mais tarde, ao retornar para Campo Grande, seguiu trabalhando no comércio, mantendo viva sua característica mais marcante: a capacidade de reinventar-se e continuar ativa, produtiva e conectada à vida.
A história de Celina Moreira Lopes é, acima de tudo, a história de uma mulher que não aceitou os limites que o tempo parecia impor. Ela estudou, trabalhou, liderou, ensinou e representou sua cidade em um período em que poucas mulheres tinham essa oportunidade.
Seu legado não se mede apenas pelos cargos que ocupou, mas pelo caminho que abriu.
Porque cada pioneira carrega um peso invisível: o de ser a primeira a atravessar uma porta ainda fechada. E quando essa porta finalmente se abre, outras muitas passam por ela.
Hoje, ao olhar para a história política de Coxim, é impossível não reconhecer o significado daquele gesto de coragem em 1972. Ali, entre discursos, votos e debates, uma mulher mostrou que o futuro também poderia ser escrito por mãos femininas.
Celina Moreira Lopes não apenas ocupou um lugar na Câmara Municipal.
Ela criou um lugar para muitas outras mulheres na história de Coxim.
A Coragem de Celina
Nas terras de Mato Grosso,
Onde o Taquari faz caminho,
Nasceu uma grande história
Que hoje eu conto em versinho.
De coragem e de esperança
Que mudou o seu destino.
Foi em seis de novembro
De mil novecentos e quarenta e dois,
Que em Coxim veio ao mundo
Uma menina entre nós.
Celina era o seu nome,
Que o tempo guardou na voz.
Filha de gente honrada,
De luta e de tradição,
De Brás Moreira Lopes
E de Valentina de coração.
Aprendeu desde pequena
O valor da educação.
No Grupo João Ponce de Arruda
Começou sua jornada,
Entre cadernos e sonhos
De menina dedicada.
Ali nasceu o desejo
De uma vida transformada.
Mas Celina foi além
Do que esperavam então,
Pois mulher naquele tempo
Tinha pouca direção.
Diziam que o seu caminho
Era apenas o do lar e do fogão.
Mas quem nasce com coragem
Não aceita esse limite,
Segue firme na estrada
Mesmo quando alguém critique.
Celina seguiu adiante
Sem deixar que o medo habite.
Foi estudar em Campo Grande,
Com vontade de aprender,
Datilografia e estudo
Pra crescer e florescer.
Cada curso era uma porta
Que ela ousava atravessar sem temer.
De volta à sua Coxim
Continuou a estudar,
No Colégio Batista
Foi também se destacar.
Presidiu o Grêmio Estudantil
E começou a liderar.
Fez contabilidade,
Magistério e dedicação,
Trabalhou em banco e escola
Com esforço e precisão.
Sempre firme na batalha
Com trabalho e vocação.
Mas o destino guardava
Um capítulo especial,
Pois Celina faria história
Na política local.
Num tempo em que mulher
Quase não tinha espaço igual.
No ano de setenta e dois
Decidiu se candidatar,
Muita gente duvidava
Que pudesse se eleger lá.
Mas quem luta com coragem
Nunca deixa de tentar.
Saiu pelas ruas da cidade
Conversando com o povo,
Mostrando que a mulher
Também podia algo novo.
Era sonho e esperança
Num tempo duro e remoto.
E o povo reconheceu
Sua força e sua voz,
Celina foi eleita
Para orgulho de nós.
A primeira vereadora
Da história de Coxim, após.
Tomou posse na Câmara
No janeiro que chegou,
Entre homens e desafios
Sua história começou.
Primeira-secretária
Foi o cargo que ocupou.
Ali fez seu trabalho
Com respeito e dedicação,
Mostrando que a mulher
Tem coragem e decisão.
Que política também nasce
Da força do coração.
Depois seguiu sua vida
Entre ensino e sociedade,
No clube e nas escolas
Deixou marca de verdade.
Sempre ativa, sempre forte
Servindo sua comunidade.
Hoje o tempo segue em frente
E novas vozes vão surgir,
Outras mulheres na política
Também podem construir.
Mas foi Celina quem primeiro
Teve coragem de abrir.
Por isso este cordel
Hoje fica registrado,
Como verso de memória
De um caminho desbravado.
Pois a história de Celina
Nunca será apagado.
Ela mostrou para o mundo
Que coragem faz nascer
Novos rumos, novos sonhos
Que ninguém pode conter.
E que a mulher quando luta
Faz a história acontecer.
(Por: Glenda Melo)
Orgulhos Coxinenses
"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa...
24 de julho de 2026
"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa última categoria." Há homens cuja história pode ser contada pelas datas registradas em documentos. Outros podem ser lembrados pelos títulos conquistados, pelas medalhas erguidas ou pelos troféus acumulados ao longo da vida. Mas existe um tipo de homem cuja verdadeira biografia não cabe em papéis. Ela está escrita na memória de uma cidade inteira. A história de Jeferson Arruda da Silva não começa em um tatame, tão pouco começa em uma competição. Ela começa muito antes, no dia 28 de junho de 1974, em Campo Grande, quando nasceu aquele que, décadas depois, seria reconhecido como um dos maiores formadores de atletas e cidadãos da história de Coxim.
Filho de Adjalmo Arruda da Silva e Nadir Teodoro da Silva, cresceu cercado pelos valores simples que moldam grandes homens: respeito, trabalho, honestidade e perseverança. Ao lado dos irmãos Genifer Arruda, Tutankamon e Carol, aprendeu desde cedo que o caráter vale muito mais do que qualquer vitória. Talvez ninguém pudesse imaginar que aquele menino levaria consigo uma missão silenciosa: dedicar a própria existência para transformar a vida de milhares de outras pessoas.
O chamado das artes marciais exige vocação, e se transforma em propósito de vida. Foi nas artes marciais que Jeferson encontrou esse propósito. Há 33 anos, iniciou uma caminhada que ultrapassaria qualquer expectativa. O que começou como paixão pelo Judô, pelo Jiu-Jítsu e pela Defesa Pessoal Militar e Civil rapidamente se transformou em um compromisso permanente com a formação humana. Enquanto muitos enxergam as artes marciais como esporte ou defesa, Jeferson sempre enxergou algo maior. Para ele, um tatame nunca foi apenas um lugar de luta. Foi uma sala de aula. Um templo de disciplina. Um refúgio para crianças. Uma segunda casa para adolescentes. Um caminho capaz de mudar destinos.
Quando ensinar tornou-se missão Em 1995, decidiu que havia chegado o momento de transmitir tudo aquilo que aprendera. Nascia ali muito mais que um professor. Nascia um mestre. Desde então, praticamente todos os dias de sua vida foram dedicados ao mesmo objetivo: ensinar. Ensinar golpes. Ensinar equilíbrio. Ensinar coragem. Ensinar respeito. Ensinar que perder também faz parte da vitória. Ao longo das décadas, milhares de crianças passaram pelo tatame. Algumas chegaram tímidas. Outras carregavam dificuldades familiares. Havia quem enfrentasse problemas financeiros. Quem buscasse disciplina. Quem apenas procurasse um lugar para pertencer. Jeferson recebeu todas da mesma maneira. Com firmeza. Com paciência. Com dedicação. Porque compreendia algo que poucos professores conseguem enxergar: Antes de formar campeões, era preciso formar seres humanos.
Coxim encontrou um mestre Foi em Coxim que essa missão ganhou proporções extraordinárias. A cidade não recebeu apenas um professor de artes marciais. Recebeu alguém disposto a investir sua própria vida nas pessoas. Segundo estimativas de antigos alunos, somente em Coxim, entre academia e projetos sociais, aproximadamente cinco mil pessoas passaram por seus ensinamentos. Quando se somam os alunos formados em Sonora, Pedro Gomes, Alcinópolis, Figueirão e Rio Verde de Mato Grosso, esse número praticamente dobra. É impossível calcular quantas histórias foram modificadas. Porque nem toda transformação termina em medalha. Algumas terminam em um diploma. Outras em um emprego. Outras em um pai de família.
Outras em um jovem que escolheu estudar em vez de seguir caminhos errados. Essas vitórias nunca aparecem nos jornais. Mas talvez sejam as maiores. O esporte que levou Coxim ao Brasil e ao mundo Pouco a pouco, os resultados começaram a aparecer. Vieram campeonatos estaduais. Vieram competições nacionais. Vieram convocações. Vieram títulos. Vieram medalhas. Vieram sonhos realizados. Seus alunos passaram a representar Coxim em eventos de enorme importância. As conquistas atravessaram fronteiras.
Houve atletas campeões na Argentina. Vieram quatro participações em Campeonatos Mundiais organizados pela CBJJE, em São Paulo. Vieram os Campeonatos Brasileiros realizados em: - Mariana (MG) – 2018 - Uberaba (MG) – 2019 - Ribeirão das Neves (MG) – 2022 e 2024 - Recife (PE) – 2023- Vitória (ES) – 2025. Cada medalha conquistada carregava muito mais que talento. Carregava incontáveis horas de treino. Sacrifícios. Viagens. Superação. E, principalmente, a dedicação de um mestre que acreditava em seus alunos antes mesmo que eles acreditassem em si próprios.
A maior felicidade nunca foi a própria vitória quando perguntam a Jeferson quais foram seus momentos mais felizes, ele não fala de conquistas pessoais. Não cita troféus próprios. Não fala de reconhecimento. Ele lembra dos alunos. Lembra dos campeões. Lembra das medalhas conquistadas por eles. Porque um verdadeiro mestre mede sua grandeza pelas vitórias dos seus discípulos. Cada criança que sobe ao pódio é uma conquista compartilhada.
Cada faixa conquistada representa anos de dedicação invisível. Cada abraço após uma competição resume uma história inteira. As dores que ninguém via, mas nem toda história é feita apenas de vitórias. Existem cicatrizes que permanecem silenciosas. Entre as maiores tristezas de sua caminhada está uma realidade conhecida por quem trabalha com esporte no interior do Brasil.
Diversas vezes classificou atletas para grandes competições. Jovens que haviam treinado durante meses. Que conquistaram a vaga. Que mereciam representar Coxim. Mas não puderam viajar. Faltou apoio. Faltaram recursos. Faltaram oportunidades. É uma dor difícil de explicar. Porque nenhum professor gosta de ver um sonho interrompido por motivos financeiros. Ainda assim, nunca desistiu. No dia seguinte, voltava ao tatame. Recomeçava. Treinava novamente. Incentivava outro aluno. E seguia acreditando.
Muito além das medalhas talvez o maior legado de Jeferson Arruda jamais possa ser contado pelos números. Nem pelas medalhas. Nem pelos campeonatos. Seu verdadeiro patrimônio são as pessoas. São milhares de ex-alunos espalhados por Coxim e por diversas cidades. Homens e mulheres que hoje trabalham, estudam, criam seus filhos e levam consigo valores aprendidos durante os treinos. Eles talvez não se recordem de cada golpe ensinado.
Mas jamais esquecerão das palavras. Da disciplina. Do respeito. Da humildade. Da coragem. Porque quem aprende uma arte marcial com um verdadeiro mestre aprende muito mais do que lutar. Aprende a viver. Um legado que pertence à cidade Poucos profissionais conseguem dedicar mais de três décadas à mesma missão. Menos ainda conseguem manter viva a mesma paixão depois de tantos anos. Jeferson conseguiu. Seu nome tornou-se parte da história esportiva de Coxim.
Sua trajetória se confunde com a evolução das artes marciais no município. Cada faixa preta formada. Cada campeão revelado. Cada criança salva do caminho da violência. Cada jovem incentivado a acreditar em si mesmo. Tudo isso faz parte de uma construção silenciosa iniciada há muitos anos e que continua sendo escrita diariamente.
A gratidão de uma cidade As cidades costumam homenagear seus grandes homens com placas, medalhas ou títulos. Mas existem homenagens maiores. São aquelas que aparecem quando um ex-aluno reencontra seu professor anos depois. Quando um pai matricula o filho porque um dia também foi seu aluno. Quando um campeão aponta para o mestre antes de subir ao pódio.
Quando uma família agradece porque encontrou no esporte um caminho de esperança. Essa talvez seja a maior recompensa de Jeferson Arruda. Ser lembrado não apenas como professor. Nem apenas como treinador. Mas como alguém que acreditou em milhares de crianças antes que o mundo acreditasse nelas. Hoje, sua história pertence muito mais a Coxim do que a ele próprio.
Porque homens passam. Medalhas envelhecem. Faixas se desgastam. Troféus acumulam poeira. Mas o bem plantado no coração das pessoas permanece vivo por gerações. E enquanto existir um único aluno carregando consigo os valores aprendidos em seu tatame, o legado de Jeferson Arruda da Silva continuará sendo escrito. Não apenas na história do esporte. Mas, principalmente, na história de uma cidade que encontrou em um mestre muito mais do que um professor. Encontrou um verdadeiro construtor de vidas.
E talvez seja exatamente essa a definição mais bonita para sua trajetória: Há campeões que vencem lutas. Há mestres que vencem o tempo. Jeferson Arruda venceu ambos, porque transformou sua própria vida em uma vitória compartilhada por milhares de outras pessoas
Orgulhos Coxinenses
Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é...
17 de julho de 2026
Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é permanecer vivas na
memória de milhares de pessoas por aquilo que ensinaram, pelo exemplo que deram e pelos valores que semearam ao longo da vida. Em Coxim, um desses nomes é o do professor Alcides Neves Filho.
Nascido em 31 de outubro de 1967, na própria cidade onde escreveria sua história, Alcides cresceu aprendendo que a honestidade, o trabalho e o respeito eram patrimônios que nenhuma dificuldade poderia tirar. Filho de Alcides Neves e Zenaide Louzada Neves, ao lado das irmãs Elizabeth, Adnair e Luzia, construiu uma infância marcada pelos valores familiares que mais tarde levaria para dentro das quadras, das salas de aula e da vida.
Sua trajetória profissional nunca foi apenas sobre ensinar um esporte. Foi sobre ensinar disciplina, responsabilidade, amizade, coragem e perseverança. Porque, para ele, a Educação Física sempre significou muito mais do que movimento: significou formação humana.
Graduou-se em Educação Física pela Associação de Ensino de Tupã, em São Paulo, e mais tarde ampliou seus conhecimentos com a pós-graduação em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O conhecimento adquirido nunca permaneceu apenas nos livros. Tornou-se prática diária, exemplo e inspiração.
Ao longo da carreira, dedicou sua vida à educação pública, atuando em escolas que fazem parte da história de Coxim, como William Tavares, Marechal Rondon, Clarice e Semíramis. Tornou-se servidor efetivo do município, onde encerrou um ciclo com a aposentadoria, e segue exercendo sua missão como professor efetivo da rede estadual de ensino.
Por mais de três décadas, suas aulas foram muito além do apito que marcava o início das atividades. Cada treino representava uma oportunidade de ensinar respeito ao adversário, trabalho em equipe, solidariedade e superação. Formou gerações de estudantes que aprenderam com ele que vencer é importante, mas vencer com caráter é essencial.
Treinador de futsal, basquete, atletismo e voleibol, Alcides ajudou incontáveis crianças e adolescentes a descobrirem talentos, fortalecerem a autoestima e acreditarem em si mesmos. Em cada campeonato, em cada treino sob o sol forte ou nas noites de preparação para competições escolares, estava presente não apenas o professor, mas um educador comprometido em enxergar potencial onde muitos viam apenas limitações.
Quem passou por suas aulas dificilmente esquece seu jeito leve de ensinar. Dono de um humor espontâneo, sempre encontrava uma maneira de arrancar um sorriso dos alunos. Transformava o ambiente esportivo em um espaço de acolhimento, amizade e aprendizado. Sua simpatia aproximava as pessoas; seu respeito conquistava confiança; sua competência consolidava admiração.
No dia 14 de agosto de 1995, deu mais um passo importante em sua caminhada ao inaugurar sua academia. O espaço rapidamente deixou de ser apenas um local para exercícios físicos e passou a representar um ambiente de convivência, saúde e incentivo à qualidade de vida. Ali, Alcides continuou fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor: cuidar de pessoas.
Entretanto, nenhuma conquista profissional supera a construção de sua família.
Ao lado da esposa, Vanize Paula Onuszezak Neves, com quem se casou em 13 de janeiro de 1999, edificou um lar sustentado pelo respeito, pelo companheirismo e pelos mesmos princípios que sempre transmitiu aos seus alunos. Dessa união nasceram Alcides Neves Neto e Maria Rita Onuszezak Neves, seus maiores orgulhos e a continuidade dos valores que sempre cultivou.
Fora das quadras, Alcides continua sendo um apaixonado pelo esporte. Gosta de acompanhar praticamente todas as modalidades esportivas, aprecia boa música e mantém um jeito simples de viver. Entre uma aula e outra, preserva pequenos hábitos que revelam sua humanidade, como o indispensável descanso após o almoço momento sagrado que, quando interrompido, costuma tirar um pouco de sua conhecida tranquilidade e render boas histórias entre familiares e amigos.
Mas seria impossível resumir Alcides apenas pelos cargos que ocupou, pelas escolas onde trabalhou ou pelos esportes que ensinou.
Seu maior legado está nas pessoas.
Está no ex-aluno que escolheu o caminho da educação porque encontrou nele uma referência.
Está no jovem que permaneceu longe das drogas porque encontrou no esporte um propósito.
Está no adulto que ainda hoje recorda, com carinho, dos conselhos recebidos antes de uma competição.
Está em cada cidadão que aprendeu que disciplina e respeito caminham juntos.
Em uma sociedade que tantas vezes procura exemplos distantes, Coxim encontrou um deles bem perto de casa.
Mais do que ensinar fundamentos esportivos, Alcides Neves Filho sempre compreendeu a dimensão da responsabilidade que carregava como educador. Em cada aula, enxergava crianças e adolescentes que precisavam ser acolhidos, orientados e incentivados a acreditar em um futuro melhor. Para ele, a educação e o esporte jamais foram apenas profissões, mas instrumentos capazes de transformar vidas.
Convicto de que uma quadra pode ser tão importante quanto uma sala de aula na formação do caráter, sempre acreditou que o esporte é uma das portas mais eficazes para proteger crianças e jovens dos caminhos da violência, das drogas e de tantas vulnerabilidades que desafiam a juventude. Por isso, nunca mediu esforços para incentivar seus alunos a permanecerem na escola, respeitarem o próximo, cultivarem disciplina e descobrirem seus talentos.
Seu compromisso ultrapassava o horário das aulas. Muitas vezes, um treino representava um espaço de escuta, uma palavra de incentivo ou um conselho dado no momento certo. Alcides sabia que um professor pode marcar uma vida para sempre, e fez dessa consciência um princípio inegociável de sua trajetória. Ao longo de mais de três décadas dedicadas à educação pública e ao esporte, ajudou a formar não apenas atletas, mas cidadãos preparados para enfrentar a vida com dignidade, responsabilidade e esperança.
Esse talvez seja o maior legado de Alcides Neves Filho: compreender que medalhas envelhecem, troféus acumulam poeira, mas o caráter construído em uma criança permanece por toda a vida. É essa convicção que faz dele não apenas um professor de Educação Física, mas um verdadeiro educador, cuja missão sempre foi transformar o esporte em uma ferramenta de inclusão, proteção social e construção de um futuro melhor para as novas gerações de Coxim.
Ao longo de mais de trinta anos dedicados ao esporte e à educação, Alcides Neves Filho construiu uma reputação baseada em valores que não envelhecem: honestidade, compromisso, humildade, ética e amor pelo próximo. Sua imagem é associada à seriedade, ao profissionalismo e à dedicação incondicional aos alunos. Tornou-se uma presença respeitada por diferentes gerações, admirado por colegas, ex-estudantes, atletas, famílias e pela comunidade.
A história de Alcides demonstra que um professor pode ensinar muito mais do que técnicas esportivas. Pode ensinar maneiras de viver.
Enquanto muitos medem o sucesso pelos troféus expostos em prateleiras, o verdadeiro patrimônio de Alcides permanece espalhado por Coxim: nas lembranças, no caráter das pessoas que ajudou a formar, nos valores transmitidos silenciosamente durante décadas e na certeza de que educar é uma das mais nobres formas de transformar uma sociedade.
Seu nome já faz parte da história da educação e do esporte coxinense. Não apenas pelos anos de serviço prestado, mas porque deixou marcas onde elas realmente importam: no coração das pessoas.