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Orgulhos Coxinenses

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Angela Kwiatkowski: uma vida dedicada à educação, ao conhecimento e à transformação de pessoas

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10 de julho de 2026

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Glenda Melo

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Existem pessoas que escolhem uma profissão. Outras fazem da profissão uma missão. A história de Angela Kwiatkowski pertence ao segundo grupo. Sua trajetória é marcada pela convicção de que a educação é a mais poderosa ferramenta de transformação social, capaz de mudar destinos, despertar talentos e construir comunidades mais justas. 

Nascida em 10 de junho de 1981, na cidade de Campo Mourão, no interior do Paraná, Angela cresceu em um ambiente onde os valores da honestidade, do trabalho e do respeito ao próximo sempre estiveram presentes. Filha de José Edmundo Kwiatkowski e Maria Teresa Alflem Kwiatkowski, aprendeu desde cedo que o conhecimento não é apenas um patrimônio individual, mas uma riqueza que se multiplica quando compartilhada. 

Ainda jovem, escolheu trilhar o caminho da ciência. Ingressou na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Campus Campo Mourão, onde concluiu, em 2004, o curso de Tecnologia de Alimentos. A formação lhe proporcionou sólida base técnica, mas foi ao longo da vida profissional que descobriu sua verdadeira vocação: ensinar, orientar e inspirar pessoas. 

Ao longo dos anos, Angela compreendeu que educar vai muito além da transmissão de conteúdos. Significa acreditar no potencial humano, acolher diferenças, incentivar sonhos e criar oportunidades para que cada estudante descubra sua própria capacidade de transformar o mundo. 

Em janeiro de 2013, um novo capítulo começou a ser escrito. Angela chegou a Coxim trazendo consigo experiência, conhecimento e, principalmente, disposição para contribuir com o desenvolvimento da educação pública federal na região norte de Mato Grosso do Sul. A cidade, que passou a fazer parte de sua história, também foi profundamente marcada por sua presença. 

Foi no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) – Campus Coxim que sua atuação ganhou ainda mais relevância. Há seis anos e sete meses à frente da direção da unidade, Angela consolidou uma gestão pautada pelo diálogo, pela responsabilidade, pelo planejamento e pelo compromisso permanente com a qualidade do ensino. 

Sob sua liderança, o campus fortaleceu sua identidade como espaço de formação cidadã, produção de conhecimento e inclusão social. Mais do que administrar uma instituição, Angela dedicou-se a construir um ambiente onde estudantes, servidores e comunidade pudessem encontrar oportunidades de crescimento, respeito e pertencimento. 

Sua forma de liderar nunca esteve baseada na imposição, mas na escuta, na cooperação e na valorização das pessoas. Essa postura fez nascer algo que não se conquista por decreto nem por cargo: o respeito genuíno. 

Entre os corredores, laboratórios e salas de aula do campus, Angela tornou-se referência. É admirada pelos estudantes, reconhecida pelos servidores e respeitada por toda a comunidade acadêmica. Muitos a enxergam não apenas como gestora, mas como uma educadora presente, sensível às necessidades de cada pessoa e comprometida com o futuro daqueles que confiam na instituição. 

Seu amor pela educação manifesta-se diariamente nos pequenos gestos: no incentivo aos projetos de ensino, pesquisa e extensão; na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade; na preocupação com o bem-estar dos alunos; na valorização das equipes de trabalho e na busca constante por melhorias que ultrapassam estruturas físicas e alcançam vidas. 

Angela acredita que cada diploma representa uma história de superação. Cada estudante que conclui sua formação leva consigo muito mais do que conhecimento técnico: carrega autoestima, autonomia e esperança. É essa certeza que alimenta sua dedicação incansável. 

Ao lado do companheiro, Weverson de Lima Ferreira, construiu uma caminhada pautada pelo equilíbrio entre a vida pessoal e o compromisso profissional, demonstrando que é possível exercer a liderança sem abrir mão da sensibilidade, da humanidade e da empatia. 

Sua história também se confunde com a própria história recente da expansão da educação profissional e tecnológica no interior do Brasil. Em uma região onde o acesso ao ensino superior e técnico representa oportunidade de mudança de vida para milhares de jovens, Angela ajudou a consolidar o Instituto Federal como instrumento de desenvolvimento regional. 

Ao longo de sua trajetória, mostrou que educar não é apenas formar profissionais. É formar cidadãos conscientes, críticos e preparados para enfrentar os desafios de um mundo em constante transformação. 

Há educadores que deixam marcas em cadernos. Outros deixam marcas em prédios, laboratórios ou documentos administrativos. Angela Kwiatkowski escolheu um legado mais duradouro: deixar marcas nas pessoas. 

Seu nome passou a ser associado ao compromisso, à competência, ao acolhimento e à seriedade. Virtudes construídas não em discursos, mas na rotina silenciosa de quem trabalha todos os dias acreditando que cada decisão pode melhorar a vida de alguém. 

Sua caminhada continua sendo escrita diariamente, sempre movida pela convicção de que a educação transforma indivíduos, fortalece comunidades e constrói o futuro de uma sociedade. 

Mais do que uma gestora, Angela Kwiatkowski tornou-se parte da história da educação de Coxim. Uma mulher cuja trajetória inspira pelo conhecimento, pela humildade, pela dedicação e pela capacidade de fazer da educação um verdadeiro ato de esperança.

Orgulhos Coxinenses

Maria do Zé Guedes: a história de uma mulher nordestina que transformou coragem em legado

Existem pessoas cuja trajetória ultrapassa os limites da própria família e passa a fazer parte da memória de uma cidade inteira. Histórias construídas com...

Maria do Zé Guedes: a história de uma mulher nordestina que transformou coragem em legado

3 de julho de 2026

Maria do Zé Guedes: a história de uma mulher nordestina que transformou coragem em legado

 

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Existem pessoas cuja trajetória ultrapassa os limites da própria família e passa a fazer parte da memória de uma cidade inteira. Histórias construídas com muito trabalho, honestidade, coragem e dedicação, capazes de inspirar gerações. Assim é a vida de Maria Nunes Angelim de Melo, conhecida carinhosamente por todos em Coxim como Maria do Zé Guedes.
Sua história começa muito longe das margens do Rio Taquari. Nasce no sertão do Ceará, em 12 de setembro de 1943, na cidade de Parambu, filha de Manoel Nunes da Cunha e Cristina Nunes Angelim. Foi naquele cenário de sol forte, de gente simples e trabalhadora, que Maria aprendeu os valores que levaria por toda a vida: respeito, humildade, fé, honestidade e a certeza de que nenhuma conquista acontece sem esforço.
Como tantas mulheres nordestinas de sua geração, cresceu conhecendo de perto as dificuldades impostas pela vida no sertão. A escassez de oportunidades, o trabalho desde muito cedo e a necessidade de enfrentar os desafios com coragem moldaram uma personalidade firme, resiliente e profundamente humana.
Foi também no Nordeste que encontrou o grande amor de sua vida: José Guedes, homem que se tornaria não apenas seu marido, mas seu companheiro de todas as jornadas. O casamento, que perdurou por 65 anos, foi construído sobre pilares sólidos: amor, cumplicidade, respeito e muito trabalho.
Dessa união nasceram seis filhos, criados dentro de princípios que sempre nortearam a família: união, responsabilidade, simplicidade e dignidade.
A decisão que mudou o destino da família
Há momentos na vida em que é preciso escolher entre permanecer onde se está ou enfrentar o desconhecido em busca de um futuro melhor.
Foi exatamente essa escolha que Maria e Zé Guedes fizeram.
Como milhares de famílias nordestinas nas décadas de 1960 e 1970, decidiram deixar para trás sua terra natal. Não foi apenas uma mudança de endereço. Foi uma decisão que exigiu coragem para abandonar familiares, amigos, lembranças e toda uma vida construída no Ceará.
Na bagagem havia poucas malas.
Mas havia um patrimônio muito maior: disposição para trabalhar, esperança e confiança de que Deus abriria novos caminhos.
O destino escolhido foi Coxim, cidade que naquele período recebia migrantes vindos de diferentes regiões do país e oferecia oportunidades para quem estivesse disposto a começar do zero.


Chegaram praticamente sem nada além da vontade de vencer.
E recomeçaram.
Os primeiros anos: muito trabalho e poucos recursos
Os primeiros tempos em Coxim não foram fáceis.
Assim como acontece com toda família que precisa reconstruir a vida, Maria e Zé Guedes enfrentaram dificuldades financeiras, saudade da terra natal e inúmeros desafios.
Nada, porém, foi suficiente para fazê-los desistir.
Enquanto Zé Guedes trabalhava para consolidar os primeiros negócios, Maria desempenhava um papel fundamental dentro e fora de casa.
Cuidava dos filhos.
Administrava a rotina familiar.
Economizava cada centavo.
Auxiliava o marido.
Recebia clientes.
Organizava o comércio.
Era o equilíbrio da família em meio às dificuldades.
Como tantas mulheres de sua geração, ela nunca buscou reconhecimento.
Seu trabalho acontecia silenciosamente, mas era indispensável para que cada conquista se tornasse possível.
O nascimento de um patrimônio de Coxim
Com o passar dos anos, o esforço do casal deu frutos.
Nascia o Bar do Guedes, empreendimento que rapidamente deixaria de ser apenas um estabelecimento comercial para se transformar em um verdadeiro patrimônio afetivo da cidade.


Poucos lugares em Coxim conseguem reunir tantas histórias quanto o Bar do Guedes.
Ali passaram gerações.
Políticos.
Empresários.
Pescadores.
Motoristas.
Profissionais liberais.
Famílias inteiras.
Turistas.
Amigos que se reencontravam.
Novas amizades que surgiam.
Conversas que atravessavam horas.
Decisões importantes.
Comemorações.


Momentos inesquecíveis.
Muito além da boa comida e do atendimento acolhedor, o Bar do Guedes tornou-se um símbolo da hospitalidade coxinense.
E quem chegava ao local logo percebia que havia algo diferente.
Esse diferencial tinha nome.
Chamava-se Maria.
A mulher que acolhia a todos
Quem frequentava o Bar do Guedes não encontrava apenas uma empresária.
Encontrava uma anfitriã.
Maria sempre fez questão de receber cada cliente com atenção, respeito e simplicidade.
Conhecia pessoas pelo nome.
Perguntava pela família.


Acompanhava o crescimento de crianças que depois voltavam ao bar já adultas.
Criava vínculos que ultrapassavam a relação entre comerciante e cliente.
Foi essa forma humana de tratar as pessoas que fez do estabelecimento um dos mais queridos da cidade.
Ao lado do marido, Maria ajudou a construir uma marca baseada não apenas na qualidade do serviço, mas principalmente na confiança conquistada junto à comunidade.
O maior patrimônio sempre foi a família
Apesar do sucesso empresarial, Maria nunca permitiu que o trabalho ocupasse o lugar mais importante de sua vida.
Sua prioridade sempre foi a família.
Criou os seis filhos ensinando, pelo exemplo, que honestidade vale mais que riqueza, que respeito abre portas e que o trabalho dignifica qualquer pessoa.
Esses ensinamentos atravessaram gerações.
Hoje, filhos, netos e demais familiares carregam consigo o legado deixado por Maria e Zé Guedes.
A despedida do companheiro de uma vida inteira
Depois de mais de seis décadas caminhando lado a lado, Maria enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua história: a partida de Zé Guedes.
A dor da perda foi imensa.
Mas, mais uma vez, ela demonstrou a força que sempre caracterizou sua trajetória.


Em vez de deixar que a tristeza encerrasse a história construída pelo casal, decidiu seguir em frente.
Continuou presente.
Continuou firme.
Continuou cuidando da família.
Continuou preservando aquilo que ambos construíram durante toda uma vida.
A matriarca do Bar do Guedes
Hoje, Maria permanece ao lado dos filhos acompanhando a rotina do Bar do Guedes.
Sua presença continua sendo uma referência.
Mesmo sem ocupar os holofotes, é ela quem representa a memória viva do empreendimento.
Sua experiência orienta as novas gerações.
Sua história inspira todos que a conhecem.
Cada canto do estabelecimento guarda um pouco de sua dedicação.
Cada cliente antigo conhece sua importância.
Cada nova geração aprende que o sucesso daquele lugar foi construído por um casal que nunca teve medo do trabalho.
Uma mulher que representa milhares de brasileiras
A história de Maria do Zé Guedes também representa a trajetória de milhares de mulheres brasileiras que, muitas vezes longe dos holofotes, ajudaram a construir cidades, empresas e famílias.


Mulheres que enfrentaram mudanças, criaram filhos, trabalharam incansavelmente e transformaram dificuldades em oportunidades.
Sua força nunca precisou ser medida pela voz alta.
Foi medida pela perseverança.
Pela capacidade de recomeçar.
Pela fé.
Pela dedicação.
Pelo amor à família.
Um legado que permanecerá para sempre
Hoje, ao olhar para trás, é impossível contar a história do Bar do Guedes sem contar a história de Maria.
Também é impossível falar sobre parte da história empresarial e social de Coxim sem lembrar do casal que fez daquele estabelecimento um ponto de encontro da cidade.
Maria do Zé Guedes não construiu apenas um comércio.
Construiu relações.
Construiu amizades.
Construiu uma família unida.
Construiu uma tradição que atravessa gerações.
Sua vida demonstra que a verdadeira grandeza não está apenas nas grandes conquistas materiais, mas na capacidade de transformar trabalho em dignidade, família em fortaleza e acolhimento em legado.
Hoje, Maria continua sendo exemplo de mulher, mãe, empresária e matriarca. Uma nordestina que saiu do sertão levando apenas coragem e esperança, mas que encontrou em Coxim uma nova terra para plantar suas raízes. E dessas raízes nasceu uma história que já faz parte do patrimônio humano e afetivo do município, escrita diariamente com simplicidade, honestidade e um amor incondicional pela família e pela comunidade que a acolheu.
 

Orgulhos Coxinenses

Menino Tió: a travessia de Zacarias Mourão

Há homens que vivem seu tempo. E há aqueles raros escolhidos pela história que conseguem transformar sua própria existência em patrimônio de um povo, existem...

Menino Tió: a travessia de Zacarias Mourão

26 de junho de 2026

Menino Tió: a travessia de Zacarias Mourão

 

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Há homens que vivem seu tempo. E há aqueles raros escolhidos pela história que conseguem transformar sua própria existência em patrimônio de um povo, existem aqueles que conseguimos ouvir, mesmo não estando mais aqui.
Zacarias Mourão foi um deles.
Seu nome não pertence apenas à música sertaneja. Não pertence apenas à cultura sul-mato-grossense. Não pertence apenas à memória de Coxim. Seu nome habita um território muito maior: o território da emoção coletiva, onde vivem as histórias que resistem às décadas, às mudanças e ao esquecimento.
Quando se fala em Zacarias Mourão, não se fala apenas de um compositor. Fala-se de um homem que carregou sua terra natal dentro do peito durante toda a vida. Um artista que transformou lembranças em versos, saudades em melodias e sentimentos em herança cultural.
Nascido em 15 de março de 1928, às margens do Rio Taquari, na histórica Coxim, Zacarias dos Santos Mourão chegou ao mundo em uma cidade ainda jovem, cercada pelas águas, pela natureza exuberante e pelas histórias de um sertão que ajudaria a moldar seu olhar sensível sobre a vida.
Filho daquela terra generosa, cresceu observando os movimentos do rio, o canto dos pássaros, as ruas simples, os encontros de vizinhos e os costumes de um povo que aprendia a construir seu destino em meio aos desafios do interior brasileiro.
Foi um menino inquieto.

Travesso.

Curioso.

Cheio da energia própria daqueles que nasceram para explorar o mundo.

Mas, mesmo sem saber, aquele garoto já guardava dentro de si algo que mais tarde se revelaria extraordinário: a capacidade de enxergar poesia onde os outros viam apenas rotina.
Ainda muito jovem, precisou deixar Coxim para seguir os estudos. Como tantos filhos do interior, partiu em busca de novos horizontes. Foi para o seminário em Petrópolis, no Rio de Janeiro, iniciando uma jornada que o levaria para muito longe das margens do Taquari.
Mas existe uma verdade que acompanha todos aqueles que amam profundamente sua terra: ninguém parte completamente.
Uma parte de Zacarias permaneceu em Coxim.
E uma parte de Coxim seguiu com Zacarias para onde quer que ele fosse.
Antes da partida, realizou um gesto aparentemente simples. No quintal da casa onde vivia, plantou uma pequena muda de pé de cedro.
Talvez fosse apenas uma despedida silenciosa.

Talvez uma esperança.

Talvez um símbolo de retorno.

Talvez tudo isso junto.
Anos mais tarde, ao voltar para sua cidade, encontrou aquela pequena árvore transformada em um cedro forte, robusto e imponente.
Naquele instante, não foi apenas a árvore que reencontrou.
Reencontrou a infância.

Os amigos.

As ruas.

Os sonhos.

Os rostos queridos.

A própria identidade.

Da emoção daquele encontro nasceu uma das mais belas e importantes composições da música sertaneja brasileira: Pé de Cedro.
A canção ultrapassou os limites da música.
Transformou-se em memória.

Transformou-se em símbolo.

Transformou-se em patrimônio afetivo.

Em cada verso, Zacarias registrou o sentimento universal de quem parte, mas jamais esquece de onde veio. Falou sobre saudade antes mesmo de ela se tornar moda. Falou sobre pertencimento antes que essa palavra ocupasse os discursos contemporâneos.

Falou sobre amor à terra natal.

E foi justamente por isso que “Pé de Cedro” atravessou gerações.

Porque não falava apenas de uma árvore.

Falava de raízes.

Falava de identidade.

Falava daquilo que permanece vivo mesmo quando o tempo insiste em seguir adiante.

Graças à força dessa composição, o nome de Coxim passou a ecoar muito além das fronteiras regionais. O Brasil inteiro passou a conhecer, através da música, uma cidade que se transformou em inspiração permanente para um de seus filhos mais ilustres.
Poucos artistas conseguiram fazer tanto por sua terra natal quanto Zacarias Mourão.

Ele levou Coxim para os palcos.

Levou Coxim para os rádios.

Levou Coxim para os discos.

Levou Coxim para o coração do Brasil.

Ao longo de sua carreira, construiu uma obra monumental. Mais de mil e trezentas músicas gravadas revelam a dimensão de um talento raro, capaz de unir simplicidade popular e profundidade poética.

Trabalhou em grandes emissoras de rádio.

Atuou como produtor artístico.

Participou de momentos importantes da indústria fonográfica nacional.

Conviveu com grandes nomes da música brasileira.

Conquistou reconhecimento em diferentes regiões do país.

Mas jamais abandonou suas origens.

Quanto mais distante estava geograficamente, mais próximo parecia estar emocionalmente de Coxim.

Suas composições funcionavam como pontes.

Pontes entre passado e presente.

Pontes entre memória e futuro.

Pontes entre a cidade e aqueles que precisaram deixá-la.

Em músicas como “A Mato-grossense”, “Saudade de Coxim” e “Fala Coxim”, o compositor registrou não apenas paisagens, mas sentimentos. Não apenas lugares, mas identidades. Não apenas histórias, mas modos de viver.

Sua obra ajudou a construir uma narrativa afetiva sobre Coxim.

Uma narrativa que continua viva.

Uma narrativa que continua inspirando.

Uma narrativa que continua emocionando.

Por isso, Zacarias tornou-se muito mais que um artista.

Tornou-se um símbolo cultural.

Uma referência.

Uma espécie de guardião da memória coletiva coxinense.

Quando retornava à cidade, encontrava inspiração.

Quando partia, levava saudade.
E foi desse ciclo permanente entre ida e volta que nasceu uma das obras mais autênticas da música sertaneja brasileira.
Em 23 de maio de 1989, sua trajetória terrena foi interrompida de forma repentina.
A notícia de sua morte provocou profunda comoção.

Coxim chorou e calou, um silêncio que ecoou em todos os lares.

Mato Grosso do Sul chorou.

A música sertaneja perdeu um de seus grandes arquitetos da palavra.

Mas a história de homens como Zacarias não termina com a morte.

Porque existem pessoas que permanecem através daquilo que construíram.

E Zacarias construiu muito.

Construiu canções.

Construiu memórias.

Construiu identidade cultural.

Construiu pertencimento.

Construiu orgulho.

Décadas após sua partida, sua presença continua sendo sentida.

Está presente nos festivais.

Nas escolas.

Nos projetos culturais.

Nas rodas de viola.

Nas conversas entre amigos.

Nas lembranças dos mais velhos.

Na curiosidade dos mais jovens.

E, principalmente, no coração daqueles que compreendem a importância de preservar a própria história.

Amigos, admiradores, músicos, pesquisadores, escritores, jornalistas, agentes culturais e cidadãos coxinenses continuam defendendo e respeitando seu legado com dedicação e carinho.

Mantêm viva sua memória.

Compartilham suas histórias.

Divulgam suas canções.

Protegem sua contribuição cultural.

Compreendem que homenagear Zacarias não é apenas recordar o passado.

É garantir futuro para a identidade cultural de Coxim.

Porque uma cidade sem memória perde parte de sua alma.

E Zacarias é uma das maiores expressões da alma coxinense.

Seu legado pertence às novas gerações.

Pertence aos que vieram antes.

Pertence aos que ainda virão.

Pertence a todos aqueles que entendem que a cultura é uma das formas mais nobres de eternidade.

Hoje, o homem já não caminha pelas ruas da cidade.

Mas sua voz continua caminhando.

Continua atravessando décadas.

Continua atravessando fronteiras.

Continua encontrando novos ouvidos e novos corações.

O menino que um dia plantou um pequeno cedro no quintal de casa jamais poderia imaginar que, na verdade, estava plantando algo muito maior.

Plantava memória.

Plantava identidade.

Plantava cultura.

Plantava eternidade.

E assim como aquele cedro cresceu firme diante das tempestades e do passar dos anos, também cresceu sua obra.

Hoje, ambos permanecem de pé.

Um na terra de Coxim.

Outro na história do Brasil.

Ambos lembrando que existem raízes profundas demais para serem arrancadas pelo tempo.

E que enquanto houver alguém cantando seus versos, emocionando-se com suas canções ou contando sua história, Zacarias Mourão continuará vivo.

Não apenas como compositor.

Não apenas como artista.

Mas como a voz eterna de Coxim.

O homem que transformou saudade em patrimônio.

O poeta que fez do sertão melodia.

O filho que colocou Coxim no mapa musical do Brasil.

E que, por isso, jamais deixará de pertencer à sua terra e ao seu povo.